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UOL e G1, por Rafaela Leal.

Piauí – Um grande susto parou o almoço da família Barreto na última terça-feira (3), mas terminou com um final feliz graças à ação rápida dos primeiros socorros de Walter Neto, de apenas sete anos. Uma espinha de peixe ficou presa na garganta do pequeno Davi Ilírio, de três anos, primo de Walter. A família mora no bairro Santo Antônio, na Zona Sul de Teresina, e no momento avô e a tia do menino se revezaram em tentar ajudar o garoto, mas não conseguiram. Foi Walter quem conseguiu socorrer o primo graças às manobras que aprendeu com os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

Aluno de sete anos do projeto ‘Samuzinho’ salva primo engasgado com espinha de peixe. Foto: Rafaela Leal / G1 PI

Walter contou que ficou calmo para que fosse possível realizar a manobra que havia aprendido durante as aulas. “Meus pais não conseguiram socorrer Davi, então eu comecei a realizar o procedimento. Eu nunca havia feito algo parecido nessas condições. Fiz três vezes a manobra”, disse Walter. Com a ajuda do primo, Davi conseguiu cuspir a espinha, e ele e toda a família conseguiram respirar tranquilos novamente.

Depois que consegui eu fui avisar a todos de casa que tinha conseguido e fiquei muito feliz”, contou Walter Neto. A tranquilidade do garoto impressionou Ana Gabriela, mãe do menino. “Ele disse que poderia ajudar e sabia o que fazer, ele percebeu nosso desespero e entrou em ação. O fato dele ter conseguido e de saber que ele tem a capacidade foi o que me deixou mais feliz”, disse Ana.

Projeto Samuzinho

O Samuzinho é um projeto voluntário idealizado por profissionais do Samu de Piauí, que começou em 2014 e está em sua terceira turma. O projeto é ministrado em aulas quinzenais para crianças entre 7 e 13 anos e ensina técnicas de primeiros socorros, como reanimação, prevenção de acidentes domésticos, engasgos, como reconhecer uma parada cardíaca, um infarto e um AVC ou como chamar o resgate e demais órgãos públicos.

Aluno de sete anos do projeto ‘Samuzinho’ salva primo engasgado com espinha de peixe. Foto: Rafaela Leal / G1 PI

Walter Neto é aluno do  Projeto Samuzinho.“Nós do Samu iniciamos esse trabalho com as crianças porque são atenciosas e focadas, aprendem mais, e acreditamos muito que ‘primeiros socorros’ é matéria de sala de aula”, disse a técnica em enfermagem Elisângela De Jesus Pereira, membro do Projeto Samuzinho.

Através do treinamento no Projeto Samuzinho, Walter Neto pôde identificar que o pequeno Davi havia sofrido um engasgo total. O garoto lembrou qual a manobra certa para aquele tipo de procedimento, e executou.

O movimento executado foi a manobra de Heimlich, em que o socorrista se posiciona atrás da pessoa engasgada e, a abraçando por trás, realiza uma forte pressão no diafragma, logo abaixo dos pulmões, forçando uma tosse para ajudar a desobstruir as vias respiratórias.

“O engasgo parcial é aquele mais comum com saliva, água e a gente consegue tossir, já o engasgo total o sofrido por Davi é aquele que a gente não consegue falar, tossir e respirar. Nesse caso o paciente fica cianótico, ou seja, fica roxo”, disse a técnica em enfermagem.

Ela explica que nos treinamentos as crianças aprendem noções básicas de primeiros-socorros. “Eles são orientados a identificar engasgos, desmaios, paradas cardíacas e em seguida o que fazer diante dessa situação. Eles são orientados a chamar um adulto e orientar o adulto sobre o que deve ser feito. Eles são nossa ponte”, disse Elisângela.

Aluno de sete anos do projeto ‘Samuzinho’ salva primo engasgado com espinha de peixe. Foto: Rafaela Leal / G1 PI

Alerta do Samu

As profissionais do Samu fazem um alerta para que a população se conscientize da importância de conhecer técnicas de primeiros socorros.

Enfermeira Tânia Rodrigues Furtado com o menino Walter Neto. Foto: Divulgação/Samu.

“Não dá tempo de a ambulância chegar para desengasgar uma pessoa, tem que ser alguém que esteja ali do lado. Então, se mais pessoas souberem fazer a manobra básica, mais pessoas vão sobreviver”, afirma Tânia Rodrigues Furtado, 35, instrutora do Samuzinho.

A fama do Samuzinho tem se espalhado pela capital piauiense e despertado o interesse de muitas crianças na região.

“Em todas as turmas, a gente tem notícias de crianças que conseguiram orientar um adulto e conseguiram ajudar, que é esse o nosso objetivo, que as manobras de primeiros socorros sejam disseminadas cada vez mais, porque qualquer pessoa pode realizar e salvar várias vidas”, diz Patrícia Marques de França Lima, 30, membro do grupo de educação e urgência do Samuzinho.

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