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Aeromédico do Brasil – O portal Resgate Aeromédico iniciou uma série de entrevistas com os protagonistas do aeromédico brasileiro para conhecer melhor o funcionamento dos operadores aeromédicos públicos e privados.

No Brasil, segundo a ANAC, o serviço aeromédico privado é explorado por cerca de 39 empresas de táxi-aéreo. Nesse setor há também operadores públicos. Os Corpo de Bombeiros Militares, Polícias Militares, Polícias Civis, Polícia Rodoviária Federal e Secretarias de Segurança Pública realizam atividades de resgate e transporte aeromédico. Em muitos Estados essas unidades são integradas.

Tenente Coronel BM Alexandre.
Tenente Coronel BM Alexandre.

Dessa vez vamos falar sobre o Batalhão de Operações Aéreas  (BOA) do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. O Ten Cel BM Alexandre Gomes Rodrigues é comandante de aeronaves de asa fixa, está na aviação desde 2005 e comanda o BOA desde janeiro de 2018. Esteve a frente das operações aéreas na tragédia de Brumadinho. O BOA é um operador público que realiza operações de busca e salvamento, operações aeromédicas, apoio a Defesa Civil, transporte de órgãos e de pessoal.

RA: Quais aeronaves vocês operam?

Ten Cel Alexandre: O BOA opera atualmente 6 aeronaves. Um avião modelo Grand Caravan e Cinco helicópteros: sendo dois do modelo AS-350 B2 VEMD, um EC-145 e mais dois esquilos AS-350 B3 (agora denominados H125).

RA: Como é a seleção e formação das tripulações das aeronaves?

Ten Cel Alexandre: O curso de tripulante é destinado à atividade suplementar de aviação de busca e salvamento e resgate aeromédico sendo que a formação de bombeiros militares dos candidatos eleva bastante o nível do resultado dos treinamentos.

Após seleção interna, a formação dos tripulantes operacionais é realizada através de um curso de qualificação existente no CBMMG chamado “Curso de Formação de Tripulante Operacional e Técnico em Abastecimento e Suplemento de Aviação”. O curso possui duração de 4 meses, sendo dois meses a distância, três semanas intensivas de treinamento aplicado à atividade aérea no Corpo de Bombeiros e 45 dias de estágio supervisionado, nos quais os alunos militares vivenciam a rotina aérea operacional e executam os procedimentos aprendidos em ocorrências reais de forma supervisionada por um tripulante mais experiente.

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa.

Destaca-se que os tripulantes também são qualificados para a função de Técnico em Abastecimento e Suplemento de Aviação (TASA), sendo treinados para exercer todas as funções de apoio no solo, como abastecimento, transporte de materiais perigosos, entre outras.

Os mecânicos de aeronave são selecionados dentre as praças do CBMMG que já possuem a formação básica. Posteriormente, tais militares realizam a qualificação/especialização para a manutenção dos modelos de aeronaves que operamos (AS350B2, AS350B3, BK117).

Os pilotos recebem a formação após seleção interna e realizam o curso de Comando de Operações Aéreas que se divide em duas etapas, sendo a primeira: o Curso de Piloto Privado (PP) teórico e a segunda: as técnicas de emprego operacional de aeronaves, realizados pelo CBMMG por meio do Batalhão de Operações Aéreas (BOA).

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa.

Os oficiais recebem a formação básica exigida pela ANAC e também a formação direcionada a atividade aérea operacional do CBMMG em que realizam treinamentos diversos sobre as técnicas utilizadas no salvamento aéreo.

A formação prática é feita através de contratação pública de empresa terceirizada para a realização do Curso de Piloto Privado (PP) prático, Piloto Comercial (PC) teórico e Piloto Comercial prático.

Durante o período de formação de cerca de 3 anos, os novos pilotos exercem funções administrativas na unidade e de Comandante de Operações Aéreas no serviço operacional do BOA, aplicando os conhecimentos e adquirindo experiência de Voo.

Quando atingem os requisitos mínimos para assumirem a função de comandante, tempo de voo, treinamento específico no modelo, e são aprovados pelo conselho de voo, os pilotos realizam o treinamento operacional intensivo, que pode ser aplicado juntamente com o CTOP, reduzindo o custo operacional da Unidade.

Parceria entre a Secretaria de Saúde de MG e o Corpo de Bombeiros Militar salva vidas. Foto: Marcus Ferreira.

RA: Vocês fazem treinamento de CRM ou algum voltado para a segurança das operações?

Ten Cel Alexandre:  O treinamento de CRM, atualmente, ocorre através da educação continuada, seja no treinamento técnico semanal, seja nos briefings diários, de forma desestruturada, não especificamente em cursos.

Já ocorreram alguns cursos na Unidade em outras oportunidades, contudo a disciplina de CRM não pode ser restrita apenas a eventos de treinamentos isolados. A segurança de Voo é extremamente discutida em tais briefings. Na ocasião, um profissional da tripulação de serviço do dia compartilha alguma situação relacionada à segurança ou é feita a leitura de um relatório contido na pasta de segurança de voo o qual é discutido de forma a aumentar a percepção de toda a equipe.

RA: Como é feita a regulação do serviço aeromédico em Minas Gerais?

Ten Cel Alexandre: A regulação médica é feita através de profissionais do SAMU que integram as bases do BOA, sempre em apoio ao Corpo de Bombeiros e também ao SUS, Sistema Único de Saúde, que demanda operações de transporte entre hospitais. Na prática, sempre que uma demanda é recebida, o médico plantonista regula a operação, avaliando as condições clínicas e também da unidade que vai receber a vítima. Havendo a necessidade e a condição para o encaminhamento, o parecer médico é dado para o transporte.

RA: No Estado de Minas Gerais existe algum hospital com heliponto preparado para receber uma vítima transportada de helicóptero?

Ten Cel Alexandre:  Em Belo Horizonte o Hospital de Pronto Socorro, HPS João XXIII é a maior referencia, possuindo um heliponto para o recebimento direto de vítimas. Ainda em Belo Horizonte existem outros helipontos em hospitais particulares como Materdei, Biocor e Unimed.

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa.

RA: Possuem convênio com algum serviço de urgência e emergência ou Secretaria de Saúde?

Ten Cel Alexandre: Sim. Pela similaridade de atuação, nos atendimentos dos casos de transporte de Urgência e Emergência no Estado de Minas Gerais, sejam terrestres ou aéreos, o Corpo de Bombeiros Militar de MG celebrou convênios com consórcios intermunicipais de saúde, prefeituras e Secretaria de Estado da Saúde. O objetivo é integrar os esforços, reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços prestados, atendendo a legislação sanitária vigente.

RA: Como é formada a equipe médica das aeronaves?

Ten Cel Alexandre: A equipe médica é formada por médico e enfermeiro do SAMU, criteriosamente escolhidos para tripular os Arcanjos.

RA: Pretendem ampliar o serviço?

Ten Cel Alexandre:  Sim, pretendemos ampliar para que a cobertura e o tempo de resposta sejam melhorados em algumas regiões, como o Leste e a Zona da Mata Mineiros.

Estimam um aumento de 30% nos atendimentos aeromédicos para o ano de 2019.

Ra: Onde fica a base de operações? Quantas bases vocês possuem?

Ten Cel Alexandre: O Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais criado através do Decreto nº 44.411 de novembro de 2006 iniciou suas atividades no dia 04 de julho de 2007 com um efetivo bem reduzido e uma frota composta por dois helicópteros modelo AS 350 B2 “Esquilo” e um avião Cessna modelo 210 “Centurion”, com sede no Aeroporto da Pampulha em Belo Horizonte.

Minas Gerais é um Estado de dimensões semelhantes ao de países como a França e a Alemanha, e por isso houve a necessidade de estender a cobertura e o atendimento com uso de helicópteros para as regiões com maior adensamento populacional e consequentemente maiores índices de ocorrências de bombeiro.

Atualmente o Batalhão possui a 1ª Companhia na Sede em Belo Horizonte, onde se concentram e ocorrem a maioria das demandas operacionais da Unidade, e três Companhias Especiais de Operações Aéreas (CEOA) no interior do Estado, sendo a 2ª CEOA em Varginha, região Sul de Minas; 3ª CEOA em Montes Claros, região Norte do Estado e a 4ª CEOA em Uberaba na região do Triangulo Mineiro.

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa.

RA: Vocês voam sempre com dois pilotos no serviço aeromédico? Qual é o modelo que utilizam?

Ten Cel Alexandre: O voo com dois pilotos é sempre um fator de redundância em relação à segurança. Ele ocorre no avião Grand Caravan e também no Helicóptero EC-145. Nos demais helicópteros modelo esquilo, as operações aeromédicas exigem a conversão da cabine, o que impede a participação do copiloto.

Nas demais operações como combates a incêndio, apoios à desastres e salvamentos em geral é possível ter embarcado o copiloto, tanto para apoio na operação quanto para o acúmulo de experiência.

RA: Quais equipamentos aeromédicos possuem na aeronave? Pretendem adquirir algo específico?

Ten Cel Alexandre: Atualmente trabalhamos em conformidade com o que é preconizado pela Portaria nº 2.048 do Ministério da Saúde de 2002, para ambulâncias tipo E (Aeronaves de Transporte Médico).

Helicóptero Arcanjo do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais resgata criança picada por escorpião.

Nesse sentido, utilizamos os seguintes materiais, de acordo com o tipo de ocorrência (Atendimento Pré-Hospitalar ou Transporte Inter-hospitalar) e o tipo de aeronave (helicóptero ou avião). Aeronaves de Asas Rotativas (Helicópteros) e Asas Fixas para atendimento pré-hospitalar ou inter-hospitalar:

  • Conjunto aeromédico: maca ou incubadora; cilindro de ar comprimido e oxigênio com autonomia de pelo menos 2 horas; régua tripla para transporte; suporte para fixação de equipamentos médicos; respirador mecânico; monitor cardioversor com bateria; oxímetro portátil; bomba de infusão; prancha longa para imobilização de coluna; dentre outros equipamentos médicos móveis.

Além desses materiais, utilizamos equipamentos de busca e salvamento para socorro em locais de difícil acesso ou outras situações adversas.

  • Equipamentos de busca e salvamento: Guincho elétrico, cordas, mosquetões, baudrier, descensores, destorcedor, cordeletes, cesto de salvamento, sling, triângulo de resgate, maca envelope, placa de multiancoragem, polias, anéis de fita, saco de arremesso e flutuador de resgate.

Em relação a novas aquisições, temos interesse em adquirir equipamentos médicos mais atualizados a fim de manter os atendimentos aéreos em conformidade com os avanços tecnológicos. Exemplo: aquisição de respiradores mecânicos disponíveis há pouco tempo no mercado.

Treinamento do BOA/MG na Serra da Moeda. Foto: Marcos Junglas.

DADOS TÉCNICOS DAS AERONAVES

Dois helicópteros AIRBUS AS350B2 VEMD Esquilo, aeronave monomotora equipada com o motor a reação TURBOMECA ARRIEL 1D1, de 531 Kw (712 SHP) de potência, com peso máximo de decolagem de 2250 Kg, velocidade máxima de 155 Kt (287 Km/h) e autonomia de 3h30 de voo.

Dois helicópteros AIRBUS AS 350 B3e Esquilo, aeronave monomotor equipada com o motor TURBOMECA ARRIEL 2D, de 641 Kw (860 SHP) de potência, com peso máximo de decolagem de 2250 Kg, velocidade máxima de 155 Kt (287 Km/h) e autonomia de 03h30 de voo.

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa

Estes helicópteros operam em condições de voo VFR diurno e noturno, com capacidade para 6 lugares e podem ser usados nas diversas operações do Batalhão de Operações Aéreas, como Rapel, McGuire, remoção de vítimas com guincho, transporte de carga externa com gancho, evacuação aeromédica, dentre outras.

Um helicóptero AIRBUS EC 145, aeronave bimotora equipada com 2 motores a reação TURBOMECA ARRIEL 1E2, de 551 Kw (738 SHP) de potência, com peso máximo de decolagem de 3.585 Kg, velocidade máxima de 150 Kt (277 Km/h) e autonomia de 03h00 de voo.

Este helicóptero opera em condições de voo VFR diurno e noturno, e IFR. Pode operar até com 10 lugares e está equipado com a configuração aeromédica completa, podendo transportar até 2 vítimas, além de poder ser usado como aeronave multimissão.

Equipes do BOA do CBMMG preparando equipamentos e aeronaves. Foto: Roberto Valadares Caiafa

Um avião Cessna 208B Grand Caravan, aeronave monomotora equipada com o motor a reação Pratt& Whitney PT6, de 634 Kw (850 SHP) de potência, com peso máximo de decolagem de 3989 Kg, velocidade máxima de 186 Kt (344 Km/h) e autonomia de 06h00 de voo.

Esta aeronave é muita utilizada para transportes, remoções, transferências aeromédicas, transportes de órgãos vitais, além de ser um excelente instrumento para o transporte de tropas terrestres em apoio a operações de grandes catástrofes, como em Brumadinho.

Avião Cessna 208B Grand Caravan. Foto: Roberto Caiafa.
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