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São Paulo – O Centro de Transplante do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP é pioneiro na América Latina. Foi lá o primeiro transplante de fígado, realizado há 50 anos. Agora, o Centro trabalha para atingir uma importante marca: chegar a 3.000 transplantes ao somar números do Instituto da Criança e do Instituto Central, ambos do HC. Em 2018, foram realizados 2.000 procedimentos.

A previsão é do professor Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, diretor do Serviço de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HC. O Hospital das Clínicas também é o primeiro hospital público do Brasil a fazer cirurgia robótica. Atualmente o procedimento está sendo incorporado à rotina do aparelho digestivo, como pescoço, tórax, barriga e abdômen.

Transporte de órgão realizado pela Polícia Militar que beneficiou uma mulher que aguardava pelo transplante no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas.

“A gente pode fazer por via robótica com pequenas incisões e com o mesmo efeito terapêutico, facilitando muito a recuperação do doente. São as cirurgias minimamente invasivas”, explica D’Albuquerque em entrevista ao Jornal da USP. Outra novidade é a criação de um centro de treinamento em cirurgia minimamente invasiva dentro do HC.

Na área de transplantes, o HC também foi o primeiro a realizar um transplante de útero na América do Sul. Segundo o diretor da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas, Edmund Chada Baracat, essa modalidade mostra o papel inovador que a Faculdade de Medicina da USP tem. “O Brasil é um país já consagrado na realização de transplantes, e o transplante uterino coloca o País em condição de realce, tendo em vista que os dois casos já realizados de transplante de doadora falecida não foram bem-sucedidos”, conclui Baracat, também em entrevista ao Jornal da USP.

O complexo HC tem resultados similares a países do primeiro mundo, mas a doação é condição necessária para que ocorra transplantes. O profissional entende que, no momento de perda, é muito difícil decidir se vamos ou não doar o órgão. Por isso, recomenda que a conversa com os familiares para manifestar a vontade de doar órgãos seja feita com antecedência.

Segundo ele, é necessário aumentar o número de doações no Estado e para isso é importante a realização de campanhas de conscientização para incentivar as pessoas a doar.

De acordo com o professor, a maior demanda no Brasil é por rim e, em segundo lugar, pelo fígado. Novas medidas de suporte ao paciente, além de imunossupressores que controlam a rejeição, dão ao paciente transplantado uma sobrevida que chega a 90%

Doações em SP

Somente no primeiro semestre deste ano, por exemplo, foram realizados 4.023 transplantes no Estado de São Paulo. Dados da Central de Transplantes estadual indicam que em São Paulo a cada dez transplantes realizados no Estado de São Paulo, seis são de córneas.

Atualmente, a doação de órgãos deve ser consentida. Quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar familiares com até o 2º grau de parentesco. Por essa razão, é fundamental haver diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos.

Em setembro, 2.814 pessoas estavam à espera de córneas em no Estado. É a segunda maior demanda depois de rins (14.483), seguida por fígado (793), pâncreas/rins (400), coração (196) e pulmão (99).

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