- Anúncio -
Início Tags Segurança Operacional

Segurança Operacional

Pouse o maldito do helicóptero !

Como foi seu dia? O meu não foi lá essas coisas. Passei o dia lendo relatórios de acidentes com helicópteros no site do NTSB. Eu não sei quanto a vocês, mas meu nível de frustração vai lá em cima nessas horas.

Não houve surpresas. Ninguém ainda inventou uma nova maneira de sofrer um acidente com helicópteros. Os relatórios falam sobre as causas de sempre – pane seca, voo em condições meteorológicas marginais resultando em entrada inadvertida em condições por instrumento e, em uma minoria de casos, falhas mecânicas. Ainda merece destaque o caso de um piloto sob efeito de medicação sem receita.

Em muitos acidentes, não há como saber previamente de que nem tudo está bem. Mas no caso de pane seca, a maioria dos pilotos estão cientes do baixo nível de combustível e da incerteza de chegar com o combustível existente. Em incidentes relacionados com a meteorologia, os pilotos sabem que estão em condições climáticas longe da desejável, com dificuldade em manter-se em regras de voo visual. Acidentes causados ​​por falhas mecânicas envolvem indicadores de parâmetros e luzes de alerta, além de ruídos ou vibrações anormais. Em uma incapacidade médica ou caso sob a influência de remédios, o piloto geralmente é consciente de seu desempenho comprometido e seus reflexos alterados.

Com tudo isso em mente e assumindo que exista um local de pouso aceitável, por que os pilotos não utilizam de uma das capacidades mais únicas e valiosas do voo com aeronaves de asa rotativas – ou seja, pouse o maldito do helicóptero! Na maioria dos casos este simples fato iria quebrar a cadeia de eventos e evitaria o acidente.

sapd1

Uma vez eu conversei com um piloto que tinha sobrevivido a um acidente e perguntei-lhe por que ele não tinha efetuado um pouso de precaução. Ele falou que não havia pensado a respeito e ao invés disso se concentrou em chegar ao destino e em cumprir a missão. Ele admitiu, porém, que no passado tinha preocupação sobre o que iriam falar caso ele efetuasse um pouso de precaução. Isso não me surpreende. No meu começo de carreira como piloto, eu também pensava da mesma maneira, embora, felizmente, atualmente eu não ligo mais.

Os pilotos normalmente associam pousos de precaução com relatórios, despesas extras para a empresa, passageiros assustados e até em uma recusa futura de voar com eles novamente, questionamentos pelos órgão de controle aéreo, imprensa, e até mesmo seus pares questionando suas habilidades.

Sim, tudo isso realmente é possível, mas pensando em relação as opções disponíveis. Opção um: foco na situação e na segurança, realize um pouso de precaução, evite o acidente, e tenha confiança em explicar sua decisão, ao ver você preocupado com a situação todos irão apoiar sua decisão. Opção dois: não pouse e, em vez disso mate todos a bordo da aeronave e talvez alguém no solo. Você pode me chamar de louco, mas isso é uma decisão de um cabeça oca.

Obviamente, em primeiro lugar, o principal objetivo de um piloto deve ser o de não chegar a esta situação. No entanto, até onde eu saiba, nenhum de nós é perfeito. Assim, quando esses pousos acontecem, a indústria e as autoridades devem reconhecer o evento como sendo parte de uma cultura de segurança saudável.

Tenha isso como um ponto de partida, quando for o caso, pouse e fique vivo.

Como sempre, que todos tenham um voo seguro !


Matt Zuccaro é presidente da Helicopter Association International. O presente artigo foi publicado na edição do verão de 2013 da revista RotorNews, da Helicopter Association International.


Fonte: HAI (tradução e edição Piloto Policial a partir de original em inglês)

Quando o instrutor deverá assumir os comandos?

“Os registros de acidentes incluem muitos casos em que os instrutores deixaram os alunos errarem muito, bem antes de assumirem os comandos de uma aeronave.”

Esse procedimento, sem dúvida, ocorre com muita frequência em escolas ou esquadrões de instrução. Médicos e psicólogos afirmam que o simples reconhecimento de um problema é fator primordial para a sua solução definitiva. Seria difícil aqui abordá-lo sob todos os seus aspectos, mas algumas discussões serão benéficas, pois trarão à luz alguns conceitos já conhecidos.

Autorotação helicóptero

Imagine o peso da responsabilidade que repousa nas costas de um instrutor de voo. Além da atribuição de fazer valer as horas de voo com a melhor instrução possível e evitar qualquer acidente ou incidente com a aeronave e seus ocupantes, deve proteger quem está “lá embaixo” e não tem nada a ver com a estória. Para tanto, há que estar com seu “alerta situacional” máximo em todas as fases do voo: do acionamento do motor ao corte final.

A questão revela-se bem mais arriscada quando ministrando instrução a futuros pilotos, que estão ainda “engatinhando” no caminho até o pleno domínio da máquina; no entanto, atenção especial deverá ser dispensada àqueles que demonstram ter “mais” aptidão para o voo e que aprendem com mais facilidade nos estágios iniciais, visto que podem representar maiores riscos durante a instrução devido à autoconfiança na sua proficiência, podendo gerar complacência por parte do instrutor. Com esses alunos, atenção redobrada, pois é natural que o instrutor pense “ah, com esse eu vou só passear porque ele manda bem!”.

O risco está “latente” em todas as etapas do voo de instrução. Desde o momento da decolagem até o último pouso, passando pelo táxi (ah, o taxi…!) e todas as manobras previstas. Só estas renderiam um livro!

A maioria dos instrutores julga que, quanto menos se interferir nos comandos, estando a aeronave sob controle do aluno, melhor. Essa ideia (técnica) é boa em seu conceito básico, mas para ser efetiva é recomendável ser aplicada somente em casos específicos, não devendo ser generalizada, porquanto poderia levar o instrutor a um costume arriscado de demorar a reagir numa situação crítica com determinado aluno.

A dúvida do instrutor em assumir os controles, nessa ou naquela situação, confunde o aluno. Também não é boa prática pilotar o tempo todo, simultaneamente com o aluno, enquanto vai discorrendo para demonstrar como se devem realizar as manobras. Os alunos tentam evitar esse tipo de instrutor, mas é muito difícil no decorrer do curso de pilotagem não ser escalado para voar com algum desse. É muito provável que, quando alcançar a qualificação de instrutor, o piloto que teve essa experiência aja de modo contrário, um extremo igualmente indesejável.

Isso parece verdadeiro para muitos instrutores com pouco tempo nessa atividade. À medida que adquirem experiência, aprendem a respeitar as limitações individuais e a desenvolver uma técnica mais realista e adequada a cada discente. Assim, somos levados a concluir que esse problema prevalece no âmbito dos instrutores mais novos, não no sentido
cronológico. Afinal, sabe-se que muitos pilotos antigos, quando se qualificam como instrutores de voo, estão sujeitos às mesmas reações dos novatos.

Como regra, podemos afirmar com certeza que, sempre que o instrutor estiver em dúvida quanto à segurança no cumprimento de uma etapa de determinada manobra, o procedimento recomendável é ASSUMIR OS CONTROLES DA AERONAVE. Essa afirmação pode soar ridícula para alguns, porque é óbvia demais. Porém os fatos evidenciam que nem todos os instrutores acreditam nela.

Parece haver algum tipo de efeito hipnótico em alguns instrutores, quando enfrentam uma situação de risco em potencial. Faça um exame de consciência, você instrutor, e veja se consegue lembrar-se de algum lampejo dessa natureza, na ânsia de deixar que o aluno errasse para aprender, e de ter sido surpreendido por um pouso excessivamente brusco. Essa atitude você não tornaria a repetir e sim assumiria os comandos muito antes.

A correta linha de ação é estar apto a se antecipar às situações perigosas, enquanto ainda é possível controlar a aeronave. Não há justificativas para deixar os acontecimentos evoluírem normalmente, mesmo quando existe uma sombra de dúvida acerca de um eventual insucesso.

Em uma autorrotação, por exemplo, existindo obstáculos significativos entre o momento da redução do passo coletivo e o local de pouso ou arremetida, o instrutor deverá ser capaz de prever, tão logo o aluno comece a descida, se ele vai
passar ou não próximo desses.

Esse é o último momento de se adotar uma medida corretiva: arremeter ou determinar que o aluno o faça. Não se justifica permitir a continuação da manobra, se houver qualquer dúvida quanto à proximidade dos obstáculos, muito embora isto continue a ocorrer em quase todos os voos de instrução.

Não se pode isentar o aluno de sua responsabilidade, ele também pode e deve iniciar uma arremetida se estiver com dúvida, ou então, questionar o instrutor.

Em muitas situações, quando o aluno não estiver fazendo acertadamente determinados procedimentos, o instrutor pode deixá-lo errar para aprender por si mesmo. O bom docente saberá distinguir essas ocorrências de outras que impliquem
em segurança de voo ou prejuízo à aprendizagem. Não há melhor maneira para aprender do que conseguir superar os próprios erros com uma boa dose de esforço pessoal. A quebra da aeronave não está prevista na categoria do auto aprendizado. E se o instrutor vale quanto pesa não deixará que o aluno chegue a tanto.

O aluno pode ter o orgulho próprio ferido quando o instrutor assume os comandos justamente naquela hora em que tinha a certeza de que o pouso seria “manteiga”; mas a responsabilidade do instrutor pelas vidas a bordo e pela máquina caríssima é muito grande. E ambos devem compreender muito bem esse fato, e àquele deve ser dado o
direito de duvidar sempre.

“A regra básica é antecipar-se às reações da aeronave e do aluno; não se deixar surpreender pelas reações dela ou dele.”

Fonte com adaptações: Revista da Aviação Naval, Revista Informativa de Segurança de Aviação – Agosto/2012 Ano 43 • Nº 73, via INFORME SERIPA I

Os riscos dos voos noturnos

Às 9:00h do dia 27 de agosto de 2011, um helicóptero Robinson R44 Raven II particular deixou o aeródromo de Saint Ferdinand, Quebec – Canadá, para um voo noturno para a cidade vizinha de Saint-Nicolas, também em Quebec. Além do piloto, que estava operando sob regras de voo visual, três passageiros estavam a bordo.

R44_Night flight_disorientation_accident_CFIT

Estava escuro, já havia passado mais de uma hora do pôr-do-sol, mas a viagem era para ser curta, cerca de 20 minutos, para uma família de quatro pessoas voltar para casa depois de uma noite passada visitando amigos. Além disso, os aeródromos mais próximos relataram boa visibilidade; o piloto tinha licença há seis anos, com quase 900 horas de voo, cumprindo os requisitos das regras de aviação canadenses (CAR) para voo noturno. Apesar disso, nove minutos depois, as quatro pessoas estavam mortas e o helicóptero completamente destruído com o impacto, depois de bater em uma área arborizada a apenas um quilômetro de distância do ponto de decolagem.

O que teria acontecido?

No final de setembro desse ano, o Transportation Safety Board (TSB) divulgou seu relatório de investigação sobre o acidente (Relatório A11Q0168). De acordo com os resultados, não houve evidência de falha mecânica, e que provavelmente o piloto perdeu o controle da aeronave logo após a descolagem. A causa provável? Desorientação espacial. O aeródromo não estava equipado com um sistema de iluminação, e os investigadores do TSB concluíram que o piloto teria tido poucas referências visuais fora da aeronave, deixando-se vulnerável a várias ilusões comuns ao voo noturno.

Vários tipos de ilusões podem afetar a orientação de um piloto, incluindo ilusões vestibulares (relativo ao nervo vestíbulo). Estas são mais complexas e mais perigosas, em parte porque o ouvido interno é sensível à aceleração tanto linear, quanto angular. No caso da primeira (linear), um piloto que não tem referências visuais, pode perceber incorretamente os movimentos de arfagem (pitch) da aeronave, de nariz para cima ou nariz para baixo (isso ocorre com freqüência logo após a decolagem). A segunda (angular), por sua vez, pode dar a um piloto que acaba de completar uma curva, a sensação de que ele ainda está curvando, porém, na direção oposta.

A mais extrema dentre as formas de desorientação vestibular é o fenômeno de Coriólis, que pode acontecer quando o piloto vira a cabeça para a frente ou para trás enquanto a aeronave está curvando. Isso pode criar uma sensação arfagem, rolagem e de guinada, tudo ao mesmo tempo. Na ausência de iluminação exterior ou outras referências visuais, um piloto que realiza ações, mesmo que sejam simples, como virar a cabeça para a frente para executar uma tarefa, ou levantar a cabeça para olhar para frente enquanto faz uma curva, pode experimentar este fenômeno. Mesmo que isso não resulte em um acidente necessariamente, ele pode tornar difícil o controle da aeronave.

Os riscos apresentados por ilusões espaciais, no entanto, são conhecidos. E os pilotos que desejam voar à noite, quando esses riscos são maiores, devem realizar um treinamento complementar, conforme especificado nos regulamentos de aviação canadenses (CAR – Canadian Aviation Regulations).

Nesta ocorrência, o piloto possuía os mínimos requeridos para voo noturno. O piloto também havia registrado seis horas de voo noturno como piloto em comando nos seis meses anteriores, com um total de nove pousos e decolagens, cumprindo portanto, os requisitos de recentidade dos CARs. No entanto, digno de nota, tudo isso ocorreu em áreas onde o meio ambiente era iluminado. Isso não é incomum: as escolas de treinamento de voo são muitas vezes localizadas perto de áreas povoadas, ou seja, a formação de voo é muitas vezes conduzida em torno de pistas ou helipontos iluminados.

No entanto, na noite da ocorrência, o piloto foi confrontado com um conjunto completamente diferente de circunstâncias. Estava muito escuro: não havia lua visível, as estradas próximas ao aeroporto não estavam acesas e haviam poucas casas próximas. Além disso, havia muitas árvores na rota planejada. Em suma, o piloto teria decolado e voado para um “buraco negro” de um quase inexpressivo relevo, uma desafiadora combinação para qualquer piloto, muito mais um com pouca experiência à noite e voando fora de áreas metropolitanas.

O relatório do TSB, portanto, fez desse risco uma das suas principais conclusões: pilotos sem experiência de voo à noite fora de áreas bem iluminadas estão em maior risco de desorientação espacial. Além disso, também é possível que os requisitos mínimos para a obtenção de uma licença de piloto privado de helicóptero com permissão para voo noturno, possam não ser suficientes para educar adequadamente e demonstrar aos pilotos de helicóptero privados os riscos envolvidos nos voos noturnos, incluindo as ilusões visuais que podem levar à desorientação espacial .

Então, o que os pilotos podem fazer para evitar que acidentes desse tipo aconteçam?

Como se vê, uma das melhores defesas contra sucumbir às ilusões espaciais é a consciência. Basta saber que a desorientação pode ocorrer, e realizar uma correta checagem dos instrumentos de voo, podem ajudar a prevenir estes problemas. Na verdade, a maioria das estratégias para reduzir o risco de desorientação espacial envolvem a preparação prévia para o voo. Estes procedimentos incluem manter baixa (fraca) as luzes do cockpit, para que os olhos permanecem ajustados à escuridão e os pilotos possam ver claramente o ambiente externo.

A popularidade do helicóptero vem crescendo. A vinte e cinco anos atrás, havia apenas 210 pilotos privados licenciados no Canadá. Até 2011, esse número mais que triplicou, para 637. À medida que os números continuam crescendo, com mais de 300 pessoas atualmente tendo permissão de “piloto em formação”, é razoável afirmar que haverá um aumento de pilotos privados com habilitação para voo noturno.

É difícil prever o impacto que isso poderia ter sobre o número ou taxa de acidentes em voos à noite, mas uma coisa é certa, com a desorientação espacial perfazendo uma estatística de 5% a 10% de todos os acidentes da aviação geral, 90% dos quais são fatais, os pilotos precisam ter cuidado extras ao voar à noite.

Isso significa estar consciente dos perigos e riscos durante voos noturnos e tomar as apropriadas medidas mitigatórias.

O TSB é uma agência independente que investiga ocorrências marítimos, ferroviários e da aviação. Seu único objetivo é a promoção da segurança do transporte. Não é a função do TSB atribuir culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal. Para mais informações, visite nosso website em www.bst-tsb.gc.ca.

Fonte: Vertical Magazine e Canadá Transport Safety Board, via Asa Rotativa / Tradução e adaptação: Daniel Queiroz

II Seminário de Segurança Operacional do GTA/MA

O Grupo Tático Aéreo do Estado do Maranhão irá promover o II Seminário de Segurança Operacional da unidade. O evento de conscientização pela segurança operacional visa contribuir para formação e difusão de uma cultura de prevenção que tenha a identidade do voo policial e de resgate.

É necessário que o trabalho em segurança operacional fale a língua das operações aéreas de segurança pública e de defesa civil, que compreenda suas peculiaridades, e consequentemente seus perigos específicos.

Dados do evento:

II Seminário de Segurança Operacional do GTA/MA

Data: 20 e 21 de novembro de 2013

Local: Parque Botânico, da empresa VALE, em São Luís – MA

Informações[email protected]

Programação do evento:

Dia 20/11/13

Horário

Palestrante  – Tema

08:30 – 09:00

CADASTRAMENTO E ABERTURA (30min)

09:00 – 10:00

Cmte. Pedro  (GTA) –  As Razões da Prevenção de Acidentes Aeronáuticos e os Perigos da Aviação Policial e de Resgate. (1h)

10:00 – 10:30

COFFEE BREAK (30min)

10:30 – 11:30

Ten. PSO Andressa Moura Lewek  –  Dinâmica da Tripulação (1h)

12:00 – 14:00

ALMOÇO  (2h)

14:00 – 15:00

Cap. Av. Fábio Luis Ridão Valentim  –  Consciência Situacional (1h)

15:00 – 15:30

COFFEE BREAK (30min)

15:30 – 16:30

SO BMA Francisco de Assis Ramos Barcelos Filho  –  Prevenção na Manutenção (1h)

Dia 21/11/13

09:00 – 10:00

Cmte. Kerlington –  O Treinamento como Defesa na Prevenção de Acidentes (1h)

10:00 – 10:30

COFFEE BREAK (30min)

10:30 – 11:30

Cmte. Leonardo Aranha – Serviço Aeropolicial: Tripulante (1h)

11:30 – 12:00

Encerramento e entrega de certificados (30min)

12:00

ALMOÇO /  COQUETEL

II Seminário de Segurança Operacional do GTA/MA

Família de político morto em queda de helicóptero da PMSC em 1999 será indenizada

Acidente com secretário de Segurança Pública ocorreu há 14 anos. Filhos receberão R$ 200 mil; já a viúva será indenizada em R$ 300 mil.

A viúva e os filhos do promotor de justiça Luiz Carlos Schmidt de Carvalho, morto em um acidente de helicóptero em 1999 no município de Tijucas, serão indenizadas com o valor de R$ 500 mil pelo Estado. Na época do acidente, Luiz Carlos ocupava o cargo de secretário estadual de Segurança Pública de Santa Catarina. A decisão da 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça foi unânime.

Na ação original, o juiz Luiz Antônio Zanini Fornerolli concedeu indenização de R$ 500 mil para a viúva e filhos e negou os pedidos de lucros cessantes e uma segunda pensão que haviam sido pedidos. Porém, o Tribunal de Justiça reduziu o valor de de R$ 300 mil para R$ 200 mil aos filhos, mas manteve o valor para a viúva.

Luiz Carlos Schmidt de Carvalho, tinha 46 anos quando sofreu o acidente de helicóptero na localidade de Morretes, em Tijucas, a 40 km da capital Florianópolis ao avião colidir com um morro. Ele fazia o trajeto Joinville/Navegantes/Florianópolis. O acidente em 10 de julho de 1999 matou também o piloto, comandante do grupamento aéreo da Polícia Militar, tenente-coronel Dárcio José Maiochi, 48 anos, e o co-piloto, segundo-tenente Alan Vargas Guimarães, 26 anos.

Na apelação, o desembargador João Henrique Blasi confirmou a responsabilidade civil do Estado, baseado no relatório do Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Conforme o documento, o piloto não possuía habilitação para voo por instrumentos e experiência para voos noturnos. A aeronave envolvida no acidente não possuía também a liberação para fazer o voo.

O G1 entrou em contato com o governo do Estado, que diz que a Procuradoria Geral do Estado não havia sido intimada da decisão do Tribunal de Justiça até a noite desta quarta-feira (6). Após ter ciência formal do conteúdo da decisão, a Procuradoria vai avaliar a possibilidade de recorrer da decisão.

Fonte: G1 SC


Nota do site:

Resumo do acidente em questão

10 JUN99 – Governo do Estado de Santa Catarina (alienado à Superjet Aerotáxi Ltda.) – AS-350BA (Esquilo) – PT-YPF

O helicóptero, transportando o Secretário de Segurança Pública do Estado de Santa Catarina e mais dois policiais militares (um deles o piloto), decolou de Navegantes – SC (SBNF), às 22:51 h, com destino a Florianópolis – SC (SBFL). O piloto era habilitado para a aeronave, mas não para vôo IFR, assim como a aeronave também não estava homologada para este tipo de operação. Próximo ao município de Tijucas – SC, enfrentando nevoeiro, a aeronave colidiu com o esqui direito contra o solo e, após arrastar-se por cerca de 10 metros, chocou também o rotor principal, capotando. Os três ocupantes faleceram no local e o helicóptero teve perda total.

Recomendações de Segurança de Voo emitidas pelo CENIPA em decorrência do acidente

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-1
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-2
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-3
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-4
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-5
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-6
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 147/B/02
Destinatário: SERAC-7
Recomendação: Orientar as respectivas Polícias Militares que operem aeronaves para que solicitem vagas, para os seus comandantes de Grupamentos Aéreos e congêneres, ao Estado-Maior da Aeronáutica para a realização do Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção a ser realizado no CENIPA no ano de 2003.

Número da RSV: 148/B/02
Destinatário: SERAC-5
Recomendação: Elaborar um DIVOP a fim de divulgar os ensinamentos colhidos nesta investigação para todas as empresas e escolas que operam helicópteros.

Número da RSV: 148/B/02
Destinatário: SERAC-5
Recomendação: Realizar uma Vistoria de Segurança de Vôo Especial no Grupamento Aéreo da Polícia Militar de Santa Catarina, visando verificar a situação operacional e o cumprimento das Recomendações de Segurança de Vôo contidas neste relatório.

Número da RSV: 141/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Determinar que todos os tripulantes do Grupamento Aéreo sejam alertados quanto à necessidade de se manter em condições de vôo estritamente visuais quando realizando vôos visuais noturnos, dando ampla divulgação deste relatório.

Número da RSV: 142/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Solicitar ao CENIPA, através do Estado-Maior da Aeronáutica, vaga no Estágio de Gerenciamento Avançado da Prevenção para o comandante do Grupamento Aéreo, a ser realizado em 2003.

Número da RSV: 143/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Determinar ao Grupamento Aéreo a elaboração de um programa de treinamento que permita a padronização e uma adequada ascensão operacional de seus tripulantes.

Número da RSV: 144/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Determinar aos seus pilotos que considerem em seus planejamentos a possibilidade real de se alternar o destino, quando condições adversas não permitirem a continuidade do vôo em segurança, conforme estabelecem as regras de tráfego aéreo.

Número da RSV: 145/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Certificar-se de que sejam adotados, no Grupamento Aéreo, critérios de supervisão que permitam melhor difusão da doutrina de Segurança de Vôo a seus tripulantes, no que concerne à obediência às regras de tráfego aéreo, além de aspectos relacionados ao vôo visual noturno e à influência da fadiga e das variáveis psicológicas na atividade aérea.

Número da RSV: 146/B/02
Destinatário: PMSC
Recomendação: Determinar que sejam criados mecanismos internos no Grupamento Aéreo que assegurem que a experiência dos pilotos, nos diversos tipos de vôos, seja considerada para a escala das tripulações.

Fonte: CENIPA
 

A Segurança de Voo na Aviação de Segurança Pública e de Defesa Civil

Durante o IV Ciclo de Palestras de Segurança de Voo organizado pelo Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo, Carlos Renato Lima da Silva, Major da PMBA e piloto do GRAer/BA proferiu a palestra “A Segurança de Voo na Aviação de Segurança Pública e de Defesa Civil”. Uma verdadeira palestra de mestre !

A palestra foi transmitida ao vivo pelo site Piloto Policial, e como forma de perpetuar esse conhecimento foi disponibilizada para divulgação pelo palestrante o pelo organizador.

A palestra teve como objetivo difundir a doutrina de segurança de voo aplicada à Operação Aérea de Segurança Pública e de Defesa Civil.

O palestrante discorreu sobre o tema passando pelos seguintes tópicos:

– Investigação de Acidentes Aeronáuticos – Conceitos

– Mudanças Ocorridas com a NSCA 3-13

– Acidentes Aeronáuticos na OP AER SEGP e DEFC

– Conclusão

Clique para baixar a apresentação em PDF e acompanhe pelo vídeo abaixo: A Segurança de Voo na Aviação de Segurança Pública e de Defesa Civil

YouTube player

 

1º Simpósio Regional de Segurança Operacional na Aviação do Centro Oeste Paulista

A prevenção de incidentes e acidentes aeronáuticos estará em pauta no 1º Simpósio Regional de Segurança Operacional na Aviação do Centro Oeste Paulista, realizado pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), no dia 23 de outubro, das 8h30 às 17h. O evento, que comemora o Dia do Aviador, reunirá a comunidade e as principais entidades aeronáuticas do Interior do estado de São Paulo para debater questões de interesse da aviação no auditório da ITE.

O Simpósio tem como objetivo dar amplo conhecimento e difundir preceitos mundiais relacionados à segurança de voo, bem como desenvolver na comunidade aeronáutica uma dedicação primeira na prevenção de incidentes e acidentes aeronáuticos.

Com o intuito de facilitar, divulgar e trocar experiências na área de Segurança Operacional será organizado este evento, onde serão convidados a participarem os profissionais envolvidos com a segurança operacional, alunos (cursos de pilotos, comissários, mecânicos), operadores aéreos, pilotos executivos, proprietários de aeronaves, aeroclubes, escolas de aviação, Daesp, prefeituras, Infraero, companhias aéreas, oficinas de manutenção e interessados no assunto.

A Resolução nº 106 da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) recomenda que os P-PSAC (Pequenos Provedores de Serviços da Aviação Civil) devem incluir no mínimo um evento anual de conscientização em segurança operacional, além de atividades promocionais, de maneira a criar um ambiente no qual os objetivos e metas de segurança operacional da organização possam ser atingidos.

Serviço

As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de outubro pelo site www.cienciasaeronauticas.net. A ITE Bauru fica na Praça 9 de Julho, 1-51, Vila Falcão.

Mais informações: facebook.com/itecienciasaeronauticas, [email protected] ou pelos telefones (14) 2107-5044 e 2107-5057.

Programação
Data: 23 de Outubro de 2013

Fonte: Ciências Aeronáuticas

 

ANAC promove Seminário de Gerenciamento da Segurança Operacional

Estão abertas até o dia 14 de outubro as inscrições para o Seminário de Gerenciamento da Segurança Operacional. Promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o evento será realizado no Rio de Janeiro, no dia 1º de novembro, e tem como objetivos discutir os problemas que afetam a segurança operacional na aviação civil e apresentar recomendações e boas práticas de segurança. Podem participar profissionais envolvidos com a segurança operacional de operadores aéreos, representantes de aeroclubes, escolas de aviação civil e estudantes de todo o Brasil.

A programação conta com palestras ministradas por servidores da ANAC, representantes do CENIPA/ III Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA / SERIPA 3) e da empresa Vale. Os interessados em participar devem encaminhar, até o dia 14/10/2013, nome completo, endereço, telefone, e-mail e instituição ou escola à qual esteja vinculado para o endereço eletrônico [email protected]. Inscrições gratuitas.

O seminário será realizado das 8h30 às 18h, no Auditório da Universidade Estácio de Sá, localizado na Avenida Presidente Vargas, 2560 – Praça Onze – Centro/ Rio de Janeiro.

Veja a seguir a programação completa do evento:

Programação completa do evento.

 

Fonte: ANAC

A Boa Prática de Manutenção

A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) sugeriu por meio de vários documentos que as organizações de
manutenção que pudessem desenvolver um sistema o qual se chamasse “A Boa Prática de Manutenção” a ser seguido pelo de manutenção. Esta prática melhoraria o padrão da manutenção, manteria o padrão de aeronavegabilidade e igualmente conduziria à redução dos acidentes e incidentes aeronáuticos.

100hEm função do avanço tecnológico da indústria aeronáutica, as tarefas de manutenção tornaram-se cada vez mais precisas. Os fabricantes de aeronaves e equipamentos transmitem instruções detalhadas para a manutenção de seus produtos. As autoridades reguladoras elaboram leis e regulamentos que são relacionados geralmente à segurança de passageiros em viagem. Entretanto, há normas de trabalho aceitáveis que não podem ser classificadas como regras e regulamentos.

Essas normas são as boas práticas de manutenção que precisam ser institucionalizadas em cada organização de manutenção, as quais ajudarão o pessoal técnico a realizar seus trabalhos mais detalhados e de uma maneira mais profissional.

Colocam-se aqui as boas práticas de manutenção sob a forma de listas de verificação. Essas listas constituem-se de
perguntas de introspecção pessoal de várias técnicas que devem ser realizadas durante cada tarefa. A aderência incondicional às práticas contribui à segurança de voo e ajudará a conseguir o objetivo de padronizar a execução da tarefa e realçar a importância da manutenção da aeronavegabilidade.

Este artigo técnico de aeronavegabilidade foi elaborado com o interesse de contribuir para a melhoria dos padrões da manutenção, assim como os das pessoas da organização envolvida em atividades de manutenção aeronáutica.

Tendo como foco a possibilidade de elevar o nível do padrão da aeronavegabilidade foram preparadas as seguintes listas de verificação que cobrem vários aspectos das boas práticas de manutenção, as quais estão inseridas neste artigo técnico:

1) Lista de Mínimos Pessoais;
2) Lista do Gerente de Manutenção;
3) Lista de Manutenção de Hangar;
4) Lista de Manutenção de Pista;
5) Lista de Manutenção de Oficinas Especializadas.

É desnecessário dizer que cada indivíduo ao empreender uma tarefa de trabalho na manutenção deve portar a lista de verificação de “Mínimos Pessoais” e deve seguir esta lista de verificação antes do começo do trabalho e após a sua conclusão. Isso igualmente ajudará a realçar a confiança individual, no que diz respeito ao trabalho realizado.

Deve-se ter em mente, ainda, a necessidade de uma lista de verificação na manutenção de maior área específica, isto é, na manutenção de hangar, na manutenção de pista, nas oficinas, etc.

Os representantes da autoridade da Aviação Civil, ao realizar a fiscalização, podem confirmar o cumprimento dos aspectos acima.

Lista de Mínimos Pessoais

Esta é uma das listas de verificação citadas acima e o pessoal da manutenção deve portá-la e segui-la quando da realização de tarefas de manutenção de aeronaves, equipamentos e componentes. Assim, a lista de verificação ajudará definitivamente a pessoa a realizar as atividades de manutenção de maneira apropriada e segura.

O Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos condensou a lista de verificação de “mínimos pessoais” em uma tabela e estimula a utilização em sua empresa ou organização.

Nesses termos, o sugere-se ao mecânico de manutenção aeronáutica que responda 10 perguntas, colocando SIM ou NÃO antes que a tarefa de manutenção seja começada e 10 perguntas colocando SIM ou NÃO depois que a tarefa for terminada. Se o mecânico responder “NÃO” a qualquer uma das 20 perguntas, a aeronave não deve ser retornada ao serviço.

Segue-se abaixo a lista de verificação e o SERIPA I autoriza a sua reprodução no âmbito das empresas e organizações de manutenção. A lista de verificação pode ser dividida em duas partes antes e depois de cada tarefa e deve conter pelo menos as seguintes perguntas:

PARTE I (ANTES DA TAREFA)

Responda SIM ou NÃO

– Eu tenho o conhecimento para executar a tarefa?
– Eu tenho os dados técnicos para executar a tarefa?
– Eu já executei esta tarefa anteriormente?
– Eu tenho as ferramentas e os equipamentos apropriados para executar a tarefa?
– Eu tive o treinamento apropriado para realizar a tarefa deste trabalho?
– Eu estou preparado mentalmente para executar a tarefa deste trabalho?
– Eu estou preparado fisicamente para executar a tarefa deste trabalho?
– Eu tomei as precauções de segurança apropriadas para executar a tarefa?
– Eu tenho os recursos disponíveis para executar a tarefa?
– Eu tenho os procedimentos e normas reguladoras para assegurar a conformidade?

PARTE II (APÓS A TAREFA)

– Eu executei a tarefa com o melhor de minhas habilidades?
– A tarefa foi executada e está igual ao original?
– A tarefa foi executada de acordo com dados apropriados?
– Eu usei todos os métodos, técnicas e práticas aceitáveis à manutenção?
– Eu executei a tarefa deste trabalho sem pressão, estresse ou distração?
– Eu inspecionei novamente meu trabalho ou mandei alguém inspecionar meu trabalho antes de dar o retorno ao serviço?
– Eu fiz os registros apropriados para o trabalho executado?
– Eu executei as verificações operacionais depois que o trabalho foi terminado?
– Eu limpei a área após a conclusão do trabalho?
– Eu estou disposto a assinar em baixo o trabalho que executei?

NOTA: Não memorize. Consulte sempre a “lista de mínimos pessoais” e a página do manual para os corretos valores e procedimentos recomendados. Assegure-se de que a página dos procedimentos do manual esteja atualizada e disponível ao realizar o trabalho.

Caro leitor, agora que você já sabe o que são “mínimos pessoais” na manutenção de aeronaves, desejamos um bom trabalho na elaboração e no uso deste checklist para ajudar a manter a qualidade das tarefas de manutenção. Contribua com o trabalho do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – SIPAER para manter o excelente nível de segurança de voo das aeronaves civis brasileiras.

Fonte: INFORME SERIPA I

IPEV – 6° Simpósio de Segurança de Voo

logo-ipevJá estão abertas as inscrições para o 6° Simpósio de Segurança de Voo (SSV) que irá acontecer nos dias 27 a 29 de Agosto de 2013, em São José dos Campos/SP. Os interessados poderão se inscrever acessando o sítio do evento por meio do endereço eletrônico: www.ipev.cta.br/ssv.

O evento iniciará no dia 27 com a realização do Mini-curso: “Tomada de Decisão em Voo: Habilidade Decisiva para o Piloto Seguro” ministrado pelo Ten Cel Av Alan Elvis de Lima, Comandante do GAC Embraer.

A Cerimônia de Abertura acontecerá no dia 28 e contará com a presença do novo Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o Ten Brig do Ar Gerson Nogueira Machado de Oliveira .

Este ano, o Simpósio contará ainda com a palestra do Astronauta Marcos Pontes que falará sobre “Perspectivas de Missões Espaciais Tripuladas”. Também haverá palestras de representantes de diversas instituições civis e militares, tais como: CENIPA, da ANAC, da PM de São Paulo, entre outros.

O SSV será realizado no auditório do ITA, localizado no Campus do DCTA, na Praça Marechal Eduardo Gomes, 50 – Vila das Acácias.

Mais informações estão disponíveis no sítio do evento, ou por meio do endereço eletrônico: [email protected]

  www.ipev.cta.br/ssv

Comissão Organizadora
6º Simpósio de Segurança de Voo
Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo

Confira aqui os anais do seminário

Anais do 6º Simpósio de Segurança de Voo IPEV

ANAC: Seminário de Gerenciamento da Segurança Operacional

anacEstão abertas até o dia 10 de agosto as inscrições para o Seminário de Gerenciamento da Segurança Operacional. Promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o evento será realizado em Campinas (SP), no dia 22 de agosto, e tem como objetivos discutir os problemas que afetam a segurança operacional na aviação civil e apresentar recomendações e boas práticas de segurança.

Podem participar profissionais envolvidos com a segurança operacional de operadores aéreos, aeroclubes, escolas de aviação, aeródromos e oficinas de manutenção localizados em todo o Brasil.

A programação conta com palestras ministradas por servidores da ANAC, representantes do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA 4), das empresas aéreas Azul e Avianca e do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Policia Militar do Estado de São Paulo.

Para se inscrever, basta encaminhar os nomes dos participantes, endereço, telefone, e-mail e instituição à qual estejam vinculados para o endereço eletrônico [email protected]. Inscrições gratuitas.

O seminário será realizado das 8h às 18h, na UNIAZUL (Universidade da Azul Linhas Aéreas Brasileiras), localizada na Rua Sergio Fernandes Borges Soares nº 1.000, Bloco D, Distrito Industrial, Campinas – SP.

Fonte: ANAC

NOTAer/ES participa de evento de segurança de voo do SERIPA III

Pilotos, Tripulantes Operacionais e Mecânicos de Aviação do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer/ES) participaram nesta quinta-feira (04/7) de palestra sobre Segurança de Voo realizada pelo Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III). O evento foi realizado no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar, onde fica sediado o NOTAer.

NOTAER e SERIPA III

A palestra teve como objetivo principal a elevação da percepção e a ampla disseminação da cultura de segurança de voo nas atividades aéreas de segurança pública e defesa civil, desenvolvidas exclusivamente pelo NOTAer no Espírito Santo.

A equipe de palestrantes do SERIPA III foi composta pelo Tenente Leonardo Neves, Capitão Thyago Reis e pelo o chefe do órgão, o Tenente Coronel Aviador Marcos Pacobahyba.

De acordo com o Oficial de Segurança de Voo no NOTAer, Major Paolo Quintino, a segurança das operações aéreas tem sido um objetivo permanente e um dos princípios basilares na atuação da unidade aérea capixaba. “Não só os pilotos, mas todos os integrantes do NOTAer participam do processo de estão imbuídos da cultura de segurança de voo da unidade,” destacou Quintino.

Fonte: PM/ES

Operação com Carga Externa (Sling Loading) – Estudo de Caso

Transport Safety Board of Canada – Relatório de acidente em data desconhecida, em Sept-íles, Quebec, Canadá, com aeronave Bell 206B, com duas vítimas fatais.

Durante uma breve operação de carga externa, a estrutura feita para carregar o objeto transportado se tornou instável. A caixa pendulou violentamente para frente, atingindo as pás do rotor principal. A carga voltou e os destroços gerados atingiram o rotor de cauda. Com o pêndulo e o “flapeamento” das pás, o rotor principal seccionou o rotor de cauda.

O Bell206B JetRanger caiu cerca de 4 milhas a leste do aeroporto em Sept-îles, Quebec. A Torre de controle viu uma bola de fogo, ouviu a explosão e soou o alarme. Nesse evento, o piloto e o passageiro morreram com o impacto.

O Gancho do helicóptero foi localizado a 70 metros da fuselagem apresentando marcas do impacto, o que indicou a oscilação violenta em todas as direções, particularmente para frente e para direita. O gancho foi encontrado na posição fechado.

A estrutura – caixa utilizada para colocar a carga a ser transportada dentro – foi desenhada especificamente para ser utilizada pelo helicóptero, no entanto, nenhum tripulante foi consultado sobre o assunto. Uma semana antes do acidente, a estrutura foi carregada e enganchada num helicóptero Eurocopter AStar para testes. Foi observado que, até 55 kt, a estrutura oscilava bastante, mas nesse ponto específico, de algum jeito a carga estabilizava. A partir de 55 kt, a caixa se tornava instável, forçando uma redução de velocidade imediata.

Vários voos de testes foram realizados com diferentes cargas internas, mas houve o consenso que a caixa deveria ser remetida de volta para o fabricante para modificações. Após os testes, o piloto do AStar recomendou que a estrutura fosse transportada para o fabricante de caminhão. No entanto, pouco antes do acidente, a tripulação que conduziu os testes saiu para um feriado, sendo substituída pela tripulação envolvida no acidente, que não sabia o histórico
de tudo o que tinha acontecido.

O cabo utilizado para prender a carga ao helicóptero era curta, muito menor que o comprimento da carga, e o ângulo formado entre os quatro cabos que seguravam as quinas da carga formavam um ângulo consideravelmente maior que 45 °, o máximo recomendado. Com o cabo de apenas um metro, a caixa foi suspensa muito próxima ao helicóptero , quando o ideal seria um cabo com tamanho de, pelo menos, o diâmetro do rotor. (Fonte: Vortex 1/94)

Alguns trechos a seguir foram retirados dos relatos de onze acidentes com carga externa ocorridos no Canadá. Esses eventos servem para nos reforçar o porquê de, como em todas as operações com helicóptero, o transporte em carga externa ser cuidadosamente planejado e conduzido.

1. Uma caixa desenhada localmente para transporte em carga externa entrou em colapso em voo, permitindo que o cabo ficasse sem peso e fosse em direção ao rotor de cauda.

2. Um Hughes 500 perdeu o rotor de cauda quando o cabo que segurava a carga externa, uma fita trançada de nylon de 17 ft com um “destorcedor”, entrou em contato com o mesmo. O piloto fazia o transporte da carga com 90 kt.

3. Um cabo de 18 ft trançado de nylon foi substituído por um cabo que estava começando a entrar em colapso. Durante o deslocamento para o carregamento, o cabo sem peso foi em direção ao rotor de cauda e arrancou o rotor de cauda de um Hughes 500.

4. A carga externa foi alijada quando o piloto percebeu que não conseguiria parar o helicóptero em uma aproximação a favor do vento. Infelizmente, antes que o piloto pudesse recuperar a situação, o cabo comprido prendeu em um obstáculo e a aeronave caiu.

5. Um AStar estava transportando em carga externa duas pás de Bell 206 quando as pás “decolaram” e seccionaram o rotor de cauda da aeronave.

6. A carga escorregou de um “pallet” que estava sendo transportado em carga externa e o “pallet” voou em direção ao boom de cauda. Felizmente, o cabo era curto o bastante para manter o “pallet” longe do rotor de cauda.

7. Um helicóptero multi-motor estava na aproximação final com carga externa quando houve a falha de um dos motores. Como existiam pessoas no eixo da aproximação , o piloto escolheu não alijar a carga. O helicóptero caiu.

8. Um bell 206 ficou destruído quando o “bucket” que transportava água atingiu uma linha de alta tensão.

9. O piloto perdeu o controle da aeronave que fazia um transporte de carga externa para o topo de uma fábrica. O piloto não tentou ou conseguiu alijar a carga.

10. Um cabo de carga externa de 20 ft sem peso foi em direção ao rotor de cauda quando a aeronave, um Bell 206, realizou a descida da lateral de uma montanha imprimindo uma razão entre 1500ft e 2000ft/min.

11. Um cabo de 16ft de comprimento entrou em contato com o rotor de cauda de  um MD369. As testemunhas que estavam a 2 NM de distância reportaram que observaram o helicóptero despedaçando em voo e ouviram a explosão.

PRINCÍPIOS DA CARGA EXTERNA

O EQUIPAMENTO

Os pilotos devem sempre saber onde está a carga e o que está acontecendo com ela. Quando utilizando um cabo curto, um espelho que permita mostrar tanto a carga quanto o cabo em que está presa é essencial. Quando operando com um cabo longo (e sem um OE), o método mais seguro seria, com a porta do piloto retirada, olhar diretamente para baixo para enxergar o comportamento da carga.

Todo equipamento utilizado numa operação de carga externa deve estar em boas condições. O alijamento manual e o elétrico devem ser checados e o espelho deve estar ajustado.

É mandatório o uso de um “destorcedor” quando utilizado cabo de aço e material de metal. Uma corda de fibra sintética pode torcer-se no gancho e fazer com que seja impossível liberar a carga.

O tipo de cabo utilizado varia de acordo com as preferências do piloto e com o tipo de carga a ser transportada. Um cabo de fibra de poliéster é facilmente guardado, não rompe por causa de torção e não tem um recolhimento elástico se romper.

Um cabo de aço é o material mais forte disponível e é necessária a utilização desse tipo de cabo quando são utilizados helicópteros e cargas grandes. Entretanto, esse tipo de material é pesado, difícil de ser transportado em helicópteros pequenos e deve ser trocado sempre que forem encontradas marcas de torções no cabo.

Correntes também podem ser utilizadas com helicópteros menores e podem ser armazenadas em espaços menores que o necessário para o armazenamento de cabos. Com cargas cima de 1000 lb, entretanto, as correntes não são o material mais indicado, pois elas podem atritar e romper onde se cruzarem.

Outros aspectos importantes dizem respeito ao gancho e ao comprimento do cabo. O gancho deve possuir uma trava de segurança e o comprimento do cabo não deve ser curto, entretanto, não é interessante tenha um comprimento menor que a distância do cabo até o rotor de cauda. Mesmo com essa preocupação em relação ao comprimento do cabo, é importante que o conjunto do cabo seja pesado o bastante para não levantar em direção ao rotor de cauda.

Para manobrar no pairado, o cabo maior é mais indicado. Dessa maneira, o piloto pode enxergar e acompanhar melhor o comportamento da carga e sua relação com as partes do helicóptero, além de julgar melhor o ângulo da carga em relação ao solo. Também é mais fácil diminuir a oscilação da carga devido à utilização do cabo maior.

NO SOLO

Durante decolagem, enganchamento e sobrevoo, a segurança das pessoas que estão embaixo deve ser seriamente considerada. Essas áreas devem estar livres de detritos e coisas que, por causa do “downwash”, possam voar e atingir as pessoas que ali estejam ou, até mesmo, o próprio helicóptero.

O pessoal de terra deve ser utilizado para orientar e auxiliar os pilotos durante a operação, entretanto, deve ser habilitado para isso. O piloto não deve confiar cegamente nesses indivíduos, pois, em todos os casos, a responsabilidade total da operação recai sobre o comandante da aeronave, ou seja, o piloto.

O pessoal de terra deve ser treinado para preparar a carga, enganchar e fazer a comunicação com a aeronave através de sinais. Todos os procedimentos de segurança devem ser previamente acordados em briefing antes do voo. Devem possuir óculos de proteção, luvas, abafadores e todos os EPI necessários para a operação. O pessoal de terra nunca deve se posicionar sob a carga, tampouco entre a carga ou qualquer estrutura imóvel, evitando ser esmagado caso a carga desloque. Enquanto a carga é retirada do solo, é importante que o pessoal de terra não fique com as mãos onde elas possam ser esmagadas pela carga ou pelos próprios tirantes que a sustentam.

TÉCNICAS DE MANUSEIO E PREPARO DA CARGA

Algumas cargas são difíceis de transportar em carga externa, pois podem pendular ou girar descontroladamente devido ao seu formato. Infelizmente não existe nada que preveja o comportamento da carga. Se a carga apresentar-se instável, o que deve ser feito é colocá-la no chão e tentar montá-la novamente.

Uma vez em voo, o piloto deve estar com os reflexos treinados para alijar a carga caso a mesma oscile e não consiga controlar o movimento. O movimento descontrolado da carga externa pode, na melhor das hipóteses, interferir na pilotagem, e na pior, pode fazer que a mesma atinja o helicóptero ou até mesmo o derrube. O importante, entretanto, é ter certeza que a carga está bem montada e ajustada antes mesmo de deixar a área de enganchamento.

É importante voar na velocidade ideal prevista em manual para aquele tipo de carga e manter os limites de velocidade impostos pelo fabricante, não os excedendo em hipótese nenhuma.

Algumas cargas exigem que o voo seja de extrema precisão para se evitar o pendulamento. Se um pêndulo começar a ocorrer, é importante que haja a concentração para manter a aeronave voando estável, reta e nivelada, podendo ser necessário reduzir a velocidade.

Na aproximação final é importante fazer uma redução de velocidade gradual para que a carga não pendule longitudinalmente, passando indesejavelmente do ponto de abandono. A melhor técnica para isso é a redução gradual da velocidade, sendo necessária a estabilização da carga antes do alijamento na vertical do ponto.

AJUSTES

Durante as operações com carga externa, o piloto normalmente fica preocupado com segurança e eficiência. O ajuste adequado da carga é a chave da operação. Se o preparo da carga for inadequado, pode ser perigoso erguer e voar com a carga.

Inicialmente, para fazer o preparo da carga deve-se saber fazer amarração com nós que possam não se desfazer ou correr, e não se deve fazê-los embaixo da carga, sendo difícil ou até impossível de desatá-los.

CARGAS COM PONTO ÚNICO DE AMARRAÇÃO

Exceto para cargas específicas, a amarração em um único ponto não é a melhor maneira de prender a carga. Dessa maneira é mais fácil permitir que a carga gire, havendo até o risco da corda entrar em colapso e arrebentar. Caso a carga exija um ponto único de amarração, é importantíssimo que haja um “destorcedor” incorporado ao conjunto para evitar o colapso do mesmo.

Cargas com ponto único de amarração

 

A amarração com dois pontos com ângulo entre os cabos inferior a 45° é o método de amarração mais utilizado para a maioria das cargas. A amarração em quatro pontos também pode ser feita para cargas com a forma cúbica.

Amarração com dois pontos

A utilização de barras estabilizadoras também é possível. A barra é utilizada para evitar que o próprio tirante force a carga e danifique a mesma. Geralmente são utilizadas duas barras que distribuem o peso do carregamento.

Utilização de barras estabilizadoras

ESTABILIZANDO A CARGA

Caixas quadradas geralmente não tem um bom comportamento em voo e apresentam tendência de girar. Uma biruta pode ser utilizada para estabilizar o voo deste tipo de carga. Prender a biruta e uma barra horizontal pode melhorar a estabilização.

Estabilizando a carga com a utilização de biruta

Estruturas como toras de madeira e postes também voam muito mal, sendo o problema reduzido quando se adapta um tipo de cauda à carga. Um pedaço de galho com folhas pode funcionar nesse tipo de estabilização.

Estabilizando a carga com a utilização de galhos

REDES DE CARGA

Praticamente tudo pode ser transportado dentro de uma rede. O peso da carga deve estar bem distribuído, da maneira mais simétrica possível. Uma rede com uma lona cobrindo os objetos transportados evita que haja o espalhamento e queda de pequenos objetos. Uma rede feita com cabos de aço deve ser utilizada para o carregamento de materiais pesados ou para itens pontiagudos que podem danificar uma rede de nylon.

CUIDADO COM AERODINÂMICA

Antes de qualquer operação que envolva o transporte de grandes cargas externas, pilotos de helicóptero não familiarizados com a atividade devem avaliar cuidadosamente se o tipo e forma de material a ser transportado pode desenvolver um comportamento “aerodinâmico” indesejável em voo.

– folhas de materiais de construção – placas metálicas e assim por diante;
– tubos e manilhas de cimento ou concreto;
– pequenos barcos;
– automóveis;
– aeronaves danificada;
– piscinas de fibra de vidro;
– entre outros.

Se alguma dessas cargas realmente tiver que ser aerotransportada, deve-se considerar a utilização de algum tipo de biruta ou cauda – conforme citado em um dos tópicos anteriores visando a estabilização da carga.

DECOLAGEM SUAVE

A operação para a retirada da carga do solo exige que isso seja feita de modo muito suave. O piloto fica geralmente impedido de enxergar todo o conjunto do cabo com a carga e não consegue acompanhar a saída do solo. Dessa maneira, uma subida muito rápida, súbita, pode ocasionar um rolamento dinâmico e consequente descontrole do helicóptero. Durante a operação, em qualquer momento que for observado o afrouxamento do cabo (como quando uma cesta é afundada na água, por exemplo) pode ocorrer do cabo ficar preso sobre os esquis da aeronave.


Bibliografia: Whyte, Greg. Fatal Traps for Helicopter Pilots. New Zealand: Reed Publishing, 2003.


Texto traduzido e adaptado do original pela Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos do Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5°/8°GAV). Cap Av Fernando: [email protected] ou 3220-3563. Texto publicado no Boletim Informativo de Segurança Operacional.


 

As cinco atitudes perigosas de um piloto

Estar apto para o voo não é mais do que uma questão de licença, de experiência recente, e de condição física. Mas além disso, as suas posturas influenciam as suas decisões, e portanto a sua própria segurança. As “posturas” aqui em questão são disposições individuais para responder às pessoas, aos acontecimentos e às situações diversas.

Desde os primeiros estudos sobre o comportamento dos pilotos, há mais de trinta anos, os especialistas identificaram cinco tipo de atitudes perigosas. É sobretudo o estudo dos acidentes que permite aos investigadores determinar a periculosidade evidente em alguns comportamentos. Numerosas autoridades aeronáuticas impõem aos pilotos que se tenha consciência dessas cinco atitudes, e elas deveriam ser tema de questões em exames teóricos, desde a primeira habilitação de piloto privado.

Essas cinco atitudes perigosas são:

IMPULSIVIDADE

“Rápido, rápido, rápido.” O piloto impulsivo sente a necessidade de fazer tudo de forma acelerada e sem intervalos. Ele não avalia antes o que ele vai fazer, e faz logo o que vem na cabeça.

INSUBORDINAÇÃO

“Não me diga o que eu tenho que fazer.” O piloto insubordinado acredita que as leis, regras e procedimentos não são úteis, pelo menos para ele. Ele pensa que ninguém pode lhe dizer o que deve fazer.

INVULNERABILIDADE

“Isso não vai acontecer comigo.” Alguns, ainda que digam o contrário, pensam que os acidentes só acontecem com os outros. Os pilotos que pensam assim estão mais sujeitos a assumir riscos, pois, apesar de saberem que acidentes acontecem, eles não se sentem abrangidos pela possibilidade de provocar um.

EXIBICIONISMO

“Eu sei fazer.” Os pilotos ‘machos’ procuram mostrar a sua superioridade sobre os outros; eles têm tendência a assumir riscos para impressionar os outros. Mesmo considerando essa atitude como típica de homens, há também pilotos mulheres que podem ser acometidas por ela.

RESIGNAÇÃO

“OK, tudo bem…”. O piloto resignado não se sente capaz de fazer diferença diante do que acontecer. Ele tem tendência de atribuir os imprevistos ao ‘azar’. Ele deixa os outros agirem por ele, seja para melhorar ou piorar. Às vezes um piloto aceitará cobranças pouco razoáveis apenas para ser “simpático”.

E não é suficiente conhecer as cinco atitudes perigosas; é necessário também procurar permanentemente escapar delas. Portanto é preciso questionar-se sobre seus próprios comportamentos. Um momento chave para isso é quando precisamos tomar uma decisão considerável, tal como cancelar ou não um vôo, assumir ou não uma proa.

Examinemos nossa decisão para ver se ela não está prejudicada por um dos cinco fatores “fazedores de viúvas”. Avaliemos nossa perfomance pessoal por meio de uma análise clara dos nossos próprios conceitos de situações que são perigosas, para que, por meio disso, nos conheçamos melhor. É provável que certas posturas nos sejam mais familiares do que outras, todas podendo afetar o voo de alguma forma, de acordo com as circunstâncias.

Não é possível modificar profundamente nossas características pessoais, mas é perfeitamente viável modificar os comportamentos. Por exemplo, a nossa impulsividade pode ser combatida por meio de um trabalho constante. Para nos aperfeiçoar, devemos constantemente verificar se costumamos adotar posturas perigosas e verificar quando isso acontece, para que, quando acontecer, possamos aplicar o ‘antídoto’. Os descobridores dessas atitudes também definiram um “contrapeso” para cada uma delas. E o objetivo aqui é também conhecer esses simples “antídotos” tão bem quanto as próprias atitudes perigosas.

Aqui estão os “antídotos” para essas atitudes:

IMPULSIVIDADE: “Não tão rápido, vamos avaliar antes.”

INSUBORDINAÇÃO: “Siga as regras, elas são úteis.”

INVULNERABILIDADE: “Isso pode acontecer comigo.”

EXIBICIONISMO: “Dar chance ao azar é loucura.”

RESIGNAÇÃO: “Eu não estou sem alternativa; eu posso melhorar isso.”

Para concluir, se algum jovem piloto eventualmente tiver sido impressionado pela imagem que passam de certos pilotos “invulneráveis”, rebeldes ou excessivamente seguros de si, eu posso garantir, pela experiência que tenho, que as verdadeiras qualidades de um aviador são uma espécie de resumo desses “antídotos”: calma, respeito às regras, consciência dos riscos, humildade, persistência.

Bons voos!

Fonte: IHST, via Aeromagia.

Seu capacete de voo está em ordem?

1

Com a época de incêndios se aproximando nos Estados Unidos e as unidades de aviação se preparando para atuar em missões de combate a incêndio florestal, o Departamento do Interior (DOI) e o Serviço Florestal (USFS) americano emitiu recentemente um boletim informativo lembrando às tripulações de helicóptero de checar se seus capacetes de voo atender às diretrizes atuais vigentes e, mais importante ainda, se ainda oferecem uma proteção adequada.

O boletim alerta que alguns capacetes de voo antigos podem conter componentes ultrapassados e ​​que não oferecem o mesmo nível de segurança dos atualizados, e que alguns fabricantes de capacete de voo desvirtuam o real nível de segurança que seus produtos proporcionam.

O boletim também adverte que os capacetes projetados para uso em aeronaves de asa fixa, “não oferecem proteção adequada aos ocupantes do helicóptero e não são aprovados para uso em helicóptero.”

O boletim cita pesquisa do Exército americano, que mostra que 30% dos impactos graves ocorreram nas laterais do capacete, e resultará em lesões – incluindo fraturas de crânio – resultantes da não-absorção de energia pelos fones de ouvido.

O Boletim cita ainda a necessidade em despender mais tempo e cuidado para cuidar de equipamentos de proteção individual como o capacete de voo.


Clique aqui e veja o boletim informativo original


Fonte: HAI, via Helihub

Relatório final do NTSB: Mensagem de celular seguido de pane seca

O NTSB (National Transportation Safety Board) americano publicou recentemente o relatório final do acidente ocorrido com um helicóptero AS350B2 aeromédico americano, ocorrido em 26 de agosto de 2011 e que teve como vítimas fatais todos os três integrantes da tripulação.

Em resumo, a aeronave veio a colidir com o solo a cerca de 1 milha do aeroporto de destino, por volta das 18h40m local. Após a investigação, constatou-se que a causa principal da queda foi apagamento em voo do motor por falta de combustível.

Acidente aeromedico

Após a investigação, o NTSB elencou entre os fatores contribuintes a fadiga e a distração do piloto com celular, tendo o mesmo enviado e recebido três mensagens respectivamente no seu último voo.

Os problemas de segurança de voo relatados na investigação do NTSB são:

1. Distração pelo uso do celular não relacionado com a operação durante o voo e nas operações em solo.

2. Omissão do centro de despacho da empresa na tomada de decisões da operação.

3. Inadequada orientação de procedimento de entrada em autorotação.

4. Necessidade de treinamento de emergência em simulador de voo para operações aeromédicas.

5. Ausência de gravador de dados do voo.

Por final, entre as recomendações de segurança emitidas pelo NTSB está entre elas a proibição de uso de equipamentos eletrônicos pessoais em atividade não relacionadas ao voo nas fases críticas de preparação do voo, operações críticas em solo e na cabine da aeronave quando em operação.

Como se diz na linguagem atual da internet: #FICA_A_ DICA


Leia aqui o Relatório Final do acidente (em inglês)


Acidente impressionante com EC135 da Guarda Civil espanhola – Assista ao vídeo

Uma aeronave da Guarda Civil da Espanha sofreu um acidente impressionante no cume de uma montanha em Los Galaios, Espanha, em 25/04/2013.

Segundo informações preliminares a aeronave, um helicóptero EC135 P2+ prefixo HU26-18, estava engajada em uma missão de resgate quando tocou as pás na edificação no topo da montanha, vindo a efetuar um pouso brusco à beira do penhasco.

Por sorte, a aeronave permaneceu no local do pouso, sem cair da montanha. Não há relatos de vítimas ou ferimentos na tripulação decorrentes do acidente.

YouTube player

Relatório final de acidente aeronáutico com helicóptero aeromédico da Irlanda

Em 19/06/2012, um helicóptero EC135P2+ do Air Corps irlandês, estava designado para uma missão de remoção aeromédica de um paciente entre dois hospitais, quando em aproximação para  o pouso em um campo gramado para embarcar o paciente veio a colidir o rotor principal com cabos da rede elétrica.

Acidente com helicóptero EC135P2+ do Air Corps irlandês em missão de remoção aeromédica.

Após o impacto com os cabos, a aeronave prosseguiu para pouso, efetuando um pouso brusco no próprio gramado. Nenhum dos tripulantes da aeronave se feriram, mas a aeronave ficou seriamente danificada.

A investigação foi efetuada pelo Air Accident Investigation Unit Ireland (AAIU Ireland), que publicou o relatório final do mesmo em 04/04/2013.

A primeira observação interessante acerca da investigação é o tempo transcorrido entre o acidente e a publicação do relatório final: menos de um ano.

Seria uma estrondosa eficiência da AAIU irlandesa frente aos seus pares no Brasil e no mundo ?

Você se enganou, não é !

Analisando o relatório de investigação, rapidamente conclui-se o porquê de tanta eficiência e rapidez: disponibilidade de dados ! 

O que normalmente no Brasil configura como as principais fontes de informação para se entender a cinemática do acidente se constitui na observação do local do acidente, testemunhos e depoimentos, é substituído por informações precisas de equipamentos de última geração como sistema de monitoramento de posição da aeronave, gravador de dados de voo (Flight Data Recorder – FDR) e gravador de voz da cabine (Cockpit Voice Recorder – CVR).

Dados do sistema de monitoramento de posição da aeronave

Tais equipamentos apesar de já disponíveis no mercado, ainda são oferecidos como opcionais pelos fabricantes, dispensáveis pelos reguladores e vistos como despesa para os operadores.

Recentemente, o FAA publicou uma proposta de estudo para alteração de regras para operadores aeromédicos que caminha para a exigência mandatória exatamente dos equipamentos acima descritos.

Gráfico do gravador de dados de voo (Flight Data Recorder – FDR)

Interessante observar que mesmo que esses equipamentos demonstrem ser uma importante fonte de informação em caso de um acidente aeronáutico, com certeza sua maior importância se dará para subsidiar um banco de dados para a análise preventiva dos padrões de voo das tripulações, de modo a permitir a implementação de um programa de segurança proativa de garantia de qualidade operacional de voo (FOQA – Flight Operational Quality Assurance) similar aos utilizados atualmente pela empresas aéreas comerciais.


Acesse aqui o Relatório Final da investigação (em inglês)


Autor: Alex Mena Barreto / Fotos: Relatório de investigação da AAIU

ALERTA: Controle e uso do combustível

0

Da complexa rede de distribuição de combustível de aviação, um dos pontos mais vulneráveis para a segurança de voo abrange o intervalo entre o reabastecimento e o gerenciamento do consumo durante o voo.

Contaminação, abastecimentos incorretos e descontrole do consumo de combustível são erros que nos impõem estado de constante alerta.Combustível CENIPA

Ninguém gostaria de enfrentar uma pane na decolagem em decorrência de contaminação. Então, o melhor caminho para evitar o problema continua sendo a realização de um pré-voo criterioso e ações preventivas de manutenção de inspeção/limpeza do sistema de combustível. Lembrando que poeira, areia, microorganismos e água são agentes frequentes na contaminação do combustível.

Visão, olfato e tato são os sentidos mais evidentes que usamos para diferenciar gasolina (AVGAS) e querosene de aviação (JET A1), contudo este conhecimento prévio não evita erros no reabastecimento e deve ser somado à supervisão do serviço em andamento.

O piloto necessita não só acompanhar o reabastecimento, como estar atento às inovações técnicas do mercado da aviação. Como exemplo, temos a operação recente no Brasil a aeronave R66 do fabricante Robinson operada com JET A1, diferente dos antecessores R22/R44 operadas com AVGAS.

Combustível CENIPA1

Os acidentes por falta de combustível são frequentes e muitas das vezes relacionados ao mau planejamento da autonomia de voo.

Combustível CENIPA2

Uma alimentação saudável, correta e na quantidade requerida são necessidades básicas para o funcionamento do motor e da manutenção da vida.

Combustível CENIPA3


Combustível CENIPA4Elaboração: Suboficial Gomes / Revisão e aprovação: Ten Cel Raul – SERIPA IV

Fonte: Informativo de Prevenção do SERIPA IV – Edição Nº 02/2013.


Você está pronto para voar em um ambiente de risco?

Em Maio/2010, um helicóptero da polícia de Porto Rico em uma ocorrência de acompanhamento a um veículo foi atingida por disparos vindos do solo. O copiloto veio a falecer e outro tripulante ficou seriamente ferido.

Em Maio/2008, um helicóptero do Los Angeles County Sheriff’s Department foi atingido por dois disparos em uma missão de apoio a buscas a um assaltante. Ninguém se feriu.

Durante o Ano Novo de 1995, o helicóptero da polícia de Riverside foi chamado para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo , e ao chegar ao local identificou uma “festa” onde os indivíduos estavam efetuando disparos a esmo. A aeronave foi atingida pelos disparos, ferindo o copiloto e provocando vazamento de combustível.

Em Janeiro/2005, o helicóptero do Departamento de Polícia de Virgínia estava apoiando uma ocorrência de troca de tiros quando foi atingida quatro vezes tendo de realizar um pouso de emergência devido a vazamento de combustível.

Em outro caso, após apoiar um acompanhamento de um veículo, onde aparentemente o indivíduo estava se entregando, o helicóptero do San Bernardino County Sheriff’s Department foi alvejado pelo indivíduo. O piloto ficou gravemente ferido, a aeronave pousou com a assistência do TFO (Tactical Flight Officer, que não era piloto) e assim que em solo, o piloto veio a ficar inconsciente.

Em Outubro de 2009, a aeronave do GAM para Polícia Militar do Rio de Janeiro em apoio a uma incursão ao Morro do Macaco foi alvejada por vários disparos e começou a pegar fogo em voo. O piloto mesmo ferido tentou efetuar um pouso de emergência, mas a aeronave foi tomada pelas chamas. Dois tripulantes faleceram e outros dois ficaram seriamente feridos por queimaduras e/ou ferimentos de arma de fogo.

E você, está pronto para voar em um ambiente desses ?

ALTITUDE

Como a maioria das operações aéreas de apoio são efetuadas basicamente com o utilização da acuidade visual da tripulação, muito dificilmente a altitude da aeronave estará acima de 1000 pés AGL, mas em alguma necessidade específica (observar algum detalhe ou veículo) essa altitude pode se resumir a menos de 100 pés AGL.

O cálculo de alcance de uma arma de fogo depende de diversas variáveis, que incluem desde o tipo de munição usada, comprimento do cano, tipo de pólvora, peso do projétil e condições atmosféricas, entre outras.

Em uma pesquisa publicada no jornal da Association of Firearms Examiners and Toolmarks Examiners (AFTE) de autoria de Lucien C. Haag, em 1990, bem como o estudo publicado pelo Ballistics Section of South Africa Police de autoria do Capitão D. D. van Niekerk,em 1995, chegou-se aos seguintes dados de alcance de altitude:

Figura 1: Balística Vertical (pesquisa de publicada no jornal da Association os Firearms Examiners and Toolmarks Examiners (AFTE) em 1990, bem como o estudo publicado pelo Ballistics Section of South Africa Police,em 1995)

Diante de tais dados, verifica-se quão vulnerável uma aeronave policial permanece quando em apoio a uma ocorrência policial de ser atingida por disparos de arma de fogo.

ALCANCE

Segundo as pesquisas, o alcance máximo de uma arma de fogo se dá quando disparada em um angulo de 36 graus com o solo.

Apenas como referência, um projétil de 9mm tem um alcance aproximado de 1600 metros, e algumas munições de fuzis chegam a ter uma alcance acima do dobro dessa marca.

Na pesquisa (2), um projétil de fuzil AK-47 disparado em sua angulação ótima (36,26 graus) ao realizar sua trajetória balística atingiu uma altitude de 1.897 pés e atingiu o solo a mais de 1800 metros  de distância.

VELOCIDADE

A critério velocidade de uma aeronave deve sempre ser analisado pelos pilotos tendo em vistas a performance do equipamento através do diagrama de altura versus velocidade (“curva do homem morto”), bem como outros procedimentos de emergência, como falha do motor ou perda de um dos motores, perda do rotor de cauda, perda de hidráulico, entre outras características específicas de sua aeronave.

RAIO DE ÓRBITA

A utilização da trajetória circular em torno de um ponto específico é uma técnica de pilotagem muito utilizada na aviação policial em si, mas para ser efetiva  também se recomenda que a tripulação tenha em mente em diminuir seu tempo e tamanho de exposição ao perigo em solo.

A teoria é simples, uma aeronave a 1.000 pés de distância de uma ameaça é um alvo maior do que outra que esteja percorrendo um raio de 2.000 pés.

A distância ainda tem a influência da altura da aeronave. Por exemplo, a aeronave voando em uma altura de 600 pés AGL em uma trajetória de 1.000 pés de raio de um ponto, estará a uma distância de 1.166 pés do ponto.

Mantendo um raio maior de distância, a aeronave fica com a vantagem de ser uma alvo difícil de ser adquirido por um atirador com uma arma portátil. Só para ter um exemplo, um erro de visada de meio grau para um disparo em uma trajetória balística ascendente de 1.000 metros de altura causa um desvio de cerca de 50 metros do projétil.

COBERTURA e ABRIGO

Cobertura é a técnica de utilizar algum obstáculo que bloqueie os projéteis, enquanto que abrigo é a técnica de utilizar algum obstáculo que apenas esconda o alvo, mas não provê proteção.

A técnica de utilização de abrigo pode proporcional uma significativa vantagem psicológica em um ambiente hostil.  As tripulações devem sempre analisar o local de atuação buscando locais e trajetórias que provejam cobertura e abrigo caso necessário.

Um bom exemplo disso foi relatado pela tripulação da aeronave da LAPD que atuou no famoso roubo a banco de North Hollywood. Quando o suspeito voltava sua atenção e sua arma para a aeronave, o piloto aumentava a velocidade da aeronave, localizava sua posição e direção e então buscava abrigo atrás do prédio do banco e imediatamente reduzia a velocidade da aeronave.

Assim, o suspeito perdia a aeronave de vista e retornava sua atenção para as ruas, liberando a aeronave para efetuar uma novo órbita.

As tripulações devem sempre estar atentas e sempre analisar as características do local do apoio para em caso de necessidade utilizar tal técnica para proteção da tripulação.

PROTEÇÃO BALÍSTICA

Assim como a utilização de coletes de proteção balística por um policial, a proteção balística de uma aeronave policial deve ser considerada apenas como último recurso em um planejamento de operação.

Apenas no caso fortuito de todas as outras técnicas falharem, e os suspeitos consigam mirar e atingir a aeronave é que a proteção balística pode oferecer algum benefício. O grande problema desse benefício é o seu peso.

Os níveis de proteção balísticos a ser instalados em uma aeronave devem ser criteriosamente analisados pois nem  todos provem a proteção solicitada. Algumas proteções balísticas requerem a utilização de placas de cerâmica para uma eficiente proteção e mesmo assim um impacto direto ainda pode causar um trauma considerável devido a alta energia dos projéteis.

Assentos ou proteção de piso oferecem uma proteção balística de ameaças vindo de um ângulo limitado.  Já proteção balística para componentes críticos da aeronave, como motor, tanques de combustível, bombas e atuadores hidráulicas, componentes de transmissão, rotor de cauda, entre outros, são muito difíceis de serem instalados e serem efetivos, além de que outros componentes vitais de um helicóptero são impossíveis de serem protegidos, como as pás do rotor de cauda e do rotor principal.

Aeronaves de categoria leve são particularmente mais vulneráveis à projéteis. Mesmo que a proteção balística ofereça poucas vantagens, deve ser analisada sua utilização quando em operação em locais notadamente conhecidos como de alto risco. Em casos assim, melhor uma pequena vantagem de proteção do que nenhuma.

REGRA DOS 3  “S”

Para finalizar, uma consideração tática que deve ser sempre considerada por uma tripulação em uma missão policial com risco significativo ou desconhecido é a chamada “Regra dos 3 S”.

Mesmo sendo simples e fácil de ser lembrada, essa regra é uma ótima forma de minimizar o risco de sua aeronave seja atingida em uma missão. O que vem a ser a regra dos 3 S ?

Quanto em um ambiente de risco significativo ou desconhecido, estando abaixo de 3.000 AGL e a 3 milhas do suposto local da ameaça considere alterar seu rumo, altitude ou velocidade a cada 3 segundos.

Voando sempre em um perfil de voo sem padrão, a tripulação consegue fazer com que mirar em sua aeronave seja mais difícil, bem como predizer a sua trajetória de voo, tornando-se assim um alvo mais difícil de ser atingido.


Fonte: Air Beat Magazine, edição de Março/2012.

Artigo de Daniel L. Johnson, policial da LAPD aposentado. (tradução e adaptação Piloto Policial a partir do original em inglês)


Julgamento e decisões ao voar

0

Jean Gabriel Charrier
(Aeromagia.net)

Você toma decisões todos os dias. Desde que acorda, você deve decidir como vai se vestir, como vai organizar seu dia, etc. Essas decisões ocorrem naturalmente, sem pressões, porque elas não trazem riscos. No máximo, você se arrisca a passar calor com uma roupa que não escolheu direito, ou então pode perder 5 minutos fazendo um caminho maior na ida para o trabalho.

A questão do risco é que efetivamente faz com que as decisões a serem tomadas na condição de piloto não tenham nada a ver com o que você decide no dia a dia. Não se trata de critérios de conforto ou de eficácia, mas da sua própria segurança, sua integridade física.

Ora, um mau julgamento está na origem da maioria dos acidentes. Eis o que conclui o órgão responsável pela segurança área francesa (BEA): “Os erros de julgamento que conduzem os pilotos à tomar más decisões constituem uma grande parte das CAUSAS dos acidentes. Ajudar o piloto a tomar decisões pertinentes é portanto crucial para a segurança dos voos.”

UM PROCESSO MENTAL

A tomada de decisão por parte de um piloto é um processo mental que consiste em escolher as ações mais adequadas diante de uma situação determinada. Ela compreende 4 etapas, a seguir exemplificadas:

Você planejou fazer um voo de navegação hoje, mas o teto está baixo e a visibilidade medíocre.

1 – Você identifica o problema: É razoável partir nessas condições?

2 – Você analisa as diferentes opções: É manhã de verão, as nuvens baixas podem subir e se transformar em cumulus. Você pode esperar a visibilidade melhorar, ou então fazer um voo visual por contato, seguindo o curso de um rio que passa logo adiante, na região.

3 – Você escolhe uma opção. E decide exatamente pela segunda alternativa, partindo sem esperar mais. Não há senão 5 ou 6 km de visibilidade, você não está muito animado com essas condições, mas, se seguir visualmente o rio você imagina que poderá manter a navegação sob controle.

4 – Você aplica essa opção, verifica as possibilidades, e dá partida ao processo. Após a decolagem, você toma o rumo, e, como previsto, após 3 minutos de voo, você percebe o rio que se aproxima logo adiante. Você faz uma curva para segui-lo, e logo o sol fica bem à sua frente. A visibilidade não é mais a mesma, você enxerga apenas o reflexo do rio, e decide fazer meia-volta. Você tomou uma primeira decisão que se mostrou ruim tendo em vista seu grau de experiência, mas reagiu perfeitamente tomando uma segunda decisão rapidamente: efetuar meia volta para evitar uma situação desconfortável, com riscos inúteis.

O FILTRO DO SEU JULGAMENTO

O “julgamento’ é a conclusão de um raciocínio que você utilizou com fins de decidir algo. Ele é baseado em uma avaliação de fatos. Sua objetividade pode ser falseada por emoções. Quanto mais você for racional na sua análise, menos sua avaliação será influenciada por emoções (ex: stress) ou motivações particulares (ex: pressão exterior). A qualidade do seu julgamento vai depender da sua experiência, das suas capacidades, da sua motivação.

A QUALIDADE DAS SUAS DECISÕES

A qualidade das suas decisões vai depender dos seus recursos no momento, e da maneira com que os administra.

Atenção: uma só causa, em apenas uma categoria de recursos, poderá te conduzir a tomar uma má decisão. Sobre essa questão, o essencial é:

1) Seus recursos pessoais: seu comprometimento durante a preparação do voo, ou durante o próprio voo, é o primeiro ‘filtro’ – são recursos pessoais. A somatória de todos seus recursos que lhe são próprios irão condicionar seu engajamento e portanto a qualidade de suas decisões.

Entre esses recursos “pessoais”, suas intenções decorrem da pressão exterior e de outros fatores aos quais deve-se ficar atento. O stress, se existe, irá degradar suas capacidades. Se você quiser voar a todo custo (intenção) quando as condições não forem ideais (adicionando stress), a qualidade do seu ‘compromisso’ com a qualidade do voo será medíocre.

Intenções (querer agir) + Stress (poder agir) = Compromisso com o voo

Você prometeu a seus amigos de levá-los para voar, eles estão esperando, e as condições climáticas não são lá muito “terríveis”: apenas vento forte de través – embora você não seja muito bom em voar assim. Você decide decolar, sob a pressão do momento, enquanto numa situação normal você ficaria no solo. Uma vez em voo você não está à vontade, e começa a se estressar pensando em como será o pouso – e você tem razão, porque suas capacidades de pilotagem não estão à altura da situação.

2) Suas competências não-técnicas: A gestão dos riscos do ambiente que lhe cerca.

Essas competências são estreitamente ligadas à sua consciência situacional, que por sua vez irá condicionar a qualidade da sua percepção e análise. Um exemplo disso é quando, no volante do seu carro, você diminui a velocidade ao perceber um garoto jogando bola perto da rua.

Comprometimento + Experiência + Análise = Consciência Situacional

Você decide sobrevoar uma grande região montanhosa, e no momento em que decola você não sabe que há um vento de 20 kt na crista das elevações. Assim, seu sobrevoo das montanhas corre o risco de se tornar algo bem “esportivo”, talvez até mesmo perigoso.

Você está fazendo um voo local com seu planador e aproveita para ficar observando uma chuva que se aproxima. Então o vento muda de direção sem que você perceba, e ao final do voo você se aproxima para o pouso com uma dezena de nós a mais de vento de cauda.

É a partir da sua consciência situacional que você irá pesar, julgar e finalmente decidir.

3) Suas competências técnicas: A máquina.

De qualquer forma, uma vez tomada a decisão (ou então na ausência de decisão) o que fará pender a balança é o nível de sua competência técnica, seja no caso de você ser capaz de dominar a situação, seja no caso da situação extrapolar você. Tenha 50 ou 500 horas de voo, todas as decisões deverão ser pesadas em função do nível de suas competências técnicas. Não queira resolver fazendo o que não sabe. Pense nisso antes!

A CAIXA PRETA DO PILOTO

Esses recursos portanto se interligam todos entre si antes de ocasionar uma tomada de decisão que será a origem do seu “julgamento”.

Um encontro de aviões está previsto para um local onde as condições meteorológicas estão ruins. Os aviões devem chegam cada um de direções diferentes. Alguns partem para lá, outros decidem esperar, outros, já em voo, refazem o trajeto, outros chegam ao destino, e outros se colocam em apuros. Qual terá sido o julgamento de cada um?

Durante um campeonato de voo à vela em uma região de morros, as condições de voo não são excelentes e chega um momento em que os competidores devem decidir se continuam um trajeto retilíneo, mas que passa dentro de um vale pouco acolhedor e que não dará opção de retorno, ou se aumentam ou pouco o trajeto e passam por uma região mais “adequada” e menos inóspita. Muitos pilotos, apesar dos riscos, decidirão prosseguir no caminho mais direto.

Consciência situacional + Julgamento = Decisão

Nesses exemplos característicos, numerosas decisões foram tomadas. Algumas foram guiadas pela prudência, outras pela ignorância ou pela falta de experiência, outras ainda pela pressão externa. E às vezes você estará diante de situações onde as decisões não serão tão fortemente evidentes. Então, não esqueça alguns conhecimentos básicos sobre o ser humano, como por exemplo o fato de que temos sempre tendência a subestimar os riscos, e que, sobretudo, você como piloto desportivo voa por lazer, e não por obrigação.

O QUE DEVEMOS MEMORIZAR:

1. Todas suas ações são condicionadas por suas decisões.

2. É frequentemente a combinação de pequenas falhas que desencadeia más decisões.

3. Sua consciência situacional, que melhora com a experiência, é o fator chave de suas decisões.

4. A tomada de decisão de um piloto é um processo mental que consiste em escolher ações mais adequadas em face de uma determinada situação.

5. Tomar uma decisão é um processo de quatro etapas: definição do problema, analisar as opções, escolher uma, verificar sua adequação, e reiniciar o processo: análise do problema, etc…

6. Seu comprometimento pessoal significa suas intenções e suas emoções que influenciarão sobre a qualidade de suas decisões.


Artigo de Jean Gabriel Charrier, coordenador do site mentalpilote.com, que além de ser piloto de planador, de acrobacia e de linha aérea na França, também se graduou em Fatores Humanos na aviação, nos padrões da OACI.

Fonte e Tradução: Aeromagia.net


Gerenciamento do risco, uma ferramenta indispensável para a segurança de voo

I – Introdução

Prevenir acidentes é fundamental em qualquer organização. Na esfera comercial, onde o lucro é o fator relevante para o sucesso, a evasão de capital para a recuperação de aeronaves acidentadas e o pagamento de indenizações podem causar a inviabilidade econômica da empresa.

Contudo, os acidentes não ocorrem por acaso, na verdade, são os resultados da ausência de avaliação e controle dos riscos envolvidos na operação. A arremetida no ar, por exemplo, ao invés de ser vista como uma solução é mais comumente encarada como um problema a ser contornado a qualquer custo. Como todo piloto tem a expectativa do pouso ao atingir o destino, é comum a tripulação tentar pousar, a qualquer custo, quando as condições meteorológicas não permitem uma operação segura.

Vários aspectos estão envolvidos na tomada de decisão: a importância da missão, o orgulho, a vaidade, a pressão da empresa, a cultura organizacional, entre outros. Assim, não é fácil convencer um piloto de que, estando sem uma clara visualização da pista, o mais aconselhável é arremeter do que pousar.

Mais difícil ainda é fazer um piloto aceitar o fato de que uma arremetida pode ser necessária mesmo sob condições visuais excelentes. Para tanto, basta que não se obtenha uma aproximação estabilizada, na qual a aeronave deverá estar corretamente configurada para o pouso e voando de acordo com os parâmetros de voo previstos para aquela fase da operação (potência, velocidade, altura), pois sempre que um pouso é realizado em desacordo com tais parâmetros, o nível de segurança da operação torna-se drasticamente reduzido.

Sabe-se que todo acidente aeronáutico é o resultado de uma sequência de eventos, sendo possível evitar o sinistro por meio do controle dos conhecidos “fatores contribuintes”. Se um acidente tão danoso é perfeitamente evitável, por que então a atividade aérea não ocorre em ambiente de absoluta segurança?

Afinal, conquanto haja deficiências, as empresas e organizações com atividade aéreas não podem simplesmente “parar” suas atividades, sob pena de perecimento. Assim, riscos são assumidos numa base diuturna a fim de permitir o funcionamento dessas instituições.

Todavia, se é verdade que os riscos são partes integrantes de qualquer atividade, também é certo que tais riscos devem ser identificados, avaliados e controlados. É nesse contexto que o Processo de Gerenciamento do Risco surge como uma eficaz ferramenta, colocada à disposição dos dirigentes, administradores e executivos para a prevenção dos acidentes, consistindo na identificação e no controle da sua fonte geradora.

II – Princípios Básicos

Voar é preciso, mesmo que as condições não sejam as ideais. Desse modo, o risco torna-se elemento inerente à atividade aérea e o seu adequado tratamento requer métodos específicos, que considerem a complexa relação Homem-Meio-Máquina. Para tal, certos aspectos são básicos no emprego do processo de gerenciamento do risco.

Inicialmente, é importante saber que a percepção do risco tende a ser diferente entre as pessoas. O profissional da área de prevenção de acidentes, muitas vezes, tende a superestimar o risco associado à determinada ação ou condição perigosa. Faz-se isso porque se visualiza o pior cenário possível. Sabendo disso, tal profissional deve racionalizar sua avaliação do potencial de risco, de sorte a não inviabilizar o andamento da operação.

Por outro lado, também não se deve correr riscos desnecessários, que nada contribuem para o cumprimento da missão. Assumir riscos sem razão é jogar, de forma irresponsável, com vidas e equipamentos de alto valor. Pelo adequado gerenciamento, o risco é reduzido, tornando a relação custo-benefício vantajosa.

O processo deve ser empregado em todas as fases da atividade, desde a concepção até o término da tarefa. As decisões sobre o risco a ser assumido devem ser tomadas no nível apropriado. Quanto maior o risco, maior deverá ser o nível hierárquico a tomar a decisão, onde maturidade e experiência somam-se oportunamente.

O gerenciamento do risco deve ser voltado, primordialmente, para os aspectos incomuns ou complexos da atividade a ser desenvolvida, podendo ser aplicado em diferentes níveis. No nível elementar, parte-se da consideração mental do processo de gerenciamento durante a estimativa dos perigos, decidindo-se com base numa avaliação sumária do nível de risco. Adicionando-se tempo e o uso de tabelas, faz-se uma avaliação mais completa, chegando-se a uma decisão deliberada. Quando a complexidade e a importância da atividade justificarem, e se houver tempo disponível, deve-se lançar mão da técnica de trabalho de grupo, atingindo-se uma análise quantitativa e qualitativa do nível de risco envolvido.

III – Definições

Para melhor compreensão do assunto, faz-se necessário esclarecer o significado e a abrangência dos seguintes termos:

Probabilidade – é a expressão estatística da possibilidade de ocorrência de um evento singularmente considerado. É o caso de uma moeda que, ao cair sobre uma superfície sólida, apresenta 50% de probabilidade de expor “cara” e 50% de expor “coroa”. No tocante ao risco, deve-se saber qual a probabilidade de um acidente vir a acontecer, sendo considerada a exposição a determinado perigo.

Gravidade – é a avaliação de quão negativo será o resultado de um dado evento, caso ocorra, podendo ser medida em termos de mortes, ferimentos, perda de tempo e equipamento, implicações políticas, publicidade adversa, etc.

Exposição – é a convivência com o perigo. Tal parâmetro leva em conta o volume de atividade, considerando fatores como o tempo, a quantidade de equipamento, a repetição de cicios e o número de pessoas envolvidas. A tarefa desenvolvida é a base para a exposição.

Perigo – é toda condição real ou potencial que possa resultar em acidente.

Risco – é a medida da insegurança, que pode ser quantificada através da combinação da probabilidade de ocorrência e dos resultados de um determinado evento, caso ocorra. Quanto mais provável o evento e graves seus possíveis resultados, maior será a risco. Há quatro espécies básicas de risco;

Conhecido – é aquele corretamente identificado e avaliado;

Desconhecido – é aquele que não se sabe existir, ou por não haver sido identificado ou por não ter sido corretamente avaliado;

Desnecessário – é aquele assumido sem razão, como o voo rasante não previsto para a realização da missão;

Necessário – é aquele mantido devido aos benefícios visados. Pode ser adequadamente assumido quando se gerencia o risco.

Gerenciamento do risco – é a identificação e o controle do risco, conforme parâmetros de probabilidade de ocorrência, gravidade dos resultados e exposição ao perigo, que conduzem à sua classificação, variando de muito elevado a inexistente. Para o controle do risco, os parâmetros, definidos pelo operador, são o adiamento, a modificação ou mesmo o cancelamento da atividade.

Em face de situações que exigem decisões imediatas, a aplicação do processo requer apenas a consideração dos riscos envolvidos, permitindo a adoção de medidas para a redução parcial da demanda operacional. Adicionando-se tempo e técnicas especificas, chega-se ao gerenciamento do risco deliberado.

Nesse nível, seguem-se todas as etapas do processo: concepção da missão, identificação dos perigos, avaliação do risco, proposição de ações corretivas, revisão das propostas e implementação das ações. Com maior envolvimento de tempo e pessoal, atinge-se o nível mais profundo de emprego do processo quando se somam às etapas mencionadas às técnicas de trabalho de grupo, maior coordenação entre especialistas, testes da operação em escala reduzida, etc.

IV – Avaliação de Risco

Em realidade, o risco potencial é um subproduto do desenvolvimento das atividades expresso em termos de Probabilidade e Severidade, tomando como referência a pior condição possível. Nem todos os riscos podem ser eliminados, nem todas as medidas imagináveis de mitigação de riscos são economicamente factíveis.

Os riscos e os custos inerentes à aviação requerem um processo racional de decisões. Assim, pode-se adotar um fluxo recomendado para a gestão do risco conforme apresentado abaixo:

gerenciamento

Esse diagrama apresenta uma forma resumida do processo de gerenciamento do risco, que compreende três elementos essenciais:

– identificação de perigos.
– avaliação de riscos.
– mitigação de riscos.

Quanto à avaliação, uma vez confirmada a presença de perigos para a segurança de voo, é necessária algum tipo de análise para avaliar o potencial de prejuízos ou danos.

Tipicamente, esta avaliação do perigo supõe três considerações:

– a probabilidade de que o perigo produza um evento perigoso, ou seja, a probabilidade de consequências prejudiciais em caso de que se permita que as condições inseguras subjacentes persistam;
– a gravidade das possíveis consequências prejudiciais, ou o resultado de um evento perigoso; e
– o índice de exposição aos perigos.

A probabilidade de consequências prejudiciais aumenta com a maior exposição a condições inseguras, por isso a exposição deve considerar-se como outra dimensão de probabilidade. A avaliação de riscos supõe considerar tanto a probabilidade como a gravidade de toda consequência prejudicial; em outras palavras, determina-se o potencial de perdas.

Probabilidade de consequências prejudiciais

Independentemente dos métodos analíticos empregados, deve se avaliar a probabilidade de causar prejuízos ou danos. Essa probabilidade dependerá das respostas a perguntas como:

– Há antecedentes de eventos similares, ou este é um caso isolado?
– Quantos membros do pessoal de operações ou de manutenção seguem, ou devem seguir os procedimentos em questão?
– Durante que percentagem de tempo se usa a equipe ou o procedimento suspeito?

Apoiando-se nestas considerações, pode-se avaliar a probabilidade de que um evento ocorra como na tabela abaixo:

gerenciamento4

Gravidade das consequências do evento

Uma vez determinada à probabilidade do evento, deve-se avaliar a natureza das consequências prejudiciais em caso de que o evento ocorra realmente. As consequências possíveis regem o grau de urgência da medida de segurança operacional requerida.

A instituição deve definir severidade, considerando os efeitos sobre:

– Bens
– Finanças
– Responsabilidade
– Pessoas
– Meio ambiente
– Imagem
– Confiança do público

Apoiando-se nestas considerações, pode-se avaliar a severidade de um evento como na tabela abaixo:

gerenciamento5

Uma matriz de avaliação de riscos, como a que se apresenta abaixo, é um instrumento útil para pôr em ordem de prioridade os perigos que requerem mais atenção.

gerenciamento1

Aceitabilidade dos riscos

A partir da avaliação de riscos, pode-se dar a estes uma ordem de prioridade para a segurança de voo. Isto é crítico quando se devem adotar decisões racionais para atribuir recursos limitados levando em conta os perigos que apresentam os riscos maiores para a organização.

gerenciamento2

• ACEITÁVEL – significa que não é necessário adotar medidas mitigadoras, a menos que se possa reduzir mais o risco com pouco custo ou esforço.

• TOLERÁVEL – significa que as organizações afetadas estão preparadas para suportar o risco. Entretanto, recomenda-se que sejam adotadas ações mitigadoras para reduzir o risco.

• INTOLERÁVEL – significa que as operações nas condições atuais devem cessar até que o risco se reduza pelo menos ao nível tolerável.

gerenciamento3

Mitigação de Riscos

No que diz respeito aos riscos, não existe uma segurança na atividade aérea absoluta. Os riscos têm que ser mantidos no nível mais baixo possível.

Quando se considera que o risco é intolerável ou tolerável, é necessário introduzir ações mitigadoras. Quanto mais elevado o risco, maior será a urgência. O nível de risco pode ser diminuído seja reduzindo a gravidade das possíveis consequências, a probabilidade de que ocorra ou a exposição a esse risco.

V – Conclusão

Qualquer que seja o campo de atividade, o processo de gerenciamento do risco (identificação e controle) surge como a principal ferramenta colocada à disposição para que os administradores possam prevenir acidentes.

O SERIPA I dispõe de instrutores qualificados para ministrarem aulas e palestras referentes ao processo de gerenciamento do risco. Portanto, considerando o enfoque proativo deste Serviço Regional, nos colocamos à disposição da comunidade aeronáutica da região para realizarmos instruções a respeito desse assunto.


Fonte: Informe SERIPA I, Periódico de Prevenção, Edição No 11, Mar/2013.
CONTATOS SERIPA I: Seção de Investigação Seção de Prevenção.
Telefone de contato: (91) 3073-8185 / 9162-0824 / (91) 3073-8184 / (91) 3073-8181.
E-mail: [email protected];
E-mail: [email protected].


Receba notícias por e-mail

Receba por e-mail novidades do

RESGATE AEROMÉDICO

 

Você recerá um e-mail para confirmar sua inscrição.

Não compartilhamos seus dados com terceiros.

OBRIGADO

por se inscrever !

 

Você recerá um e-mail para confirmar sua inscrição.

Logotipo Resgate Aeromédico
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.