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Brasil – Celebrado na sexta-feira (27), o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, a Força Aérea Brasileira (FAB) comemora seu emprenho em manter, permanentemente, disponível uma aeronave para esse transporte, conforme preconiza o Decreto nº 9175, de 18 de outubro de 2017. Apenas em 2019, até o dia 25 de setembro, a FAB foi responsável por 117 missões de Transporte de Órgãos, Tecidos e Equipes (TOTEQ), totalizando 121 órgãos transportados.

Em muitos casos, o emprego das aeronaves da Força Aérea é fundamental para que o processo de transplante aconteça. Por isso, existem tripulações de sobreaviso, em tempo integral, nas seguintes localidades: Manaus (AM), Belém (PA), Natal (RN), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e Canoas (RS).

Órgãos transportados pela FAB.

“Nossas tripulações estão sempre motivadas a fazer parte de um sistema que transporta esperança a diversos brasileiros. O transporte de órgãos e equipes médicas é uma das missões mais gratificantes que realizamos”, diz o Comandante do Esquadrão Guará (6° ETA), Tenente-Coronel Aviador Rodrigo Goretti Piedade. A Unidade Aérea, sediada em Brasília (DF), é uma das responsáveis por missões de TOTEQ no âmbito da FAB.

Em uma das missões mais recentes, na noite de terça (24/09), uma aeronave C-97 Brasília, do Esquadrão Pastor (2º ETA), decolou de Natal (RN) com destino a Recife (PE) para realizar o embarque da equipe médica que seria responsável pela captação de um coração.

A aeronave decolou da capital pernambucana, pouco depois da 1h da madrugada, para a cidade de Petrolina (PE), onde o órgão foi captado. Às 5h50, tripulação e equipe médica regressaram para Recife com o coração pronto para ser transplantado e salvar mais uma vida.

Também esta semana, na segunda-feira (23/09), uma aeronave decolou de Brasília (DF) para Porto Alegre (RS), local do embarque de uma equipe médica. Em seguida, seguiu para Jaguaruna (SC) para realizar a captação de um pulmão. Posteriormente, o órgão foi transportado para o receptor na capital gaúcha.

Esquadrão Guará e Esquadrão Pastor. Foto: Sgt Johnson/CECOMSAER.

Logística do transporte de órgãos

A logística de uma missão de Transporte de Órgãos, Tecidos e Equipes (TOTEQ) é complexa. Cabe ao Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), Organização da FAB sediada no Rio de Janeiro (RJ), a coordenação da distribuição, por meio de transporte aéreo, dos órgãos para transplante no Brasil. Para isso, a Unidade conta com duas posições da Central Nacional de Transplantes (CNT) em seu Salão Operacional, 24 horas por dia, que administram a logística de distribuição.

Recebida a demanda, os profissionais alocados no CGNA iniciam a busca pelo voo adequado mais próximo, que serve ao percurso requerido. A regra é o aproveitamento de voos da aviação comercial. Quando o trecho não é atendido por linha aérea, entra em cena o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) da FAB, que, viabiliza uma aeronave militar. De lá, avalia-se qual Esquadrão deve ser acionado.

Força aérea já transportou mais de 120 órgãos em 2019. Foto: Sgt Johnson/CECOMSAER.

A partir de então, é ativada uma cadeia de eventos até a decolagem da aeronave. É preciso checar as condições de pouso no aeroporto de destino, acionar a tripulação e avisar ao controle de tráfego aéreo que se trata de um transporte de órgãos – tanto no plano de voo, quanto na fonia – pois isso confere prioridade ao avião para procedimentos de pouso e decolagem.

As instituições coordenadoras precisam ter uma boa comunicação e trabalhar de forma integrada. A agilidade no cumprimento da missão é necessária, pois todo órgão possui um tempo de isquemia fria (TIF), que é o período que pode ficar sem circulação sanguínea. O coração é o órgão que tem o menor tempo de isquemia, 04 horas. Já os rins, por exemplo, podem ficar até 48h sem serem irrigados.

Esquadrão Guará e Esquadrão Pastor. Foto: Sgt Johnson/CECOMSAER.
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