Amapá – O Governo do Estado divulgou um balanço das ações realizadas pelo Grupo Tático Aéreo (GTA) nos primeiros cinco meses de 2025. O levantamento aponta 31 operações de salvamento e resgate de janeiro até quinta-feira (29). A maior parte dos atendimentos acontecem em comunidades de difícil acesso no Amapá e Pará.
O GTA é integrado ao sistema operacional de ação imediata da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e tem como principal objetivo realizar multimissões, como atendimentos de resgate e ajuda humanitária.
Trabalho ágil e eficiente
Na quarta-feira (28), o GTA realizou dois procedimentos que garantiram remoção rápida de vítimas. No início da manhã, um homem de 43 anos sofreu acidente durante um trabalho de roçagem. A ocorrência aconteceu no distrito de Igarapé do Lago, área quilombola, localizada na BR-156, no município de Santana, a 90 quilômetros de Macapá.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que estava a bordo do helicóptero Gavião 01, fez a estabilização do paciente para seguir ao Hospital de Emergência, na capital. Chegando em Macapá, o pouso foi realizado no campo do estádio Glicério Marques, que fica próximo à unidade hospitalar.
O GTA foi novamente acionado no período da tarde para a segunda ocorrência, que aconteceu na comunidade Rio Serraria Grande, no município paraense de Afuá. A vítima, um adolescente de 13 anos, sofreu queda enquanto subia em um açaizeiro.
O pouso foi feito em um campo de futebol da comunidade e, para chegar ao local de difícil acesso, onde estava o adolescente acidentado, as equipes do SAMU e GTA, deslocaram-se pelo rio em embarcação tipo rabeta. Feita a estabilização da vítima, o trajeto foi refeito até a remoção para o helicóptero e ida para Macapá. “Essencial o uso da aeronave, o tempo é primordial nesse tipo de ocorrência”, frisou capitão Bryan Fonseca, subcoordenador do GTA.
Salvamento
Em março deste ano, em uma ação rápida, quatro homens que estavam desaparecidos há dois dias na Reserva Extrativista do Rio Cajari, localizada no município de Laranjal do Jari, na Região Sul do Amapá foram encontrados com vida pela equipe do Grupo Tático Aéreo.
Devido ao plano de voo operacional, que traçou possíveis localizações dos homens, foi possível observar um sinal de fumaça em meio a floresta fechada. Foi realizada a técnica de rapel, quando um dos tripulantes desceu pelas cordas da aeronave até o solo para encontrar as vítimas. Após receberem os cuidados iniciais, os homens foram embarcados no helicóptero e transportados para a área segura e entregues para suas famílias.
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GTA realiza 31 operações de resgate e salvamento nos primeiros cinco meses de 2025 no Amapá e Pará: Foto: Divulgação
GTA realiza 31 operações de resgate e salvamento nos primeiros cinco meses de 2025 no Amapá e Pará: Foto: Divulgação
GTA realiza 31 operações de resgate e salvamento nos primeiros cinco meses de 2025 no Amapá e Pará: Foto: Divulgação
GTA realiza 31 operações de resgate e salvamento nos primeiros cinco meses de 2025 no Amapá e Pará: Foto: Divulgação
GTA realiza 31 operações de resgate e salvamento nos primeiros cinco meses de 2025 no Amapá e Pará: Foto: Divulgação
Pará – O cerco à febre amarela, endemia cuja propagação vem sendo contida ao longo de todo o recorte do Rio Amazonas, tanto na Calha Norte quanto ao sul, lembra uma operação de guerra. A infantaria dessa batalha é composta por agentes de saúde, médicos, veterinários, pilotos, policiais e bombeiros.
É um batalhão de servidores públicos embrenhado nas matas adjacentes aos locais onde a doença desfalcou quatro famílias. Eles têm a missão de impedir novos óbitos. A munição da vida são as vacinas. São 25 mil doses que vão reforçar a imunização nos municípios sob área de influência da doença. Na sexta-feira (31), vinte e cinco mil doses chegaram ao oeste do Pará, reforçando o poder de fogo da imunização.
Com as aeronaves se consegue chegar às localidades mais distantes e carentes e com muito mais rapidez. Foto: Ascom-Polícia Militar.
O acesso a alguns desses lugares não é fácil. Há comunidades minúsculas encravadas no meio da floresta, onde crianças, jovens e adultos vivem e trabalham sem informação, sem precaução sanitária, sem prevenção ao “inimigo”. Os vilões são os mosquitos que habitam a copa de árvores e precisam do sangue de primatas – humanos ou macacos – para manter o ciclo de reprodução.
O adoecimento de macacos é um sinal de alerta para as autoridades de saúde. A morte desses animais, que convivem com os insetos no mesmo hábitat, acende o sinal vermelho. O diagnóstico, após exame sorológico feito pelo Instituto Evandro Chagas e confirmada a febre amarela, é o estopim de operações emergenciais como a que está sendo realizada há três semanas no lado esquerdo do território paraense.
A ocorrência de quatro casos em humanos, que infelizmente vieram à óbito, transforma a ação numa verdadeira operação de guerra. A Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa) mapeou as áreas de risco, a partir de Alenquer e Monte Alegre, cidades de origem das quatro vítimas fatais da doença: duas crianças e dois jovens. Nenhuma delas era vacinada e todas foram infectadas durante incursões em mata fechada, na zona rural daqueles municípios.
Monitoramento
Desde que o Evandro Chagas confirmou a primeira morte de macaco por febre amarela, a Sespa começou a desenhar o raio da ação preventiva que culminou com a operação de emergência agora em curso, em que foram vacinadas 10 mil pessoas em apenas três dias.
É um trabalho preventivo em conjunto entre Sespa e Segup, para que possamos imunizar o maior número de pessoas possível na região. Com as aeronaves a gente consegue chegar às localidades mais distantes e carentes e com muito mais rapidez do que se fôssemos pelas estradas”, explica o major PM Mauro Maués, que coordena o trabalho em Alenquer. Graças ao Graesp, mil pessoas da comunidade quilombola Pacoval, que fica a cerca de 50 quilômetros de Alenquer, foram vacinadas na terça-feira (28).
Com as aeronaves se consegue chegar às localidades mais distantes e carentes e com muito mais rapidez. Foto: Ascom-Polícia Militar.
Ao mesmo tempo em que age nas cidades de Monte Alegre, Alenquer, Curuá e Oriximiná, a Secretaria monitora casos de primatas mortos nos quatro cantos do Pará. De Santana do Araguaia a Salinópolis, de Concórdia do Pará a Rurópolis, ao longo das grandes rodovias Santarém-Cuiabá e Transamazônica, no curso dos rios Xingu, Amazonas e Guamá, e até mesmo na região metropolitana de Belém.
“Todas as mortes de macacos são registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Daí partimos, então, para a investigação. É claro que nem todo animal morto foi vítima de febre amarela, mas é preciso ficar vigilante. Mesmo sem o diagnóstico confirmado para a doença, imediatamente se faz o cerco preventivo, como o que estamos fazendo no oeste do Pará, imunizando as populações vulneráveis”, diz o médico veterinário Fernando Esteves, que coordena o grupo de trabalho de Zoonoses da Sespa.
Nos últimos dias, as equipes de saúde, com apoio da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) e prefeituras locais, tentam isolar as ocorrências com vacinação em massa, borrifação nas casas, orientação e assistência médica aos moradores da região, sobretudo na zona rural. O raio dessas ações se desdobra pelo entorno de lugares considerados críticos, desenhando uma espiral de proteção sanitária.
Avião Grand Caravan do GRAESP sendo utilizado na distribuição das vacinas. Foto: Divulgação.
Emoção
A estratégia da Sespa, além de fechar o cerco nessas áreas e estender o trabalho a leste, oeste, norte e sul, com ações de vigilância nas regiões passíveis de propagação da endemia, é mapear a rota do vírus no Pará. “A única forma de prevenção é a vacina, levada por nossas equipes para as pessoas que estão no caminho previsível da doença”, diz o biólogo Alberto Soares, do 9º Centro Regional de Saúde, da Sespa, com sede em Santarém. Ele é um dos soldados na linha da frente da guerra contra a endemia, executando ações tão díspares entre si quanto importantes, do fumacê à educação em saúde.
Esse trabalho desgasta, mas também emociona. A secretária-adjunta de Saúde, Heloísa Guimarães, envolvida com o problema desde o primeiro momento, fala sobre vitórias e derrotas na guerra contra a endemia, uma das doze doenças sazonais que, ano após ano, ganham relevo no Pará. Isso ocorre porque o Estado tem condições climáticas propícias ao ciclo das infecções e dimensões continentais refratárias ao controle.
Um dos casos que mais comoveram as equipes alocadas em Alenquer foi o do menino de 10 anos que não resistiu à doença. “Conseguimos contatar a família. Vacinamos a mãe e os irmãos. Agendamos a imunização dele, que acompanhava o pai, trabalhando mata adentro, mas, infelizmente, o garoto foi infectado nessa incursão, dois dias antes de ser imunizado. Não conseguimos salvá-lo”, lamenta.
Assim como o menino, na zona rural de Alenquer, há centenas de pessoas alojadas em pequenas clareiras dentro de uma enorme plantação com dois milhões de pés de açaí. Em hiatos abertos na mata pelos trabalhadores da plantação, a rotina é vivida no desconforto vulnerável de choupanas, cobertas de palha, entrelaçadas em pau-a-pique ou fincadas em madeira velha, repletas de frestas convidativas para os vetores e depositários do vírus da febre amarela: as fêmeas do mosquito Aedes aegypti.
Avião Grand Caravan do GRAESP sendo utilizado na distribuição das vacinas. Foto: Divulgação.
Rapel
Para acessar as áreas de difícil acesso, as equipes usam todos os meios de transporte possíveis: bicicletas e motos, caminhonetes e “voadeiras”. A aeronave do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) leva as vacinas aos locais mais precários. Muitas vezes, é preciso descer de rapel do helicóptero posicionado sobre as comunidades mais recônditas, para garantir a vacinação de todos.
“Guerra é guerra”, resume o major PM Mauro Maués, um dos pilotos do Estado que transportam as milhares de doses de vacina levadas aos rincões da floresta para garantir a vacinação de cada habitante daquela região. “Não vamos descansar enquanto o surto não estiver plenamente contido”.
Responsável pelo carregamento de vacinas, o diretor de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, foi buscar as doses de reforço em Brasília e, nem bem pôs os pés no aeroporto de Belém, já embarcou no avião do Graesp rumo a Alenquer. Durante as quase três horas de vôo, ele não escondia a ansiedade. “Cada segundo é determinante para a contenção dessa doença. Temos uma missão e vamos cumpri-la”, garantiu.
Texto: Luiz Carlos Santos e Paulo Silber.
Governo do Estado do Pará
Maranhão – Na manhã do dia 01/04, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Saúde (SES) e do Centro Tático Aéreo (CTA), realizou ação solidária com entrega de donativos a famílias carentes em Mirinzal.
CTA do Maranhão participa de ação solidária com entrega de donativos a famílias carentes em Mirinzal. Divulgação CTA.
A ação foi motivada após o CTA, em parceria com a SES, ter realizado o transporte aeromédico de duas crianças que foram vítimas de acidentes de moto, no último dia 22/03. A situação carente da família motivou o início de uma campanha para arrecadar cestas básicas, roupas e materiais de higiene pessoal. Em cinco dias de campanha o CTA arrecadou 54 cestas básicas, 35 kit’s de higiene e muitas roupas para adultos e crianças.
A operação de ajuda humanitária contou com a participação de sete militares, o helicóptero Águia 01 (EC-145), uma viatura Van “Cobra 11”, pessoal da Cruz Vermelha e voluntários. Foram 54 famílias assistidas com cestas básicas; centenas de pessoas receberam roupas e calçados (adultos e crianças); dezenas de famílias receberam kit’s de higiene e algumas pessoas receberam apoio da Cruz Vermelha com encaminhamentos para tratamento de saúde em São Luís.
“A iniciativa do CTA proporcionou uma cooperação e interação com várias pessoas e instituições que se sensibilizaram e apoiaram a campanha. A iniciativa consolida mais uma vez o CTA como importante órgão do estado na realização de ações que transcendem as suas missões regulamentares”, disse o diretor do CTA do Maranhão, coronel Ismael de Souza Fonseca.
“O fato de estender a mão ao próximo que se encontra em necessidades produz efeito duplo; ganha quem é assistido pela ação e ganha muito mais quem dedica seu tempo e esforço. Produz uma sensação incrível de ser humano”, complementou o coronel Ismael.
CTA do Maranhão participa de ação solidária com entrega de donativos a famílias carentes em Mirinzal. Divulgação CTA.