Auditoria critica descuido da FAA ao setor de HEMS

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos poderia estar fazendo mais para melhorar a segurança das operações de serviços de helicópteros de emergência médica (HEMS), segundo um novo relatório de auditoria.

Emitido no dia 8 de abril, o relatório de auditoria do Escritório do Inspetor Geral criticou a FAA por não satisfazer várias exigências ordenadas pelo congresso relacionadas à segurança dos serviços de helicópteros de emergência médica. O relatório também identificou questões relacionadas com a descuido da FAA a operadoras HEMS, principalmente com operadoras menores com 24 ou menos helicópteros.

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A auditoria — solicitada pelo Subcomitê de Aviação da Câmara dos Deputados dos EUA — foi conduzida entre novembro de 2013 e fevereiro de 2015. Os auditores entrevistaram os funcionários da sede da FAA  e fiscais de campo; gerentes e pilotos de nove operadoras HEMS e representantes de cinco grupos diferentes do setor, entre outros.

O relatório resultante destacou os atrasos da FAA em satisfazer as exigências relacionadas aos serviços de emergência médica especificadas pelo Ato de Reforma e Modernização da FAA de 2012. A FAA tinha não apenas quase dois anos de atraso na emissão de uma regra final para as operações HEMS, como também não havia cumprido três exigências relacionadas à coleta de dados de voos HEMS.

“Como consequência, a FAA está impossibilitada de avaliar se os índices de acidentes estão aumentando ou diminuindo a cada ano, desenvolver estratégias para a redução de acidentes especificamente relacionadas às operações HEMS ou estabelecer se as suas tentativas de segurança anteriores foram bem sucedidas”, afirma o relatório.

O documento também observa que a FAA utiliza “processos de vigilância claramente diferentes” para grandes e pequenas operadoras HEMS, “embora estas operadoras enfrentem riscos e ambientes operacionais praticamente idênticos”.

Segundo o relatório, a FAA utiliza um “processo de avaliação de riscos menos robusto e colaborativo para examinar as operadoras menores”, e os fiscais nomeados para aquelas operadoras, muitas vezes, têm menos experiência com helicópteros. Em geral, o relatório pontua, os níveis de qualificação que exigem experiência com aeronaves monomotores e multimotores para os fiscais da FAA têm criado uma falta de fiscais de helicóptero.

O relatório fez cinco recomendações à FAA, três das quais se relacionam à asseguração de que a agência tenha um número adequado de fiscais devidamente treinados. O relatório também recomenda que a FAA ofereça às operadoras HEMS com 20 a 24 aeronaves equipes dedicadas ao gerenciamento de certificados e uma ferramenta de avaliação de riscos especializada.

Além disso, ele recomenda que a FAA desenvolva objetivos específicos para a redução de acidentes no setor HEMS, defendendo que o foco da agência “nos objetivos amplos e geralizados da aviação” pode estar fazendo com que a agência negligencie “riscos importantes claramente associados com as operações HEMS.”

Em uma declaração emitida em resposta ao relatório, a FAA disse que concordava com a maioria das recomendações do Inspetor Geral, apesar de enfatizar também a sua regra “histórica” para a segurança dos helicópteros que entra em vigor neste mês, que a agência descreveu como “a melhora mais significante para a segurança de voos de helicópteros das últimas décadas.” Essa regra contém exigências específicas para as operadoras HEMS, assim como exigências afetando outros tipos de operadoras de helicóptero.

“Ao mesmo tempo que a regra para helicópteros dá um importante passo adiante, também estamos desenvolvendo uma regra dedicada à melhora dos treinamentos de pilotos e a outras questões”, continuou a FAA na declaração.

“A FAA está implementando um sistema de supervisão baseado em riscos para as operadoras de ambulância aérea, assim podemos concentrar melhor nossos esforços nos recursos. O nosso Sistema de Garantia de Seguraça (SAS) é o melhor modo para alocarmos os recursos relacionados aos fiscais e estamos avaliando esses recursos agora. Também estamos trabalhando com o setor em um sistema para a FAA coletar e analisar os dados operacionais.”

Em relação ao desenvolvimento de objetivos específicos para a segurança das operações HEMS, a FAA disse, porém, que “já revisou os objetivos específicos a helicópteros para a redução de acidentes e concluiu que as causas principais dos acidentes com ambulâncias aéreas se aplicam a um espectro mais amplo da comunidade de helicóptero.”

O relatório de auditoria pediu à FAA que reconsiderasse a sua resposta a esta recomendação.

“Os voos HEMS são incomparáveis com outras operações comerciais no sentido de que a urgência de transportar pacientes muitas vezes gera pressões para a condução rápida destas operações em várias condições ambientais, tal como em condições meteorológicas difíceis, à noite, ou em áreas de pouso desconhecidas”, afirma o relatório.

“Além disso, os acidentes do setor HEMS continuam ocorrendo a um ritmo preocupante, como evidenciado por dois acidentes fatais recentes. Por isso, continuamos acreditando que a ênfase da FAA nos riscos específicos associados às operações HEMS precisa ser garantida.”

Fonte: Vertical Mag/ Reportagem: Elan Head

 

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