Gestão na prática

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BARACHO, Marcus Vinícius de Sousa
Cap PMESP

1. Percepção

Em novembro de 2014 a Aviação de Segurança Pública experimentou uma inovação, trata-se da ENAVSEG 2014 que se realizou na Cidade de Fortaleza – CE.

Nesse evento tive a oportunidade de participar como palestrante, mas aproveitei muito com a oportunidade de assistir às apresentações de diversos temas que afligem as OASP no Brasil.

Durante um dos intervalos para o merecido coffee break, um de nossos colegas indagou o fato de não se falar em Segurança Operacional no evento, sendo mais específico, foi usado o termo “segurança de voo”. Naquele momento pedi licença para contestar a afirmação, pois, em minha opinião, só se falou em segurança operacional durante a ENAVSEG. Diante da dúvida aventurada, vejo como interessante destacar alguns tópicos debatidos para fundamentar o minha apreciação.

Foi apresentada a radiografia das OASP no Brasil, tratando dos assuntos às tem angustiado na prática. Percebemos que quase metade dos nossos tripulantes opera sem EPI completo e que, no máximo, 2% do orçamento das Organizações Aéreas de Segurança Pública são destinados ao treinamento de seu efetivo. Acredito serem matérias ligadas à Segurança Operacional e que necessitam de atenção, recebendo o que chamamos de choque de gestão.

Algumas OASP não possuem estrutura formal definida, carentes de setores que cuidem da formação de pessoas, operações, logística e segurança operacional. Verificou-se que Instituições que atuam em um cenário crítico da Segurança Pública e Defesa Civil, operam em bases não homologadas ou sequer tem onde guardar suas aeronaves. Na mesma linha, também, não possuem caminhões de abastecimento e outros equipamentos necessários para que se ofereçam um serviço de excelência ao cidadão.

Ficou elucidado que ainda veremos pilotos novos operando aeronaves antigas e que a capacidade de reposição da força de trabalho especializada não está acompanhando a evasão em razão de tempo de serviço ou outros aspectos. Isso dependerá de gestão focada em objetivos bem definidos, para que sejam mitigados os impactos sobre o setor operacional.

A padronização de procedimentos operacionais e de apoio, nas OASP, mostrou-se anêmica, levando-nos a crer em práticas individuais como base dos processos produtivos, o que certamente aumenta as possibilidades de erro.

O registro de informações também é item de preocupação, pois, o planejamento dependerá de uma análise situacional da OASP em relação ao ambiente interno e externo em que atua. Há necessidade de controle sobre informações referentes às operações, manutenção aeronáutica, logística, finanças e pessoas. Somente assim poderão ser identificadas as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças que envolvem o setor, subsidiando a estratégia.

2. Missão e Cooperação

Estamos certos de que a reflexão em torno de todos os assuntos tratados é responsabilidade que devemos assumir, procurando reverter os indicadores para uma perspectiva positiva e sustentável para os próximos anos.

Concito aos colegas que troquem a teoria pela prática e tenham na Gestão um instrumento forte para a garantia da segurança operacional de nossas Instituições, pois, construirá um ambiente favorável para as ações corretivas a serem aplicadas a todas as não conformidades identificadas.

Planejar é lançar um desafio para si mesmo, é a busca de um objetivo para que se proporcione uma situação melhor do que aquela que está sendo vivida. Todos são gestores, independente da função ou papel que exerçam, a diferença está em ser ou não um bom gestor. Faça a opção por um ambiente melhor de trabalho, favorável ao refinamento de métodos, incentivando a participação de dos colaboradores, desde a mais simples tarefa até a mais complexa, lembrando que todos são importantes.

A cooperação entre as diversas OASP na difusão do conhecimento, poderá facilitar esse processo de inovação. O problema que uma Organização enfrenta, já pode ter sido resolvido por outra e a solução aplicada pode se apresentar como opção eficiente, evitando que reflexos indesejados se estabeleçam por muito tempo. Recomendo que apliquem o Federalismo Solidário (BARRETO, BENI, 2013), em todos os níveis possíveis, estabelecendo a integração em favor de um desenvolvimento contínuo e positivo para as OASP.

3. Conclusões

Encerramos os trabalhos na ENAVSEG 2014 certos de um caminho a ser seguido, pois, tratamos de temas importantes e que refletem diretamente na qualidade e segurança de nossas operações aéreas de segurança pública e defesa civil.  A teoria é de conhecimento geral e agora os desafios também foram propostos, passemos então à ação e sejamos combativos com todas as inconformidades que testemunharmos no dia a dia!

Uma OASP não será grande pela estrutura física que possui, mas pela capacidade de empregar seus recursos em favor do interesse público e na defesa do cidadão. Sugiro o investimento nas pessoas, na força de trabalho, como o primeiro passo para o sucesso, orientando-as com projetos sólidos, sedimentados em uma gestão vitoriosa.

Bons voos, com boa gestão!

4. Autor

BARACHO, Marcus Vinícius de Sousa:  Bacharel em Direito, Incentivador da aplicação dos Conceitos de Gestão de Qualidade na Aviação de Segurança Pública e Defesa Civil, Piloto Policial do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar do Estado de São Paulo. São Paulo/SP, 2015.

5. Bibliografia 

BARRETO, Alex Mena; BENI, Eduardo Alexandre. Federalismo Solidário e a Aviação de Segurança Pública – Uma Perspectiva Cooperativa. Disponível em:< http://www.resgateaeromedico.com.br/aviacao-de-seguranca-publica-uma-perspectiva cooperativa/>.  Acesso:<14. Jan. 2015>.

 

 

 

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