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A alta de cerca de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) pressiona a aviação geral brasileira e acende um alerta para as operações aeromédicas, que dependem de disponibilidade contínua para atender pacientes em estado crítico. Sem margem para redução de voos, o setor passa a lidar com o desafio de sustentar a operação em um cenário de custos mais elevados.

O aumento do combustível ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que tem pressionado o preço do petróleo no mercado global e impactado diretamente cadeias logísticas e setores dependentes de energia. Enquanto o governo estuda medidas para mitigar os impactos da alta do combustível na aviação comercial, como a redução de tributos PIS e o Cofins, operações essenciais como o transporte aeromédico seguem sem instrumentos específicos de compensação, mesmo diante do aumento direto dos custos.

No transporte de pacientes em estado grave, o voo não é uma decisão de mercado, mas uma necessidade clínica. A remoção, o deslocamento de equipes médicas e o transporte de órgãos para transplante dependem de disponibilidade imediata, independentemente do cenário econômico.

Com atuação em seis estados brasileiros, a Brasil Vida Táxi Aéreo realiza cerca de 3 mil voos por ano, o que representa, em média, oito operações por dia. Parte significativa dessas missões envolve o atendimento a pacientes em regiões remotas, onde o deslocamento aéreo é a única alternativa viável para garantir acesso a serviços de saúde especializados. A empresa também realiza operações internacionais, ampliando sua atuação para além do território nacional.

A partir da operação em campo, a Brasil Vida aponta que o aumento do combustível atinge diretamente a estrutura de custos de missões que exigem prontidão permanente. Segundo o diretor comercial da empresa, Daniel Henrique, o impacto vai além do aspecto financeiro e alcança a gestão da disponibilidade das aeronaves.

“O transporte aeromédico não permite adiamento. Quando há uma indicação médica, o voo precisa acontecer no menor tempo possível. Com o aumento do combustível, o desafio passa a ser manter essa disponibilidade com o mesmo nível de eficiência e segurança”, afirma.

Ela destaca que o cenário é ainda mais sensível em regiões onde o transporte aéreo é essencial para garantir acesso à saúde, como no Norte do país. “Em muitas situações, especialmente na Amazônia, o deslocamento aéreo é a única alternativa viável para garantir atendimento especializado. Isso exige planejamento operacional contínuo e capacidade de adaptação diante de variações de custo”, acrescenta.

A avaliação é compartilhada pelo diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo, Gilberto Scheffer, que aponta efeitos estruturais do aumento do combustível em toda a cadeia.

“Quando falamos de um reajuste de 55%, não é apenas um aumento pontual, mas um impacto direto na economia do setor. O combustível representa entre 30% e 50% dos custos operacionais. Além disso, o querosene precisa ser transportado das refinarias, concentradas no Sudeste, até regiões como Norte e Centro-Oeste, o que envolve diesel em caminhões e balsas. Esse custo se acumula e chega ao preço final”, explica.

Scheffer ressalta que o impacto tende a ser mais intenso fora dos grandes centros, onde o táxi aéreo cumpre função essencial de conexão. “Enquanto a aviação comercial atende cerca de 170 municípios, o táxi aéreo alcança até 3 mil. Em muitas dessas localidades, não há outra alternativa viável de transporte rápido. Sem esse serviço, o deslocamento que hoje leva horas pode passar a levar dias”, afirma.

Diante desse cenário, a Brasil Vida alerta para a pressão sobre a sustentabilidade das operações, especialmente aquelas ligadas à saúde. “Há um risco real de pressão sobre o setor, principalmente nas operações mais sensíveis, como as aeromédicas, que não podem ser interrompidas. Se não houver equilíbrio, o impacto pode chegar diretamente à ponta, que é o atendimento à população”, conclui Daniel Henrique.

O querosene de aviação é um dos principais custos do setor e tem impacto direto na operação diária das aeronaves. Em cenários de alta, empresas tendem a revisar processos, otimizar rotas e reforçar o planejamento. No caso das operações aeromédicas, no entanto, a demanda segue determinada por necessidades clínicas, o que limita a capacidade de ajuste e amplia a sensibilidade a variações externas.

Imagem gerada por Gemini IA.
Imagem gerada por Gemini IA.

 

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