Brasil tem recorde de acidentes aéreos em 2011

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Foram registrados 125 casos até 30 de setembro de 2011; helicópteros, que são 10% da frota, já respondem por 18% das quedas em todo o Brasil.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 125 acidentes aéreos no País até o dia 30, volume que ultrapassou os 110 ocorridos em todo o ano de 2010. Trata-se de número recorde desde o início da série histórica, em 2001.

O recorde anterior havia sido em 2009, com 113 acidentes. E nos números atuais ainda não estão computados os dois acidentes ocorridos no primeiro fim de semana de outubro, um deles no interior de São Paulo (com quarto mortos) e o outro em Curitiba, no Paraná. Os números não levam em conta os incidentes aeronáuticos, como pousos de emergência.

Helicópteros

Os acidentes com helicópteros, um meio de transporte que tem sido muito usado principalmente nas grandes cidades, crescem ano a ano. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recolhidos até o fim de julho, quando haviam sido registrados 89 dos 127 acidentes ocorridos até hoje, problemas com helicópteros representaram 18% do total, ou seja, dos 89 acidentes computados, 16 haviam sido com helicópteros (que respondem por 10% da frota aérea, com 1.553 aparelhos registrados).

O ex-ministro da Aeronáutica brigadeiro Mauro Gandra, um especialista do setor, atribui ainda o aumento do número de acidentes aéreos ao longo dos anos ao “esquartejamento dos setores de comando da aviação civil”. Ele se refere particularmente ao período a partir de 2005, quando foi criada a Anac, em substituição ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que ficava na Aeronáutica. Na sua opinião, vários órgãos passaram a funcionar de forma independente, sem diálogo entre si.

O brigadeiro observa que havia um respeito maior às regras ditadas pelo Cenipa, que tinham por objetivo prevenir fatores que levaram a um determinado acidente, voltassem a se repetir em outro. “Além disso, as partes passaram a não se falar”, observou ele, lembrando que é preciso que as autoridades façam um “trabalho de formiguinha de conscientização da necessidade de prevenção de acidentes aeronáuticos”, sobretudo em aeroclubes e escolas de pilotagem.

Motivos

Estudo realizado pelo Cenipa, levando em consideração todos os acidentes ocorridos entre 2001 e 2010, aponta que, na lista dos fatores que mais contribuíram para a ocorrência dos desastres aéreos lidera o julgamento de pilotagem. Trata-se da inadequada avaliação, por parte do piloto, de determinados aspectos relacionados à operação da aeronave, estando qualificado para operá-la.

O Cenipa sempre alerta que um acidente acontece por uma somatória de fatores. Em segundo lugar, a responsabilidade dos acidentes é atribuída à supervisão inadequada, pela gerência de não tripulantes, e em terceiro vem o planejamento do voo – seguido dos aspectos psicológicos.

Entre os 24 itens listados como fatores contribuintes, o controle do trafego aéreo aparece em último lugar, a manutenção das aeronaves vem em 7.º lugar, a instrução dos operadores da aeronave em 10.º e as condições meteorológicas adversas, em 11.º lugar.

Veja aqui o relatório completo do CENIPA atualizado até 10/10/2011

 

Fonte: O Estado de São Paulo, via Desastres Aereos News.

 

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Senhores, realmente a confusão criada com o advento ANAC pode ter influência nesses índices. Até porque o Decreto Federal que cria a ANAC deixa de fora de sua atribuição o SISCEAB e o SIPAER. Incrivelmente, eles insistem em não respeitar isso e estão tomando conta do SIPAER no país. Ocorre, que não possuem a capilaridade que o CENIPA possui e, muito menos, possuem o caráter técnico de indicações para cargos importantes.

    Isso claro, reflete na insegurança da aviação!

    A decisão de termos SISCEAB e SIPAER conjuntamente c da aviação civil e militar foi uma escolha feita pelo país na década de 70 para que se pudesse otimizar os recursos materiais. Somos um país de poucos investimentos e duplicar uma estrutura seria ingenuidade.

    Ocorre, que hoje, estão tentando separar tudo isso por decreto. Típico de burocratas e leigos da aviação.

    Espero que a comunidade aeronáutica possa acordar para isso e impor, através de mobilização, a estruturação técnica do sistema.

    Chega de ajudas políticas e indicações atécnicas.

    Abraços

    Wallace Carpes
    PMSC

  2. Corroboro com a opinião do Carpes, a afirmo que só não foi maior, porquê mesmo com a nova política da ANAC em excluir a gestão do SIPAer e do CENIPA, a Aviação de Segurança Pública, continuou acreditando na filosofia divulgada pelo CENIPA e não ANAC e pela política criada dos últimos três anos pelo governo federal, onde foram colocadas no mercado de Segurança Pùblica 43 aeronaves, e tivemos quase zero de acidentes, pois passamos à ser um sistema integrado e mais focado na doutrina e na segurança de vôo, termo que uso, pois não gosto do termo segurança operacional. Emfim, apesar dos acidentes aereos terem aumentado neste período, a Aviação de Segurança Pùblica e de Estado diminuiu seus acidentes e incidentes, graças à uma política séria e participativa. Espero que uma nova gestão apareça e faça manter este padrão de desenvolvimento, evitando que retornemos às estatístísticas.

    TC Gonçalves

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