Campinas – Com o objetivo de diminuir a mortalidade dos feridos e doentes com necessidade de remoção urgente na cidade de Campinas e em sua região metropolitana, num raio de 20 minutos de voo, cobrindo aproximadamente 50 municípios, a Polícia Militar irá estender a abrangência do seu serviço de resgate aeromédico, através de um convênio estabelecido entre a Secretaria da Segurança Pública e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Resgate aeromédico
Diretrizes e protocolos para o atendimento aeromédico
O Blog Aviação Federal publicou artigo de autoria do Médico OTÁVIO MELO JR, CRM 14.625/DF, sobre diretrizes e protocolos para o atendimento aeromédico realizado pela Divisão de Operações Aéreas da Polícia Rodoviária Federal.
1. CRITÉRIOS GERAIS PARA SELEÇÃO DE TRIPULANTES
1.1. Requisitos
• Capacidade cardiovascular.
• Boas condições físicas.
• Peso / Altura proporcionais.
• Aparelho locomotor normal.
• Capacidade de levantar no mínimo 40 kg.
• Capacidade aeróbica.
• Ausência de patologia da coluna vertebral.
• Acuidade visual 20/20 ou corrigida para 20 / 20 com lentes.
• Acuidade auditiva 15/15 por ouvido ou perda inferior a 10 DB.
• Testes de função pulmonar dentro do padrão de normalidade.
• Resistência a cinetoses.
• Estabilidade psicoemocional.
• Boa dicção e facilidade de expressão permitindo comunicações via rádio ou telefone celular.
• História clínica negativa para epilepsia.
• Motivação profissional.
• Histórico negativo para alcoolismo ou uso de drogas.
1.2. Segurança
Os acidentes em helicópteros aeromédicos são causados principalmente por falhas de piloto, principalmente quando submetido a condições adversas em vôos noturnos ou condições climáticas ruins. A falha mecânica é menos frequente, especialmente nos helicópteros com duas turbinas. A falha humana é, portanto, a maior responsável pelos acidentes aeronáuticos correspondendo a cerca de 80% dos casos.
A melhor seleção e treinamento de pilotos, utilização equipamentos de segurança mais sofisticados, estabelecimento de regras para definição de condições de vôo e aterrisagem, reduziram o número de acidentes. Os critérios para seleção da tripulação de saúde devem ser rígidos, não só nos itens referentes a conhecimento técnico-profissional, mas também em assuntos relativos a aviação.
A utilização de equipamentos de segurança pela tripulação e o treinamento de periódico para o pessoal médico em emergências são importantes para a redução da mortalidade em caso de acidente. A tripulação da aeronave deve dominar os seguintes procedimentos: desligar motores, operar os rádios, aplicar freio rotor e ejetar portas. Todos devem ter cursos de sobrevivência na selva e no mar.
Durante os plantões a equipe deve contar com uma base de operações confortável, para reduzir o cansaço e o stress das tripulações. A ingestão de bebidas alcoólicas deve ser proibida durante os serviços ou na véspera destes assim como turnos exaustivos de trabalho. É também de fundamental importância o bom entrosamento entre as equipes e o sentimento de companheirismo no serviço visando melhor rendimento profissional e minimizando as chances de erros, que podem por em risco toda uma operação.
Realizar freqüentemente inspeções da aeronave por equipes especializadas de manutenção e pelos pilotos para detecção e correção precoce de problemas.
1.3. Qualificação profissional das equipes de saúde
• Preencher as qualificações gerais;
• Experiência profissional nas áreas de medicina intensiva e/ou emergência;
• Experiência profissional em atendimento Pré-Hospitalar em ambulância terrestre;
• Possuir destresa manual e física;
• Nas equipes do CBM domínio das técnicas de salvamento em altura, rapel e noções de salvamento aquático;
• Noções de aeronáutica, e
• Noções básicas de Fisiologia de voo;
2. MISSÕES
• Atendimento pré-hospitalar (APH): apoio a equipes terrestres em acidentes ou atendimento primário;
• Transporte inter-hospitalar (TIH);
• Transporte de recursos materiais ou equipes médicas;
• Transporte de órgãos para transplante;
• Evacuação de vítimas e reconhecimento aéreo do local de grandes acidentes;
• Vacinação de populações em local de difícil acesso, e
• Apoio às equipes de busca e salvamento nos eventos S.A.R.
3. INDICAÇÕES DE CRITÉRIOS OPERACIONAIS
• Tempo de chegada da ambulância terrestre superior a quinze minutos para casos graves;
• Diferença de tempo terrestre aéreo para transporte superior a quinze minutos para casos graves;
• Indisponibilidade de transporte terrestre, e
• Acesso terrestre difícil ou impossível (montanhas, ilhas, etc.).
3.1. Critérios clínicos para EVAM
• Pressão arterial sistólica inferior a 90mm Hg;
• Freqüência respiratória inferior a dez por minuto ou superior a trinta e cinco incursões por minuto;
• Sinais de instabilidade hemodinâmica;
• Quadro clínico grave que se beneficie de intervenção médica precoce (infarto agudo do miocárdio, ataque cerebral e abdome agudo);
• Alteração aguda de nível de consciência, e
• Lesão com risco de perda funcional de extremidade.
3.2. Critérios para EVAM no trauma
• Escala de Trauma inferior a doze;
• Escala de coma de Glasgow inferior a dez;
• Trauma penetrante (crânio, tórax, abdome);
• Fratura de pelve ou fêmur bilateral;
• Queimadura por inalação, e
• Trauma facial e/ou ocular grave.
4. CARACTERÍSTICAS
4.1. Vantagens
• Atuação em locais de difícil acesso;
• Opção de desembarcar a tripulação médica e içar a vítima em situações em que o pouso da aeronave é impossível como em florestas e encostas de morro;
• Redução do tempo de transporte para metade ou um terço do dispendido por ambulâncias terrestres, e
• Agilização no transporte e atendimento definitivo de vítimas em eventos de massa (carnaval, shows, etc) e grandes desastres.
4.2. Desvantagens
• Custo elevado;
• Limitações operacionais em condições noturnas ou climáticas desfavoráveis;
• Autonomia de duas horas e cinquenta minutos de voo ou 250 milhas;
• Vibrações e ruídos na cabine dificultam o exame clínico da vítima, obrigando o uso de monitores (cardioscópio, oximetria e pressão arterial não invasiva), e
• Espaço restrito na cabine limitando a dois a três tripulantes de saúde e um paciente.
4.3. Seleção de locais de pouso
• Sempre que possível pousar em helipontos homologados;
• Em emergências pode ser utilizada área ampla, plana, livre de obstáculos suspensos (fios elétricos e galhos de árvores), com o solo firme e não arenoso;
• As dimensões mínimas variam com o tipo de aeronave, porém uma área com 20×20 m durante o dia geralmente é suficiente;
• Deve ser o mais próximo possível da cena do resgate, mantendo sempre uma distância mínima que impeça que o vento gerado pelo rotor cause problemas (os ventos podem atingir 60 milhas horárias), e
• Manter observadores circunstanciais a distância segura da aeronave.
4.4. Aproximação da aeronave
• Pela frente ou laterais da aeronave sempre após autorização do piloto. As aproximações laterais não devem ultrapassar posteriormente o cone de cauda;
• Nunca se aproximar pela cauda;
• Não se aproximar correndo;
• Nunca se aproximar vindo de um plano elevado;
• Aproximar-se com o tronco levemente inclinado para frente;
• Cuidado com objetos altos, tais como suportes de soro para evitar colisões com o rotor principal. Lembrar que algumas aeronaves possuem o rotor principal baixo o suficiente para serem tocados com a mão (Ex: SK-76), e
• Fixar cobertores e outros objetos, para evitar seu desprendimento com o deslocamento de ar gerado pelo rotor.
5. COMPLICAÇÕES DURANTE O VOO
5.1. Hipoxia de altitude
• Redução da tolerância a hipoxia de altitude;
• ICC;
• Doença pulmonares agudas e crônicas;
• Choque;
• Tabagismo;
• Anemia;
• SEPSE;
• Febre alta;
• Baixo condicionamento físico, e
• IAM.
5.2. Distúrbios causados por redução da pressão atmosférica
• Tubo digestivo: O aumento na altitude provoca expansão do gás contido no interior das vísceras ocas produzindo distensão visceral. Em pacientes com íleo paralítico ou obstrução intestinal mecânica, os sintomas podem se agravar em altitudes. Nesses casos, a cateterização nasogástrica torna-se imperativa;
• Pneumotórax: Em grandes altitudes o ar contido na pleura em pacientes com pneumotórax tende a se expandir agravando a insuficiência respiratória;
• Perda para terceiro espaço: A redução na pressão ambiental facilita a saída de líquido do intra-vascular para o 3º espaço, podendo causar hipovolemia. Os grandes queimadose os pacientes sépticos são particularmente suscetíveis à essa complicação;
• Sistema nervoso central: Pacientes vítimas de trauma crânio-facial, com lesão da dura mater por pequenas fraturas ósseas dos seios da face, ouvido ou crânio podem apresentar aumento da pressão intracraniana devido ao extravazamento de líquor e conseqüente entrada de ar que pode ficar aprisionado por mecanismo valvular do tecido lesado;
• Equipamentos médicos:
– Recipientes de vidro contendo soluções intravenosas podem explodir;
– Remover “cuffs” de esfigmomanômetros após o uso pois podem isquemiar o membro;
– Balonetes de tubos endotraqueais podem isquemiar a traquéia. Nos voos de grande altitude devem conter água ao invés de ar;
– Talas infláveis podem causar isquemia em membros com o aumento na altitude;
– Fluxômetros de oxigênio não são precisos em altitudes maiores que 8 mil pés;
– Cilindros de oxigênio, gás anestésico ou ar comprimido transportados na aeronave tem que possuir válvulas de segurança que permitam escape do gás acima de um limite de presssão para evitar sua explosão em ambientes hipobáricos;
– Respiradores mecânicos pneumáticos podem apresentar alterações em seu funcionamento em altitudes elevadas. Os respiradores eletrônicos são os mais aconselháveis, e
– A expansão do gás no interior de frascos de soluções IV, aumenta o fluxo e torna difícil o controle de infusões de dopamina, nitroprussiato que precisam ser cuidadosamente administradas. O ideal é usar bombas infusoras para infusões críticas.
5.3. Hipotermia
Ocorre queda de dois graus centígrados para cada mil pés de aumento de altitude.
6. CONDUTA
6.1. Antes do embarque
• Informar pacientes colaborativos sobre as características do transporte;
• Avaliar o paciente;
• Avaliar os exames laboratoriais e de imagem, se presentes;
• Monitorizar o paciente com cardioscópio, oxímetro de pulso e monitor não invasivo da tensão arterial;
• Efetuar as imobilizações que forem necessárias;
• Suplementar oxigênio em pacientes pneumopatas, cardiopatas, com distúrbios circulatórios, politraumatizados, queimados e com trauma ocular isolado;
• Sedar e conter pacientes agitados;
• Realizar no solo todos os procedimentos invasivos;
• Obter acesso venoso periférico;
• Drenar tórax de paciente com suspeita de pneumotórax;
• Efetuar cateterismo nasogástrico em pacientes com patologia abdominal, comatosos ou com traumatismo raquimedular;
• Introduzir cateter vesical em pacientes inconscientes, com traumatismo raquimedular ou distúrbios hemodinâmicos.
• Estabilizar politraumatizados com a prancha longa, KED e colar cervical;
• Imobilizar fraturas de membros evitando a utilização de dispositivos infláveis, e
• Evitar contato do paciente com superfícies metálicas no caso de eventual cardiversão
6.2. No interior da aeronave
• Continuar a suplementação de oxigênio e ventilação mecânica;
• Manter imobilização cervical e de lesões músculo-esqueléticas;
• Preparar material para assistência básica a ventilação (bolsa/máscara), aspiração e oxigenoterapia e medicações de urgência para utilização imediata;
• Dispor de aspirador manual portátil em caso de falha do equipamento;
• Infundir medicações críticas através de bomba infusora;
• Proteger os ouvidos do paciente e caso o mesmo esteja lúcido utilizar fone para radio-comunicação;
• Manter o paciente aquecido;
• Fixar o paciente a maca e todos equipamentos;
• Antes da decolagem verificar se o paciente está confortável e seguro, e
• Durante o vôo qualquer alteração dos parâmetros hemodinâmicos deve ser anotada.
Resgate aeromédico em Piracicaba mobiliza o GRPAe/SP
Vítima que perdeu o braço foi resgatada pelo Águia-14, que a levou para o Hospital das Clínicas em São Paulo. Médicos e enfermeiros de Piracicaba e Santa Maria da Serra, junto com policiais militares do Grupo de Resgate e Atendimento de Urgência (Grau), participaram de uma verdadeira maratona na manhã do dia 25Mai10, no trecho entre Santa Maria da Serra e Piracicaba, para resgatar o jovem Breno Miguel Cemolin, 18 anos, morador daquela cidade, que teve um dos braços amputados após prendê-lo numa máquina que pica cana.
Modelos de atendimento às urgências e emergências
1. INTRODUÇÃO
A violência e o trauma acompanham a evolução da humanidade. No último século a evolução industrial, a alta tecnologia, o aumento da velocidade dos meios de transporte e a verdadeira guerra civil dos conglomerados urbanos agravaram a problemática do trauma como doença no meio social (Gawryszewski et al, 2005; Mesquita Filho, 2003).
Na década de 1930, apenas 2% das mortes eram devidas à violência, em 1988 esse percentual subiu para 12,3% e atualmente representa 15% das causas de morte. Um crescimento de aproximadamente 30% na proporção de mortes por causas externas. Nos dados do MS, no ano de 1995, dos 839.877 óbitos, 114.887 foram devidos a causas externas e destes, 32,3% em razão de homicídios (GONÇALVES; RODRIGUES, 2001).
A partir das décadas de 60/70 houve uma alteração nas tabelas de morbi-mortalidade, diminuindo o percentual de mortes decorrentes de patologias infecto-contagiosas e doenças crônicas, iniciando um predomínio de óbitos decorrentes de causas externas (TRAUMAS) e patologias cardiovasculares.
A partir da década de 80 as mortes por causas externas (mortes não naturais) aumentaram, principalmente na faixa economicamente ativa das populações de todas as regiões metropolitanas. Desde 1989 a causa externa constitui a segunda causa de morte entre os brasileiros e a primeira causa na faixa etária dos cinco aos 39 anos (Souza, Minayo, 1994; Deslandes, Silva, 2000; Mesquita Filho, 2003). As causas externas tornaram-se um ônus significativo para as populações de todo o mundo. A diminuição da morbi-mortalidade é um dos principais desafios da Saúde Pública (Brasil, 2001).
No Brasil, a causa externa é um importante fator de utilização dos serviços de emergência e ocupação dos leitos hospitalares, no ano 2000 na rede SUS representaram 7,7% de ocupação dos leitos pelo país e 9,8% no Estado de São Paulo, ocorrendo um predomínio de quedas seguido por acidentes de transporte (Mello Jorge, Koizumi, 2004).
A mortalidade devido às causas externas na Região Metropolitana de São Paulo em 2004 foi de 14.511 óbitos, sendo que 49% das causas foram os homicídios e 18% acidentes de transporte. (Brasil, 2007a). Em 2003 foram registradas cerca de 8430 internações hospitalares no Sistema Público de Saúde no Município de São Paulo com as vítimas de acidente de transporte, gerando um custo aproximado de R$ 8 bilhões (São Paulo, 2004). No ano de 2006 ocorreram 57.718 internações devido a causas externas na rede SUS no Município de São Paulo (Brasil, 2007a).
No Brasil ocorrem aproximadamente 130 mil mortes por ano decorrentes de causas externas e cerca de quatro a cada dez leitos hospitalares são ocupados por vítimas de trauma (Organização Mundial de Saúde, 2002), para cada óbito em acidentes de trânsito existem cerca de quatro vitimas com seqüelas graves e 15 feridos (Brasil, 2007b).
Segundo o Dr. R. Adams Cowley, médico americano criador da famosa Unidade de Choque-Trauma denominada Shock Trauma Unit, em Baltimore-Mariland, “a sobrevivência de uma vítima de politraumatismo, está diretamente relacionada com a rapidez do tratamento cirúrgico definitivo. A principal causa de morte em conseqüência dos acidentes está diretamente relacionada com o estado de choque presente nas vítimas, que provoca a redução e até ausência da circulação no organismo, implicando fatalmente na perda da vida. Se o paciente, com lesões graves, adentrar na sala de cirurgia até uma hora após a ocorrência do acidente, a possibilidade de vir a falecer gira em torno de 15%, aumentando em dobro a cada hora perdida, para o início das medidas cirúrgicas emergenciais”.
Essa teoria foi mais tarde confirmada por Trunkey, médico pesquisador americano, que descreveu a distribuição tri-modal das mortalidades no trauma e demonstrou a diminuição de 30% da mortalidade com um atendimento rápido no local das emergências, realizado por equipes treinadas e o tratamento definitivo das vítimas em hospitais apropriados dentro da primeira hora após o acidente (Trunkey, 1983).
Segundo estudo realizado em Londrina com vítimas de acidente automobilístico ficou claro que quase a metade das mortes ocorreu na primeira hora, o que corrobora a teoria da “Golden Hour” ou “hora de ouro”, preconizada pelo PHTLS (“Prehospital Trauma Life Suport”).
Trabalhar dentro desse quadro da Golden Hour requer educação do povo, intervenção imediata do socorrista, padronização no atendimento tanto na fase pré-hospitalar como dentro das salas de emergências dos hospitais (Brasil, 2001, 2002a; Cowley, 2004).
A evolução no tratamento do acidentado mudou nos últimos anos com algumas descobertas como: assepsia e anti-sepsia, equipamentos de anestesia, antibioticoterapia, reposição volêmica, diagnóstico por imagem, suportes ventilatório e parenteral, padronização da reanimação, desfibriladores, conhecimento da imunologia no trauma, rapidez para atendimento no local do acidente com transporte adequado e rápido para o hospital.
A estabilização dos sinais vitais com vias aéreas permeáveis, ventilação adequada, oxigenioterapia, controle de hemorragias, reposição volêmica, imobilização e transporte adequado ao hospital são fatores primordiais na recuperação dos acidentados (Ehrenwerth et al, 1986; Baker, 1987).
Diante de tal realidade em relação à morbi-mortalidade por causas externas, provocados principalmente por acidentes de transporte e quedas, a necessidade de atendimento rápido e adequado no pré-hospitalar foi imperativa (Alves Junior, 1995).
2. DEFINIÇÕES RELEVANTES
2.1 Definições de urgência e emergência
Estas definições são controversas em alguns casos, e muitas vezes se confundem, mas segundo os vários autores temos os conceitos abaixo.
Emergências médicas são os problemas de saúde que necessitam de cuidados especializados e imediatos para evitar a morte ou complicações graves do indivíduo (FERNANDES, R.J. 2004).
Urgências médicas são as situações que afetam ou colocam em perigo a saúde de uma ou de mais pessoas (RODRIGUEZ, 2000; MORALES apud TACSI, 2003, p. 34).
O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, CFM em 1995, através da Resolução 1.451/95, definiu a urgência como sendo uma ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata, diferenciando da emergência em que conceituou como a constatação médica de condições de agravo à saúde que implicam em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato (FERNANDES, R.J. 2004).
As urgências médicas podem ser conceituadas, de acordo com Martinez e Nitschke (2001), como um evento caracterizado como vital pelos indivíduos e/ou pela sociedade, e que apresenta uma gravidade considerada ameaçadora à integridade física ou psicológica da pessoa. As emergências são passíveis de tratamento, desde que reconhecidas e rapidamente instaladas as medidas terapêuticas.
O grau de urgência, segundo Martinez e Nitschke (2001), é uma combinação de vários fatores e muito complexa, onde não se trata apenas do conhecimento médico ou de patologias. A qualificação do grau de urgência está associada a dois grupos de fatores, sendo um deles médico e técnico e o outro social. O fator médico é analisado a partir da conjunção da gravidade e do tratamento, uma vez que uma urgência tem habitualmente diferentes níveis de gravidade, e subentende que os cuidados sejam prioritários a graus de complexidade diferentes. A gravidade e os cuidados são ponderados pelo tempo, pois quanto menor o tempo maior a urgência. Assim, a urgência médica é prioritária em relação a certos pacientes, porque sua patologia evolui muito rapidamente para estados graves, sendo esta uma das razões que delimitam a organização dos cuidados de urgência. Outro aspecto a considerar é a definição sociológica de urgência, quando trata da noção de prioridade ou de conflito de status social de uma urgência em relação à outra (FERNANDES, R.J. 2004).
Outros autores relatam que o principal objetivo dos serviços de emergência é diminuir a morbi-mortalidade e as seqüelas incapacitantes, para tanto é preciso garantir os elementos necessários para um sistema de atenção de emergência relacionado a recursos humanos, infra-estrutura, equipamentos e materiais, de modo a assegurar uma assistência integral, com qualidade aceitável e contínua (MORALES; GARCIA-CASTRILLO; DEL BUSTO apud TACSI, 2003, p.36).
2.2 Emergências Traumáticas
Segundo publicações da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS), de 12 de maio de 2003, verifica-se uma triste realidade ao mostrar que os traumas matam mais de cinco milhões de pessoas por ano, na proporção de uma para cada 10 mortes no geral. Dez milhões de pessoas visitam os departamentos de emergência anualmente em decorrência de agravos de natureza traumática, desencadeados por diversos fatores intencionais como as guerras, suicídios, homicídios, e de fatores involuntários como colisões em rodovias, afogamentos, quedas, afetando pessoas de todas as idades e grupos econômicos.
Em termos econômicos, os custos associados com cirurgias, hospitalizações prolongadas, e longo tempo de reabilitação aliado aos custos da perda de produtividade, representam bilhões de dólares a cada ano (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2003).
Para o MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS), os acidentes e a violência representam um conjunto de agravos à saúde, que podem ou não levar a óbito, sendo resultante de causas acidentais e/ou intencionais. Esse conjunto de eventos consta na Classificação Internacional de Doenças, CID (OMS, 1985 e OMS, 1995) – sob a denominação de Causas Externas que incluem todos os tipos de lesões e envenenamentos, como ferimentos, fraturas, queimaduras, intoxicações, afogamento, entre outros (BRASIL, 2001a).
A este respeito Santos e Santos Jr. (2001) afirmam que o trauma tem um perfil sócioeconômico bem delineado provocando no Brasil, em 1999, 130.000 mortes e um número três vezes maior de invalidez permanente. Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o trauma gerou, em 1977, um gasto global de R$ 84 bilhões. Em 1998 o CRM, aponta que os custos da violência no continente em 1997 representaram R$ 168 bilhões por ano e em alguns países representam até 14% do produto interno bruto (PIB) (FERNANDES, R.J. 2004).
Este cenário é confirmado por Oliveira; Parolin e Teixeira Jr. (2002) que consideram o trauma como a terceira causa de mortalidade, depois das doenças cardiovasculares e do câncer. Entretanto, estatísticas mais recentes apontam as lesões externas ocupando o segundo lugar no ranking das causas de morte em alguns centros. Como Neto e Gomes (2001), consideram o trauma como uma pandemia contemporânea, como a doença mais significativa em perda de anos de vida produtivos.
Segundo Queiroz (2001), a incidência de trauma no Brasil aumenta a cada dia, mês e ano. No Brasil, o trânsito mata oito vezes mais do que nos Estados Unidos da América (EUA), cinco vezes mais do que no Japão e na Inglaterra, três vezes mais do que na França e Alemanha. Isto demonstra não estar somente associado aos fatores correspondentes ao crescimento da população e ao crescimento do número de veículos, e sim, em grande parte, associado à exposição ao risco. Por sua vez, deixa clara a ligação ao comportamento das pessoas frente a uma situação, ao grau de prudência, à maneira de agir e à maneira de sentir, as quais refletem na forma de conduzir os veículos.
O Brasil apresenta o maior índice de mortes em todo o mundo, com 25,9 vítimas anuais para cada grupo de 10.000 veículos. De 1963 a 1972 – a população cresceu 29%, a frota de veículos cresceu 153%, o índice de acidentes 381% e o número de vítimas fatais 212% (QUEIROZ, 2001).
No Brasil, o trauma é a primeira causa de morte quando consideramos a faixa etária de 1 a 40 anos, sendo predominante dos 20 aos 29 anos de idade, e em vítimas do sexo masculino (OLIVEIRA; PAROLIN; TEIXEIRA JR., 2002).
No Estado de São Paulo os dados são mais alarmantes ainda. No ano de 1997, as doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por 30,8% dos óbitos, as neoplasias por 14%, e as causas externas, como a terceira causa de óbito, com 13,9%. Foram seguidas pelas doenças do aparelho respiratório com 10,7% e 5,6% por doenças infecciosas e parasitárias. Considerando a população do sexo masculino, as causas externas ocupam o segundo lugar entre todas as causas de mortalidade com 19,6%. Quando a análise leva em consideração a faixa etária compreendida entre 1 a 49 anos, o número de óbitos decorrentes de causas externas ocupa o primeiro lugar em relação às demais causas no estado de São Paulo (CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA et al., 1998).
2.3 Emergências Clínicas
Bem como as patologias traumáticas, os agravos clínicos merecem ser estudados do ponto de vista das urgências, pois estão entre as primeiras causas de morbi-mortalidade no mundo e no Brasil, com destaque para as doenças cardiovasculares.
Segundo a OMS, o avanço dos agravos clínicos, é motivo de preocupação, pois tem sido demonstrado um crescimento contínuo da incidência de doenças cardiovasculares, com uma estimativa de 17 milhões de óbitos a cada ano, destacando-se as isquemias cardíacas e cerebrais (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2004b).
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das doenças mais comuns nos serviços de emergência, corresponde a terceira causa de mortalidade nos EUA, e é responsável por um custo médio de 19 bilhões de dólares/ano, considerando a perda de produtividade e despesas médicas secundárias à sua morbidade. Aproximadamente 500 mil pessoas apresentam um AVC novo ou recorrente a cada ano, dessas 150 mil morrem (OLIVEIRA; ANDRADE, 2001; BRAGA et al., 2003).
Estudos em diversos países têm demonstrado as vantagens do uso do desfibrilador externo automático ou semi-automático, associados a manobras de suporte básico, na sobrevida dos pacientes vítimas de parada cardio-respiratória (PCR) em ambiente extra-hospitalar (CASACCIA et al., 1995; TIMERMAN et al., 1998).
Nos EUA, em 1984, e na Alemanha, em 1997, foi comprovado que cuidados de ressuscitação cardiopulmonar pré-hospitalar, combinados à instalação de medidas que garantam a permeabilidade das vias aéreas, como a intubação endotraqueal e transporte rápido para centros de estabilização clínica, podem representar medidas eficientes na ressuscitação das vítimas de agravos clínicos e traumáticos podendo representar o limite entre a vida e a morte (COPASS et al., 1984; REGEL et al.,1997).
Na Espanha, estudiosos tecem considerações sobre a importância da assistência pré-hospitalar realizada por unidades móveis de emergência, a pacientes com síndromes coronarianas agudas, que requerem atendimento por equipe treinada, com intervenções medicamentosas e realização de eletrocardiograma (AGUAVIVA et al., 2000; AGUAYO et al., 2001).
No Brasil, os agravos clínicos são responsáveis pela primeira e segunda causa de óbito. Segundo o DATASUS, das causas de mortalidade cardiovascular em 1996, 23% corresponderam a infarto agudo do miocárdio (IAM), 25% foram decorrentes de acidente vascular cerebral, 9% a hipertensão arterial e os 43% restantes foram relacionados a outras lesões (FERREIRA, 1999; RIBEIRÃO PRETO, s.d.).
Em 1997, as doenças do aparelho circulatório em indivíduos com mais de 40 anos, foram responsáveis pela maioria das causas de internação. As neoplasias constituíram a segunda causa de internação dos 40 aos 69 anos (FERREIRA, 1999).
No estado de São Paulo, a distribuição da mortalidade em 2000, segue o padrão internacional, sendo as doenças do aparelho circulatório responsável por 33,3%dos óbitos, as neoplasias por 17%, as causas externas por 15%, as afecções do aparelho respiratório por 9%, as patologias do aparelho digestivo por 5,7%, as doenças infecto parasitárias por 4,9%, e as demais causas corresponderam a 10,4% (AZEVEDO, 2002).
Na visão do MS, o desenvolvimento da tecnologia, o avanço da ciência, as medidas de prevenção às doenças cardiovasculares, às neoplasias e as causas externas, ainda não foram suficientes para modificar o perfil epidemiológico dessas doenças, estimulando novas estratégias de planejamento das ações de saúde (BRASIL, 2001a).
3. SISTEMAS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) é um tipo de atenção à saúde recente no Brasil e deve fazer parte integrante dos sistemas de assistência às urgências e emergências. No Brasil o modelo adotado sofreu influência de dois modelos com conceituações distintas, o americano e o francês.
3.1 Modelo Americano
O desenvolvimento do Sistema de Emergências Médicas (EMS), nos EUA, se fortaleceu em 1966, após a publicação de uma pesquisa intitulada “Morte e Deficiência por acidentes: Uma doença negligenciada pela sociedade moderna”, alertando para a inadequação do atendimento pré-hospitalar naquele país. Mostrou índices estatísticos da qualidade de vida dos sobreviventes e a recuperação das vítimas de acidentes envolvendo traumas e choques, quando atendidas de forma adequada. A partir desta publicação, o governo americano determinou que as entidades governamentais de Segurança Rodoviária desenvolvessem um sistema de atendimento em emergências que fosse realmente eficiente, caso contrário o governo reduziria um percentual dos fundos para manutenção das rodovias federais (FERREIRA, 1999).
Em 1968, foi criado o número telefônico único 911, centralizando todos os chamados de emergência. As emergências médicas são direcionadas para o profissional da área, que avaliará a ocorrência e enviará a equipe mais adequada, de acordo com os recursos, organização e protocolos pré-estabelecidos pelos médicos responsáveis, em cada região (FERREIRA, 1999).
Segundo Azevedo (2002), a Academia Nacional de Ciências dos EUA realizou, nos anos 70, um estudo comparativo entre vítimas da guerra do Vietnã e vítimas de trauma nas grandes cidades americanas. Encontrou maior sobrevida dos soldados, justificado por um atendimento imediato após a lesão, enquanto que as vítimas civis eram apenas transportadas aos hospitais, sem qualquer atendimento inicial. Este estudo evidenciou a importância do atendimento no local do evento, com intervenções básicas para a manutenção da vida, e impulsionou a implementação de sistemas organizados de emergência nas grandes cidades americanas.
Em 1982, o Departamento de Transporte Americano apresentou os resultados de um estudo realizado entre 1966 e 1981, sobre a diminuição dos índices de mortalidade pré-hospitalar de vítimas de acidente de trânsito, no qual foi constatada uma relação entre a queda da mortalidade e a implantação do serviço de APH – EMS (AZEVEDO, 2002).
O APH americano é realizado por profissionais não médicos, que atendem às vítimas de trauma e às emergências clínicas, particularmente a parada cardíaca. Atualmente, naquele país, existem dois sistemas que se complementam: o “Emergency Medical Systems” inspirado no modelo de Belfast, em que o controle médico se efetiva na elaboração e supervisão dos protocolos de atuação, e eventualmente nas ações pré-hospitalares de maior gravidade, quando as equipes de emergência têm necessidade de distanciar-se dos protocolos, e o “Trauma Systems” (MOORE et al. apud FERREIRA, 1999, p.37).
A assistência às emergências, nos EUA, é exercida por quatro categorias de profissionais distintas, com grandes variações regionais, que são:
– socorrista ou “first-responder”, representados pelos bombeiros, policiais ou mesmo cidadãos comuns, treinados nas técnicas de reanimação cardio-respiratória básica;
– técnico médico de emergência de ambulância ou técnico de emergência básica;
– técnico médico de emergência intermediário;
– técnico médico de emergência paramédico.
Suas ações variam de acordo com a capacidade e o grau de conhecimento dos profissionais, os quais são autorizados a realizar diferentes atividades e procedimentos, conforme a categoria a que pertencem e a protocolos previamente estabelecidos. A integração desses diferentes níveis de assistência depende da organização e dos recursos locais de cada região. Nas áreas rurais, os serviços dispõem somente de técnicos que realizam o suporte básico. Nas áreas urbanas, além do suporte básico, dispõem do suporte avançado realizados por paramédicos. (GOMEZ; NEIRA, 1996; STOUT; GABRAM et al.; KUHEL apud FERREIRA, 1999).
Gomez e Neira (1996) relatam que, assim como nos EUA, em outros países europeus a sobrevida dos traumatizados em acidentes de trânsito tem sido elevada em decorrência das ações das equipes de paramédicos que, em conjunto com bombeiros capacitados e legalmente autorizados, realizam manobras avançadas de reanimação, como a intubação traqueal. A Alemanha é um dos países onde melhor funciona o sistema protocolar de atenção regional a traumatizados. Prima pela instalação e distribuição estratégica de centros especializados próximo às principais autopistas, possibilitando rápido transporte pré-hospitalar, com demora máxima de 30 minutos para chegar a um centro de referência.
3.2 Modelo Francês
O sistema francês, também chamado de Sistema de Ajuda Médica de Urgência (SAMU), se iniciou nos anos 60, com um enfoque voltado para os recursos hospitalares e inter-hospitalares, pois naquela época, os médicos começaram a constatar a desproporção entre os meios modernos, colocados à disposição de feridos no hospital, e os meios arcaicos utilizados na fase pré e inter-hospitalares. Foi proposto, então, que a equipe médica se deslocasse ao local da ocorrência para iniciar a assistência o mais rápido possível (FONTANELLA; CARLI; LARENG, 1992).
O sistema francês tem características específicas, por ser financiado pela seguridade social, com contribuição obrigatória de todo cidadão. O setor público é composto por hospitais de diferentes graus de complexidade, e a assistência ambulatorial é, em sua grande parte, oferecida pelo setor privado, por meio dos médicos generalistas, instalados em seus próprios consultórios, ou por associações médicas, que prestam assistência diretamente no domicílio dos pacientes. Quando há necessidade de transporte rápido para o hospital, acionam, de acordo com a gravidade do caso, uma ambulância privada ou uma Unidade Móvel Hospitalar (UMH) (FERREIRA, 1999).
Na França, todas as solicitações de ajuda médica são direcionadas para o Centro de Controle de Operações (Centro 15), com um número específico para emergências em saúde, na qual o solicitante sempre recebe uma resposta médica. O sistema se originou com o objetivo de prestar assistência rápida aos acidentados do trânsito, aprimorando-se ao longo dos anos para imprimir mais rapidez no início do tratamento. Aos poucos, este serviço se constituiu em uma forma de articular a rede pública hospitalar como um todo, racionalizando o acesso aos serviços de urgência (FONTANELLA; CARLI; LARENG, 1992).
Este sistema é baseado em seis princípios, a saber: o auxílio médico urgente é uma atividade sanitária; as intervenções no local devem ser rápidas, eficazes e com meios adaptados; a abordagem de cada caso deve ser simultaneamente médica, operacional e humana, as atribuições são definidas por profissionais e a coordenação da equipe deve ser estabelecida de forma clara; a qualidade dos resultados depende, em grande parte, do nível de competência dos profissionais e finalmente a ação preventiva deve ser um complemento da ação de urgência (REZENDE, s.d.).
Em 1992, o Sistema de Atendimento Médico de Urgência na França, com seus 96 centros de recepção de chamados, realizaram 2.000.000 transações, sendo distribuídas da seguinte forma: 20% foram supridas com informações/conselhos; 28% requereram o envio de um médico generalista de plantão, 24% necessitaram do envio de uma ambulância simples e 28% exigiram o envio de uma UMH. Destaca-se que as enfermeiras são profissionais com experiência, muitas delas especialistas (auxiliares de anestesia e reanimação). Todos os profissionais recebem uma formação complementar para atuarem em uma UMH (MARTINEZ; MORANO, 1995; REZENDE, s.d.).
O modelo francês é centralizado numa rede de comunicações e baseado na regulação e no atendimento médico às urgências. Todas as chamadas são analisadas por médico, que define a resposta mais eficiente, maximizando os recursos médicos disponíveis. Esta experiência vem sendo validada há anos, mostrando ser um importante instrumento para as ações em saúde, uma vez que permite o conhecimento das necessidades reais do paciente, e dos recursos disponíveis à prestação da assistência, dentre outras informações, possibilitando o gerenciamento da demanda. Em função destas características, o sistema francês tem servido de modelo para a construção dos serviços brasileiros.
3.3 Modelo Brasileiro
No Brasil, existem diferentes modelos de atendimento às emergências, estruturados conforme o perfil quantitativo e qualitativo da população assistida. Todos os sistemas são integrados dentro de uma mesma lógica, contemplando medidas preventivas, redes de atendimento pré-hospitalar, serviços assistenciais hospitalares hierarquizados e centros de reabilitação (MARTINI, 2001).
Gonçalves e Rodrigues (2001) enfatizam que estas etapas do atendimento, devem se integrar de modo efetivo, a fim de reafirmar o conceito de sistema de atendimento. Oliveira; Parolin e Teixeira Jr. (2002), acrescentam que além das etapas citadas, devem ser considerados o planejamento de atendimento a catástrofe e grandes desastres.
No Brasil o Sistema de Atenção Integral à Saúde é composto por vários níveis de assistência procurando contemplar ações dos níveis mais simples aos mais complexos, respectivamente, primário, secundário e terciário. Historicamente, prevaleceram modelos de atenção às urgências, centrados na assistência curativa, que é essencialmente realizada em prontos socorros e hospitais.
No Estado de São Paulo, a partir de 1988, foi criado o Projeto Resgate, que foi implantado através de um acordo operacional entre as Secretarias de Segurança Pública e da Saúde, através da resolução SS/SSP 42 de 22/05/89. Tal projeto teve operacionalização plena a partir de 1990 onde além das 36 Unidades de Resgate (UR), 2 Unidades de suporte Avançado (USA) e 1 helicóptero começaram a realizar os resgates dos acidentados em vias públicas e passou-se também a regionalizar e hierarquizar a rede hospitalar de destino para os pacientes atendidos.
4. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Paralelamente ou, até mesmo, em decorrência desses eventos científicos de abrangência política, medidas foram sendo criadas para permitir uma uniformidade técnica e legal, respaldando as ações adotadas em urgência e emergência (FERNANDES, R.J. 2004).
Em 1990, o MS criou o Programa de Enfrentamento às Urgências e Trauma tendo como objetivo reduzir a incidência e a morbi-mortalidade por agravos externos (TACSI, 2003).
A Portaria do Centro de Vigilância Sanitária CVS-9, de 16 de março de 1994, foi a primeira a estabelecer os diversos níveis de transporte e atendimento de acordo com a gravidade do caso, e critérios para a padronização das viaturas (BRASIL, 1994).
Logo após, o CFM (1995), considerando a necessidade de organização dos sistemas de atendimento hospitalar e a existência de serviços pré-hospitalares de urgência/emergência, aprova a Resolução n.º 1.451 de 10 de março de 1995.
Considerando as dificuldades do atendimento hospitalar, o MS publica em 9 de junho de 1998, a Portaria MS/GM n.º 2.329, instituindo o Programa de Apoio à Implantação dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar para Atendimento de Urgência e Emergência (BRASIL, 2001a).
O MS através das Portarias n.º 3.564 e 3.566 de 02 de setembro de 1998 instituem o Comitê Técnico Científico de Assessoramento ao Grupo Técnico para Acidentes e Violência subordinando as atribuições da área técnica à Secretaria de Política de Saúde (BRASIL, 1998a, b).
Nessa perspectiva, em 4 de setembro de 1998, o CFM aprova a Resolução n.º 1.529, que normatiza a atividade médica na área de emergência na sua fase pré-hospitalar, definindo ainda a chamada Regulação Médica das Emergências como o elemento orientador da atenção pré-hospitalar.
A Central de Regulação Médica consiste em uma forma organizada de responder adequadamente a toda situação de urgência que necessite de meios médicos ou não, possibilitando a racionalização de recursos, funcionando assim como a coordenadora e disponibilizadora do atendimento pré-hospitalar à população local, cabendo-lhe algumas funções: avaliação técnica da gravidade das solicitações de socorro; administração dos meios disponíveis para prestação do atendimento e definição e articulação com a unidade de saúde que irá receber o paciente (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA – CFM, 1998).
Dentro do contexto regulatório, o MS publicou em 24 de junho de 1999, a Portaria n.º 824 que trata da normatização do APH no País. Esta Portaria foi revogada em 1 de junho de 2001 e substituída pela Portaria n.º 814/GM que além de normatizar o APH móvel de urgências já existente, bem como dos que venham a ser criados, estabelece o conceito geral, os princípios e as diretrizes da Regulação Médica das Urgências (BRASIL; 1999, 2001b).
Em conformidade com essa proposta o CFM (2000) também aprova a Resolução n.º 1.596 de 7 de junho de 2000, na qual regulamenta as responsabilidades técnicas, atribuições, e competências do serviço de transporte aeromédico. Simultaneamente o extinto Ministério da Aeronáutica aprova a IAC 3134, que normatiza o transporte aéreo de enfermos como complementação da normativa do CFM.
Ainda na tentativa de respaldar todos os profissionais que desenvolvam, ou possam vir desenvolver suas atividades no APH, é aprovado em 17 de outubro de 2000, a Resolução n.º 354/2000 que dispõe sobre a assistência farmacêutica em APH às urgências e emergências (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA-CFF, 2000).
Frente às necessidades identificadas, o MS, utilizando-se de instrumentos baseados nas estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos, bem como na adequação das ações relativas à assistência, recuperação e reabilitação, aprova, em 16 de maio de 2001 a Portaria 737/GM, que determina a Política Nacional de Redução da Morbi-mortalidade por Acidentes e Violência (BRASIL, 2001a).
Paralelamente às legislações publicadas pelo MS, CFM, e CFF, o Conselho Federal e Regional de Enfermagem adota as seguintes resoluções e decisões:
– Resolução n.º 225 de 28 de fevereiro de 2000, que dispõe sobre o cumprimento de prescrição medicamentoso-terapêutica à distância.
– Decisão COREN-SP-DIR/01/2001 de 22 de março, que regulamenta a assistência de enfermagem em APH e demais situações relacionadas com o suporte básico e avançado de vida.
– Resolução COFEN-260/2001 de 12 de julho, que fixa as especialidades de enfermagem, de competência do enfermeiro, na qual contempla o APH.
Frente aos avanços das atividades do APH, o MS, tendo como política nacional a redução da morbi-mortalidade por acidentes e violências, aprovou a Portaria n.º 2.048/GM em 5 de novembro de 2002, que dispõe sobre o regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgências e emergências, estabelecendo os princípios e diretrizes, as normas e os critérios de funcionamento, a classificação e o cadastramento desses serviços. Estabelece normas para a elaboração dos planos estaduais de atendimento e de regulação médica das urgências e emergências, normaliza os atendimentos pré-hospitalar fixo, pré-hospitalar móvel e hospitalar, o transporte inter-hospitalar e a criação de núcleos de educação de emergência e urgência. Para atender a essas diretrizes a portaria apresenta ainda a proposta de grades curriculares mínimas para a capacitação de recursos humanos nessa área (BRASIL, 2002b).
Finalmente, a Portaria n.º 1.863/GM, de 29 de setembro de 2003, institui a Política Nacional de Atenção às Urgências, a ser implantada em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão, e a Portaria n.º 1.864/GM, editada na mesma data, institui o componente pré-hospitalar móvel por intermédio da implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência em municípios e regiões de todo o território brasileiro: SAMU – 192.
Esta última Portaria é ampla, estabelecendo delineamentos acerca do financiamento para investimento e custeio do componente pré-hospitalar, com normas determinadas para custeio de recursos humanos, físicos e materiais, bem como critérios de acompanhamento e avaliação das ações. Quanto às medidas de regulação da atenção às urgências, explicita os papéis e responsabilidades dos gestores do SUS. Define a estrutura e as responsabilidades no âmbito dos Comitês Gestores, fazendo menção à formação dos núcleos de educação em urgência. Determina a elaboração de diagnósticos de saúde dentro do planejamento da operação dos Sistemas de Atenção às Urgências e finalmente padroniza os veículos, equipamentos, bem como uniformiza as equipes (BRASIL, 2003b).
5. O ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – APH

O APH pode ser definido como toda e qualquer assistência realizada, direta ou indiretamente, fora do âmbito hospitalar, com o intuito de dar a melhor resposta à solicitação de ajuda ao usuário. Essa resposta pode variar de um simples conselho ou orientação médica ao envio de uma viatura de suporte básico ou avançado ao local da ocorrência, visando à manutenção da vida e/ou a minimização das seqüelas (LOPES; FERNANDES, 1999a).
Segundo o MS, o APH é classificado em fixo e móvel. O APH fixo é a assistência prestada ao usuário, num primeiro nível de atenção, através das unidades básicas de saúde, unidades do Programa de Saúde da Família (PSF), Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), ambulatórios especializados, serviços de diagnóstico e terapia ou unidades não-hospitalares de atendimento às urgências e emergências (BRASIL, 2002b).
O APH móvel pode ser definido como sendo “o atendimento que procura chegar precocemente à vítima após ter ocorrido o agravo à sua saúde (clínico, cirúrgico, traumático, ou psiquiátrico), com risco de sofrimento, seqüelas ou morte, necessitando, portanto, de socorro ou transporte adequado para um serviço de saúde” (FERNANDES, R.J. 2004).
Denomina-se de APH móvel primário, o socorro fornecido diretamente ao pedido de um cidadão, e secundário quando a solicitação partir de um serviço de saúde, no qual o paciente esteja recebendo o primeiro atendimento, necessitando ser conduzido a outro serviço de maior complexidade (BRASIL, 2002b).
O APH móvel primário compreende três etapas distintas de igual importância. A primeira corresponde ao atendimento realizado na cena do evento, seguida pela assistência durante o transporte até o hospital de referência, e finalmente a chegada ao hospital (PAVELQUEIRES, 1997).
O APH móvel objetiva estabilizar as condições vitais, evitando a morbi-mortalidade, por meio de condutas adequadas durante a fase de estabilização e transporte, assim como as hiatrogenias que possam culminar com adventos variados desde as incapacidades físicas temporárias ou permanentes até a morte (PAVELQUEIRES, 1997).
A esse respeito Pavelqueires (1997) assinala que para atingir os objetivos é preciso que o sistema de APH disponha de viaturas básicas e avançadas sendo estas aéreas ou terrestres, com medicamentos, equipamentos, materiais para resgate e estabilização das vítimas, sistemas eficientes de radiocomunicação que permita contato da cena do evento com as equipes da central, rede hospitalar hierarquizada e organizada, e equipe capacitada a exercer atividades em ambientes extra hospitalares dispondo de protocolos de atendimento os quais devem ser conhecidos e seguidos por toda equipe.
Soares; Almeida e Gonçalves (1996) referem-se aos componentes do sistema conforme, Pavelqueires (1997), acrescido da necessidade de reciclagem permanente e supervisão com controle de qualidade.
Na opinião de Ribeiro (2001), outro aspecto importante a ser considerado no APH, é o conhecimento da categorização das vítimas através da aplicação dos escores de trauma (escala de coma de Glasgow e o índice de trauma Score), que permitem classificar o paciente, de acordo com o grau de comprometimento e encaminhá-lo adequadamente, bem como promover avaliações subseqüentes, possibilitando estabelecer a evolução do estado do doente, facilitando e contribuindo no processo de triagem das vítimas.
O APH, segundo Eidi et al. (s.d.), deverá obedecer a cinco princípios básicos: a intervenção no local da ocorrência deve ser rápida, segura e eficaz; o estabelecimento da responsabilidade de cada profissional e das inter-relações deve ser claro; a garantia da qualidade da assistência está diretamente relacionada à competência dos profissionais e do desenvolvimento do trabalho em equipe; as ações preventivas e educativas fazem parte das ações de urgência; os profissionais envolvidos devem ter conhecimento do Código de Ética, da Lei do Exercício Profissional, de acordo com a sua formação acadêmica e função desempenhada, assim como do Código Nacional de Trânsito, e Código Penal.
No contexto do APH, as ações são divididas em suporte básico e avançadas de vida. O suporte básico de vida é definido como sendo a estrutura de apoio oferecida a pacientes com risco de morte desconhecido, promovida por profissionais de saúde, por meio de medidas conservadoras não invasivas, tais como: imobilização cervical, compressão de sangramento, curativos oclusivos, imobilização em prancha longa. O suporte avançado de vida corresponde à estrutura de apoio oferecida a pacientes em risco de morte, promovida por profissionais médicos, por intermédio de medidas não-invasivas ou invasivas tais como: intubação endotraqueal, toracocentese, drenagem de tórax, pericardiocentese, acesso venoso, etc. (BRASIL, 2001a).
A assistência exercida pelos profissionais de saúde do APH está centrada em agravos de natureza clínica ou traumática, porém quando analisamos as lesões presentes nos pacientes politraumatizados, constatamos que, segundo a curva de mortalidade por trauma, o APH passa a ser de grande valia principalmente no segundo pico de morte, aquele que ocorre entre os primeiros minutos e algumas horas após o acidente. As lesões potencialmente reversíveis, são melhor tratadas quando atendidas neste espaço de tempo. A atuação dentro da chamada Hora de Ouro ou ”Golden Hour”, dá prioridade para as medidas terapêuticas mais emergentes (FERNANDES, R.J. 2004).
Segundo Whitaker; Gutiérrez e Koizumi (1998); Malvestio (2000); Morais e Malvestio (2001), o relógio é um dos maiores inimigos para os atendimentos e os fatores como: horário do dia, trânsito, distribuição das ambulâncias e local para onde o paciente será encaminhado, influenciam diretamente no tempo de atendimento pré-hospitalar, e os profissionais do APH buscam melhorar suas médias. Os tempos ideais são de seis minutos para a chegada até a vítima, atendê-la em oito e deixá-la no hospital em cinco minutos. Em outros países o tempo de socorro é menor, pois existem locais em que cada ambulância atende um raio de cinco quilômetros de abrangência.
Além do fator tempo, o salvamento de pacientes politraumatizados exige materiais, equipamentos e equipes múltiplas, organizadas e experientes que devem abordar as vítimas rápida e eficientemente nas várias fases: do resgate à reanimação e da avaliação ao tratamento definitivo. A organização do sistema de saúde, com a regionalização de centros capazes de atender e dar continuidade ao processo iniciado na cena do acidente, permitindo o tratamento definitivo dentro da primeira hora da ocorrência é outro fator importante a ser considerado (SOARES; ALMEIDA; GONÇALVES, 1996; PAVELQUEIRES, 1997; SANTOS; SANTOS JR., 2001).
A qualificação das equipes e a experiência prévia na área de emergência são fatores primordiais que estão diretamente relacionados ao sucesso do atendimento, enfatizando a importância de cursos específicos para as equipes de resgate pré-hospitalar (DANTAS; SEIXAS, 1998; CIOFF, 2001; FONSECA, 2003).
Segundo Shapiro (2000), o APH pode representar uma diferença na sobrevida dos pacientes, contudo existem poucos trabalhos que demonstram a eficiência desta nova modalidade de assistência.
6. O TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR
Outra modalidade de assistência às urgências / emergências é o transporte inter-hospitalar, que pode ser definido como a transferência de um paciente de um centro a outro, que poderá ocorrer quando os benefícios esperados para o paciente crítico excederem os riscos inerentes ao transporte e, também, quando o hospital de origem não dispõe de recursos materiais, estruturais e de pessoal que supram as necessidades do paciente (PEREIRA JR; NUNES; BASILE-FILHO, 2001).
6.1 O Transporte Inter-Hospitalar Aéreo
A partir dos anos 80, com o aumento dos acidentes e a necessidade de um sistema de atendimento pré-hospitalar, principalmente nos conglomerados urbanos, ocorreu a parceria das Secretarias de Saúde e de Segurança Pública sendo criado o Sistema Resgate (Wilke, 1995).
Neste contexto, o helicóptero é uma ferramenta importante para o atendimento, triagem e transporte rápido dos pacientes graves aos hospitais de tratamento definitivo (Canetti et al, 1994). Na literatura nacional trabalhos científicos sobre pacientes acidentados aerotransportados praticamente inexistem.
Os fatores tempo, distância, acessibilidade e gravidade do paciente, são importantes na decisão de enviar o helicóptero ao local do acidente e o benefício é inquestionável.

As origens do resgate aeromédico e como surgiu em São Paulo
1. Histórico do resgate aeromédico
A utilização das aeronaves em missão de resgate aeromédico não é coisa tão recente como se pensa. Em 1870 durante a Guerra franco-prussiana, são relatados os primeiros casos de transporte aeromédico, onde 160 feridos foram resgatados por balões de ar quente.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os rudimentares aviões existentes já eram utilizados para transportar médicos, equipamentos e remédios, o transporte de doentes e feridos estava limitado somente aos casos extremos, já que a acomodação disponível era muito restrita. Em 1920 foram utilizadas aeronaves na campanha das Ilhas Somália.

Com a ocorrência da Segunda Guerra Mundial, a tecnologia aeronáutica já estava em grande desenvolvimento, com o aumento do espaço interno dos aviões, os americanos desenvolveram um verdadeiro hospital aéreo.

Apesar deste avanço, só era possível atender os doentes e feridos ou transportá-los para os grandes centros de atendimento, a partir de bases ou aeroportos improvisados. Estima-se que foram assistidos mais de um milhão de soldados pelos diversos serviços de resgate e transporte aeromédico durante a Segunda Guerra Mundial (Canetti et al, 1994).

Em 1946, Arthur Yong (Bells Helicopters Company) idealizou um helicóptero com motor convencional à explosão, movido a gasolina (modelo 47), o qual recebeu a primeira licença para operar nos EUA. Entretanto, em 1950 durante a guerra da Coréia, o uso do helicóptero obteve seu maior sucesso transportando mais de 20.000 militares feridos (Smith, 1962). Na guerra do Vietnã este número aumentou para mais de 370.000 soldados.

Apesar do aumento do potencial balístico dos armamentos, o decréscimo nas taxas de mortalidade em 5,8% nos feridos de guerra na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), 2,4% na Guerra da Coréia (1950-1953) e 1,7% no Vietnã (1964-1975), pode ser explicado pela rapidez no atendimento médico.
Nos EUA, em 1972, a National Highway Transport Safety Administration (NHTSA) publicou o trabalho “Helicopters and Emergency Medical Services: NHUSA Experiente to Date”, documentando o resultado de vários projetos de resgate aeromédico por helicópteros. A partir deste artigo, este tipo de transporte foi bastante difundido e incorporado a vários serviços de emergência (Emergency Medical Services – EMS).
Em 1973 no Anthony’s Hospital, na Cidade de Denver, foi iniciado com sucesso o primeiro serviço aeromédico associado a um centro de trauma. Desde então o uso de helicópteros aumentou consideravelmente.

Até hoje os esquadrões de saúde das forças armadas americanas trabalham de forma similar, porém com equipamentos mais sofisticados.
No Brasil, o serviço de busca e salvamento foi oficialmente criado em dezembro de 1950, pela Força Aérea Brasileira com o nome de Search and Rescue (SAR).
A Polícia Militar do Estado de São Paulo iniciou o emprego de aeronaves através do GRPAe, a partir de 15 de agosto de 1984 e o Projeto Resgate teve início em São Paulo no ano de 1989, no Rio de Janeiro desde 1988 e em Minas Gerais desde 1986 (Rodrigues, 1987).
2. Histórico do resgate no Estado de São Paulo
O primeiro serviço de socorro médico de urgência, provido pelo Estado, na cidade de São Paulo, remonta a 1893, quando médicos do serviço legal da Polícia Civil do Estado passaram a atender as emergências da cidade. Com o crescimento da cidade, em 1924, criou-se o Posto Médico da Assistência Policial. Em 1950, o governo do Estado passa para o município a responsabilidade do atendimento de urgência, que assume o Pronto-Socorro de pacientes e que tinha como retaguarda alguns hospitais.
Como existiam pronto-socorros isolados, sem retaguarda hospitalar percebeu-se a necessidade de um sistema de remoção de pacientes para internação. Em 1956, foi instalado o primeiro PABX para atender às necessidades de remoção dos pronto-socorros municipais e também as solicitações da população em situações de urgência e emergência.
Nesta época era realizada uma triagem e, dependendo da ocorrência, enviava-se uma ambulância, sem equipamentos específicos, para o local do chamado e tripulada por equipe sem habilidades para o atendimento extra- hospitalar, que além de desenvolverem suas atividades no plantão do pronto-socorro, cumpriam uma escala para eventuais saídas (AZEVEDO, 2002).
Este serviço, ao longo dos anos, passou por uma série de mudanças, sendo criada uma Central de Comunicações (CECOM). Esta Central controlava as vagas hospitalares, recebia as solicitações de serviços de emergência feitas pela população, através de ligações telefônicas pagas, e encaminhava para o pronto-socorro ou hospital mais próximo (AZEVEDO, 2002).
Em março de 1980, a Central passou a atender, por telefone, através dos dígitos 192, tornando-se o órgão centralizador do processo de comunicação. Em 1986, com acordo firmado entre o Governo Municipal e Federação dos Municípios Canadenses (Toronto), foi possível priorizar a organização do Sistema de Emergência Pré-Hospitalar, com incremento do serviço de comunicação de emergência, treinamento de pessoal e planejamento do atendimento em casos de catástrofes e acidentes de grandes proporções.
Até a década de 80, a ausência de diretrizes nacionais para a área de emergência, particularmente de APH (atendimeto pré-hospitalar), fez com que alguns estados criassem seus serviços, sem uma linha de orientação e de normatização. Surgiram assim, diferentes modelos no setor público e privado, em sua maioria com deficiências técnicas (BRASIL, 2001a).
O surgimento do Atendimento Pré-Hostitalar
O marco inicial do APH em São Paulo foi em 1981, quando um grupo de médicos do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas, preocupados com o número crescente de vítimas com traumas sendo atendidos no ambiente de pronto-socorro, decidiram desenvolver um grupo de estudos, visando a melhoria do atendimento pré-hospitalar às vítimas de acidentes. Resultou assim, na criação da Comissão de Recursos Assistenciais de Pronto Socorro — CRAPS, com a participação de inúmeros órgãos ligados ao atendimento de vítimas, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Secretarias de Saúde.
Em 15 de setembro de 1983, o então Secretário do Estado da Saúde Dr. João Yunes, oficializou o CRAPS para a Grande São Paulo, sob a coordenação do Dr. Roberto Yukihiro Morimoto (Resolução SS 47), cujos objetivos principais seriam regionalizar o atendimento aos pacientes politraumatizados na Grande São Paulo, estudar e propor um padrão mínimo de pronto-socorro e de ambulâncias.
Em 1986, a Polícia Militar do Estado de São Paulo enviou um grupo composto por cinco Oficiais do Corpo de Bombeiros à Cidade de Chicago, nos EUA, onde realizaram um Curso de Técnico em Emergências Médicas. Após o encerramento do curso, foi proposta uma reformulação na instrução de primeiros socorros ministrada ao efetivo do Corpo de Bombeiros e ampliação dos serviços de Salvamento e Resgate com pessoal especializado para o atendimento e transporte das vítimas de acidentes.
Em 13 de julho de 1988, o então Secretário do Estado da Saúde, Professor Dr. José Aristodemo Pinotti, constituiu o GEPRO/EMERGÊNCIA (Grupo Especial de Programas de Emergência), cujo objetivo era o de desenvolver, implementar e fiscalizar o programa de emergência do Estado.
A criação do Sistema de Atendimento Médico de Urgência – SAMU
Em 22 de maio de 1989, através da resolução conjunta SS-SSP 042 de 22/05/89, assinada entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sistema de Atendimento Médico de Urgência – SAMU SP) e a Secretaria da Segurança Pública, através do Corpo de Bombeiros e Grupamento de Radiopatrulha Aéreo (GRPAe), teve origem o Projeto Resgate.

Foram então traçados os objetivos a serem alcançados, a definição das missões de cada membro integrante do sistema, as responsabilidades sobre o atendimento pré-hospitalar, centro de comunicações, protocolos de procedimentos e de atendimento.
Estas duas Secretarias Estaduais, de Segurança Pública e Saúde, selaram esta integração, culminando na criação da Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo (CAMEESP), que elaborou uma proposta para o desenvolvimento do projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado de “PROJETO RESGATE”.
O Serviço teve início efetivamente em 1990, com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios do Estado, sendo empregadas 36 Unidades de Resgate, duas Unidades de Suporte Avançado e um helicóptero. Este projeto inicial foi se expandindo por todo o Estado, aumentando o número de viaturas e de pessoal, até que em 10 de março de 1994, através do Decreto no 38.432/94, o Serviço de Resgate (Decreto Nº 58.931/13) foi consolidado e sua operacionalização atribuída exclusivamente à Polícia Militar do Estado de São Paulo, por intermédio do Corpo de Bombeiros e do Grupamento de Radiopatrulha Aérea (São Paulo, 1987; Carchedi, 1988; Martini, 1989; São Paulo, 1989b; Alves Junior, 1995; Wilke, 1995).
Também a partir de 1990, firmou-se acordo de cooperação entre a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo e o SAMU da França para o aprimoramento técnico das equipes e auxílio na implantação do APH em São Paulo, quando se iniciou intercâmbio e estágios técnicos de profissionais de ambos os serviços.
Em 1998, o Projeto Resgate espalhou-se para todo o Estado de São Paulo, e neste ano foram atendidas 140.000 ocorrências, com 200 viaturas de suporte básico e três de suporte avançadas sendo duas terrestres e uma aérea (GONÇALVES; RODRIGUES, 2001; OLIVEIRA PAROLIN; TEIXEIRA JR., 2002).
Nos dias de hoje
Atualmente na cidade de São Paulo existem dois serviços públicos que operacionalizam o atendimento pré-hospitalar (APH), sendo um estadual (Resgate) e outro do município (SAMU).
O acionamento do Resgate é feito pelo telefone 193, Central de Operações do Corpo de Bombeiros (COBOM), cabendo ao médico regulador e ao oficial de operações, por meio das informações recebidas, despacharem a viatura adequada. Devem também indicar o melhor recurso hospitalar para cada tipo de atendimento, de acordo com a regionalização e hierarquização dos hospitais normatizados pelo Plantão Controlador Metropolitano (PCM) da Grande São Paulo (SÃO PAULO, s.d.), que em conjunto com a Central de Vagas formam o Sistema de Regulação Metropolitano (SRM), vinculado à Coordenadoria estadual de Saúde da Região Metropolitana da Grande São Paulo.
O SAMU municipal é acionado pelo telefone 192, CECOM e se destina preferencialmente ao atendimento de pacientes clínicos, mas faz parte de um sistema federal mais abrangente.
Estes dois sistemas apresentam alguns problemas, como a falta de uma instância única de triagem e regulação de meios, para que possam garantir a integração entre o sistema de resgate (193), o sistema de atendimento pré-hospitalar da Prefeitura de São Paulo (SAMU – 192), e o Plantão Controlador Metropolitano. Também a distribuição das viaturas e recursos técnicos e de pessoal é deficiente e não integrada, o que resulta em multiplicidade em algumas regiões, deixando outras descobertas.
Atualmente, estes dois serviços já iniciaram uma aproximação operacional e técnica, apontando para uma integração futura.
Desde a implantação do resgate aeromédico no Grupamento de Radiopatrulha Aérea já foram atendidos mais de 6.500 resgates aeromédicos e transportes inter-hospitalares. O GRPAe, desde sua inauguração, em 15 de agosto de 1984, já atendeu mais de 155.000 missões e voou mais de 75.000 horas (dados até 2009). Atualmente o GRPAe possui um efetivo de 10 médicos e 10 enfermeiros.
O serviço de resgate aeromédico, desenvolvido pelo GRPAe, visa atender todos os Municípios do Estado de São Paulo, sendo a Região Metropolitana da Capital a principal área de atuação.

Entram em operação os novos helicópteros do INEM de Portugal
Os três novos helicópteros entregues ao INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), de Portugal, iniciaram no dia 01ABR10 suas operações nas bases de Macedo de Cavaleiros, Santa Comba Dão e Loulé.
Acidente fatal com helicóptero aeromédico nos EUA
Em 29MAR10, por volta das 06 da manhã, um helicóptero aeromédico, modelo AS350B3, caiu próximo de Brownsville, Tennesse.
Resgate aeromédico em Caieiras/SP
O acidente aconteceu por volta das 17hs, horário de pico na Avenida Paulicéia. Segundo informações o garoto de apenas 6 anos, havia acabado de comprar linha para seu pipa em uma loja localizada no Shopping Laranjeiras e ao atravessar a movimentada avenida, acabou sendo atropelado por um veículo siena que seguia pela via.
O perigo do “Brownout” em uma missão de resgate aeromédico
ALEX MENA BARRETO
De todas as missões previstas como de Aviação de Segurança Pública, talvez a que envolva os maiores riscos de acidente, certamente, é o resgate aeromédico. A impossibilidade de prever certas variáveis durante o planejamento do voo é uma das maiores dificuldades para qualquer piloto, e que influi decisivamente em uma análise de gerenciamento de risco da operação.
Apenas para exemplificar, as variáveis refentes ao fatores meio e missão, podem ser:
- Condições meteorológicas específicas do local do pouso desconhecidas;
- Local de pouso não homologado e possivelmente desconhecido pelo piloto;
- Quase certeza de pouso em uma área restrita;
- Tempo exíguo para planejamento da missão, e sua consequente pressão;
- Pouca margem para erros e atrasos na operação;
- Possibilidade de operação em condições marginais de voo;
- Presença de obstáculos, como: gruas, monumentos, postes, fios, telhas soltas, toldos, arbustos, árvores, tocos, pedras, lixo, bancas de jornal, estabelecimentos comerciais (vidraçarias, restaurantes, etc), feira livre, obras, etc;
- Presença de transeuntes, automóveis, caminhões, ônibus, etc;
- Presença de animais, como: cães e cavalos;
- O local pode ser em declive ou aclive, fato de difícil observação no momento da avaliação do local de pouso;
- Operação de pouso e decolagem predominantemente dentro da curva do “homem morto” (altura vs velocidade);

Analisando somente essas características da missão de resgate aeromédico, conclui-se que além da habilidade do piloto, vai estar à prova, principalmente, as suas decisões e seus julgamentos durante o voo em prol da segurança operacional da tripulação, da aeronave e dos terceiros na superfície. Talvez essas últimas, as maiores virtudes de um bom Comandante de Aeronave.
Quanto à segurança operacional, uma das avaliações e decisões mais importantes a serem tomadas é o local de pouso na ocorrência, pois uma avaliação visual da área, estando, inicialmente com a aeronave a 500 pés de altura e na sequência a 300 pés do solo, pode não revelar todas as caraterísticas desejáveis para um pouso seguro.
Uma das características, que não é perfeitamente possível de ser avaliada, e que não foi citada no rol de possibilidades de erro acima, é a quantidade de poeira que poderá ser levantada durante o pouso, podendo causar o que é conhecido como “brownout”.
Por definição, “brownout” é uma restrição de visibilidade do voo devido à poeira ou areia no ar, causando perda, por parte do piloto, das referências visuais externas necessárias para controlar a aeronave, consequente desorientação espacial, perda da consciência situacional, podendo levar a um acidente.

Para se ter uma ideia, em recentes operações militares houve mais aeronaves americanas envolvidas em acidentes relacionados a “brownout” do que em todas as outras ameaças combinadas.
Em um artigo publicado pela revista Helitac, Nick Lappos cita algumas dicas úteis que podem ser aplicadas em missões de resgate aeromédico, visando evitar a ocorrência de “brownout” , sendo praticamente todas antecedidas do temido “se possível”:
- Sempre levar em conta a possibilidade de ocorrer o “brownout” ao planejar o pouso;
- Sempre que possível, decole e pouse contra o vento;
- Se possível, faça sempre uma decolagem e pouso diretos (sem estabelecer o vôo pairado antes);
- A reserva de potência é importante. Com pouca reserva, as chances de reverter uma manobra ou arremeter ficam comprometidas;
- Se for possível, reconheça o local com antecedência, para se certificar que tem condições de realizar a decolagem direta e o pouso direto ou corrido (área livre de obstáculos, solo com poucas ondulações, etc);
A operação de resgate aeromédico é, por si só, uma missão arriscada e, portanto, o gerenciamento da missão é fundamental para o seu sucesso, pois como diz o bom e velho ditado: “Um piloto excepcional utiliza-se de seu conhecimento excepcional para evitar fazer uso de suas habilidades excepcionais“.
Bons voos !

Leia também:
Mulher resgatada em Manoel Urbano reencontra equipe do Helicóptero João Donato
Acre – Vítima de um acidente de carro na estrada, Giuliana Santi agradeceu empenho dos tripulantes que salvaram sua vida. A manhã do dia 23 de dezembro ficará marcada na vida da família Santi. A equipe do Grupamento Aéreo da Polícia Militar do Acre, junto com representantes da Secretaria de Segurança Pública, chegou de surpresa para uma visita de confraternização a bióloga Giuliana Santi 23, sobrevivente de um gravíssimo acidente rodoviário dia 14 de setembro deste ano, próximo ao Município de Manuel Urbano.
Convênio PRF e SAMU/PR prorrogado até 2014
O prefeito Beto Richa renovou nesta terça-feira (22) o convênio com Polícia Rodoviária Federal do Paraná e Ministério da Saúde que permite o uso de helicóptero para atender vítimas de acidentes de trânsito em Curitiba e municípios da região. O convênio foi prorrogado até 2014.
Quinta-feira agitada no BAPM/SC
Pela manhã :
Jovens são resgatados do Monte Crista, em Garuva
Três jovens foram resgatados pelos tripulantes do helicóptero Águia da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira, no Monte Crista, em Garuva.
Henrique Araújo Souza, 18 anos, Bruno Passos Mira, 18 anos e Vinícius Diegues F. Colares, 17 anos, haviam subido o morro três dias antes para acampar. Mas com a chuva e o vento forte da noite de quarta-feira, eles não conseguiram descer.
Helicóptero da PRF foi fundamental no socorro às vitimas no Paraná
O helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi fundamental para o resgate de duas pessoas vítimas da violência que tomou conta do estádio Couto Pereira, depois do jogo entre Coritiba e Fluminense, neste domingo (6). Em meio à confusão, a aeronave pousou no gramado para atender os feridos, já que a grande concentração de torcedores dificultaria a saída de uma ambulância.
Helicóptero realiza mais um resgate no Acre
Acre – O helicóptero Comandante João Donato realizou na manhã desta sexta-feira (27/11/09) o segundo resgate de uma vítima de acidente no Acre. Aline dos Santos Carvalho, 8 anos, estava acompanhando o pai Antônio José de Carvalho ao trabalho, quando de acordo com o pai, o cavalo que estava transportando a menina se assustou derrubando a menina. A vítima foi enviada ao Hospital de Xapuri, onde foi constada a necessidade de transferência para Rio Branco.
“Me disseram que minha filha precisava vir pra cá, e como a ambulância já estava realizando outro socorro, entraram em contado com a Secretaria e nos mandaram de helicóptero”, disse o pai da vítima.
De acordo com o major Albuquerque, que participou do resgate, a vítima teve fratura exposta no úmero, e apresentava forte sangramento. “O resgate via aérea foi motivado pela possibilidade de hemorragia interna e a gravidade da situação”, destacou. Uma ambulância no Serviço Móvel de Urgência e Emergência fez o transporte de Aline do pátio do 7° BEC ao Hospital de Urgência e Emergência.
O primeiro resgate realizado pelo Helicóptero Comandante João Donato foi no dia 14 de setembro quando a equipe da Força Nacional de Segurança e da unidade de operações aéreas do Acre foram acionados para resgatar duas vítimas de acidente de carro em Manuel Urbano.
Acidente com helicóptero aeromédico americano
Um helicóptero aeromédico caiu na madrugada deste sábado (14) a 29 quilômetros a noroeste de Las Vegas, na Califórnia, na fronteira ao norte de Reno, em Nevada, matando os três tripulantes a bordo.
Acidente com aeronave de resgate aeromédico nos EUA
Uma aeronave de resgate aeromédico americana caiu no litoral da Carolina do Sul/EUA, matando três pessoas a bordo.
A empresa Omniflight, proprietária do helicóptero, informou que o piloto Patrick Walters, de 45 anos, a enfermeira Diana Conner, de 42 anos, e o médico Randolph Dove Claxton, de 39 anos, morreram no acidente de sexta à noite (25/09/09).
Acidente com helicóptero de resgate na Itália
Quatro pessoas morreram num acidente de helicóptero que caiu na região de Veneto, na Itália, na tarde deste sábado (22).
Apoio de aeronave de resgate em incêndio em SP

Doze equipes de resgate foram até o local para apagar as chamas. De acordo com os bombeiros, o fogo atingia um andar do prédio de número 787. Três pessoas ficaram feridas no incêndio.
Helicóptero do Bombeiro de MG resgata mulher vítima de acidente de ônibus
Minas Gerais – Um ônibus de turismo, que voltava de Guarapari (ES), caiu em uma ribanceira, na madrugada desta segunda-feira, matando uma criança próximo ao município de São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas. Segundo as informações do Corpo de Bombeiros (Cobom), cerca de 30 pessoas ficaram feridas. Ainda não se sabe quantos passageiros estavam na viagem.
O policial rodoviário Alexandre Verona disse que, por volta das 3h30, o veículo perdeu o controle da direção e caiu em uma ribanceira, no Km 376. Desgovernado, o ônibus da Visual Viagens desceu de uma altura aproximada de 25 metros. A causa do acidente segue sem explicação.
Conforme o Cobom, uma criança de 7 anos morreu no local. A passageira Marli Ramos de Oliveira, de 53 anos, foi transportada pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros em estado grave para o Hospital de Ponto-Socorro João XXIII. Os feridos recebem atendimento médico no Hospital Margarida, em João Monlevade, e em hospitais da capital.
Fonte : Elaine Resende, Portal Uai











































