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Amazonas – Quase 80% dos voos aeromédicos realizados no Amazonas em 2025 ocorreram em regime de transferência conjunta, com duas macas a bordo, dado que expõe a intensidade da demanda por remoções simultâneas em um estado de dimensões continentais, marcado por vazios assistenciais e por longas distâncias entre os municípios do interior e os centros de referência em saúde.

Levantamento inédito com dados operacionais da Brasil Vida Táxi Aéreo, de janeiro a novembro, aponta que, dos 444 voos aeromédicos realizados, 354 transportaram dois pacientes na mesma aeronave, enquanto apenas 87 missões ocorreram com um único paciente, restando às transferências interestaduais um papel residual, com somente três registros em todo o período analisado. Em 2026, a tendência de voos segue a mesma.

O padrão se repete ao longo de praticamente todo o ano, inclusive nos meses de maior volume operacional, como setembro, quando 46 dos 51 voos foram realizados em formato conjugado, e janeiro, que registrou 26 voos com duas macas, entre um total de 34 operações, demonstrando que a transferência conjunta deixou de ser exceção para se tornar a regra no transporte aeromédico do estado.

Operação complexa

Esse modelo de operação exige planejamento rigoroso e alto grau de coordenação, já que as aeronaves frequentemente pousam em municípios distintos para embarcar pacientes diferentes, antes de seguir para Manaus ou para hospitais de referência — estratégia que busca otimizar o uso da frota, reduzir o tempo de espera por remoção e ampliar a capacidade de resposta do sistema público de saúde diante de múltiplos chamados simultâneos.

Os atendimentos envolvem, majoritariamente, pacientes em estado grave, muitos deles em intubação orotraqueal, com múltiplas comorbidades, além de neonatos de baixo peso e adultos em sofrimento respiratório agudo, todos transportados com suporte completo de UTI aérea e equipes médicas especializadas, em operações que precisam conciliar urgência médica, segurança operacional e limitações logísticas impostas pela geografia amazônica.

Os deslocamentos por vias terrestres ou fluviais podem levar dias, aumentando a pressão permanente sobre a rede de saúde, que depende do transporte aéreo como elo essencial para garantir acesso a tratamentos de média e alta complexidade. Além disso, os números revelam que a predominância dos voos conjugados refletem eficiência operacional, pois os pagamentos são realizados por quilômetro voado e não por número de pacientes transportados.

Foto: Brasil Vida.
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