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NÁDIA TEBICHERANE

Página nova…

NÁDIA TEBICHERANE

Como é bom ter uma página novinha no site, no coração, na vida…

Novas imagens, cenas, nomes, contatos, oportunidades…O que escrever, mostrar, ensinar, alertar, encontrar… Lá está você e a nova chance, um olhando para o outro na expectativa do que virá…

Quando uma nova página se abre você pode refazer todo o seu “layout”, mudar sua imagem, seu olhar para o mundo, seu caminho, suas escolhas, transformar os acontecimentos…

Olhar sua história e fazer um mosaico dos melhores momentos, publicar, trocar, dividir…

E o melhor de tudo isso, caro leitor, é que todo dia nós temos uma página novinha para escrever, reescrever, fazer, refazer, tentar tudo igual, tentar tudo diferente…

E se nesse momento você estivesse acordando, o sol nascendo e aquela página em branco estivesse na sua frente. Em poucas palavras o que você diria ou faria com ela?

Mãos ao alto!…

NÁDIA TEBICHERANE

O policial sentia o suor escorrer por todo o corpo. A situação era tensa, perigosa, estava tudo muito ruim. A casa que estavam cercando estava cheia de bandidos, a iluminação era precária, o terreno irregular, era o território inimigo.

Por muitas vezes, sentira aquela atmosfera hostil, a vida em risco e muitas cenas passavam simultaneamente ao seu redor e no seu interior.

Em meio a todos os perigos, com todos os seus sentidos em alerta, mais uma vez ele sentiu a criatura a seu lado. Desde de criança tinha consciência de nunca estar sozinho. A sensação sempre foi de medo, curiosidade, mas acima de tudo de segurança.

De repente, sentiu o cano de uma arma tocar sua cabeça e a voz ríspida dizer: ‘Se despede da vida, meganha’.

Nosso policial sentiu um frio intenso, fechou os olhos e pensou que no final era assim que todas as coisas acabavam: no tempo de um disparo.

Alguns segundos depois o policial ouviu um click seco da arma cuja munição falhara.

Virou-se rapidamente e atirou contra a morte. Viu o bandido cair a sua frente, inerte.

Protegeu-se atrás de uma árvore. Respirou fundo procurando normalizar os batimentos cardíacos e restabelecer seu equilíbrio. Foi quando ouviu a voz clara e serena do anjo: ‘Mãos ao alto, soldado. Agradeça pela sua vida’.

O homem ajoelhou-se, elevou suas mãos e agradeceu.

Quantas vezes a sua vida já foi salva pelo seu anjo?

Agradeça…

Mulher…

NÁDIA TEBICHERANE

Definir, impossível.

Entender, talvez.

PLN

NÁDIA TEBICHERANE

Todo homem é um PIL que faz um voo IMC pela vida. Cada um faz um PLN e espera encontrar sempre um SKC para que a TR seja OFZ. Às vezes, entra num TS e FLY fica DNG. É preciso saber o BDRY, estar em ALR, retomar o HDG e ser o CMTE do seu DEST.

E mais uma vez fazer uma DEP tranqüila com seu ASR funcionando perfeitamente para evitar CLD. A vida é cheia de ALTN e é importante saber a ETA e a ETD para que não haja nenhum DLA.

Cumprir sua missão no mundo, de preferência num céu CAVOK e se preparar para um LDG bem bonito.

Tudo isso a tempo de ver o SS e agradecer a Deus.

S.O.S

NÁDIA TEBICHERANE

Verão… Chuva… Vento… Água…

Cidades. Onde está o espaço?

O espaço acabou…

E o descaso?

O descaso continuou…

Casas. Encostas. Pobreza.

Pessoas. Histórias. Vidas…

A terra levou…

O último suspiro, em algum lugar debaixo da lama ficou…

Na tv, olhares de quem viu o mundo que literalmente caiu e ladeira abaixo sumiu…

Humanizar. Toda e qualquer ajuda mandar. O desespero abrandar…

E quem sabe bradar para que o mundo volte a girar e não seja de novo verão, chuva, descaso, vida e água a rolar…

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Aos peregrinos…

NÁDIA TEBICHERANE

Andamos há muito tempo pelo mundo…

Buscamos a felicidade, o amor, a riqueza…

Às vezes andamos a esmo, perdidos entre o ser e o ter, seguir ou parar, mudar ou continuar, acomodar ou renovar…

São tantos os sentimentos, os anseios, encontros, desencontros, pessoas, escuridão e luz nessa busca.

Mas, peregrinos da esperança que somos, andarilhos incansáveis, aqui estamos cheios de alegria e paixão para mais um ano.

O que faremos com essa nova chance? Que caminhos tomaremos? E dessa vez, o que buscaremos?

Andei pedindo ao Céu pela Terra. Andei pedindo por nós peregrinos da vida. Queria desejar que qualquer que seja a estrada escolhida ela seja trilhada com fé e generosidade. Com aquela perseverança que por vezes perdemos em meio ao movimento frenético do caminho. Que a busca seja honesta e recompensada.

E que os corações…

Ah os corações!…

Que eles estejam sempre cheios de amor.

Voar é…

NÁDIA TEBICHERANE

Saí por aí a perguntar o que era voar. Logo alguém me respondeu que voar era sentir o cheiro das nuvens e estar mais próximo de Deus. Que bonito! Eu também quero voar!

Mas alguém disse: você terá que vencer as barreiras da física para aproximar Criador e Criatura. Que difícil! Não sei física! Só sei escrever e rimar…

E não e só isso, você terá que desafiar a morte para viver momentos inesquecíveis. Que medo de desafiar a morte! Mas tem os momentos inesquecíveis…Não posso deixar o medo me limitar, pois eu ouvi que voar é antes de tudo um prazer!

Se voar é andar sobre as nuvens e sentir plenamente a liberdade, eu quero ser livre! Nossa, voar é incrível, mas não é fácil.

Continuei a perguntar e foi aí que ouvi algo mágico: só quem voa sabe por que os pássaros cantam. Fiquei encantada. Voar deve ser mesmo a mais pura felicidade. Voar tem a ver até com amar e casar: uma aventura.

Comecei a sonhar de verdade com voar e fiquei sabendo que esse é um sonho milenar que se realiza. Então, fiquei animada!

Um dia desses, vou ser muito abnegada e corajosa e vou acreditar que voar é uma dádiva dos anjos, vou me lançar e o espaço conquistar.

Quem sabe uma fênix, um pégasus, um arcanjo, um falcão, um carcará, um gavião, um falcão ou uma águia me leve pra voar…

Nota: O Texto foi elaborado como as frases escritas nos comentários da crônica: Aviador.

A vida é um show…

NÁDIA TEBICHERANE

Quarta-feira à tarde. Os bombeiros saíram exaustos da favela que ainda ardia em chamas. O céu estava cinza, o dia estava cinza… Os caminhões retornavam ao quartel. A menor unidade dos bombeiros, uma UR 25, foi a última a deixar a área do incêndio. As ruas ainda estavam cheias de gente. Pessoas que não sabiam pra onde ir, o que fazer. Uma grande desolação. Já no final da grande avenida, uma jovem franzina, grávida e muito assustada fez sinal para a viatura e foi caminhando para o meio da rua.

O tenente e o capitão pararam o veículo e sem trocar palavras caminharam em direção à jovem. Muito fraca ela murmurou:

– Meu filho vai nascer…

O capitão segura a moça no colo enquanto sente o líquido quente da bolsa estourada molhar suas roupas. Rapidamente, ele a acomoda numa das macas na parte de trás da viatura. Olha bem pra ela e pergunta:

– Qual é o seu nome?

– Joana – ela respondeu num fio de voz.

– Joana, meu nome é Ismael. Você estava na favela que incendiou?

Ela gesticulou positivamente com a cabeça e de repente gritou, empalidecendo.

O capitão Ismael fechou os olhos e buscou no seu espírito e na sua fé o equilíbrio necessário para lidar com aquela situação. Examinou a moça e viu que o bebê já estava bem baixo. Segurou as mãos dela e disse:

– Joana, eu vou fazer o seu parto. Você precisa me ajudar. Na próxima contração faça bastante força.Seu filho está quase nascendo.

De olhos fechados ela respondeu:

– Vou fazer. Obrigada.

Enquanto falavam, o tenente tentava controlar uma pequena multidão que ia circulando a viatura.

Alguns minutos depois, Joana suava frio e reunia forças para uma nova contração. A onda de dor intensa percorreu seu corpo e ela pediu a Deus que fosse a última, pois não aguentaria mais uma. Ismael viu a cabeça da criança sair e com todo cuidado foi ajudando na passagem do pequeno corpo que era expulso em meio a sangue, água e dor.

Quando o bebê finalmente chorou, todas as pessoas aplaudiram, gritaram, deram vivas… Ismael olhava emocionado aqueles rostos, aqueles olhos…Aquelas pessoas tinham visto suas casas, seus pertences e várias vidas serem levadas pelo fogo. Ainda assim, estavam ali sorrindo, aplaudindo como se estivessem assistindo a um lindo espetáculo.

Era o milagre eterno que ainda tem o poder de encher de esperanças o mundo, os corações…Era o show da vida que não pode nunca parar.

A cantada…

NÁDIA TEBICHERANE

Em tempos em que dar o fora no namorado pode significar o seu desaparecimento, a tenente da polícia estava super atenta. Aquele barzinho ficava próximo de casa e ela decidiu beber algo antes de dormir.

Um certo rapaz que se achava o máximo, muito impressionado com a beleza dela, decidiu abordá-la com a certeza de que iria se dar bem:

– Oi, posso sentar com você? – perguntou ele convencido.

Depois de um olhar minucioso, ela respondeu:

– Pode, desde que você não acenda esse cigarro que está tirando do maço.

– O cigarro pode esperar… – Ele disse repondo o cigarro no maço.

– Obrigada. – disse ela.

– O que você está bebendo?

– Vodca com frutas.

– Por favor, traga o mesmo pra mim. – Ele disse ao garçom que anotava.

Ajeitou o cabelo com todo cuidado, olhou para ela e disse:

– Sabia que você é uma mistura perigosa?

– Já estou me sentindo uma bomba de fabricação caseira…

Ele olhou surpreso e continuou:

– Bonita, inteligente, bem-humorada…

– Obrigada.

De repente, ele resolveu ser mais rápido e direto:

– Queria te levar daqui, te prender na minha casa e perder a noção do tempo com você…

– Sequestro seguido de cárcere privado. Uma pena considerável.

– O quê? – Ele perguntou sem graça

– Que tal uma coisa mais simples e possível?

Ela faz a pergunta e nesse momento sua bolsa cai, se abre e um par de algemas escorrega para fora. Ele olha curioso enquanto ela recolhe tudo contrariada e ansiosa. Um sorrisinho malicioso aparece no rosto dele que pergunta:

– Você gosta desse tipo de …coisa?…

– Você nem imagina…eu vivo pra isso…

Animado com o rumo da conversa, o rapaz chega mais perto e no ouvido dela diz:

– Vamos a um lugar onde você possa usar isso comigo?

Sorrindo e levantando-se ela responde rápido:

– Demorou. O que nós estamos esperando?

Ele deu um pulo da cadeira e pensou “essa tá no papo”

Saíram do barzinho e para sorte da moça passava em frente ao estabelecimento uma viatura de patrulha. Para espanto total do rapaz, ela fez sinal para a viatura que parou. O sargento desce do carro, se aproxima de modo interrogativo. Ela se identifica e diz ao colega:

– Sargento, temos aqui um tarado muito interessado no uso das algemas.

O sargento pergunta sorrindo:

– O que podemos fazer para esfriar os ânimos?

– Acho que uma volta no quarteirão é o suficiente…

Nosso Don Juan assustado e mudo entra na viatura e tem uma nova visão do quarteirão…

Aviador…

NÁDIA TEBICHERANE

Estais no céu!!!

Lá, na solidão, entre as nuvens que enfeitam a liberdade.

És livre, livre para flutuar, subir, descer, planar, pairar… Lá, onde o corpo é tão livre quanto o espírito…

Seguir os últimos raios de sol que somem no horizonte. O pensamento na imensidão azul…A sensação de que o mundo lá embaixo olha com inveja o pequeno pássaro de prata que brinca de fazer piruetas.

A escuridão envolve os espaços e tu tens um encontro marcado com as estrelas. Estrelas que irão guiar-te pelas estradas do céu, os caminhos desconhecidos que a tua natureza te impele a desbravar, a conquistar…

Que os anjos te guardem e protejam este teu sonho louco, feliz, criança, guerreiro, herói e humano de voar e de alguma forma chegar um pouquinho mais perto de Deus.

NOTA:

Caro leitor, gostaria de fazer um espaço interativo em relação a esse texto. Os leitores que quiserem  participar completem a seguinte frase no espaço destinado aos comentários:

Voar é…

Todas as frases serão lidas e irão compor o próximo texto publicado.

Cuide bem…

NÁDIA TEBICHERANE

Cuide bem…

Do rumo que você dará ao seu dia…
Do tempo que ganhou para viver…
Do amor da sua vida…

Da confiança que é muito forte, mas mora dentro de um cristal…
Do exemplo que você está dando para o seu filho…
Dos sentimentos que você alimenta…

Dos verdadeiros amigos que caminham ao seu lado…
Das palavras que escondem uma grande energia…
Da noite iluminada por um lindo luar…

Da dança mágica dos gestos de amor…
Das coisas simples que definitivamente guardam o valor da vida…
Da dor que nos torna mais sábios…

Do tempo que nos salva da dor…
Das conversas que você tem com Deus…
Das conversas que Deus tem com você…

Dos abraços cheios de amor…
Da sensação  insubstituível de estar em casa …
Da Terra…

Do seu espírito, sua poção eterna…
Do sol do seu coração, guardião do que há de melhor em você…

Foto da Esquerda: Resgate de criança por um bombeiro no incêndio do Edifício Andraus em 24/02/1972. Foto: Agência Estado. Foto da direita: Bebê socorrido por helicóptero após pane em ambulância em São Paulo, em 27/01/09. Foto: Jonne Roriz/AE. Momentos da História.

Pra você militar

NÁDIA TEBICHERANE

Você tão jovem
Sentinela da Terra,
do Ar, do Mar
Sentinela das ruas iluminadas, dos becos
escuros, da noite sem dono,
das pessoas no bar…

Onde você vai militar?
Seu destino buscar
e tantos outros guardar
No tanque blindado, no águia que corta o espaço,
no navio que desbrava o mar, vai a antiga guerra travar,
o sonho humano resgatar…

Coloco minha vida, meu chão, meu
país na sua mão.
A esperança de andar de peito aberto
sem medo no coração.
Viver a ilusão, o delírio, a emoção
de dormir e acordar no dia do homem verdadeiramente irmão.

Idealismo, paixão, coração, fé,
coragem, tudo na bagagem.
Vai soldado da paz. Vai seu nome honrar, vai a vitória buscar,
mas não esqueça de voltar,
gargalhar, brincar,
celebrar, relembrar, amar…

Aqui estamos todos:
A nação,as pessoas comuns, os amigos,
as mães, os pais,
os filhos, o futuro, a festa,
a amada, a vida.
Estamos todos a esperar…

Um estranho que veio do céu…

NÁDIA TEBICHERANE

O dia estava lindo. Um céu de brigadeiro muito azul convidava a voar, andar na praia, surfar ou só parar para olhar.

Estela olhava o mar pela janela e apesar das recomendações médicas decidiu andar pela areia. Aquele era um dia para se celebrar a vida e ela não ficaria trancada em casa.

Do outro lado da cidade, Marcelo, um piloto militar, pensava que estar de férias num dia como aquele era um presente. Havia sido convidado para o vôo de estréia do helicóptero novo de um amigo empresário. As três pessoas que formariam o pequeno grupo encontraram-se no heliporto. O helicóptero era demais e os três estavam ansiosos para voar. Decolaram e logo a cidade e as pessoas ficaram pequenas. E aquele céu… tudo ficava pequeno… Tomaram a rota das praias. Voavam baixo, admirando a paisagem fantástica.

Estela caminhava lentamente sentindo o vento do mar no rosto. Como era bom  sentir as ondas nos pés. Depois de tudo pelo que passou, estar ali era uma benção. Olhou para trás e percebeu que já havia se afastado bastante do centro da praia. Antes de voltar resolveu entrar só mais um pouquinho no mar. Com água pela cintura ela molhava o rosto e o pescoço. De repente, começou a sentir-se muito mal. Estava tão tonta que não conseguia ficar de pé. Caiu de joelhos. Pensava rápido e apesar da forte dor no peito sabia que precisava sair dali. Com grande esforço arrastou-se até a areia e lá ficou estendida olhando o céu. “Será que vou morrer nesse dia tão bonito?” Estela pensava quase inconsciente.

Marcelo, voando próximo a areia, avistou a mulher que num movimento muito lento levantou o braço. No mesmo instante ficou tenso e disse a Rodrigo, amigo e dono do helicóptero:

– Precisamos descer. Aquela mulher está muito mal.

– Não posso pousar aqui.- respondeu Rodrigo – A faixa de areia é muito pequena e eu teria que dar muitas explicações. Vamos acionar o resgate, afinal esse é o trabalho deles.

– O resgate pode chegar tarde. Você está mesmo sugerindo que a deixemos aqui para morrer? – Marcelo parecia não acreditar no que estava acontecendo.

– Você está certo. Vamos pousar.

A última coisa que Estela viu foi o helicóptero se aproximando.

Marcelo fez todos os procedimentos de primeiros-socorros. Estela foi colocada na aeronave e em poucos minutos era atendida no hospital próximo. Ela teve uma parada cárdio-respiratória, mas conseguira reagir e se recuperava. Marcelo entrou em seu quarto no hospital. Ela sorriu e perguntou:

– Você é o meu salvador? O que você faz? Como se chama?

– Meu nome é Marcelo e eu sou piloto da polícia…

– Não precisa responder. Na verdade não importa. Para mim você  será sempre o estranho que veio do céu e salvou a minha vida. Um brasileiro para quem faz diferença se o outro vive ou morre. Um estranho que entendeu e decidiu que todos os detalhes são menores do que a vida. Não deixe que ninguém de pensamento e coração menores que os seus lhe diga que você está errado. Acredite, haverá sempre alguém incomodado com o seu senso de humanidade e a grandeza do seu espírito. De onde você veio e em que organização você trabalha não contam em nada na hora que um coração está parando de bater. Que bom que você, estranho, sabe disso.

Obrigada.

De repente…


NÁDIA TEBICHERANE

Ele já salvara muitas vidas. Quando entrava no helicóptero, seu instrumento de trabalho, só pensava na missão. Um tipo de dispositivo era ativado dentro dele. Calculava, planejava, era frio e preciso. Repassava todos os detalhes e escolhia o caminho com menos chances de erros.

Só acreditava em si mesmo e naquela máquina. Gostava de trabalhar sozinho. A frase que mais usava com os colegas de missão era: ”Deixa comigo, já está tudo calculado”.

Voltava de uma missão de rotina. Sobrevoava um rio extenso e caudaloso.

De repente, como tudo na vida, o helicóptero começa a perder altitude, algo estava muito errado. O alarme soou dentro de cada tripulante. Ele checou automaticamente cada instrumento. Onde estava a pane?

A situação ficou crítica. A aeronave começou a rodopiar e o choque com o rio foi inevitável e violento.

A água invadia o helicóptero com uma rapidez espantosa. Ele olhou os companheiros que já estavam se livrando do cinto de segurança e saindo do helicóptero. Desafivelou-se e deixou-se levar pela correnteza fortíssima. Sua cabeça doía e rodava.

O que dera errado? Onde ele falhara? Afundava e retornava, engolia água. Ia se afogar, ia morrer.

Olhou uma última vez para as margens do rio, uma muito distante da outra e ele bem no meio.

De repente, como tudo na vida, sentiu o braço forte do barqueiro. Nesse momento, perdeu a consciência. Mais tarde, quando acordou na margem do rio, olhou o homem de meia idade que o havia salvo. Instantaneamente, lembrou-se de tudo. Encarou o barqueiro e disse:

– Não sei o que deu errado, eu chequei tudo várias vezes…

– Ninguém consegue saber de tudo, moço. A vida tá sempre esperando a gente com uma surpresa. Ainda bem que tem muita gente pra ajudar – O barqueiro falou com simplicidade.

– Eu sou um homem que não gosta de surpresas e só conto comigo.

– Olha moço, diz a lenda que quando um homem atravessa um rio, nem ele nem o rio são mais os mesmos. Espero que agora o senhor seja um outro homem.

O trote

NÁDIA TEBICHERANE

A situação em Paraisópolis estava tensa. Um tiroteio cerrado produzia um barulho assustador. Policiais e traficantes se enfrentavam. O reforço policial chegava em várias viaturas. Os traficantes foram sendo cercados. Cinco moças, estudantes, foram feitas reféns. A polícia negociava, buscava um modo para que aquela situação de perigo terminasse de forma positiva, sem perdas.

O helicóptero fazia o apoio dando uma ajuda importante ao pessoal de terra. O capitão Fly comandava a aeronave e passava informações valiosas sobre a localização dos bandidos. Então, recebeu pelo rádio a ordem de pousar para resgatar as moças que haviam sido libertadas pelos traficantes finalmente dominados. Elas ficariam no clube da polícia de onde seguiriam de carro para o hospital.

Enquanto isso, na casa do capitão Fly, sua esposa atende ao telefone:

– Alô?

– Alô. Aqui é um amigo seu. Você sabe onde anda o seu marido?

– Trabalhando. Aconteceu alguma coisa?

– Ele está é na maior farra…

– Como é?

– É isso mesmo! Tá na maior festa animada, tem fogos e tudo…Ele está no paraíso!!!

– Não acredito em nada disso! Vou desligar!

– Você não tá acreditando? Seu marido não é o capitão Fly?

– É sim…

– Pois é… ele é que tá comandando a parada toda! Tá rolando muita droga…Os amigos dele não param de chegar… cada carrão…

– Que amigos?

– Ah dona… os de sempre…nesse  momento ele tá enchendo o helicóptero de mulher…vai levar sabe pra onde né?…

– Mulher no helicóptero?

– É… cinco saradas…

A esposa desliga e faz imediatamente uma ligação para o grupamento aéreo:

– Alô, é verdade que o capitão Fly está com cinco mulheres no helicóptero?

– É sim senhora, mas elas…

– Não fala nada…pra onde ele foi?

– Para o clube da polícia e depois…

– Safado…

O telefonista da central do grupamento consegue falar com o capitão Fly…

– Capitão, a casa caiu….

A namorada…

NÁDIA TEBICHERANE

– Bem… posso “andar” no seu helicóptero?

– Voar meu bem, voar…

– Acho tão bonitinha aquela hélice menorzinha que fica atrás…

– O nome é rotor de cauda…

– Meu bem, helicóptero tem aquele banco que voa?

– Assento ejetável. Só alguns têm. A maioria não…

– Você poderia colocar um pouco mais de gasolina e me levar até uma praia bem bonita onde tivesse aquele círculo vermelho pra pousar.

– Esse helicóptero não usa gasolina, queima querosene e aquele círculo se chama heliponto.

– Posso ou não dar uma volta?

– Não. Essa aeronave é militar e não podemos passear com ela. Por falar em passear, esse seu novo sutiã…

– Espartilho. O nome é espartilho.

– Esse elástico que você colocou para segurar a calcinha…

– O nome desse elástico é cinta-liga…

– Hum… Seu cabelo está lindo. Você foi ao salão fazer a reparação?

– Não, fui fazer a hidratação!

– Vamos namorar um pouquinho?

– Não. Estou com uma dor de cabeça militar…

Como foi seu dia?

NÁDIA TEBICHERANE

Acordei na manhã cinzenta de São Paulo. Cama quente, dia frio. Finalmente desperto, mesa de café da manhã, beijo na esposa, filhos atrasados para escola, cheiro de casa, frases e risos familiares, último gole de café.

Entro no carro e no caos do trânsito. Meu celular toca acionando o resgate. Aqui tudo começa. Pouco tempo depois estou na sede do grupamento aéreo. Cada minuto passa a contar. Entramos na aeronave, somos quatro.

Chegamos à entrada da mata. Uma mãe em choque segura meu braço e diz: “Salva meu moleque, moço”. Tomamos conhecimento que um garoto de dez anos está perdido na mata. Voltamos ao helicóptero. Sobrevoamos numa busca lenta e detalhada. No pé de uma cachoeira identificamos o menino inconsciente. O guincho desce rápido, o coração bate rápido e na cabeça: “Salva meu moleque, moço”. Ele chega pálido e mole, sem reação. O médico examina, primeiros-socorros: pulsação, pressão, respiração. De repente seus olhos se abrem, emoção. Esse vai sobreviver.

Chego em casa. Entro pela sala, tv ligada.

– Oi pai… Como foi o dia?

– Foi lindo e tinha a sua cara, moleque…

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