Muito se fala em custos de operação de aeronaves locadas ou próprias. O trabalho monográfico produzido pelo 2º Sgt BMSC Arley PUTTKAMMER, Tripulante Operacional do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, fala sobre a realidade no Estado de Santa Catarina e foi apresentado ao Departamento de Ciências Contábeis, da Universidade Federal de Santa Catarina.

ARLEY PUTTKAMMER

Aquisição ou locação de helicóptero: o que é mais econômico para o Governo do Estado de Santa Catarina?. 2008. 110 f. Monografia (Ciências Contábeis) – Departamento de Ciências Contábeis. Universidade Federal de Santa Catarina, 2008.

A questão adquirir ou locar encontra-se inserida no cotidiano das entidades. Diariamente tem-se que tomar decisões do que é melhor a fazer, qual opção escolher. O Governo do Estado de Santa Catarina, para suprir sua necessidade de transporte rápido, seguro e que permitisse o acesso aos mais diferentes pontos do Estado, optou por um contrato de locação de helicóptero.

Porém, a continuidade da locação gerou uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina para que o Governo do Estado realize um estudo sobre a locação em relação à aquisição de um helicóptero, com a finalidade de verificar qual opção é mais econômica ao erário público.

A necessidade do estudo pelo Governo do Estado motivou o presente estudo, que tem como objetivo, através da contabilidade, principalmente a de custos, identificar e apresentar informações que possam subsidiar o Governo do Estado de Santa Catarina em uma tomada de decisão sobre a opção mais econômica, aquisição ou locação um helicóptero.

A metodologia empregada é realizada em duas etapas, a primeira na coleta de dados no âmbito administrativo do governo estadual para identificar os custos envolvidos no processo de contrato e utilização da locação, bem como os custos realizados nos últimos cinco anos com locação.

A segunda etapa é realizada através de pesquisa externa com as operadoras privadas e governamentais, proprietárias de helicóptero AS 350 B2, e oficinas homologadas de manutenção deste tipo de equipamento e a empresa responsável pela montagem, venda e apoio pós-venda no Brasil, para apurar os custos de aquisição, operacionalização e de manutenção de um helicóptero.

O estudo limita-se na apuração e comparação dos custos de locação versus aquisição de um helicóptero AS 350 B2, na versão executiva, para o transporte exclusivo de autoridades no âmbito do Governo do Estado de Santa Catarina, pelo período de dez anos.

O levantamento e a análise dos dados através do custeio variável permitiu concluir que é mais econômico ao Governo do Estado adquirir um helicóptero AS 350 B2, do que manter o atual contrato de locação.

14 COMENTÁRIOS

  1. Com certeza AERONAVE POLICIAL comprada nova e muito melhor pois e patrimonio do ESTADO pagar aluguel paga-se sempre e nao e nosso ! A comprar melhor Opçao ! Mesma coisa que morar de aluguel ………..

  2. Parabéns ao Colega PUTTKAMMER pelo estudo e trabalho apresentado, significativamente positivo, podendo apontar cientificamente a melhor opção para o poder público tomar a decisão mais vantajosa ao Estado.

  3. A aquisição de aeronaves por Instituições Públicas com certeza é a melhor opção, todavia a contratação de um empresa para realizar a manutenção é muito mais viável, com redução de volume de servidores nesta área e criação de posições de gerenciamento de manutenção.

    Em resumo o orgão púlblico possui o equipamento e contrata a manutenção. Hoje através da modalidade de lecitação “pregão”, tornar-se muito interressante aos cofres públicos.

    • Reitero os comentários de todos a respeito do belo trabalho do Sgt Puttkammer.

      Contudo, destaco três variáveis que foram baseadas como premissas na pesquisa e que podem mudar um pouco a balança da comparação entre compra e locação.

      A primeira é a disponibilidade da máquina. Enquanto que em uma aquisição, os prazos de indisponibilidade por manutenção programada ou pane correm às custas do operador, na locação (dependendo do contrato) correm por conta do locatário. Considerando uma aeronave nova, não há muito problema. Mas ao se considerar intervenções maiores, como TBO de turbina e inspeção C da aeronave, é uma grande diferença, pois a aeronave ficará baixada por período muito maior do que apenas alguns dias.

      A segunda é a estimativa de horas a serem voadas. Essa estimativa tem relação com o problema anterior. Por exemplo, utilizando-se a média de 30 horas/mes, e consequentemente 360 horas/anos, pode acontecer de em um mês voar 20 horas e em outro período ter um planejamento de voo de 60 horas/mes (Operação Verão, por exemplo), e justamente neste período estar previsto uma intervenção de manutenção programada.

      Esse problema é facilmente resolvido em unidades que tem frotas maiores, onde se realizada a programação de manutenção através de uma “Diagonal de Manutenção”, contudo em unidades com poucas aeronaves a disponibilidade nunca será de 100%, sendo que no caso de locação esse problema passa a ser do locador. Logicamente, parto da premissa de que a disponibilidade da máquina será previsto em contrato.

      O último aspecto é sobre o custo de manutenção. No trabalho em questão, considerou-se o custo de manutenção baseado em informações do fabricante, em situações normais. É sabido que esses custos variam, e variam muito, principalmente ao longo do tempo, o que pode criar um problema administrativo para conseguir os recursos financeiros necessários para se manter a aeronave voando.

      Acredito que um modelo misto de operação com aeronaves próprias e locadas seja o ideal para unidades novas e em expansão, até possuir um número razoável de aeronaves próprias que permita administrar sua manutenção de forma que sua disponibilidade esteja sempre em linha com suas necessidades operacionais.

      Essa é minha opinião. Aguardo as réplicas.

      Abraço a todos.

  4. Ao Sgt BM Puttkammer,

    Os meus votos de felicitações pela brilhante monografia e, mais ainda, pela conclusão a que o seu tema chegou – adquirir é a melhor opção para o Estado. Desta forma, o seu trabalho trabalha em prol do engrandecimento da aviação de segurança pública, uma vez que apresenta argumentos sólidos para que seja afastada a hipótese, de que, somente a locação venha a ser a única e a melhor opção aos Estados.

    Um grande abraço e felicidades.

    TC BM Rogério.

  5. Primeiramente, parabens pelo estudo.
    Realmente, quando falamos da opcao de aquisicao, falamos em investimento, quando temos a locacao, seria um custeio.
    Atualmente temos a possibilidade de uma maior integracao entre as unidades operadoras, onde o modelo “misto” poderia ser uma realidade. A nova concepcao do “consorcio publico” eh uma medida que pode desenvolver a aquisicao com maior economicidade, ainda tendo a disponibilidade de uma aeronave para suprir os “gaps” decorrentes de diagonais de manutencao, alem de permitir a aquisicao de aeronaves especificas para atender missoes esporadicas do “pool” constituinte do consorcio. A associacao publica ainda permite a economicidade e ganho de escala em contratacoes de fornecimentode bens e servicos, assim como o desenvolvimento de mecanismos de maior integracao e desenvolvimento de doutrina e operacao, sem, contudo, cada unidade perder sua independencia e possibilitando a concentracao na atividade fim, que eh voar em beneficio da sociedade.
    Eh uma questao nova, que pode ser desenvolvida em novos estudos como o Sgt Puttkammer brilhantemente apresentou.
    Sem demeritos aos estudo anteriores no assunto, mas eh hora de pensarmos a aviacao de seguranca publica num aspecto maior do que a simples escolha de aeronaves e aplicabilidade da aeronave.
    Boa pesquisa e desenvolvimento a todos.
    Abracos…

  6. Parabéns pelo trabalho PUT, excelente pessoa e um grande tripulante, com o qual tive a grata satisfação de trabalhar, sendo a primeira vez que são analisados fatores até então descartados, pois, como um instrutor de estatística já dizia, “os dados podem ser trabalhados de acordo com os interesses de quem os divulga”.
    Na verdade temos um trabalho contábil, observando fatos monetários específicos e que em uma primeira análise dá ganho à aquisição, porém se lermos a monografia inteira o orientado tendeu por várias vezes para a locação.
    Cabe aqui uma reflexão, em que momento é a aquisição o mais adequado? O estado vem sempre tendo a pecha de maquina inchada, nossas organizações vem a décadas tendo redução de seus efetivos outras apenas conseguem manter. Temos em nossa aviação alguns exemplos como o mais notório a PMSP com frota própria que, pelo que consta consegue manter uma disponibilidade de cerca de 60% a 70% de sua frota, tendo a montadora e fornecedora a sua porta, sem grandes deslocamentos.
    Detalhe que devem ser observado pelos gestores a meu ver e esta é grande pergunta: que serviço pretende prestar e quando este serviço deve estar disponível?
    A meu ver como um apaixonado pelas atividades desenvolvidas pela PM são 365 dias no ano assim sendo para que uma unidade com um raio de atuação de cerca de 50 MN teria que ter no mínimo 03 (três) aeronaves estou errado? E na Locação apenas 01 (uma), sem contar que o custo de uma locação entra no custeio de forma natural, e na aquisição temos que a cada ano realizar licitações para aquisição de combustível, manutenção, seguros, contingências que sempre iram ocorrer.
    Como todo PM calça 40, não é diferente, quantos tem em suas frotas viaturas que por 500 R$ estão paradas?
    E outro detalhe que também acho importante, é que a administração tem que gastar muito tempo de seu planejamento para administrar como manter a frota voando e na busca de recursos.
    Outro exemplo claro que temos na empresa privada é a Petrobras. Se a aquisição fosse realmente e financeiramente mais viável ela não teria suas próprias aeronaves? Porém o que vemos é um operador com 100% de sua frota locada.
    Outro fator de custo que deve ser analisados é o quanto custa se em um determinado momento a aeronave está indisponível pelas rotinas burocráticas e se deixa de salvar uma vida? Ou um assalto que deixamos de atender? Unidades de terra pedindo apoio e você não esta lá para ajudar?
    Na verdade, são vários fatores que devem ser analisados, deixando vaidades e vontades pessoais de lado.
    Estamos todos imbuídos de prestar um serviço de qualidade ou estamos a procura de status?
    Na minha percepção o que mais importa é a disponibilidade do serviço seja ela comprada ou locada.

  7. Primeiramente gostaria de agradecer aos administradores do site Piloto Policial pela oportunidade dada, publicando meu trabalho neste distinto site, que a cada dia demonstra ser a melhor e maior ferramenta de interação entre as forças públicas aladas de nosso País.

    Gostaria de agradecer as felicitações demonstradas nos comentários postados. Obrigado amigos.

    Com a divulgação de meu trabalho, gostaria de motivar outros Tripulantes Operacionais a escreverem, produzirem trabalhos e os divulgar. Tem muita gente boa, com excelentes trabalhos e idéias. Temos que conquistar espaço e mostrar que temos competência, como Tripulantes Operacionais, para discutir sobre os mais diversos assuntos.

    Quanto aos comentários: Como todo trabalho monográfico, o tempo é nosso maior inimigo, pois além da monografia, há um roll de outras matérias, trabalhos, exercícios e testes para concluir. Assim, pecamos e acabamos por deixar de lado a abordagem de muitos assuntos que influem na conclusão, para que possamos fazer tudo e concluir nossos estudos no tempo programado. Isto sem contar o trabalho do dia a dia e a família, nosso maior alicerce.

    Realmente o Sr Mena Barreto tem razão quanto à disponibilidade da máquina. Não foi apresentado em meu trabalho, inicialmente previsto, o custo da indisponibilidade da máquina. Assunto que deve ser avaliado, mas que pode ser minimizado com uma locação momentânea, por exemplo, como o Sr mesmo apresentou em seu comentário – Um modelo misto.

    Quanto às horas a serem voadas: Concordo novamente com o Sr Mena, deve haver um bom planejamento operacional para o melhor aproveitamento possível da máquina, e é claro, um bom planejamento de manutenção para o menor tempo possível de indisponibilidade.

    Quanto ao custo de manutenção: Tentei de inúmeras formas abrir esta “caixa preta” com as empresas de manutenção e com o próprio fabricante, mas não foi possível. Inicialmente queria descobrir todas as intervenções no período estudado, bem como as trocas de peças e equipamentos necessários, para apurar seus custos e apresentá-los o mais próximo da realidade. Ficaria de fora apenas as intervenções não previstas, como panes ou danos causados por incidentes. Mas…, como não foi possível, optei por aquilo que consegui, mesmo estando ciente que não configura a realidade final.

    Por fim, acho que meu trabalho não é o ponto final para a questão locação versus aquisição. Acredito que seja apenas uma ferramenta que pode auxiliar os mais diversos órgãos ou empresas na decisão do que é melhor. Há muito ainda a ser discutido.

    Cada unidade deve avaliar sempre suas particularidades, pois nem sempre o que é bom para um, pode ser bom para o outro.

    Grande abraço a todos.

    2º Sgt CBMSC Puttkammer

  8. Caro Puttkammer,

    Seu trabalho está fantástico !

    Certamente servirá de exemplo e motivação a todos nós para pesquisarmos e escrevermos mais !

    Abraço

    Mena

  9. Todo trabalho tem seu valor pois, demonstra o interesse por um determinado assunto. Gostaria muito que todos os integrantes de unidades aéreas, buscassem produzir mais matéria em nossa área e não só de pilotos como e principalmente de tripulantes, que em sua grande maioria tem parcos investimentos em materiais, equipamentos, e cursos para a troca de experiências.
    No que se refere ao assunto postado pelo PUT, devemos sempre olhar ao nosso redor, que sem duvidas terão sempre soluções mais adequadas, pois, como a grande tendência das polícias são formações JURÍDICAS, deixamos de lado ou sempre impiricamente administramos o que não é nosso e sim do cidadão que nos mantém com seus impostos, e assim esperam de nós servidores públicos a boa gestão da coisa pública.

  10. Ao Sgt Puttkammer

    Gostaria inicialmente de parabenizá-lo pelo excelente trabalho, e pela coragem em romper paradigmas em nossas instituições e em algumas mentes, algo que há muito tempo outras corporações tomaram a decisão correta de adquirir aeronaves, ao simples solução de locação.

    Outras unidades aéreas na federação, já provaram que o processo de aquisição de aeronaves é mais vantajoso para a administração pública do que simplesmente locar por 17 anos o mesmo bem.

    Parabéns ao BAPM de Santa Catarina pela sua primeira aquisição de aeronave.

    Forte abraço.

    Ricardo Leão Correia – Maj PM
    Coordenador Transp Aéreo

  11. Parabéns pelo belíssimo trabalho. Eu não sou conhecedor de administração pública mas todos nós sabemos que o lema de todo governo é “arrecadar muito e gastar quase nada”. Se a maioria dos estados tem aeronaves próprias então deve ser uma coisa economicamente viável.

  12. Parabéns,
    Sgt Puttkammer, sou um admirador da aviação policial e acredito na compra, pois somente assim é possível agregar tecnolgia e deixar de voar aeronaves já ultrapassadas (da década de 80), voando com mais segurança, com um custo muito menor (quase a metade da hora de voo), certo que essa experiência é válida, ou será que pagar por uma locação que custa uma aeronave semi-nova ao ano para a corporação, é melhor apenas por que é mais fácil. Pensando em voar mais e administrar menos, ou será por que tem outros motivos. Parabéns ao Batalhão de Aviação da PMSC que comprou um esquilo B2 (2002) e agora um Koala (2009). Fica a gratidão aos velhos amigos HML e HLL (após quase trinta anos de serviço sendo quase vinte na aviação policial, adeus amigos, muito obrigado).

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