Como a voz pode contribuir para a investigação de acidentes

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) recebeu a visita do Ph.D. Malcom Brenner, psicólogo investigador de acidentes e presidente do Human Performance Group do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão americano de investigação de acidentes. Ele apresentou “O trabalho do NTSB sobre alterações de voz, fala e linguagem relacionadas a estresse, álcool, hipóxia e fadiga”.

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A palestra ocorreu no dia 11 de maio e reuniu psicólogos, fonoaudiólogos, engenheiros, aviadores, técnicos do laboratório de leitura e análise de dados de gravadores de voo do CENIPA, profissionais da área de fatores humanos das empresas de transporte aéreo regular, membros da Comissão Nacional de Fadiga Humana (CNFH) e outros interessados.

A metodologia utilizada pelo órgão investigador norte-americano se baseia na análise das variações nas caraterísticas dos mesmos elementos amostrais (indivíduos) ao longo de um período de tempo, ou seja, são comparadas amostras da fala obtidas à época do acidente (críticas) com a fala normal (exemplares) da mesma pessoa. Tais amostras podem ser derivadas de declarações anteriores ao momento do acidente, numa mesma fita, para os estados com rápida evolução, como o estresse psicológico, ou de declarações do mesmo falante em operações anteriores, gravadas em condições comparáveis.

Segundo Brenner, a análise da fala combina evidências de três fontes: medidas acústicas, tais como frequência fundamental, amplitude da voz e tempo de latência; medidas temporais, como velocidade da fala, tempo para responder ao ATC e período de tempo entre o acionamento do microfone e o falar; e ações de comunicação, tais como pedidos de informação e as suas respostas.

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A partir dessas evidências, segundo o psicólogo, comparando-se amostras da fala em condições “críticas” com declarações “exemplares”, em estreita proximidade de escuta, é possível realçar contrastes significativos. As medidas derivadas da análise automatizada ou parcialmente automatizada permitem a comparação estatística entre as amostras.

Para favorecer a audiência no entendimento prático dessa metodologia o conferencista apresentou estudos de casos ocorridos em diferentes modais de transporte, para destacar o uso de álcool, condições de fadiga, hipóxia e estresse como fatores contribuintes para acidentes.

Fonte: CENIPA.

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