Santa Catarina – Um helicóptero da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) realizou um pouso de emergência na manhã de sexta-feira (6) no aeroporto de Lages, na Serra Catarinense, após registrar uma pane durante o voo.
A aeronave Águia 04, pertencente ao Batalhão de Aviação da Polícia Militar (BAPM), havia decolado para atender uma ocorrência aeromédica no município de Bom Jardim da Serra, onde uma vítima de acidente grave aguardava atendimento.
Cerca de quatro minutos após a decolagem, a tripulação identificou uma falha técnica no helicóptero. A luz de pressão do óleo do motor acendeu e a tripulação realizou procedimento de emergência, o que levou o piloto a interromper a missão e iniciar o retorno imediato ao aeroporto mais próximo.
Seguindo os protocolos operacionais de segurança, o comandante conduziu a aeronave até o Aeroporto de Lages, onde foi realizado o pouso de emergência com segurança.
Posteriormente, a Polícia Militar informou que a ocorrência foi provocada por uma pane relacionada ao sistema de óleo do motor, que causou a emissão de fumaça durante o voo. Apesar do susto, a situação foi controlada e não houve incêndio na aeronave.
No momento da ocorrência estavam a bordo dois pilotos, um tripulante operacional e dois profissionais de saúde, que seguiam para atendimento aeromédico. Nenhum dos ocupantes ficou ferido.
Após o pouso, o helicóptero passou por avaliação técnica e manutenção para identificar as causas da falha e garantir a segurança antes de retornar às atividades. O Águia 04 já está novamente em operação.
Helicóptero da PMSC registra pane em voo e realiza pouso de emergência em Lages . Foto: Divulgação
Paraná – Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Paraná comemorou, neste mês, dois anos desde a reativação do seu serviço aeromédico. Desde agosto de 2023, em parceria com o SAMU, as aeronaves têm atuado em resgates complexos, transporte rápido de pacientes e apoio a operações policiais e humanitárias, consolidando-se como um recurso essencial para a preservação de vidas.
Nesse período, foram registrados 484 resgates e remoções aeromédicas, com as aeronaves voando por centenas de horas e percorrendo milhares de quilômetros. A base de operações, instalada no hangar do Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta II), em Curitiba, opera em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB) e conta com equipe treinada e equipada para atender emergências em qualquer condição.
Serviço aeromédico da PRF no Paraná completa dois anos com 484 resgates e 600 horas de voo. Foto: Divulgação
As ocorrências atendidas nesses dois anos incluíram desde acidentes graves nas rodovias federais até missões de grande complexidade, como:
Setembro de 2023 – Resgate especializado de montanhista no Morro do Anhangava, em Quatro Barras (PR).
Maio de 2024 – Deslocamento ao Rio Grande do Sul para apoio nas enchentes, com 29 pessoas resgatadas em dois dias.
Setembro de 2024 – Salvamento de idoso paranaense vítima de acidente com embarcação no Pantanal, em ação conjunta com o Corpo de Bombeiros do MS.
Outubro de 2024 – Transporte aéreo de uma criança de três anos para transplante de rim em Curitiba, reduzindo o tempo de deslocamento para apenas 18 minutos.
Abril de 2025 – Inclusão do Babypod, cápsula de transporte neonatal, que ampliou a capacidade para atender recém-nascidos em estado crítico com mais segurança e agilidade.
2024 e 2025 – Participação na Semana do Meio Ambiente, com lançamento aéreo de mais de 22 toneladas de sementes de espécies nativas ameaçadas, como araucária e palmeira-juçara, em áreas de preservação e comunidades rurais no Paraná, em parceria com órgãos ambientais, universidades e movimentos sociais.
Serviço aeromédico da PRF no Paraná completa dois anos com 484 resgates e 600 horas de voo. Foto: Divulgação
O serviço também prestou apoio em desastres e emergências, como as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios no Pantanal em 2024. Nessas missões, foram efetuados resgates, transporte de alimentos e medicamentos, além de ações de combate a incêndios.
O ato de comemoração, realizado nesta quarta (13), contou com a presença do superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira; do Chefe do Núcleo de Operações Aéreas (NOA) da PRF, Fabiano Nicolete; do representante do Cindacta II, Cel. Av. Marcelo; da secretária municipal de Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak; do superintendente do Ministério da Saúde no Paraná, Luiz Armando Erthal; do presidente do sindicato da categoria, Sidnei Nunes; e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel.
O superintendente da PRF, Fernando Oliveira, destacou que foram 484 atendimentos em dois anos, 600 horas de voo e nenhum incidente, salvando muitas vidas. É uma parceria integrada que dá resultados diariamente, com um investimento de 30 milhões em uma aeronave nova e todos unidos pelo objetivo comum de salvar vidas.
“Atrás do uniforme tem uma equipe, que está pilotando a aeronave, cuidando de quem mais precisa, dando o primeiro atendimento e trazendo o familiar de volta para sua família. É esse trabalho rápido e eficiente que salva vidas e transforma histórias”, disse o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel.
Serviço aeromédico da PRF no Paraná completa dois anos com 484 resgates e 600 horas de voo. Foto: Divulgação
Uma das pessoas salvas, Cristiane, comentou: “Emoção, muita emoção, porque eu poderia não estar aqui. Foi um acidente horrível, mas um resgate incrível, em que me senti cuidada e segura. Ter esse cuidado salva tanto a vida quanto o nosso psicológico.”
No domingo de Páscoa, em 20 de abril de 2025, ela sofreu uma queda de cavalo em Tijucas do Sul, resultando em múltiplas fraturas e trauma facial grave. O helicóptero da PRF foi rapidamente acionado e, em apenas 14 minutos, chegou ao local, onde a equipe, em colaboração com o SAMU, estabilizou a vítima. Ela foi retirada de uma área de difícil acesso e, em menos de 10 minutos, transportada ao Hospital Cajuru.
Sérgio, resgatado no pantanal do Mato Grosso do Sul, disse que foi uma emoção rever a equipe. “Se estou aqui, devo muito a eles — pela rapidez, pelo carinho com que me atenderam e pela forma como conversaram comigo”, enfatizou.
Em 3 de setembro de 2024, uma equipe da PRF do Paraná estava atuando nos incêndios no pantanal e, em colaboração com o Corpo de Bombeiros do Mato Grosso do Sul, realizou uma operação aeromédica para salvar o empresário paranaense de 70 anos após um grave acidente no Pantanal. Sr. Sérgio sofreu cortes profundos na axila e no rosto devido ao impacto contra a hélice de uma embarcação que colidiu com uma formação rochosa no rio. Após os primeiros atendimentos no local, ele foi transportado com urgência para um hospital, onde recebeu cuidados médicos essenciais.
O helicóptero Koala AW119, de fabricação italiana, adquirido pela PRF por R$ 30 milhões, comporta até oito pessoas e está equipado com tecnologia avançada para missões de resgate, transporte aeromédico e apoio a operações especiais. A integração com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e outros órgãos de segurança e saúde tem potencializado a resposta rápida, especialmente em locais de difícil acesso ou onde cada minuto é determinante para salvar vidas.
São Paulo – Sorocaba e região passarão a contar com o serviço de resgate aeromédico do Comando de Aviação da Polícia Militar (CAvPM). O anúncio foi realizado pelo Governo de São Paulo nesta sexta-feira (15), durante solenidade de inauguração do 55º Batalhão da Polícia Militar do Interior.
Para o resgate aeromédico, que terá início na primeira quinzena de outubro, o Hospital Regional de Sorocaba será a unidade de referência, escolhido pela estrutura hospitalar, existência de heliponto e localização estratégica às margens da Rodovia Raposo Tavares.
A iniciativa tem como finalidade ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência e garantir o atendimento rápido a pacientes em estado crítico na região sudoeste do estado com o transporte dos helicópteros da PM. O serviço cobrirá um raio de aproximadamente 20 minutos de voo, equivalente a cerca de 60 quilômetros, podendo ser ampliado conforme a gravidade da ocorrência, especialmente em locais de difícil acesso ou sem suporte avançado.
A assistência é destinada a vítimas de politraumatismos e outras situações graves, como acidentes de trânsito, afogamentos, quedas, acidentes de trabalho e ocorrências com múltiplas vítimas.
O serviço integra o Projeto Resgate, que funciona no estado de São Paulo desde 1989. No período, mais de 14 mil pessoas foram resgatadas com apoio dos helicópteros Águia, além do transporte de mais de 900 órgãos para transplante. O CAVPM possui 11 Bases de Aviação distribuídas no estado e atualmente, o serviço aeromédico é realizado em três: capital paulista, São José dos Campos e Campinas. Sorocaba será a quarta base a receber o serviço.
Região de Sorocaba terá serviço de resgate aeromédico do Comando de Aviação da PM a partir de outubro. Foto: Governo do Estado de São Paulo
“A prioridade é prestar socorro imediato em casos de risco iminente de morte ou de perda de funcionalidade, reduzindo o tempo de chegada ao atendimento especializado e aumentando as chances de recuperação”, explicou a capitão Natália Giovanini, do CAvPM.
A equipe a bordo é formada por médicos e enfermeiros especializados em suporte avançado de vida, treinados dentro das normas de segurança de voo operacional. A aeronave é equipada com monitor e desfibrilador com oximetria, capnografia e pressão arterial não invasiva, ventilador mecânico microprocessado, aspirador, bombas de infusão e medicamentos específicos para sedação e analgesia.
Também contará com materiais para procedimentos de emergência, como drenagem torácica, acesso à via aérea invasiva e partos complicados. Essa estrutura permite a estabilização das vítimas ainda durante o deslocamento, garantindo o socorro até a unidade hospitalar com melhores condições de tratamento.
JOÃO PAULO ZEITOUN MORALEZ Jornalista e Editor da Hunter Press
Brasil – Por ser um país de dimensões continentais, a aviação de segurança pública no Brasil apresenta muitos contrastes influenciados por diferenças geográficas, as demandas operacionais e até a capacidade de investimento de cada governo estadual. Acompanhe uma análise e panorama deste setor.
O Brasil possui mais de 208 milhões de habitantes e 8,5 milhões de quilômetros quadrados de área onde a maior parte da população se concentra na faixa litorânea e nas regiões nordeste e sudeste. São 26 estados e um Distrito Federal com 5.570 municípios ao todo.
Cada um dos estados dispõe das suas forças de segurança pública compostas pelo Corpo de Bombeiros e as polícias civil (papel investigativo) e militar (policiamento ostensivo).
O governo federal também possui as suas instituições de segurança como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
Foto: Acervo GAM/PMERJ.
A partir da década de 1970, quando a esfera federal do governo brasileiro era comandada por militares, o Estado do Rio de Janeiro foi pioneiro em operar helicópteros para a atividade aérea policial e de defesa civil. O serviço não perdurou por muito tempo e na década seguinte, em 1981, a Polícia Militar do Estado de Goiás operou os seus primeiros helicópteros para a missão de segurança pública. Da mesma maneira, essa atividade não durou por muito tempo.
Enfim, em 15 de agosto de 1984 o Estado de São Paulo adquiriu dois Helibras HB 350B Esquilo destinando cada exemplar para a Polícia Civil e Polícia Militar. “Foi a primeira inciativa que de fato conseguiu perdurar ao longo dos anos. E a aviação policial viveu várias fases, sendo a primeira delas foi permitir a sua própria existência. Isso porque naquele momento a aviação era algo restrito às Forças Armadas”, explica o Coronel PM da reserva Ricardo Gambaroni, com mais de 25 anos de experiência como piloto policial e tendo sido o Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Leia Valores do Passado, a história do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da PMESP.
Águia 01 da PM sendo reabastecido. Primórdios da Aviação Paulista. Foto: Acervo GRPAe.
De fato, haviam várias barreiras a serem rompidas. Em primeiro lugar, do próprio governo federal que estava resistente em autorizar que as polícias estaduais tivessem a sua própria aviação. E, internamente, nas próprias polícias, o helicóptero era visto como um meio caro de comprar e manter. “Era um momento de convencimento.
Em São Paulo o serviço perdurou por necessidade, por pessoas que souberam persistir, pelo modelo que foi criado e até mesmo pela imprensa que na época fez um trabalho de divulgação importante. Em meados da década de 1990 São Paulo então começou a descentralizar o serviço com o helicóptero da capital expandindo para o interior do estado para permitir que a população e a própria polícia como um todo tivesse acesso ao serviço aéreo”, completa o Coronel PM Gambaroni.
Consolidação e frota
A partir dos anos 2000 vários estados consolidaram os seus serviços aéreos sendo que atualmente apenas um não dispõe de aviação. São mais de 170 helicópteros em serviço. A grande maioria dos operadores seguiu o exemplo de São Paulo e padronizou a frota nos helicópteros Helibras HB 350 para as missões de combate ao crime, resgate aeromédico, combate a incêndio, entre outros.
Vários fatores determinaram a popularização da família Esquilo no Brasil, sendo que as principais foram o custo de aquisição e operação; o suporte com engenharia dedicada no país; por ser um helicóptero que desde o projeto já foi pensado com a característica de multimissão e devido a sua robustez. Em torno de 85% do mercado de segurança pública é composto pelo HB 350 Esquilo e as suas variantes. O restante é dividido com a Bell Helicopters, Leonardo e Robinson.
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Bombeiros rezam em Brumadinho — Foto: Reprodução
Helicópteros de resgate durante buscas por vítimas em Brumadinho, onde uma barragem da mineradora Vale se rompeu.
Águia 18 da PM de São Paulo em Brumadinho. Foto: Brito Oslaim
Corpo de Bombeiros do Maranhão continua na operação de resgate em Brumadinho, MG
Sargento Deusdet, de uniforme laranja, participou de trabalhos em Brumadinho (MG) — Foto: Corpo de Bombeiros
Helicóptero da Força Nacional reforça equipes de busca em Brumadinho, MG. Foto: Divulgação.
Lama e caos marcaram as vidas dos Policiais Rodoviários Federais que trabalharam em Brumadinho, MG
Piloto de helicóptero relata detalhes das operações de salvamento em Brumadinho. Foto: PMMG
Polícia Militar do Estado do São Paulo envia bombeiros e equipamentos para auxiliar nas operações em Brumadinho, região Metropolitana de Belo Horizonte (MG)
Helicóptero da Polícia Federal sobrevoa lama em busca de vítimas de rompimento de barragem em Brumadinho — Foto: Adriano Machado/Reuters
Bombeiros carregam corpo resgatado em Brumadinho. Foto: Divulgação
Equipe do helicóptero do Corpo de Bombeiros socorre vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, MG
Governo do Paraná envia aeronave e equipe de pilotos e bombeiros especializada para auxiliar nas buscas em Brumadinho. Foto: Ascom/PMPR
Bombeiros carregam corpo resgatado em Brumadinho. Foto: Divulgação
A padronização da frota facilitou o emprego dessas aeronaves em situações de calamidade pública em que exista a necessidade de apoio de helicópteros de vários estados do Brasil.
Em 2008, na maior operação de resgate conduzida no Brasil com o apoio de helicópteros, na região sul, houve casos de mecânicos trabalhando juntos para resolver problemas de manutenção ou limpeza dos comandos de voo das aeronaves já afetados pela lama que acumulava na parte interna do helicóptero.
Na tragédia de Brumadinho, uma cidade 60km distante de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, o Esquilo foi quase uma unanimidade ao longo das operações de resgate para buscar as vítimas soterradas por lama depois de uma barragem ter se rompido. Dos seis helicópteros de outros estados que integraram as missões de resgate, cinco eram HB 350 Esquilo e um Bell 407. Os esforços da própria aviação do estado de Minas Gerais foram praticamente baseados no HB 350 Esquilo.
“Apesar de ser um projeto da década de 1970 o Esquilo não é ultrapassado. O projeto foi modernizado e várias soluções foram agregadas. É um modelo que cumpre a maior parte das missões, sendo muito seguro e confiável. Hoje, vários órgãos estão buscando ou já possuem helicópteros biturbinas que são maiores, tem mais capacidade de carga sendo mais recomendados para missões específicas. Mas uma frota majoritariamente biturbina possui um custo de aquisição e, principalmente de operação, mais elevado”, explicou o Eduardo Beni, editor do site Resgate Aeromédico, Coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo e piloto no segmento da aviação segurança pública.
EC145 da CIOPAer do Ceará. Foto: Eduardo Beni.
Beni ressaltou a importância da padronização da frota para se alcançar maior disponibilidade e menor custo de operação, diminuindo também a complexidade em termos de treinamentos, seguro e a complexidade da gestão da frota em si. “Hoje existe uma tendência dos órgãos de segurança pública na aquisição de helicópteros biturbina, mas é preciso analisar cada situação e operação para que seja encontrado um modelo ideal”.
Recentemente a Polícia Rodoviária Federal adquiriu por 5,4 milhões de euros um Leonardo AW119 Koala equipado com guincho elétrico, EO/IR system e cesta para captar e combater incêndio. Outros seis podem ser adquiridos pela mesma licitação internacional.
Já o estado do Rio de Janeiro fez a compra de três helicópteros da Leonardo Company. Foram dois AW169 e um AW119. O Corpo de Bombeiros vai receber um AW169 capaz de fazer resgates aeromédicos dando suporte para dois pacientes em estado grave de saúde. O modelo também poderá fazer o resgate de pessoas em locais de altura, no mar, combate e incêndio e por fim transporte de pessoal e de tropas.
Já a Polícia Civil do Rio de Janeiro vai receber um AW169 e mais um AW119. Os dois possuem proteção balística e vão atuar em missões ostensivas e de inteligência como plataforma de observação, comando e controle, vigilância, operações especiais, apoio aos policiais em solo, mapeamento e monitoramento, transporte tático de tropas, resgate e apoio a missões humanitárias.
Imagem ilustrativa do novo AW 169 do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros do RJ.
O AW169 possuirá guincho elétrico, farol de busca, sistema de moving map, compatível para operação com óculos de visão noturna dentre outros sistemas. O AW119 é previsto para missões de apoio de fogo, pousos em áreas restritas, desembarque de pessoal por rapel, combate a incêndio e acompanhamento de situações utilizando EO/IR system. O valor total da compra é de aproximadamente 48 milhões de euros.
Apesar de a Leonardo Company estar conquistando mais espaço no mercado de aviação de segurança pública, a hegemonia da Helibras ainda é muito grande no setor. A Rússia, também está buscando o seu primeiro contrato neste segmento e mesmo tendo produtos que atendam ao setor, está distante de conquistar o seu primeiro operador.
Isso porque existem no país barreiras culturais diante do produto de fabricação russa, como a sua filosofia de operação, manutenção e suporte pós-venda se comparado ao modelo ocidental. Na aviação, a participação da Rússia no Brasil é com 12 helicópteros de ataque Mil Mi-35M que há mais de 10 anos equipam a Força Aérea Brasileira.
“Hoje eu vejo que é o momento de todos os órgãos de segurança pública definirem as suas missões, trocar informações e ser cada vez mais universal, atendendo a toda a população. Não basta ter um helicóptero apenas, é preciso saber qual é a missão a ser cumprida, o tempo resposta, a prontidão (de dia ou de noite), entre outros. Isso exige gestão, que é caro e complexo”, reforçou o Coronel PM Gambaroni.
Usando São Paulo como exemplo, aproximadamente 85% dos seus 43 milhões de habitantes estão distantes apenas 15 minutos de um helicóptero de segurança pública. Isso é ter a certeza de que diariamente uma aeronave estará disponível para fazer um atendimento. “Para o serviço público isso é um fator fundamental, pois todos saberão que o serviço estará disponível, precisando dele ou não”, explica o Coronel PM Gambaroni.
Treinamento e parcerias
Cada um dos 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal possui as suas próprias características regionais. Seja pela concentração de pessoas em determinados locais, a infraestrutura disponível para abastecimento e pouso, a própria questão da missão, demanda operacional e a geografia. A operação diária desses serviços apresenta diferenças e contrastes entre si. A formação e treinamento também.
Batalhão de Operações Aéreas de Minas Gerais realiza treinamento com cesto de salvamento. Foto: CBMMG.
Cada Estado age autonomamente e possui as suas próprias doutrinas e metodologias. Vários adotam o modelo de terceirizar a formação básica e inicial dos seus pilotos em escolas de aviação civil para, depois, na rotina das missões e em sala de aula, dar a formação policial de acordo com as necessidades operacionais. Outros, por sua vez, possuem sua própria escola, homologada pela agência reguladora civil, para conduzir as aulas teóricas e práticas.
No Brasil existem algumas escolas que são dedicadas à formação e ao treinamento de pilotos e tripulantes policiais incluindo procedimentos táticos, de emergência, operação com carga externa, guincho, rapel, combate a incêndio e outras. No Estado do Pará, por sua vez, existe um centro de treinamento dedicado para resgate aeromédico em locais de difícil acesso com enfoque para operação na selva.
“O Rio de Janeiro possui grande experiência de atuação em ambiente urbano com alto risco de conflagração. São Paulo detém muito bom conhecimento no salvamento aquático com mais de 25 anos de operação nesse sentido. O Ceará, Santa Catariana, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais contam com estrutura de resgate aeromédico diferenciada. A Bahia é um referencial na operação com drones e está dando instrução até para o Exército Brasileiro. É preciso aproveitar os conhecimentos de cada um em prol de um desenvolvimento conjunto dos órgãos de aviação de segurança pública”, explica o Coronel PM Gambaroni.
H125 aeromédico do GOA do CBMERJ. Foto: Eduardo Beni.
O então comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo também relembrou que já foram feitos intercâmbios com policiais de outros estados voando e cumprindo escala de voo das mais variadas missões. “Como se fossem membros da Polícia de São Paulo. E tudo isso deu certo e trouxe benefícios. Mas é preciso fazer mais”, argumenta.
No Brasil uma das principais necessidades está justamente no aperfeiçoamento e manutenção das capacidades dos pilotos em relação ao seu treinamento. Segundo o Coronel PM Beni, as tripulações são muito experientes em voar as suas aeronaves. “Mas é fundamental que exista uma manutenção nos procedimentos de emergência e táticos como combate à incêndio, rapel, operação com gancho e guincho, por exemplo”, complementa.
Apesar de não existir um treinamento integrado entre os órgãos de aviação de segurança pública, atualmente existem muitos pontos em comum numa operação conjunta, no caso de calamidade, onde pilotos e tripulantes de vários serviços se encontram.
Profissionais do SAMU realizam Curso de Resgate e Transporte Aeromédico para tripularem as aeronaves Arcanjo. Foto: CBMSC.
“Em operações como a de Brumadinho, existem pilotos de vários estados trabalhando juntos. Hoje as organizações de segurança pública possuem uma linguagem semelhante no modo de operação, mas é também uma questão de padronização em certos aspectos. Me recordo que em algumas ocorrências conjuntas, que ocorreram há muitos anos, tripulantes depois escreverem sobre questões de balizamento e sinalização. Esses artigos serviram de base para quem não tinha isso sedimentado. O próprio macacão de voo virou padrão nas polícias, o que antes não acontecia. Alguns usavam na cor que representava o seu estado, outras usavam o preto. Mas ter um modelo padronizado reduz o preço e fica mais prático. Até na hora de atuar em conjunto isso acaba sedo um facilitador pois todo mundo fala igual, a mesma língua”, comenta o Coronel PM Gambaroni.
E o treinamento conjunto, a interação, não é só de ter o mesmo padrão, mas de todo mundo se conhecer. “O mundo da aviação é muito pequeno ainda, deverá ser por muito tempo, pois não é uma atividade que você tem tanta gente para uma área de cobertura. Talvez um dos desafios do segmento da aviação de segurança pública seja esse nos dias de hoje, o de fortalecer os elos entre as pessoas. Esse tipo de situação cria vínculos. Eu vejo os órgãos de aviação de segurança pública como ilhas com vários deles já tendo estabelecido pontes entre si”, explica.
Ten Cel Rammon, piloto de helicóptero do Corpo de Bombeiros do RJ fala sobre abnegação e solidariedade nas operações de busca e salvamento em Brumadinho. Foto: Rammon Dias.
Outro aspecto que pode ser trabalhado no Brasil é a questão das parcerias público-privadas. Mas é preciso algumas mudanças. A legislação nacional ainda impede certos desenvolvimentos da parte de resgate aeromédico e combate a incêndio, por exemplo, por empresas privadas.
“Muitas missões podem ser feitas com parceiras público-privadas como o salvamento, por exemplo. É só olhar para o mundo e ver que na Inglaterra o serviço de Busca e Salvamento também é formado por empresas contratadas. Muitas possuem pilotos que são militares aposentados aproveitando essa experiência adquirida ao longo de muitos anos de atividade”, explica o Coronel PM Gambaroni.
No Brasil, em localidades mais afastadas e onde a estrutura de combate a incêndio em áreas rurais ou de selva é limitada, empresas particulares poderiam iniciar essa tarefa com helicópteros dedicados para a missão até que os primeiros reforços chegassem por parte dos órgãos federais – como a Força Aérea Brasileira.
Simpósio sobre transporte aeromédico promovido pela Helibras, em São Paulo. Foto: Eduardo Beni.
Para a missão de combate a incêndio, por exemplo, é possível dispor de uma frota mista de helicópteros multifunção como os próprios HB 350 Esquilo e outros tipos dedicados como o Sikorsky S-70 Fire Hawk. “Nós conversamos no passado com a Polícia Federal e Receita Federal e outros órgãos. Mais de 90% dos modelos operados pela aviação de segurança pública não são do porte dos tipos que comercializamos, que é uma classe maior como o S-76 e o Black Hawk, que podem ser dotados de todos os sensores utilizados pelo segmento. Mais recentemente, no Brasil, começaram algumas investidas em tipos maiores para missões de mais capacidade”, explica o Comandante Herialdo Martins Ferreira, executivo de marketing da Powerpack, representante da Sikorsky no Brasil.
Para algumas polícias, como serviços com maior envergadura, apesar das vantagens de uma padronização, dispor de alguns modelos específicos para determinadas missões poderia dar mais eficiência para as operações. No Rio de Janeiro a balança se tornou mais favorável para as autoridades após a introdução em serviço do Bell Huey II, primeiro na Polícia Civil e depois na Polícia Militar. Isso pela capacidade de transporte de tropas armadas, pela blindagem incorporada e o poder de fogo vindo do alto.
“O Bell Huey II são exemplares que passaram por retrofit após não terem sido usados na Guerra do Vietnã. Eles passam por um processo de inspeção, modernização e colocação em voo”, conta Cássio Sánchez, Regional Sales Director da Bell Helicopters no Brasil.
A empresa possui pouco mais de 10 exemplares entre o Bell 207, Huey II e Bell 412 voando no país. O intuito é aproveitar o potencial de crescimento e modernização do mercado brasileiro que eventualmente poderá buscar por plataformas de projetos mais novos e com missões mais específicas por um custo operacional mais baixo.
Bell Huey II da PMERJ. Foto: Daniel Queiroz.
Novos recursos
A aviação de segurança pública no Brasil também tem avançado em direção ao recebimento de novas ferramentas e recursos para a sua atividade.
Os óculos de visão noturna talvez tenham sido aqueles que mais tenham se consagrado nesse sentido. O Distrito Federal e os estados de Santa Catarina e Minas Gerais, por exemplo, já incorporaram esse recurso nas suas operações aéreas. Para a segurança de voo permite a tripulação enxergar com mais facilidade os fios e torres de alta tensão, observar melhor os obstáculos, ajudar na localização de locais de pouso e ampliar a consciência situacional durante o voo.
Também permite a realização de pousos em áreas restritas e outras situações táticas, além de proporcionar maior segurança operacional pelo fato de que as luzes podem ser apagadas diminuindo a chance de o helicóptero ser observado por alguém no solo. “Os óculos ajudam em missões de inteligência, mas também nas missões de busca e salvamento, cujos voos podem ser realizados no período noturno”, reforça o Coronel PM Beni.
Primeira turma da PM de Minas Gerais que recebeu o treinamento do OVN. Foto: PMMG.
Outra ferramenta é o drone, que está sendo testada no Brasil para missões de monitoramento de tráfico de drogas, monitoramento em locais de incêndio, inteligência, reintegração de posse, salvamento de pessoas afogadas lançando boias, busca de pessoas perdidas em mata e outros.
“Os equipamentos hoje utilizados, em sua maioria, são aqueles desenvolvidos para a atividade civil e não possuem requisitos militares nem mesmo sensores dedicados para o segmento de segurança pública. É uma tecnologia que gradativamente está sendo descoberta, da maneira que ela pode contribuir para as polícias, Corpo de Bombeiros, fiscalização ambiental, secretaria de saúde e outras organizações. Está claro que o drone é uma ferramenta de auxílio para aviação policial, mas ainda é preciso discutir mais sobre o tema. Os Estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais estão usando os drones em diversas situações. A Bahia, por sua vez, detém uma doutrina de operação inclusive ministrando cursos”, finaliza o Coronel PM Beni.
Em outubro de 2018 a Polícia Federal adquiriu os modelos DJi Inspire 2 e Matrice 200 por 186 mil euros. Os equipamentos podem chegar a distância de 2,5km do operador, suportar ventos de até 45km/h, são resistentes a poeira e são compatíveis com câmeras termais Flir Zenmuse. Já o estado do Espírito Santo comprou 15 unidades do DJi Matrice 210 com imageador térmico da Flir Zenmuse XT 30hz e câmera com zoom ótico de 30x. A transação foi de 586 mil euros nesse último caso.
São Paulo terá novo programa Olho de Águia 4.0 com uso de drones. Foto: Ascom SP.
Matéria originalmente veiculada na revista RotorHub, volume 13, número 2.
Os vídeos abaixo mostram um pouco sobre a rotina da unidade de suporte aéreo policial de Dyfed Powys, no Reino Unido. Um pequeno detalhe a respeito da aviação policial no Reino Unido: lá eles só utilizam helicópteros bimotores. Possuem helicópteros do modelo EC 135, EC 145, MD Explorer, AW 109, e tudo do bom e do melhor em termos de tecnologia embarcada e segurança para a aviação policial.
Por lá, a segurança das tripulações e das pessoas sobrevoadas no solo está em primeiro lugar. Para se ter uma idéia de como a segurança é levada a sério, grupos turbo monomotores ou motores a pistão não existem nas forças policiais inglesas, de acordo com o que prescreve o Police Air Operator`s Certificate (P.A.O.C.), norma produzida pela Joint Aviation Regulation (J.A.R.) – Operational Procedure 3 (OPS 3).
Os anos e as disputas sobre os rumos do único helicóptero da polícia de Lakeland parece estar chegando ao fim. A cidade de Lakeland e o condado de Polk estão finalizando as tratativas para a fusão de suas operações aéreas.
A Aviação Policial da Colômbia surgiu em 10 de novembro de 1984, quando uma propriedade de 4.200 m², nas proximidades do Aeroporto de Guaymaral, foram inauguradas as instalações da primeira Base Aérea da Polícia Nacional da Colômbia, denominada: “Capitão Fernando Alvarez Bonilla”, em reconhecimento ao primeiro piloto da Polícia Nacional, falecido no cumprimento do dever e foi ponto de partida para a construção das Bases Aéreas de Santa Marta, San José del Guaviare e Tuluá.
A Aviação Policial da Colômbia realiza uma série de missões, dentre elas, operações antinarcóticos, evacuações aeromédicas, apoio humanitário, erradicação de cultivos ilícitos, patrulhamento aéreo, transporte de pessoas e de produtos perigosos, além de treinar e preparar seus policias para a atividade de aviação.
Operações realizadas pelas aeronaves da Aviação Policial da Colômbia
Nos últimos dois anos foram distribuídas aeronaves nas cidades de Cúcuta, Cartagena, Barranquilla, Medellin, Bucaramanga, Pereira, Bogotá, Cali, Neiva e Villavicencio, a fim de realizarem atividades de vigilância através de patrulhamentos aéreos sobre os pontos críticos, tais como áreas comerciais e bancárias. As aeronaves utilizadas para essas atividades são 05 helicópteros Bell 206, 01 helicóptero Hughes 500 e 04 aviões Cessna 206.
Além dessas aeronaves a Aviação Policial da Colômbia conta com outras aeronaves para transporte de cargas e pessoas e emprego tático, como o DC-3, Uh-1h Bell Huey, Sikorsky UH-60, Caravan, King Air, Caravan, OH-58, entre outras.
Algumas aeronaves utilizadas pela Aviação Policial da Colômbia
Em 2007 o processo de manutenção de aeronaves da polícia foi certificado sob o padrão de qualidade ISO 9001:2000, o que torna a unidade uma das melhores empresas de manutenção aeronáutica nacional e internacional. O Grupo de Manutenção da Aviação Policial da Colômbia está habilitada para realizar as manutenções de níveis 1, 2 e 3.
Durante o primeiro semestre de 2009, a Direção de Narcóticos, através da Aviação Policial, com seu avião de asa fixa (DC-3), apoiou todas as unidades policiais e de outras instituições, com resultados altamente satisfatórios, transportando um total de 444.208 kg e 25.781 passageiros.
A escola de Aviação Policial da Colômbia foi fundada em 28 de novembro de 1996, com sede no município de San Sebastian Mariquita, e, atualmente, configura-se como uma Instituição de Educação Superior com certificação para os cursos de especialização do piloto policial e manutenção aeronáutica, contanto com 68 cursos de extensão em temas aeronáuticos, segurança de voo e procedimentos de voo por instrumentos. Em 11 de novembro de 2007 foi certificada pela Norma Técnica ISO 9001:2000.
Simulador de voo da Escola de Aviação Policial da Colômbia.
A Escola já formou 480 pilotos policiais, 30 pilotos do Exército da Colômbia, 15 da Marinha da Colômbia e 20 oficiais de países amigos, como o Peru, Chile, Equador e Panamá, totalizando 545 pilotos formados pela Escola de Aviação.
A Escola de Aviação tem como estratégia a aquisição de mais aeronaves e simuladores voo, e, através de convênio com a Embaixada Americana, a construção de um auditório, salas de aula e alojamentos, além de iluminação da pista de pouso e decolagem, a fim de otimizar a instrução noturna.
A Direção de Aviação Policial da Polícia Nacional do Peru é um órgão de apoio especializado responsável por planejar, organizar, dirigir, coordenar e controlar as operações aeropoliciais no transporte e no apoio de unidades para o cumprimento da finalidade de polícia (suporte logístico no transporte de pessoas e carga, patrulhamento aéreo, busca, salvamento e resgate, combate ao narcotráfico e organizações criminosas, incêndios florestais, segurança turística em montanha), além da educação e formação do seu pessoal, equipamentos de manutenção de aeronaves e atividades de ação cívica.