Tripulante Operacional – O Fiel Escudeiro

Iniciar esse texto não é tarefa fácil, pois, nem sempre lembramos de reverenciar os valorosos Tripulantes Operacionais. São eles que conduzem os pilotos, são seus olhos e suas mãos e, em algumas vezes, seus guias. Temos sempre a tendência de enaltecer a perícia dos pilotos e, por vezes, não damos o devido valor aos verdadeiros operadores da Aviação de Segurança Pública – os Tripulantes Operacionais.

Fica mais difícil quando vemos a foto de um tripulante operacional, morto em operação, sendo carregado em uma maca fria. Um sentimento de vazio nos assola. Lembramos de sua família, seus filhos, seus colegas e amigos, da segurança, dos equipamentos, de nossos verdadeiros objetivos, no real sentido de nossas operações. Tudo passa em nossos pensamentos, mas, ao final, retorna o sentimento de vazio, de impotência frente ao inesperado.

Momento em que o corpo de Luís Antônio era retirado do helicóptero, na quadra do 6º BPM. Fonte: O Mamoré.

O tripulante Operacional, profissional dedicado e corajoso, que leva, muitas vezes, em suas mãos, a salvação. Por vezes transforma-se em um “gladiador” frente aos leões e por outras num “monsenhor”, levando alimentos e acalento aos flagelados. Um fiel escudeiro em uma operação policial e um verdadeiro maestro em uma operação de salvamento.

Como pode ser tão corajoso, ficar preso somente em um pequeno pedaço de corda, fita ou cabo de aço e ainda sentir-se seguro? É exatamente isso que o distingue dos demais. Como digo: fazemos o que treinamos e treinamos para sermos os melhores, não só para nos sentirmos seguros, mas para darmos segurança àqueles que precisam de nós.

Para ser um Tripulante Operacional é necessário uma centena de requisitos e muitas horas de estudo, treinamento, concentração, paciência, calma, perseverança, e muito, muito mais. Sua “Bíblia” são os procedimentos operacionais, textos que contém práticas reiteradas, testadas, comprovadas e que padronizam todas as suas ações, entretanto, em uma aeronave de segurança pública, ou não, quando em atividades onde o risco está presente, TODOS devem estar padronizados (pilotos, médicos, enfermeiros, tripulantes operacionais, mecânicos e passageiros).

A padronização se inicia no pré-voo da aeronave e caminha pelo abastecimento, preparação dos equipamentos, “briefing” da tripulação, acionamento da aeronave, decolagem, execução da missão (momento de maior atenção e que põe à prova toda a padronização), retorno, pouso e só termina com o “debriefing” da operação.

O gerenciamento do risco é algo que deve estar internalizado em todos e o procedimento operacional deve ser entendido como um “dogma”, calcado na doutrina da segurança, no aprendizado contínuo e no aperfeiçoamento constante.

O Sd Luís era policial militar há 10 anos e formado como tripulante operacional em 2005 pelo BAPM/SC, Unidade de Aviação que prima pela segurança e pelos procedimentos operacionais. O policial estava prestando apoio ao IBAMA em suas operações, que, muito embora, não seja caracterizada como Aviação de Segurança Pública, realiza atividades de polícia administrativa na esfera de suas atribuições.

Fica aqui uma imagem e lembrança do Tripulante Operacional Luis Antônio Ricardo, em missão realizada no dia 8 de novembro de 2008, com o IBAMA 03, em São Félix do Xingu/PA, na Operação Boi Pirata, cuja tripulação era:

Comandante: Mariana (um dos mais experientes operando pelo IBAMA)
Co-piloto: Júlio (piloto e instrutor)
Fiel ” Escudeiro”: Luis Antônio Ricardo
Mecânico: Régis (também tripulante operacional de SC)
Flabeano Lara de Castro (Analista Ambiental – IBAMA)

A lição que tiramos de tudo isso é a necessidade de padronização de nossos procedimentos e operações, principalmente quando voamos “fora de sede” e com equipes mistas.

Para esposa e filhos fica a certeza que um Homem de Valor se foi, e sentimos muito por isso. Uma perda irreparável. Uma profunda tristeza. Luís Antônio retornou à Santa Catarina, da matéria virou pó e retornou ao azul do céu. Uma volta sem volta.

Mais um nobre guerreiro nos deixa. Salve todos os Tripulantes Operacionais e que transformemos esse momento de dor em uma fortaleza de amor e perseverança.


Texto de Eduardo Alexandre Beni, foto de O Mamoré e vídeo de Flabeano Lara de Castro (IBAMA)


16 COMENTÁRIOS

  1. Fico Emocionado com a matéria de alto grau de reconhecimento, por uma classe quase sempre esquecida,e infelizmente não valorizada por quem de direito.
    Tive o privilégio de ter trabalhado com TOM-M luis Antonio profissional coerente,Abnegado e responsável que com certeza deixara um vazio junto aos demais tripulantes do BAPM/SC.
    QUE DEUS TE DE UM DESCANSO MERECIDO!!!!!!!!!

  2. Estou em missão no Pará-Novo Progresso…e aos familiares e amigos do Luis meus sinceros sentimentos e DEUS OS ABENÇOE e tenho certeza que ele está em boas mãos, fez o que gostava….Paixão por voar

  3. O tempo nos trará o conforto, mas a perda de um tripulante operacional, um colega de trabalho, e muito mais, UM AMIGO, deixará um vazio pra sempre… Esta reportagem foi muito bem realizada, mas esperamos receber o valor e o respeito por uma profissão de alto risco, na qual alguns menosprezam esta árdua missão. Ao nobre amigo que se foi, fica o respeito, consideração e a esperança de reencontrar num plano superior!

  4. Na vida não há perdas ou ganhos, apenas transformações. Com certeza, a morte de Luis Antônio não foi seu fim, e em algum lugar que não sabemos, seja por medo ou ignorância da continuidade da vida, ele está velando por nós, emanando sua luz. Não é fácil aceitar a maneira como tudo aconteceu, apenas podemos rever o procedimento, descobrir onde houve a falha e evitar que outros cometam a mesma falha. Pena. Jovem, bom pai de família, excelente amigo, tripulante obcecado, por vezes até um “fominha”. Explicação, talvez nunca tenhamos. Mas Deus há de dar o consolo necessário à família, e a força que Luis Antônio precisa para velar por todos nós. Imagino que o “Grandão” tenha-o recebido de braços abertos. E creio que um dia, todos nós os reencontraremos. Fiquem com a proteção divina e a crença de que existe um amanhã. A morte não é o fim, apenas uma forma diferente de começo, para uma nova vida.

  5. Que Deus possa receber o sd Luiz e que sua familia seja abençoada e encontre conforto neste momento de dor.

    se vivo, vivo pela misericórdia do senhor!!

  6. Que Deus guarde esse combatente, e que Ele nos proteja sempre em nossas missões tão arduas, e dificieis, pois sabemos que nunca podemos errar, tenho certeza que o que aconteceu vai servir para redobrar-mos nossa segurança nas missões vindouras.

  7. O poderoso Deus,autor da liberdade e campeão dos oprimidos deu a difícil missão ao Sd Luís de zelar por aqueles que necessitam de alento,de justiça e de proteção e aos que propagam o mal, a injustiça e a dor que tenham em nós o pesado fio de tua espada.Sd Luís partiu em serviço,com dignidade,com honra e em respeito as tradições daqueles que vieram antes de nós e que ele possa alçar voos mais altos ao redor do trono de Deus.Que a família desse guerreiro alado encontre conforto e força para vencer a perda,e que também se orgulhem de ter feito parte da vida desse nobre camarada.Todos vivemos sob o mesmo céu,mas o horizonte é para poucos.Ao SD LUÍS palmas de comando.

  8. Caríssimos profissionais e familiares da aviação de segurnça pública,

    Como e o quê falar num momento como esses…

    Já sei o que falar…

    Tive a gramde oportunidade de conhecer e conviver com o Luiz Antônio, não só como profissional, mas também como Ser Humano.

    Vou falar apenas do Ser Humano, pois o profisional, eu posso afirmar que era muito acima da média e não existia tempo ruim!

    Vivia sorridente e alegre, fazendo palhaçadas, alegrando a todos por onde passava em nosso hangar e fora dele. Vivia com seu único macacão velho se desmanchando e sendo costurado quase sempre, amava vestí-lo e com muito orgulho! Era uma pessoa muito inteligente! Vivia cantarolando com seu violão no alojamento do Batalhão. Como adorava cantar e tocar. Era muito bem informado e desenrolado na informática e aparelhos eletrônicos, pois também gostava de mexer com isso. Quando jogávamos futebol, era um exímio goleiro. Era uma pessoa que não desistia e possuía muita raça! Vinha sempre de motocicleta BIZ para o quartel. Falava com muito carinho e amor de sua esposa e dois filhos quando deslocávamos de viatura pela cidade. Esses eram os seus verdadeiros tesouros… sua família.

    Depois de certo tempo compreendi porque seu apelido era MONTANHA, e era mesmo…

    Amigo Luiz Antônio, MUITO OBRIGADO pela sua presença enquanto trabalhamos juntos. Tenho a certeza que ainda nos encontraremos, e enquanto isso não ocorre, peço que sempre nos proteja em nossa nobre missão, porque a tua já foi muito bem cumprida…

    Cap PM FELZCKY
    Teu orgulhoso Cmt de Cia

  9. Este cara é facil falar, dele, basta dizer com poucas palavras o que ele era no nosso meio: “AMIGO”
    TIVE O PRAZER DE FAZER O CURSO DE TOM-M COM ELE ,SEMPRE FAZENDO PALHAÇADAS E AJUDANDO AOS QUE MENOS CONSEGUIÃO ACOMPANHAR A TURMA
    POR ISSO DIGO PERDEMOS UM AMIGO E GANHAMOS UM ANJO QUE DEUS O TENHA AO NOSSO LADO MESMO LA DE CIMA

  10. Tive uma grande satisfação de conhecer o Sd Luiz na missão de Santa Catarina, durante as calamidades de Itajaí, Morro do Baú, Blumenau etc. Ele foi inicialmente os olhos de nossos pilotos quando iniciaram as operações. Diante disso, encontra-se ali um militar motivado, sempre sorridente, com muita disposição de execer sua atividade. Algumas vezes até se fazia de metereologista, nos informando das chuvas e proa ideal que deveríamos seguir.
    Aos amigos do BAPM-SC, também sentimos a perda de um companheiro e também irmão de farda.
    Mas desejamos que Deus dê a todos e aos familiares o justo conforto e que o “anjo Sd Luiz” nos guarde em nossos voos, seja qual for missão.

    Sgt Mattos
    Tripulante Operacional- Minas Gerais

  11. Lendo o texto fiel escudeiro, vou mais longe quando falo da nobre missão do tripulante de helicoptero,uma função que hoje vem se tornando conhecida mundialmente, e para nós que vivemos aviação de segurança publica, atuando a bordo de uma aeronave, que exige um grande leque de conhecimentos técnicos, referente principalmente a procedimentos de pousos e decolagens em áreas restritas, ou auxiliando o piloto durante o voo até o local onde na prática será o palco de operações em que todo o conhecimento e também a coragem do tripulante será exigida.

    Ter coragem para saltar nas águas revoltas do mar, para retirar um corpo submerso, trazê-lo a tona e aplicar os meios disponiveis e técnicas conhecidas para retomar seus sinais vitais, conduzi-lo a bordo do helicópero, e mesmo físicamente esgotado, por ter o mantido na superfície até sua retirada das águas, ainda assim realizar procedimentos e manobras de suporte basico da vida, sem que, em nenhum momento seja cogitada a possibilidade de não conseguir trazer de volta a vida o corpo daquele desconhecido.

    Ter profundo conhecimento em técnicas verticais, para com segurança descer pelo cabo até po topo de uma árvora, onde um cidadão encontra-se pendurado, enrolado pelas cordas de seu para-pente, e realizar o resgate levando-o até a terra firme.

    Ter tranquilidade e equilibrio emocional para aplicar as técnicas de imobilização de fraturas e controle de hemorragias que prevêem o protocolo de atendimento pré hospitalar, diante de um cenério de acidente automobilistico, onde vitimas agonizam e populares pressionam, exigindo agilidade no resgate, mesmo assim o tripulante executa seu trabalho em mais uma modalidade em que seus conhecimentos são postos em prática.

    Por fim, este tripulante ainda se coloca a bordo da aeronave armado com seu fuzil, com os olhos atentos ao voo, mas também fixando seu olhar em um veículo que empreendeu fuga das viaturas de polícia, e que ao volante está um marginal que não hesitará um segundo sequer em disparar sua arma contra o helicóptero que está impedindo que ele conclua sua ação criminosa.

    O nosso amigo Luiz Antonio Ricardo, era um profissional que reunia todas as qualidades que um tripulante tem o dever de possuir, e cabe a nós, seu amigos e colegas de profissão, honrar sua memoria, mantendo cada vez mais elevada nossa proficiência técnica e jamais deixar que baixe nosso moral e nunca abandonar nossa nobre missão.

  12. Olá,sou estudande do curso de formação policial e, no curso ,ja tou trajando metas a serem alcançadas por mim. Nessas metas estao ,talvez o objetivo principal, ser piloto de helicoptero do meu estado do qual ja estou sabendo que o piloto é da aeronautica o que mostra a falta de pessoal preparado da instituição.
    Gostaria de saber como faço para iniciar essa longa jornada, se o SENASP investe nesse tipo de curso, qual(is) os requisitos para curso, particular é viavel, enfim o que é necessario e o que eu preciso fazer para iniciar o curso.
    obrigado

  13. Enquanto o TO é reconhecido em todo o Brasil como profissional impar, na PMERJ os boatos da extinção desta nobre função exercida por alguns poucos PPMM causam estress e preocupação na tropa do GAM, quero dizer que a vaidade dos “”caveiras”” que hoje é cinematográfica pode acabar com a função de profissionais tão reconhecidos.

  14. OLHA LAMENTO MUITO PELO FATO ACONTECIDO EU SOU POLICIAL DE ALAGOAS E TRABALHO NO 10 BPM E CONSTANTEMENTE COLOCO A MINHA VIDA EM RISCO MAIS É ASSIM MESMO,AGENTE BRAVO GUERREIROS ESTAMOS PARA SERVIR.GRANDE PERDA PARA TODOS.

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