Adriana da Cunha Salasário[1]
Ernesto Domingos Severino[2]

ANÁLISE DAS EXIGÊNCIAS RELATIVAS À ATIVIDADE DE PILOTO, TRIPULANTE E APOIO-SOLO DE AERONAVE DE RESGATE: Estudo de Perfil Profissiográfico no Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina

RESUMO

O presente artigo trata-se de uma pesquisa de campo realizada no Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina com o objetivo de identificar quais os níveis de exigências que envolvem as funções de piloto, tripulante operacional e apoio-solo operacional, através da análise dos requisitos necessários e adequados para se desenvolver essas atividades. Visando a realização do estudo, utilizou-se a técnica de abordagem qualitativa, de cunho descritivo, utilizando-se para a coleta de dados de questionários, entrevistas e observação direta.

A finalidade dessa pesquisa é, a partir da análise funcional e a descrição de perfis profissiográficos, aperfeiçoar o processo de seleção de profissionais para as funções analisadas no Batalhão de Operações Aéreas de Santa Catarina, servindo também como referência para processos de seleção de funções que envolvam atividades de risco.

A pesquisa demonstrou que diferentes ocupações que apresentam níveis de risco de vida elevados em suas atividades requerem dos indivíduos respostas diferenciadas, bem como competências e habilidades específicas, sendo recomendável o investimento na construção do perfil profissiográfico para garantir o sucesso das atividades desenvolvidas, a redução de riscos e a qualidade de vida dos profissionais que atuam nessas atividades.

PALAVRA-CHAVE: Análise das exigências de trabalho, equipes de resgate aéreo, perfil profissiográfico, gestão em segurança pública.

Efetivo BOA

1. Introdução.

Atualmente, existem sete corporações de Bombeiros Militares no Brasil que atuam na área de operações de resgate aéreo, localizadas em Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

Em Santa Catarina, o Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) foi oficializado pelo Decreto Estadual 2966/2010/SC, que em seu artigo 3º estabeleceu sua missão, sendo:

Ao Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina caberão as atividades de resgate, combate a incêndios, busca e salvamento, atendimento pré-hospitalar, prevenção, proteção ao meio ambiente, defesa civil, e apoio aos demais Órgãos do Estado, Municípios e União.

As missões do BOA tiveram início em janeiro de 2010 com a aquisição de aeronave para atividades de resgate e salvamento e acontecem em todo o Estado de Santa Catarina. Nas missões executadas, os profissionais (pilotos, co-pilotos, tripulantes operacionais e apoios-solo operacionais) atuam em conjunto com o Grupo de Resposta Aérea de Urgência (GRAU-SAMU), composta por sete médicos e sete enfermeiros com experiência em suporte avançado de vida aeroespacial.

Após a criação do BOA, foram atendidas até 26/10/2013 aproximadamente 2.500 ocorrências, com mais de 2.190 pessoas diretamente atendidas/socorridas, e com 1.741,3 horas operacionais voadas (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina/Batalhão de Operações Aéreas (BOA), 2013).

A aeronave utilizada pelo BOA tem a capacidade de transporte para seis pessoas, sendo um piloto, um co-piloto e de dois a três tripulantes (BOA/SAMU), e uma vítima (Pratts, 2013). Possui equipamentos especializados, como desfibrilador e cardioversor, medicamentos de suporte avançado e itens especializados, como o bambi bucket, que é utilizado para o combate a incêndios florestais, com capacidade de 545 litros d´água.

Também é equipado com um cesto de resgate com capacidade para o transporte de até três pessoas para a retirada rápida de vítimas em locais de difícil acesso, especialmente aquelas isoladas em pontos elevados e em casos de inundações, incêndios, alagamento e em áreas de mata fechada. Além destes equipamentos, existem o Puçá e o Sling, empregados em resgates de vítimas na água (mar, rio ou áreas alagadas).

Quando em realização de missões aeromédicas, a tripulação das aeronaves do BOA é composta tipicamente por: piloto, co-piloto, médico, enfermeiro e tripulante operacional. O tripulante operacional é um militar treinado na função de auxiliar os pilotos nas manobras da aeronave além de atuar em resgates e no atendimento pré-hospitalar.

Por se tratar de uma atividade específica e que apresenta elevado grau periculosidade, o BOA inclui em seu processo de seleção uma série de avaliações, buscando selecionar profissionais que correspondam aos diferentes níveis de exigências relativos ao sistema de trabalho.

O processo seletivo atual do BOA inclui: a) Exame de Avaliação Intelectual, de caráter classificatório; b) Exame de Saúde, de caráter eliminatório; c) Teste de Aptidão Física (TAF) padrão da Polícia Militar de Santa Catarina, de caráter eliminatório; d) Teste de Aptidão Física Especifica (TAF-E2), de caráter eliminatório, e) prova de Habilidade Específica, de caráter classificatório; f) Prova de Títulos, de caráter classificatório. Por último, é exigido do candidato uma avaliação psicológica para fins de certificação aeronáutica (Silva, 2013).

A seleção de integrantes do BOA é realizado, através de concurso interno no CBMSC, o que atende as exigências legais e é fundamentado em conhecimentos gerais e aptidão física. Após o processo de seleção, os candidatos passam por um rigoroso treinamento, que lhes habilitam a atuarem no BOA. Contudo, uma das preocupações da corporação relacionadas ao processo seletivo é a atualização de estudos visando à análise e descrição dos diferentes níveis de exigências das suas atividades, em especial a definição do perfil psicológico adequado para integrantes de equipes de resgate aéreo em função das atividades de risco exercidas, visando à segurança das operações, das vítimas e da própria equipe.

A motivação dessa pesquisa foi a demanda por parte do BOA de um estudo específico visando identificar os níveis de exigências de suas atividades e aperfeiçoar o processo seletivo atual, em especial com a identificação de perfis psicológicos/comportamentais mais adequados para seus integrantes, incorporando os resultados desse estudo na seleção dos novos integrantes.

O objetivo principal desse estudo foi construir uma lista de indicadores, para subsidiar a seleção de novos integrantes do processo de avaliação do BOA, com base em indicadores profissiográficos. Esse tipo de instrumento supõe-se, pode contribuir na prevenção de acidentes aeronáuticos com a redução dos riscos causados pelo fator humano e diminuir os afastamentos de profissionais para tratamento de saúde, por incapacidade para o trabalho ou a desistência da função após a conclusão do curso obrigatório de formação de equipes de resgate aéreo, preservando os investimentos realizados.

A relevância dessa pesquisa está em propor indicadores na área de seleção de pessoal de equipes de resgate aéreo como parte de uma estratégia para aperfeiçoar o processo de seleção de novos profissionais, do BOA/CBMSC, aplicados na proposição de perfis profissiográficos para o quadro funcional.

Artigo completo: ANÁLISE DAS EXIGÊNCIAS RELATIVAS À ATIVIDADE DE PILOTO, TRIPULANTE E APOIO-SOLO DE AERONAVE DE RESGATE: Estudo de Perfil Profissiográfico no Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina

Autores:

[1] Discente do Curso de Pós-graduação em de Gestão de Pessoas, pela União Latino-Americana de Tecnologia (ULT), Florianópolis/SC.
[2] Orientador do Curso de Pós-graduação em Gestão de Pessoas, pelo Instituto Educacional Contemporâneo (IECOS), Florianópolis/SC.

1 COMENTÁRIO

  1. Primeiramente agradecendo ao mestre e amigo Ernesto e Adriana.
    Esta sendo e será de grande valia o estudo psicografiico para os integrantes do BOA SC tal estudo, qualificará e nos elevará para um nível elevado de segurança e proficiência no ramo da aviação . Muito obrigado aos pioneiros desta modesta atenção. Bons voos!

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