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Mato Grosso do Sul – De quedas de cavalo a surtos psicóticos, passando por picadas de cobra, crises de bronquite e até mesmo um palito no ouvido, são várias as razões para o acionamento dos militares do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Oeste (1ºEsqdHU-61).

Nos últimos 12 anos, os helicópteros UH-12 “Esquilo” decolaram de sua base em Ladário (MS), às margens do Rio Paraguai e na fronteira com a Bolívia, mais de 260 vezes em operações de evacuação aeromédica (EVAMs), sendo 33 apenas no ano passado.

O serviço é uma ação de cooperação com o Corpo de Bombeiros local e ocorre principalmente em locais de difícil acesso — ou inviáveis por meio terrestre — e em caso de comprovada emergência. Em 2025, as principais causas para esse tipo de operação foram o apoio a gestantes ou mulheres após o parto e acidentes com cavalos.

No ‘Esquadrão Gavião’ (como o 1ºEsqdHU-61 é conhecido), a gente aprende que cada voo pode ser o voo mais importante da vida de alguém”, afirmou o Chefe do Departamento de Operações do 1ºEsqdHU-61, Capitão-Tenente Mateus dos Santos Lima.

De acordo com o Capitão-Tenente Mateus Lima, uma série de fatores precisa ser considerada em EVAMs, como a necessidade de transporte deitado – o que aumenta os riscos da missão, pela necessidade de o voo ter apenas um piloto –, o local do resgate e as condições do tempo. No Pantanal, ainda é preciso considerar o terreno alagável, já que o local de pouso de ontem pode não estar disponível hoje; o calor, que impacta o desempenho da aeronave e da tripulação; e a distância para outros destinos.

“As demandas de resgate, por vezes, são solicitadas para lugares próximos ao limite de alcance da aeronave, o que não deixa espaço para erros, uma vez que, no Pantanal, não existe apoio logístico para reabastecimentos”, avalia. Mas, em 2025, um fator não impactou tanto quanto em 2024: o fogo.

“Em 2024, as queimadas reduziram drasticamente a visibilidade e geraram conflito de missões, com as aeronaves divididas entre combate a incêndio, transporte, EVAM e as demais demandas operativas. Em 2025, com menos queimadas, tivemos mais previsibilidade operacional, menor desgaste físico da tripulação e maior disponibilidade de meios para EVAM, sem desvio constante de prioridade”, lembra o militar.

Gestantes e puérperas trazem desafios adicionais. Os motivos vão desde a pressão emocional até a possibilidade de o trabalho de parto ocorrer durante o voo. “São algumas das EVAMs mais sensíveis que realizamos. Elas exigem disciplina, calma e confiança mútua entre piloto e equipe médica. É o tipo de missão que reforça o sentido do que fazemos”, acredita.

E a lembrança mais marcante do Capitão-Tenente Mateus Lima em uma EVAM foi justamente envolvendo uma puérpera. “Lembro de uma mãe e um recém-nascido removidos em condições meteorológicas marginais. O bebê nasceu prematuro e a mãe apresentava hemorragia desde o parto, que havia acontecido na noite anterior ao resgate. Meses depois, recebemos a notícia de que a mãe e o bebê estavam bem. Nessas horas, fica só a certeza de que valeu a pena.

Em 12 anos, helicópteros da Marinha realizaram mais de 260 evacuações aeromédicas no Pantanal.
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