Conclusão do IP/PC sobre morte no curso TOM-M no MT

Mato Grosso – A Polícia Judiciária Civil indiciou dois policiais militares pela morte do soldado da Força Nacional de Segurança, Abinoão Soares de Oliveira, 34 anos, e outros três pelo afogamento de três alunos, durante treinamento do 4º Curso de Tripulante Operacional Multimissão (TOM-M), no dia 24 de abril, em uma represa, na estrada de Manso. Os policiais tiveram a prisão preventiva solicitada no relatório final do inquérito policial, encaminhado ao Ministério Público Estadual.

As investigações presididas pela delegada Ana Cristina Feldner indiciou por homicídio triplamente qualificado os militares, tenente Carlos Evane Augusto e tenente Dulcezio Barros Oliveira, por motivo torpe, impossibilidade de defesa e por meio de tortura. Também foram indiciados por tentativa de homicídio triplamente qualificado, o sargento da PM Moris Fidelis Pereira, o cabo Antonio Vieira de Abreu Filho e o soldado Saulo Ramos Rodrigues. Todos são policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).

Fotos, anexadas aos autos do processo, mostram detalhes sobre o treinamento realizado em abril de 2010.  Na ocasião, Abinoão faleceu e outros 3 passaram mal.
Fotos, anexadas aos autos do processo, mostram detalhes sobre o treinamento realizado em abril de 2010. Na ocasião, Abinoão faleceu e outros 3 passaram mal.

A Polícia Civil apurou que houve excesso durante as instruções do curso e comprovou por meio de perícias e depoimentos a conduta dos policiais, que levou a morte do policial militar do estado de Alagoas e ao afogamento de outros três alunos do curso. “Para tipificação penal consideramos neste caso o dolo eventual, pois este é caracterizado quando o agente ‘assume o risco de produzir o resultado’”, enfatiza a delegada Ana Cristina, em trecho do relatório.

O diretor geral da Polícia Judiciária Civil, Paulo Rubens Vilela, disse que a Instituição não foi oficializada sobre um possível trancamento do inquérito civil e que a Polícia Civil não vai discutir a questão do mérito da investigação, a qual deverá ser decidida pela Justiça.

O diretor metropolitano, Marcos Veloso, acompanhou desde o início as investigações. Para ele, a Polícia Civil cumpriu com o seu dever e deu resposta a família da vitima.

No fim do dia, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12º Vara Criminal, concedeu habeas corpus protocolado pela Defensoria Pública e suspendeu o inquérito civil que apura a morte do soldado.

A juíza considerou que o caso trata-se de um crime militar e determinou que cabe à Polícia Militar e à Justiça Militar apurar e julgar o fato. O Ministério Público Estadual é contrário à decisão.

TOM-M

O Curso de Tripulante Operacional Multimissão (TOM-M), coordenado pela Companhia Integrada de Operações Aéreas (CIOPaer), tem por objetivo capacitar os profissionais da segurança pública para atuarem em aeronaves no atendimento de ocorrências policiais, de resgate, busca e salvamento, combate a incêndio, entre outras.

A grade curricular do TOM-M é formada por órgão federais. Participam do curso 25 policiais militares, civis e bombeiros. A carga horária é de 540 horas/aula com duração de dois meses e meio.

Fonte : Expresso MT

8 COMENTÁRIOS

  1. desculpa gente, sei que o site não é para isso, mas queria muito conversar com essa juiza, com o secretario de seguranca, e me da uma chance mano-a-mano com esses caras do bope-mt. E O QUE SOMOS…..

  2. Será que vai ficar por isso mesmo?Não vai haver punição nenhuma e vai continuar do mesmo modo…A pergunta é a seguinte: Até qdo vamos ver esses policiais que se dizem “preparados” e que não fazem parte de grupamentos aéreos ministrando instruções para tripulantes operacionais??? e um pequeno detalhe,tem “caveira” que não sabe nadar….KKKKKKK

  3. CALMA GUERREIROS !!!
    NINGUÉM É CONSIDERADO CULPADO, ENQUANTO O PROCESSO NÃO FOR TRANSITADO E JULGADO. OS PMs DO BOPE FORAM INDICIADOS, E DEVERÃO APRESENTAR SUAS ALEGAÇÕES DE DEFESA.
    CLARO QUE NINGUÉM QUERIA QUE OCORRESSE O QUE ACONTECEU, MAS NÃO ENVEREDEMOS EM CONJECTURAS ANTES DO FINAL.
    NÃO ESTOU DEFENDENDO NINGUÉM, POIS AFINAL DE CONTAS MEU ESTADO É PERNAMBUCO.
    FIQUEM COM DEUS,
    CAP PMPE ROMILDO.

  4. Tudo bem… Não há em que se falar de culpados sem que antes ocorra a denúncia e o julgamento dos indiciados. Contudo acredito que o caso não deve parar por aí… O excesso deve sim ter existido e os responsáveis devem ser penalizados na forma da Lei.

  5. Conheci o Abinoão. Era do meu pelotão na INC. Excelente policial e pessoa. Preparo físico excepcional e psicológico também. Espero sinceramente que os culpados paguem exemplarmente pelos seus erros. E espero que os “caveiras” execrem esses maus exemplos e cassem seus brevês, pois denigrem a imagem de um bom BOPE.

  6. para mim é inadimissível um policial morrer em instrução, seja ela qual for, seja por dolo, culpa,imprudência, negligência ou imperícia…isso é algo inadimissível…e isso deve ser tomado como exemplo, para que de alguma forma essa morte não seja em vão…

    • O episódio foi realmente muito triste.

      Mas a justiça só cabe a quem de direito.

      O mais importante, como bem lembrou o Sgt Vagner, e que cabe, única e exclusivamente a nós, é discutir e propor mudanças para evitar que isso nunca mais aconteça.

      Não temos como mudar o passado, mas podemos mudar o futuro…

      Mena Barreto

  7. É notável que em vários cursos ministrado, principalmente, pelo BOPE de qualquer Estado do Brasil, sempre há aqueles que adoram forçar a barra, querendo ver o aluno passar mal ou “apagar” desmaiar durante as instruções, e claro, todos sabem do risco do aluno nao voltar, oque infelizmente aconteceu com este colega de ALAGOAS.

    Deviam priorizar um treinamento técnico e que fossem capacitando os alunos aos poucos, pois nem todos sabem fazer apnéia ou flutuar, mantendo controle emocional. Nós sabemos que na água sempre sobe a adrenalina e temos muitos colegas que começam a ficar nervosos e com medo, mas o curso técnico, sem excessos é para isso..treinar e faze-lo manter a calma necessária.

    Isso é adquirido justamente no curso, sem os exageros de alguns instrutores mal intencionados, pois tem que trabalhar a parte psicológica do aluno, adestrando-o para uma eventual necessidade futura.

    Desejo a todos os envolvidos nos excessos, puniçoes rigorosas, pois por palhaçada perdemos um amigo…poderíamos ser um de nós tb….

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