Exaustão de piloto pode ter provocado acidente com Fernandão

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Uma das principais linhas da investigação que a Aeronáutica tem sobre o acidente que matou o ex-jogador Fernandão é a possível fadiga do piloto, Milton Ananias. O desastre, que completou nesta segunda-feira um mês, ocorreu em Aruanã (GO) e vitimou, além do ídolo colorado, mais quatro homens, incluindo o aviador.

O voo foi de madrugada, e Ananias estava desde a manhã anterior acordado. Por isso, é cogitado que, vencido pelo cansaço, ele possa ter feito alguma manobra equivocada ou confundido o céu com a terra – algo comum em voos na escuridão.

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Contribui para essa hipótese o fato de que Ananias decolou de um banco de areia, no meio de uma praia do Rio Araguaia – uma irregularidade, já que o local não era um heliponto e não dispunha de iluminação. Já está confirmado, também, que o voo foi visual e não por instrumentos.

– Voar à noite, de um local precário e sem comunicação, potencializa o risco de acidente. O piloto age quase às cegas e não tem auxílio de uma base com informações sobre ventos e outras variáveis. Some-se a isso cansaço e vira receita para tragédia – diz o piloto Paulo Rogério Licati, especialista em fadiga de tripulações aéreas.

Licati é representante da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) no Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, formado por 50 entidades da aviação geral, comercial e militar do Brasil. Ele pretende levar a suspeita de fadiga a uma reunião do comitê e ao Centro de Investigação de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica que investiga desastres aéreos.

Cabe ao Centro de Investigação de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) fazer o laudo sobre as causas do acidente com Fernandão. O documento será incorporado a um inquérito da Polícia Civil sobre as mortes ocorridas no voo. A conclusão dessas investigações pode levar até um ano.

Paulo Rogério Licati, especialista em fadiga de tripulações aéreas, vai sugerir ao Cenipa o levantamento das 72 últimas horas de vigília do piloto, que era coronel reformado da PM de Goiás. Já se sabe que a habilitação e o certificado médico aeronáutico de Ananias estavam em dia. As manutenções do helicóptero também estavam dentro dos prazos exigidos.

– Quanto maior a fadiga, mais desorientado o aviador fica – sintetiza Licati, que trabalha com simuladores computadorizados capazes de medir o tempo de reação de pilotos em situação de fadiga.

Uma das pessoas que Licati ouviu é Alexandre Douglas Brito da Silva, piloto que trabalhou com o mesmo helicóptero do acidente de Fernandão. Em processo que corre na Justiça Trabalhista de Goiás, ele exige indenização milionária pelas “inúmeras vezes” que foi chamado à noite, de madrugada, para voar, mesmo estando acordado desde as 8h do dia anterior.

Há relatos de decolagem em quintais, pastos e bancos de areia em Aruanã, onde ocorreu o acidente. Brito diz que isso deveria ocorrer só em situações de pane ou para prestar socorro, mas não de forma cotidiana, como no caso.

Fonte: ZH Notícias

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