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Alex Mena Barreto

Esmiuçando como é o treinamento e a seleção do pessoal da atividade aérea da California Highway Patrol, na Califórnia/EUA.

Treinamento

Todo o treinamento dos pilotos e dos Tactical Flight Officer são coordenados pelo Office of Air Operations, que possui um manual bastante completo acerca do assunto.

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Além dos Chefes dos Pilotos serem instrutores e coordenadores do programa de treinamento, cada base conta com seu próprio instrutor(es) de voo. Ele executa todo o treinamento relativo aos pilotos da respectiva base e encaminha toda a escrituração pertinente para o respectivo Chefe dos Pilotos do OAO (Office of Air Operations). Além disso, o próprio Chefe dos Pilotos realiza ou acompanha o treinamento das bases “in loco” de acordo com uma programação de visita pré-agendada.

Os treinamentos descritos no manual vão desde os básicos/inicial aos recorrentes e obrigatórios para manter a proficiência das tripulações. Abaixo segue a lista dos treinamentos recorrentes exigidos como obrigatórios para os pilotos:

1) Treinamento trimestral de proficiência de no mínimo de três horas de voo exclusivas.
2) Treinamento trimestral de instrumento, que deverá incluir no mínimo três aproximações por instrumento, um procedimento de órbita, e no mínimo uma hora de voo exclusiva. Quando realizado em condições simuladas, o piloto deverá utilizar algum equipamento para restringir/limitar sua visão ao painel de instrumentos.
3) Recertificação semestral de operação de carga externa para os pilotos de helicópteros, envolvendo operação com guincho, gancho, “helo cast” e embarque a baixa altura (diurno e noturno).
4) Voo de cheque de proficiência anual.
5) Treinamento anual de proficiência de voo noturno de no mínimo uma hora de voo, incluindo obrigatoriamente procedimentos de emergência.
6) Recertificação anual de operação com NVG.
7) Treinamento anual de proficiência de voo em ambiente montanhoso / altas altitudes, que necessariamente inclui voo em altitudes superiores a 6000 pés AGL e pouso em área restrita (helicópteros) e pouso/decolagem em aeroporto com altitude densidade acima de 6500 pés (asa fixa).
8) Recheque bianual obrigatório da FAA.
9) Treinamento específico para sanar algum tipo de restrição operacional de voo, imposta pelo Departamento ou pela FAA.
10) Treinamento anual de voo em formação.
11) Treinamento anual de instrutores.

Além desses treinamentos, as tripulações devem participar obrigatoriamente de um treinamento de evasão de aeronave submersa (UTEPAS) e utilização do HEED a cada cinco anos.

Todas as bases devem obrigatoriamente revisar todo o treinamento e documentação de sua tripulação quando da realização trimestral do “Unit Safety Training Day”, uma espécie de “Dia da Segurança de Voo”.

O programa de treinamento é tão completo que inclui ainda um programa de treinamento/familiarização para novos comandantes das bases, novos integrantes em posições gerenciais e até mesmo para os comandantes das unidades territoriais (Division Commanders).

Uma característica interessante observada na CHP é a exigência da especialização das tripulações, onde tanto o piloto quanto o Flight Officer voam apenas um tipo de equipamento, ou avião ou helicóptero. Caso o tripulante queira trocar de equipamento, ele deverá passar por todo o treinamento e avaliação no novo equipamento e se aprovado deixa de voar no antigo equipamento.

Não é autorizado o voo em equipamentos alternados, mesmo que o tripulante seja habilitado para tal.

No caso específico dos Flight Officers, além de todo o treinamento específico para tripular as aeronave e utilizar seus equipamentos, ainda é exigida a habilitação como paramédico para que o mesmo possa tripular os helicópteros.

Dentre os treinamentos mais estranhos para nossa cultura brasileira, existe o treinamento dos Flight Officers, pois apesar de não serem necessariamente pilotos, treinam para a atuarem como pilotos no caso de ocorrência de incapacitação do comandante. Tal treinamento é chamado de “pinch-hit trainning” e tem como objetivo capacitar o tripulante para efetuar um pouso seguro da aeronave em caso de emergência. No treinamento “pitch-hit” inicial é prevista a realização de 12 horas de voo, e tal proficiência deve ser checada semestralmente.

Seleção de Pessoal

Toda a política de seleção e classificação de pessoal nas bases operacionais são coordenadas pelo Office of Air Operations (OAO), mas são de responsabilidade dos comandantes das unidades territoriais a qual a base operacional está subordinada.

A movimentação inicial de um novo integrante é provisória até que o mesmo complete o treinamento/certificação apropriada de sua função na unidade, sendo que a partir de então existe a obrigatoriedade que o mesmo permaneça por no mínimo dois anos na função/unidade.

A seleção de efetivo inicia-se com o aparecimento de uma vaga em alguma base operacional, onde a partir de então de efetua uma divulgação para recebimento de inscrições para a posição com o currículo/documentação dos interessados para a vaga.

A documentação inicial exigida basicamente inclui em avaliação de desempenho profissional, antecedentes disciplinares, experiência anterior em bases operacionais e experiência de voo.

Os requisitos básico para seleção de pilotos inclui:

1) Mínimo de dois anos de experiência profissional na CHP.
2) Avaliação de desempenho profissional satisfatória.
3) Licença de piloto comercial.
4) Habilitação de tipo na aeronave requerida.
5) Habilitação de voo por instrumento na aeronave requerida.
6) Certificado médico válido FAA classe I ou II.
7) Mínimo de 300 horas como piloto em comando na categoria de aeronave requerida.
8) Nível de proficiência de voo que permita ao candidato completar satisfatoriamente o treinamento operacional completo do departamento.
9) Habilidade de manter um bom relacionamento profissional.
10) Habilidade de avaliação adequada de situações e realização de corretos julgamentos.
11) Completar satisfatoriamente o treinamento de escape de aeronave submersa com utilização do HEED.
12) Pesar menos de 125 kg.

Após o recebimento e avaliação da documentação dos candidatos, o Office of Air Operations (OAO) efetua um teste de avaliação nos candidatos. De acordo com a conveniência, os candidatos são classificados em uma lista ordenada para suas respectivas posições, como piloto de avião, piloto de helicóptero e tripulante (Flight Officer).

A partir de então, com a ocorrência de claros nas respectivas funções nas bases operacionais, os candidatos são chamados e reavaliados para que então sejam designados para iniciar o respectivo treinamento operacional na unidade.

O treinamento de pilotos e tripulante (Flight Officer) deve durar no máximo seis meses.

Após a aprovação final no treinamento, os tripulantes ainda estão sujeitos a uma séria de avaliações, e que caso sejam falhas implicam na retirada do mesmo do voo.

Resumidamente, são causas para ser transferido compulsoriamente da atividade aérea:

1) Reprovação em exame obrigatório do FAA.
2) Perda do certificado médico do FAA e falta de capacidade de reobtê-lo em até seis meses da perda.
3) Falha em completar satisfatoriamente a reavaliação anual de proficiência de voo.

Outra observação interessante na política de pessoal diz respeito a manutenção do peso corpóreo da tripulação. A política adotada prevê que o tripulante que atingir 120 kg deverá ser formalmente notificado que ele atingiu a “zona de atenção”, e caso o mesmo atinga 125 kg, ele é retirado do voo e tem 90 dias para retomar o peso abaixo de 125 kg, caso contrário é transferido da atividade aérea. O controle de peso é feito e registrado trimestralmente quando da realização dos “unit safety training day”.

Confira as fotos:

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