Transporte aeromédico: Um desafio para enfermeiros frente aos riscos ocupacionais

Daniella Balaguer Auday
Glendaline Corrêa de Souza
Sandra Helena Dias de Paula

1. Introdução

O enfermeiro de bordo nasceu da necessidade de especializar o profissional que presta assistência de enfermagem ao paciente aerorremovido. Essa especialização é recente no nosso meio e vem se desenvolvendo coma formação específica ministrada pelas instituições prestadora deste serviço. Temos hoje diferentes serviços de remoção aeromédica, mais ainda poucos têm em seu quadro de tripulantes aeromédico, o enfermeiro de bordo na assistência direta [1].

resgate

Diante disso a importância do enfermeiro de bordo é clara, uma vez que existe o grupo de pacientes que se encontram em estado grave, estes precisam de enfermeiros onde é necessário o cuidados intensivos durante o transporte, que é o que os enfermeiros de voo estão habilitados a proporcionar.

No Brasil, dispomos hoje de vários Serviços de Remoção Aeromédica, que é uma atividade em desenvolvimento, onde a necessidade da regulamentação dos profissionais envolvidos vem sendo sentida, bem como a necessidade de padronizar e desenvolver os cuidados oferecidos ao paciente aerorremovidos seguindo normas, padrões e protocolos.

Diante disso, no campo social, é importante destacar que a estabilidade e o crescimento econômico experimentado na última década levam ao surgimento de uma classe média cada vez mais exigente por serviços de saúde de qualidade, que ofereçam serviços diferenciados. Justamente com esse crescimento as pessoas com poder aquisitivo mais elevado podem se locomover mais rapidamente para os grandes centros especializados com equipamentos de ponta no mercado buscando um diagnóstico mais preciso e profissionais de renome.

O transporte aeromédico e utilizando em outros países no auxílio de transplante de órgãos (levar o órgão a ser transplantado), o mais rápido possível ao seu receptor que esta aguardando durante muito tempo por um órgão saudável e que chegue a tempo para ser realizada a cirurgia de transplante.

A portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde normatiza o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel no Brasil e estabelece a capacitação dos profissionais de transporte aeromédico e dispõem os matérias e equipamentos mínimos a serem utilizados [2].

A presente pesquisa tem como objeto de estudo: A atuação do enfermeiro dentro do transporte aeromédico. Como problematização abordaremos algumas questões pertinentes ao presente estudo, que nós fez argumentar e refletir sobre: Qual é o papel e as responsabilidades do profissional de enfermagem no transporte aeromédico?

Algumas empresas têm oferecido treinamento de pessoal, apenas pelas empresas que prestam este serviço, com supervisão da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Posta esta situação-problema, os objetivos são: Identificar a partir da literatura existente a atuação de Enfermagem no Transporte Aeromédico e na Remoção e Resgate; Descrever os riscos ocupacionais do enfermeiro no transporte aeromédico.

Justifica-se ainda pouca disponibilidade de literatura sobre este tema na língua portuguesa, pouco atualizada desde 2009. Acreditamos que esse estudo possa contribuir para que os novos enfermeiros possam sanar suas dúvidas em relação a essa área que ainda e tão nova referente a outras áreas da enfermagem.

2. Metodologia

Este trabalho e um estudo descritiva, qualitativa de revisão bibliográfica, em que se pretende analisar as publicações sobre a Atenção do Enfermeiro direcionadas para o Transporte Aeromédico no Brasil. O Enfermeiro de bordo e um protagonista da missão deverá cumprir etapas de pré-vôo, per-vôo e pós-vôo avaliando e sistematizando as prioridades do cliente durante o transporte.

A fonte de pesquisa utilizada nesse presente estudo foi um levantamento bibliográfico no período de fevereiro a setembro de 2010, nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Eletronic Libery on-line (Scielo) e Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (Medline).

3. Aspectos Históricos do Transporte aeromédico

E necessário entender os aspectos históricos do transporte aeromédico desde o seu surgimento e como foi sofrendo modificações ao longo do tempo. O Enfermeiro deverá entender o cenário de antigamente e o atual, ter a percepção da evolução do avião para o helicóptero que é a peça fundamental para as modalidades de transporte aeromédico. E necessário o conhecimento do antigo e atual, como foi ontem e como e hoje.

Na I Guerra Mundial 1914 a 1939 (também conhecida como Grande Guerra antes de 1939, e Guerra das Guerras) iniciava os primeiros modelos de aeronaves para transporte aeromédico. Eram rudimentares, despressurizadas, em baixa altitude, sem equipe de vigilância durante o voo, isso já demonstrava a necessidade do piloto em conhecer procedimentos básicos de primeiro atendimento com sistema de rede de oxigênio suplementar, em monomotores de velocidade média de 150 km/hora e os feridos encontravam-se em compartimentos à frente do piloto[3].

Durante a guerra da Coréia em 1950, foram usados helicópteros para o resgate de aproximadamente 20,000 (vinte mil) militares feridos. Estes voos bem sucedidos da Coréia serviram de base para as ações no Vietnã [4].

No histórico das remoções aéreas e aeromédica nas I e II Guerras Mundiais, Guerra da Coréia e a do Vietnã, verifica-se que, se por um lado à guerra deixou muitos feridos, por outro, trouxe também a necessidade de um transporte rápido e seguro, com assistência especializada, favorecendo o avanço e o desenvolvimento técnico – científico nas remoções aeromédicas[5].

As enfermeiras atuaram de maneira eficaz e de extrema importância durante a guerra realizando cuidados de enfermagem ao paciente.

3.1. Meios de transporte inter- hospitalar

O transporte inter-hospitalar faz-se necessário  quando o hospital onde se encontra o paciente/cliente/usuário não tem recursos humanos, diagnósticos e terapêuticos  necessários para melhor do quadro clínico. A escolha interfere nas condições de assistência, diagnóstico e terapêutica na qualidade prestada ao paciente [6].

E. O Enfermeiro deve promover meios para que o transporte destes pacientes seja feito sem prejudicar o seu tratamento, ou seja, deve ser indicado, planejado, executado minimizando o máximo possível os riscos para o transportado.

Existem três principais tipos de transferência intra-hospitalar e há considerações importantes acerca de cada uma delas.  Os meios de transporte podem ser: terrestres (ambulâncias), aéreos (helicóptero ou avião) ou aquáticos em alguns locais, podem ser usado barcos.

3.2. Ambulância

Ambulância e um veículo (terrestre, aéreo ou aquaviário) que se destine exclusivamente ao transporte de enfermos. As dimensões e outras especificações do veículo terrestre deverão obedecer às normas da ABNT – NBR 14561/2000, de julho de 2000, e os materiais obrigatórios, à Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048/ 2002, e cada tipo de ambulância tem de apresentar condições mínimas para realizar o atendimento com segurança.

3.3. Helicóptero

O helicóptero pode ter múltiplas funções, servindo para a Polícia, Resgate do Corpo de Bombeiros, bem como para Transporte Médico. Outras vezes, pode ser dedicado apenas ao transporte médico. Seu uso deve ser considerado para distâncias de até 400 Km e, também, quando há dificuldades topográficas no local. Sua velocidade depende do modelo, podendo variar de 200 a 320 Km/hora [7].

O maior desafio é prestar um atendimento de qualidade em um local restrito. O helicóptero é adaptado com o que há de melhor em tecnologias existentes atualmente no mercado.

A Portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde, de 5 de novembro de 2002, normatiza o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel. Ela estabelece regras que vão desde as especializações da equipe médica até as características dos veículos e os equipamentos a serem utilizados.

3.4. Aeronaves

Para distâncias a partir de 400 Km, recomendam-se os Learjets, Turboélices e Bimotores, cuja opção será baseada no tipo de pista disponível na cidade de origem8. Apesar de estarmos habituados apenas ao transporte de ambulância, o preconizado em relação ao modo de transporte é: via terrestre para distância de até 150 Km, helicópteros para distâncias de até 400Km e, para distâncias maiores, devem ser utilizados Learjeats, Turboélices ou Bimotores.

3.5. Aquaviário

Este tipo de transporte poderá ser indicado em regiões onde o transporte terrestre esteja impossibilitado pela inexistência de estradas e/ou onde não haja transporte aeromédico, observando-se a adequação do tempo de transporte às necessidades clínicas e a gravidade do caso. Como o transporte aeromédico, aqui o profissional envolvido é considerado “tripulante de embarcação” e, portanto, submetido à legislação da Marinha do Brasil[8].

3.6. Resgate Aeromédico x Remoção Aeromédica

Para sabermos a diferença precisamos entender que esse tipo de transporte e feito em aeronaves de asa rotativa, quando a gravidade do quadro clínico do paciente exigir uma intervenção rápida e as condições de trânsito tornem o transporte terrestre muito demorado, ou em aeronaves de asa fixa, para percorrer grandes distâncias em um intervalo de tempo aceitável, diante das condições clínicas do paciente.

Existem duas situações para o transporte aeromédico: Primeira situação é a remoção de uma vítima do local de um acidente ou após um resgate/salvamento; Segunda situação é quando um paciente precisa ser transferido para outro hospital onde existem mais recursos de atendimento. Nesse caso, a aeronave de transporte, ou aeronave ambulância, chega ao hospital de origem com uma equipe que irá avaliar, junto com a equipe médica do hospital, as condições do paciente para que ele possa ser removido.

Em ambas as modalidades do transporte aeromédico é imprescindível a presença de um médico, de um piloto e de um enfermeiro a bordo.

3.7. Etapas de PRÉ, PER e PÓS – Voo

Quando o serviço de transporte aeromédico e acionado o enfermeiro deverá planejar as etapas desse processo e atuar nesse cenário de forma eficiente durante a missão cumprindo as etapas denominadas de pré- vôo, per- vôo e pós- vôo.

Qual é a atenção de enfermagem nessas etapas? Como o enfermeiro atua nesse momento?

a. Pré – Voo

O pré-vôo também conhecido como primeira fase é a etapa inicial que compreende o preparado da aeronave com matérias (kit’s) e equipamentos (bomba infusora, cilindro de oxigênio, respirador, tempo útil de baterias etc…). O enfermeiro e atuante no check-list realizando o planejamento individualizado para cada paciente, cada paciente e singular.

O enfermeiro deverá instalar os equipamentos dentro da aeronave assim como verificar sua funcionalidade testando cada aparelho, inteirar-se do histórico do paciente, quadro clínico, sinais vitiais e o tempo de missão.

A equipe médica e de enfermagem realizaram em conjunto a organização dos equipamentos, matérias e medicamentos estabelecendo sua disposição nas aeronaves e definindo à composição mínima necessária para oferecer uma remoção segura e de qualidade aos pacientes1.

O enfermeiro deve chegar à reposição da cada de medicamentos portátil do tipo “multi-box”; verificar o funcionamento de equipamentos (oximetro de pulso, ventilador e desfibrilador); verificar o volume de oxigênio existente dentro do cilindro de oxigênio[9].

b. Per – Voo

O per–vôo também conhecido como segunda fase e a etapa que compreende a remoção aeromédica, missão propriamente dita.

O enfermeiro irá oferecer uma assistência direta de enfermagem realizando uma avaliação inicial do paciente, assistir ao médico e realizar os procedimentos a bordo, realizar anotações de enfermagem e administrar medicações.

É função do enfermeiro de bordo avaliar e sistematizar as prioridades do paciente, realizar assistência integral ao paciente e zelar pela integridade física e psíquica do paciente, preservar a segurança do paciente[10].

c. Pós – Voo

O pós – voo também conhecido como terceira fase que compreende a última etapa, e o retorno à base operacional. O enfermeiro atua nessa etapa após a entrega do cliente ao hospital de destino, repondo o material e coordenando a desinfecção e esterilização do material e a parte burocrática desse processo pós-voo.

O enfermeiro fará a reposição da aeronave para uma nova missão. Realizar desinfecção dos materiais, encaminhar roupas usadas para lavanderia, organizar o prontuário e protocolar em ordem decrescente.

Esse processo pode ser diferente em algumas empresas que executam o serviço de transporte aeromédico. Existem hoje no mercado grandes empresas de renome que atuam com protocolos criados da instituição, o enfermeiro poderá atuar de forma diferente em algumas etapas do transporte.

3.8. Enfermeiro de Bordo

As Enfermeiras desempenham suas atividades no transporte aéreo e realizam treinamento específico para atender às necessidades dos pacientes em pleno vôo, o que se constituiu em um grande desafio, especialmente porque assumi toda responsabilidade no cuidado destes pacientes, podemos inferir a sobrecarga psicológica que domina as Enfermeiras do Transporte Aéreo, pois a assistência de enfermagem e desenvolvida com tomadas de decisões, que envolviam o fazer médico.

3.9. Formação específica do enfermeiro de transporte aéreo

No Brasil, o enfermeiro de bordo e uma atividade ainda em expansão, com avanço dos grandes centros urbanos como São Paulo – SP e Rio de Janeiro – RJ, hoje existem cursos específicos ministrados por instituições de ensino, tendo sua formação voltada para o transporte aéreo de doentes, tendo o público alvo os profissionais da saúde: médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com carga horário de 30 horas para Médicos e Enfermeiros, Auxiliar/técnico de enfermagem de 22 horas, conforme estipulada pela portaria nº 2.048, de 5 de novembro de 20022, e a Resolução COREN  nº 290/2004 que fixa as especialidades de enfermagem e reconhece a especialização Aeroespacial [11].

Os profissionais devem ter noções de aeronáutica de fisiologia de voo, estas noções de aeronáutica e noções básicas de fisiologia de voo devem seguir as determinações da Diretoria de Saúde da Aeronáutica, e da Divisão de Medicina Aeroespacial.

O alto risco de vida da maioria dos pacientes aerorremovidos exige assistência constante de enfermagem especializada, bem como os cuidados médicos preparados para atender pacientes críticos [12].

Requisitos Gerais para o Enfermeiro: Disposição pessoal para a atividade; Equilíbrio emocional e autocontrole devido às possíveis situações de risco que estão envolvidas durante o transporte; Capacidade física e mental para a atividade; Condicionamento físico para trabalhar em unidades móveis; Capacidade de trabalhar em equipe; Iniciativa e facilidade de comunicação; Disposição para cumprir ações orientadas; Experiência profissional prévia em serviço de saúde voltado ao atendimento de urgências e emergências; Disponibilidade para a capacitação discriminada, bem como para a recertificação periódica; Tato e sensibilidade; Exigências antropométricas; Liderança; Resposta satisfatória ao estresse; Curso básico de transporte aeromédico; Curso e exercício simulado de emergência anual.

O enfermeiro necessita ter um bom controle emocional, devido às possíveis situações de risco que estão envolvidas durante uma remoção aérea. O ambiente restrito da aeronave, diferentes pacientes com diferentes diagnósticos, fisiologia de altitudes, aceleração, desaceleração, diferentes temperaturas, situações de emergência em voo tais como: despressurização, aterrissagem de emergência e outras panes possíveis que envolvem a complexidade de uma aeronave que podem influenciar o estado psicológico do profissional que atua em remoção aérea1.

4. Análise de dados

4.1. Resposabilidades e atribuições do enfermeiro no transporte médico

a. Em relação aos problemas do paciente

Após passar por todas as etapas de voo até a entrega do paciente /cliente/usuário ao hospital de destino o enfermeiro deverá realizar o registro de enfermagem no livro de relatórios dos enfermeiros.

Em caso de escalas não previstas no plano de voo, o piloto deverá informar ao enfermeiro mudanças no número de escalas e o tempo de permanência de cada escala em solo, para planejar a quantidade de medicação e o consumo de oxigênio de acordo com o estado do paciente / cliente / usuário1-.

Os seguintes cuidados de enfermagem nas seguintes situações descritas abaixo [13]:

Ansiedade: O enfermeiro deve identificar as necessidades que o paciente tenha pela perspectiva de vôo, orientando-o de tal forma que suas preocupações sejam diminuídas e que ele possa fica tranquilo sem medos. E importante que o cliente sinta-se calmo durante todo o processo de translado hospital- aeronave- hospital

Barosinusites: Solicitar ao piloto o retorno a altitudes mais elevadas, também pode se fazer uso de um spray nasal vasoconstritor;

Distensões gástricas: O enfermeiro deve avaliar antes do voo e aliviar ou eliminar através de sonda nasogástrica, que deve permanecer aberta, pois com o aumento da altitude os gases podem se expandir, resultando em episódios de emese e possíveis aspirações para os pulmões.

Descompressão ou disbarismo: O tratamento de emergência para todas as formas inicia-se com oxigênio a 100% e deve incluir uma rápida descida da aeronave;

Paciente traumatizado: Verificar o tipo de trauma do paciente, estabilidade do paciente que pode ser afetada pela altitude, condições de volêmia, balaço hídrico, exames hematológicos compatíveis, alguns procedimentos invasivos durante o voo, desobstrução das vias aéreas, imobilização de fraturas, necessidade de oxigenação.

Ruídos: Se restringe a utilização de proteção auricular (fone de ouvido) que deve ser utilizado tanto pelo tripulação quanto paciente/cliente/usuário, assim possibilitando uma comunicação entre eles.

Existem outros efeitos durante o voo que o paciente e a tripulação aeromédica esta sujeita, a empresa de transporte aeromédico irá treinar o enfermeiro e a equipe sobre os possíveis efeitos que ocorrem no voo.

b. Competências e responsabilidades

De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048/2002 que estabelece as respectivas competências/atribuições do Enfermeiro de bordo segue a abaixo:

Supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe no Atendimento Pré-Hospitalar Móvel; Conhecer equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas;  Executar prescrições médicas por tele-medicina; Prestar cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica a pacientes graves e com risco de vida, que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas; Prestar assistência direta as vítimas, em atuação na aeronave; Prestar a assistência de enfermagem à gestante, a parturiente e ao recém-nato; Fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes à sua profissão; Exercer todas as funções previstas legalmente reconhecidas a sua formação profissional; Monitorizar o monitor cardíaco, oxímetro de pulso e monitor não invasivo de pressão arterial; O paciente deve ter no mínimo um acesso venoso calibroso (com jelco ou abocath – tipos de seringas). Os procedimentos invasivos devem ser realizados antes do embarque;  Administrar medicação e infusão de drogas endovenosas; As medicações de urgência, com uso previsível para a situação, devem estar prontas para administração, controlar e repor medicação e material utilizado; Realizar curativos e imobilização de fraturas; Colocar água nas cânulas endotraqueais durante o vôo para prevenir a ruptura do mesmo, devido à expansão gasosa nas grandes atitudes; Em caso de tração ortopédica, utilizar as confeccionadas para as remoções, onde não há necessidade de pesos, pois durante a aceleração e desaceleração os pesos tendem a balançar, alterando a tensão da tração; É desejável que se disponha de um aspirador manual portátil para as situações de falha do equipamento; Sondas vesicais demora devem ser mantidas abertas para evitar a expansões gasosas e eliminar com facilidade a urina; Se a vítima estiver consciente deve ser esclarecida quanto ao transporte. Se a vítima se encontrar em estado agitado deve ser sedada e contida, especialmente em helicópteros devido ao piloto e ao painel de controle estarem ao alcance da mesma;  Imobilizar adequadamente as vítimas de traumas; Observar constantemente a evolução dos sinais e sintomas do paciente;  O enfermeiro de bordo deve  acompanhar o embarque e desembarque do paciente; administrar medicação prescritas pelo médico responsável do hospital de origem e outros medicamento caso o médico de bordo julgas necessário durante o translado; segurança no interior e exterior da aeronave1-2-10.

Portanto, se faz necessário que o enfermeiro tenha o conhecimento técnico e prático na execução de suas atividades atribuídas e saiba executar a melhor intervenção de enfermagem, assegurando ao cliente uma assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.

c. Organização e Controle do material

Como citado anteriormente, a escolha da aeronave e definida pela coordenação de voo juntamente com o médico, a montagem da aeronave será realizada pelo enfermeiro, após analise sistematizada de todos os fatores e de acordo com a necessidade clínica de casa paciente / cliente / usuário.

O enfermeiro deverá estar atento aos seguintes itens abaixo no momento de alojamento e desalojamento do paciente na aeronave: Supervisionar o alojamento e desalojamento do paciente na aeronave; Atuar em conjunto com o médico durante a execução das manobras de ressuscitação e intervenção de emergência; Administrar medicação e infusão de drogas endovenosas; Realizar curativos e imobilização de fraturas; Prestar cuidados específicos ao paciente, avaliando e registrando sua evolução; Manusear equipamentos, bem como providenciar sua manutenção; Controlar e repor medicação e material utilizado; Providenciar o preenchimento do termo de responsabilidade; Proporcionar conforto e apoio ao paciente removido e sua família; Implementar ações para a promoção a saúde e adotar práticas, normas e medidas de biossegurança; Tratar os incidentes críticos em reuniões de BRIEFING1-11;

Portanto, o enfermeiro tem uma atuação participativa e não um coadjuvante durante as etapas de voo do transporte aeromédico. O profissional de enfermagem atua na promoção, recuperação da saúde de de seus paciente / cliente / usuário, visando o ser humano como um todo.

4.2 Riscos ocupacionais no transporte aeromédico

O enfermeiro de bordo no desenvolvimento de suas funções está exposto a inúmeros riscos ocupacionais  podendo ser causado por fatores químicos, físicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, que podem ocasionar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, uma vez que esses profissionais lidam diretamente com o paciente, com agulhas e outros tipos de perfuro cortantes, equipamentos, soluções e outros situações e aspectos.

A área de transporte aeromédico esta tem os seus ricos tanto para o trabalhador como para o paciente/cliente/usuário, a diferença  e que o corpo esta sujeito apenas naquele momento ou diariamente para quem trabalha no serviço de remoção ou resgate aeromédico.

A equipe aeromédica está sujeito a riscos ocupacionais como em qualquer outra profissão. Durante a remoção  e resgate aeromédico podem ocorrem episódios que a longo ou curto prazo pode afetar a vida cotidiana do profissional que trabalha nesse área.

Muitos fatores e situações de trabalho no contexto da enfermagem, predispõem ou acentuam o aparecimento de danos aos profissionais. Portanto as constantes mudanças aumentam as cobranças e exigências do empregador / empresa/ hospital em relação  ao empregado/ funcionário que afeta a qualidade de vida dos trabalhadores. Os fatores estressantes de voo para a equipe aeromédica são12-13:

Vibração e ruído: As vibrações se propagam pela fuselagem e pelo ar, podendo causar diminuição da acuidade visual afetando o sistema neuromuscular e vascular, levando a uma sensação de desconforto e fadiga. A audiometria anual e obrigatória como meio de prevenção. Ruídos acima de 120dB(A) é considerado prejudicial ao ouvido humano,  acarretando há: cefaléia, fadiga, náusea, vertigem podendo também causar dano permanente ou temporário ao ouvido e deteriorazação no desempenho de suas atividades. O uso de protetores auriculares e recomendado e fone de ouvidos como EPI.

Cruzamento de fusos horário: Trabalho noturno e diurno – O ritmo circadiano da tripulação aeromédica fica comprometido quando  vários meridianos são ultrapassados durante o voo.  Os efeitos estressantes em decorrer a diferença de fuso horário são: distorção tempo/distância, alteração de apetite, insônia, constipação; irritabilidade; ptesiofobia (medo de voar), astenia; concentração e capacidade de decisão rebaixados;

Mudanças de Clima: Extrema mudança de clima podem depender do local do hospital bem como das condições  que esta dentro do interior da aeronave. Se houver baixa resistência ou fadiga pela exposição a variações de temperatura pode haver infecções respiratórias frequentes;

Esforço Físico: Levantamento de peso –  Manipulação do paciente auxiliando por maca e colocá-lo na aeronave; manejo, reposição de materiais e outros procedimentos caracterizam o dia-a-dia da enfermagem acarretando cansaço e dores no corpo;

Risco de acidente:  Possibilidade de incêndio ou explosão – risco de  queda da aeronave, incidentes aéreo ou sinistro; Risco elétrico se enquadra aqui também;

Psiquicossociais: Desgaste físico e emocional – Sobrecarga vinda do contato com os sofrimentos dos pacientes, com dor e a morte;

Perfuro cortante: Os materiais perfuros cortantes são as principais causas de acidentes na enfermagem sendo material infectocontagioso, podendo causar hepatite, herpes, AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida);

A dieta da tripulação  durante a remoção deve ser mais rica em carboidratos que propicia energia mental, do que em proteínas, que requer mais O2 que são de difícil digestão. Alguns alimentos devem ser evitados pela tripulação que podem levar a uma distensões e cólicas, exemplos: feijão, repolho, tomate, pão, bola e goma de mascar, amendoim, cebolas, bolo. Evitar bebidas gaseificadas devido a dilatação dos gases, não ingerir bebida alcoólica, pois seu efeito é potencializado de 2 a 3 vezes13.

Portanto entende-se que a equipe aeromédica está sujeito a fatores estressantes na atividade profissional como em qualquer outra profissão. Deve-se estar sempre atento para o risco de estresse e fadiga aérea que prejudicam o trabalho da equipe aeromédica, desenvolver estratégias para atender de modo satisfatório o paciente, prestando um cuidado livre de erros tanto para o cliente quanto para tripulação.

5. Considerações Finais

A profissão de enfermeiro de bordo exige muito mais que preparo físico, exige um preparo intelectual, não basta ser enfermeira tem que gostar do que faz e ter conhecimento para isso. E importante que o enfermeiro deve estar ciente de que o estudo é contínuo, não é algo fixo fechado, ele é mutável e terá que correr atrás para estar renovado constantemente. Conclui- se que existe um leque de opções para a enfermagem se especializar / capacitar.

É perceptível o crescimento gradativo da profissão e consequentemente amplia as possibilidades na especialização da enfermagem. Os profissionais que possuem um vasto conhecimento em atendimento emergencial, cursos de socorristas estão inseridas em um mercado constantemente em expansão, porém, pouco divulgado.

Pessoas que trabalham em altitudes também sofrem os efeitos colaterais iminentes da profissão como náuseas, sensação de trepidação, perda gradativa de audição e envelhecimento precoce, pela falta adequada de oxigênio. Existem  características na fisiologia do organismo em solo, que é diferente em altitude. Cada vôo é singular, nenhum outro terá as mesmas emoções e sentimentos.

As atribuições e responsabilidade do enfermeiro de bordo e de fundamental importância para um transporte seguro que e uma das mais significativas aquisições da aviação em um país como o Brasil, as chamadas UTIs aéreas tem importância capital, permitindo o deslocamento de pacientes de regiões de baixos recursos médicos, ou de áreas remotas, para grandes centros de referência.


Referências

[1] THOMAZ, R, R., MIRANDA, M.F.B., G.A.G, GENTIL, R.C. Enfermeiro de Bordo: uma profissão no ar. Acta paulista enfermagem. São Paulo, vol.12, n.1, p. 86-96, 1999.

[2] BRASIL, Ministério da Saúde. Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Portaria no 2.048/GM, 05 Nov, Brasília, 2002.

[3] FERRARI, D. Transporte aeromédico: evolução e história. Revista Intensiva vol.3, 2005.

[4] VIEIRA, B. Ciências aeronáuticas: transportes especiais de pessoal. Guaratinguetá, Brasil: Quartzo Escola, 2009.  Disponível em: www.quartzoescola.com.br/apostilas/5transespe.doc Acessado em: 01/05/2010.

[5]  GENTIL, R, C. Remoção aeromédica: a implantação de um serviço privado em São Paulo. (Tese de Mestrado – Faculdade de São Camilo de Administração hospitalar), São Paulo, 1992.

[6] JUNIOR, G.A.P, NUNES,T.L., BASILE- FILHO A. Transporte do paciente crítico. Rev Do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, 34:2, pag 143-153, 2001. Disponível em: http://www.bireme.br. Acessado em: 09/03/2011.

[7] CONN A, K, T. Transport of the critically ill patient. 3th. ed. W.B. Saunders, Philadelphia, Pennsylvania, pág. 74-79, 1995.

[8] LARCERDA, M. A.; CRUNIVENEL, M, G, SILVA, W, V. Transporte de pacientes: Intra-Hospitalar e Inter- Hospitalar. Capitulo VI Ano 2007.

[9] THOMAZ, R.R, LIMA. F.V. Atuação do enfermeiro no atendimento pré –hospitalar na cidade de São Paulo. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v.13, n.3 p.59-65, 2000.

[10] CARVALHO, V. P; DIAS, C. P. O Enfermeiro de bordo no transporte aéreo. Trabalho 3206 – 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem- Transformação Social e Sustentabilidade Ambiental – CBen, Fortaleza, CE, 2009.

[11] COFEN. Resolução COFEN 290/2004 – Fixa as Especialidades de Enfermagem. Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4326 Acessado em: 25/09/2010.

[12] GENTIL, R, C. Aspectos históricos e organizacionais da remoção aeromédica: A dinâmica da assistência de enfermagem. Revista da escola de enfermagem USP 31:3 (1997), p. 452-457. 

[13] REIS, M,C,F, VASCONCELLOS, D.RL., SAIKI, J., GENTIL, R.C. Os efeitos da fisiologia aérea na assitencia de enfermagem ao paciente aeroremovido e na tripualação aeromédica. Acta Paulista de enfermagem, São Paulo, v. 13, n.2, p. 16-25, 2000.


Os autores são Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Estácio de Sá – Trabalho de Conclusão de Curso. Campus: Barra/Akxe – 2011.01.

Orientador (a): Prof.ª Ms. Nina Aurora Mello Savoldi é  Docente da Universidade Estácio de Sá, mestre /UERJ- Enfª. BLH-IFF -FIOCRUZ- Rio de Janeiro.


2 COMENTÁRIOS

  1. Amei ,irei fazer uma especialização em em enfermagem de bordo ou em resgate aéreo.
    Muito obrigado!!!!
    Valeu quem pensou nesta especialização tao importante.

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