NTSB quer melhorar a segurança das operações com helicópteros públicos

MELHORAR A SEGURANÇA DAS OPERAÇÕES DE HELICÓPTERO PÚBLICO

O que está em discussão?

A segurança das operações de helicópteros públicos é, com frequência, negligenciada. Todos os dias, centenas de pilotos de helicópteros federais, estaduais e municipais voam em missões de emergência médica, aviação policial, busca e resgate e em outras operações públicas.

O público confia nessas operadoras e conta com elas para a condução segura dessas missões; o público, muitas vezes, necessita deste transporte para sobreviver. E cada uma destas operações de helicóptero precisa de planejamento, treinamento e suporte. Infelizmente, nem todos os pilotos conseguem concluir as suas missões.

No dia 27 de setembro de 2008, um helicóptero da Polícia do Estado de Maryland/EUA (MSP), Trooper 2, recebeu uma chamada para transportar duas pessoas feridas envolvidas em um acidente automobilístico. O Trooper 2 chegou ao local do acidente, embarcou os pacientes, mas nunca chegou ao hospital.

No dia 9 de junho de 2009, um piloto de helicóptero da Polícia Estadual do Novo México/EUA (NMSP) recebeu uma chamada para a busca aérea de um alpinista perdido. O piloto da NMSP pousou o helicóptero, localizou o alpinista, deixou a montanha, mas não voltou para a base.

NTSB

Uma situação muito parecida ocorreu no dia 30 de março de 2013. O piloto de helicóptero do Departamento de Segurança Pública do Alasca/EUA (ADPS) solicitou o resgate de um piloto de snowmobile que estava retido na região. O piloto pousou o helicóptero, localizou o piloto de snowmobile, partiu do lago congelado, mas não conseguiu chegar à designada área de pouso.

Antes de aceitar as suas missões, tanto os pilotos da MSP quanto da NMSP exprimiram preocupações com as condições do tempo. Apesar do piloto de helicóptero do ADPS não ter discutido as condições do tempo com ninguém, ele devia estar sabendo que elas estavam piorando. Contudo, os três pilotos aceitaram e tentaram concluir as missões mesmo diante de um tempo ruim à noite. E, tragicamente, os helicópteros acidentaram-se antes de chegar aos seus destinos, matando nove pessoas no total.

Acidentes envolvendo helicópteros públicos não estão limitados apenas àqueles usados por agências de aviação policial. No dia 5 de janeiro de 2010, um helicóptero do Departamento de Pesca e Jogos da Califórnia/EUA sofreu danos substanciais quando colidiu com linhas elétricas durante uma missão de monitoramento de cervos. O Conselho Nacional de Segurança em Transportes (NTSB) concluiu que a falha do piloto em manter o controle positivo do helicóptero foi a causa do acidente.

Desde 2004, o NTSB tem investigado mais de 130 acidentes envolvendo operações locais, estaduais e federais de helicópteros públicos, incluindo as 4 mencionadas acima. Cinquenta pessoas morreram e quase 40 ficaram gravemente feridas nestes acidentes. As lições aprendidas em consequência destas investigações têm a capacidade de deixar as operações locais, estaduais e federais de helicópteros públicos mais seguras.

O que pode ser feito?

Como a segurança das operadoras públicas não é, geralmente, governada pelos regulamentos da Administração Federal de Aviação, basicamente não existe uma rede de segurança; as decisões e os programas de segurança são de responsabilidade única e exclusiva das operadoras públicas.

No entanto, estas operadoras, muitas vezes, transportam passageiros e devem obrigações ao público que servem de operar na maneira mais segura possível. O NTSB preocupa-se com o fato de que, com a ausência de esforços para melhorar a segurança dos helicópteros em operações públicas, os acidentes envolvendo helicópteros públicos continuarão – o que pode levar a mais danos e mais mortes em operações de busca e resgate e em voos de emergência médica, assim como em outras operações realizadas por entidades federais, estaduais e locais.

Baseado nas nossas investigações dos acidentes, o NTSB identificou várias ações que as operadoras públicas podem utilizar para tratar os fatores operacionais e os fatores relacionados aos pilotos e aos helicópteros.

Os fatores operacionais são uma grande promessa porque influenciam toda a segurança da operação. As melhoras operacionais incluem o desenvolvimento e a implementação de sistemas de gestão de segurança que, por sua vez, incluem práticas sólidas de gestão de riscos, principalmente programas de avaliação de riscos de voo e procedimentos formalizados de voo e de despacho.

As operadoras também podem implementar melhores práticas para as tripulações de voo, incluindo treinamentos baseados em cenário e a gestão de fadiga. Dado o risco aumentado associado aos voos em más condições climáticas, as operadoras de helicóptero devem empregar, em particular, cenários de treinamento que expõem os pilotos a voos inadvertidos em condições meteorológicas de instrumento.

A tecnologia de helicóptero também desempenha um papel significante na mitigação de riscos a milhares de pilotos e passageiros todos os anos. Inclusive, o NTSB recomendou que as operadoras de helicóptero instalassem rádios altímetros, sistemas de visão noturna e sistemas de aviso e alerta de terreno.

Por fim, o NTSB defende o uso de sistemas de registro de voo resistentes a acidentes em todas as aeronaves. Esses registros podem ser usados para aumentar a cultura de segurança dentro das agências públicas, pois permite às operadoras a identificar e tratar as questões de segurança antes que um acidente ocorra.

Além disso, caso um acidente ocorra de fato, os sistemas de registro de voo resistentes a acidentes podem ajudar os investigadores, as agências reguladoras e as operadoras a identificar rapidamente o que deu errado e como impedir que isso aconteça novamente.

Mudanças críticas necessárias para reduzir os acidentes de transporte e salvar vidas 

A Lista das Melhorias de Segurança do NTSB destaca as questões de segurança identificadas pelas investigações de acidentes do NTSB para aumentar a consciência sobre as questões e as soluções de segurança recomendadas.

O Conselho Nacional de Segurança em Transportes é uma agência federal independente responsável pela investigação de todos os acidentes na aviação civil e dos acidentes significantes em outros modos de transporte, como por vias férreas, marítimas, estradas e oleodutos, nos Estados Unidos.

O NTSB estabelece a causa provável dos acidentes e emite recomendações de segurança voltadas para a prevenção de futuros acidentes.

Além disso, o NTSB conduz estudos especiais acerca da segurança dos transportes e coordena os recursos do Governo Federal e de outras organizações para fornecer ajuda às vítimas de grandes desastres de transporte e às suas famílias. Para mais informações, visite: www.ntsb.gov/mostwanted.

Fonte: Conselho Nacional de Segurança em Transportes

1 COMENTÁRIO

  1. Creio que para um maior impacto (com vistas a investimentos nas OASP), tendo esse exemplo norte-americano, é incluir nesse sistema de gestão de segurança quanto à indicadores de custos (de imagem, econômico e político), haja vista qq Estado se basear nestes quesitos (ainda que soe de uma forma fria). Mas acredito que sensibilizar governantes deve-se ter essa conotação…
    Este Sistema também pode ser empregado e encarado pela Segurança de Voo (em cada Unidade) de forma mais dinâmica e “empresarial”; assim, creio que a “ponte de comunicação” com os stakeholders seria mais eficiente.

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