Uso civil de VANTs aumenta nos EUA

Sem muito alarde, dezenas de universidades e delegacias de polícia dos Estados Unidos receberam permissão dos reguladores federais da aviação para utilizar aeronaves não-tripuladas, conhecidas como “drones”, segundo documentos obtidos por um grupo de defesa dos cidadãos, através da Lei da Liberdade de Informação.

As mais de 50 instituições que receberam aprovação para operar aeronaves pilotadas por controle remoto são mais variadas do que muitas pessoas de fora da área e especialistas em privacidade sabiam. Elas incluem não só agências como o Departamento de Segurança Interna, mas também instituições menores como os departamentos de polícia de North Little Rock, no Estado de Arkansas, e de Ogden, no Estado de Utah, além da Universidade de Dakota do Norte e a Universidade Estadual Nicholls, na Luisiânia.

A informação divulgada pela Fundação das Fronteiras Eletrônicas veio à tona em um momento em que a Administração Federal da Aviação, ou FAA na sigla em inglês, se prepara para dar um impulso na utilização generalizada dos drones. Até o final de 2015, o Congresso americano deseja que essa agência faça a integração das aeronaves pilotadas remotamente no espaço aéreo dos EUA.

Apesar dos documentos não indicarem de que modo as aeronaves serão usadas, a divulgação provavelmente vai incitar preocupações sobre privacidade relativas aos drones.

Na quinta-feira, o deputado democrata Edward Markey, de Massachusetts, e o deputado republicano Joe Barton, do Texas, pediram ao administrador interino da FAA para responder perguntas sobre as implicações para a privacidade de um uso maior dos drones.

“Muitos drones incluem equipamentos de vigilância, como câmeras de vídeo, câmeras de infravermelho, radares e ‘farejadores’ de redes sem fio”, escreveram os representantes em sua carta a Michael Huerta. Agora que a FAA, sob pressão de legisladores e empresas, está se esforçando para aumentar o uso de drones, ela tem “a responsabilidade de garantir que a privacidade das pessoas seja protegida e que o público seja plenamente informado sobre quem está utilizando drones no espaço aéreo público e por quê”, escreveram eles. A FAA não quis comentar.

Como parte do esforço para aumentar o uso civil dos drones, cerca de 50 empresas estão desenvolvendo uns 150 sistemas diferentes, que vão desde miniaturas até modelos com envergadura comparável à dos aviões comerciais.

A FAA disse anteriormente que já aprovou dezenas de usos não-militares para aeronaves não tripuladas, que vão desde missões policiais até o combate a incêndios e o monitoramento de animais selvagens. Os drones também já foram usados para reportagens, mapeamento e aplicações agrícolas.

A Universidade de Dakota do Norte usa drones em conexão com um programa de graduação em sistemas de aeronaves não tripuladas, iniciado em 2009. Al Palmer, um funcionário da universidade envolvido no programa, disse que cerca de 78 alunos já decidiram se especializar na área e que os formados têm encontrado emprego em fabricantes ou operadores de drones.

O departamento de polícia de North Little Rock vem trabalhando com um pequeno helicóptero sem piloto desde 2008, disse o sargento Pat Thessing. No momento, a polícia vem treinando com essa aeronave apenas em áreas despovoadas, enquanto aguarda as normas da FAA para usá-las em outros lugares. A polícia espera usar drones para a vigilância de bairros de alta criminalidade, durante investigações sobre drogas, e outras atividades.

Fonte: Wall Street Journal / Reportagem: Andy Pasztor e John Emshwiller

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