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Resgate aeromédico

Londrina prepara helipontos para atendimentos médicos do Graer/PR

O Hospital da Zona Sul de Londrina já iniciou os preparativos para a construção de um heliponto ao lado do setor de emergência. A intenção é utilizar o espaço de aproximadamente 4 mil metros quadrados para que a aeronave do Grupamento Aeropolicial e Resgate Médico (Graer) pouse.

Os hospitais de Londrina não possuem estrutura para receber o helicóptero. No início do mês, a equipe do Graer desceu na rotatória do Moringão, após a Polícia Militar isolar o trânsito, para conseguir levar uma criança até o Hospital Infantil. O menino brincava de bicicleta quando foi atropelado e seu estado de saúde era grave.

Londrina prepara helipontos para atendimentos médicos do Graer/PR

O diretor do Hospital da Zona Sul, Weber Arruda Leite, informou que no dia 12/07 se reuniu com representantes do governo do Estado para encaminhar o heliponto. Na próxima reunião, será a vez de um encontro com membros da Polícia Militar e Coordenadoria da Região Metropolitana de Londrina.

“Nós limpamos o terreno e agora vamos aguardar a liberação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). É uma necessidade e tem uma grande vantagem porque o paciente pode chegar e ser estabilizado e medicado no hospital para depois ser transferido para um centro maior, com mais condições de atendimento”, comentou.

Por ser um projeto que beneficia a saúde pública, Leite disse que a análise deve ser acelerada pela Anac. O profissional do Graer, Eduardo Ferreira de Miranda, destacou que um heliponto iria acelerar os atendimentos e acabar com os improvisos, como o que foi feito na rotatória do Moringão. “Seria fundamental para o Graer”, afirmou.

Outros projetos

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também tem a intenção de construir um heliponto. O diretor de Urgência e Emergência, Marcus Felipe Guanaes, contou que a pista deve em um gramado, no terreno cedido pelo município na Avenida Dez de Dezembro.

O projeto do novo complexo passou por reajustes e voltou para análise do arquiteto. As estimativas apontam que ele deve ficar pronto até julho do ano que vem. O Samu aciona pelo menos dez vezes por mês o helicóptero do Graer. Hoje, ele é essencial para o atendimento de vítimas, principalmente as envolvidas em acidentes, segundo Guanaes.

A aeronave deve ser trocada por uma ainda maior, que comportará uma incubadora em casos de transporte de recém-nascidos. “Acredito que em até seis meses o número de acionamento vai aumentar bastante”, declarou.

O vereador Gerson Araújo (PSDB) inscreveu um projeto de lei para obter um heliponto na rotatória do Moringão. Na manhã desta quinta-feira, ele contou que a matéria deve ser estudada pelo município e pode ser reapresentada pelo Executivo. “Eu fiquei feliz porque isso movimentou a cidade e, coincidentemente, o helicóptero do Graer acabou usando para trazer uma criança de Apucarana”, declarou.

A Santa Casa de Londrina iniciou a reforma do novo prédio em 1993 e a expectativa é que termine no final deste ano. O projeto inicial prevê a construção de um heliponto, inclusive as fundações da obra foram feitas para suportar as estruturas do espaço para a aeronave. Sem verbas, não houve andamento no projeto.

Fonte: O Diário – Londrina

Transporte aeromédico: Um desafio para enfermeiros frente aos riscos ocupacionais

Daniella Balaguer Auday
Glendaline Corrêa de Souza
Sandra Helena Dias de Paula

1. Introdução

O enfermeiro de bordo nasceu da necessidade de especializar o profissional que presta assistência de enfermagem ao paciente aerorremovido. Essa especialização é recente no nosso meio e vem se desenvolvendo coma formação específica ministrada pelas instituições prestadora deste serviço. Temos hoje diferentes serviços de remoção aeromédica, mais ainda poucos têm em seu quadro de tripulantes aeromédico, o enfermeiro de bordo na assistência direta [1].

resgate

Diante disso a importância do enfermeiro de bordo é clara, uma vez que existe o grupo de pacientes que se encontram em estado grave, estes precisam de enfermeiros onde é necessário o cuidados intensivos durante o transporte, que é o que os enfermeiros de voo estão habilitados a proporcionar.

No Brasil, dispomos hoje de vários Serviços de Remoção Aeromédica, que é uma atividade em desenvolvimento, onde a necessidade da regulamentação dos profissionais envolvidos vem sendo sentida, bem como a necessidade de padronizar e desenvolver os cuidados oferecidos ao paciente aerorremovidos seguindo normas, padrões e protocolos.

Diante disso, no campo social, é importante destacar que a estabilidade e o crescimento econômico experimentado na última década levam ao surgimento de uma classe média cada vez mais exigente por serviços de saúde de qualidade, que ofereçam serviços diferenciados. Justamente com esse crescimento as pessoas com poder aquisitivo mais elevado podem se locomover mais rapidamente para os grandes centros especializados com equipamentos de ponta no mercado buscando um diagnóstico mais preciso e profissionais de renome.

O transporte aeromédico e utilizando em outros países no auxílio de transplante de órgãos (levar o órgão a ser transplantado), o mais rápido possível ao seu receptor que esta aguardando durante muito tempo por um órgão saudável e que chegue a tempo para ser realizada a cirurgia de transplante.

A portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde normatiza o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel no Brasil e estabelece a capacitação dos profissionais de transporte aeromédico e dispõem os matérias e equipamentos mínimos a serem utilizados [2].

A presente pesquisa tem como objeto de estudo: A atuação do enfermeiro dentro do transporte aeromédico. Como problematização abordaremos algumas questões pertinentes ao presente estudo, que nós fez argumentar e refletir sobre: Qual é o papel e as responsabilidades do profissional de enfermagem no transporte aeromédico?

Algumas empresas têm oferecido treinamento de pessoal, apenas pelas empresas que prestam este serviço, com supervisão da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Posta esta situação-problema, os objetivos são: Identificar a partir da literatura existente a atuação de Enfermagem no Transporte Aeromédico e na Remoção e Resgate; Descrever os riscos ocupacionais do enfermeiro no transporte aeromédico.

Justifica-se ainda pouca disponibilidade de literatura sobre este tema na língua portuguesa, pouco atualizada desde 2009. Acreditamos que esse estudo possa contribuir para que os novos enfermeiros possam sanar suas dúvidas em relação a essa área que ainda e tão nova referente a outras áreas da enfermagem.

2. Metodologia

Este trabalho e um estudo descritiva, qualitativa de revisão bibliográfica, em que se pretende analisar as publicações sobre a Atenção do Enfermeiro direcionadas para o Transporte Aeromédico no Brasil. O Enfermeiro de bordo e um protagonista da missão deverá cumprir etapas de pré-vôo, per-vôo e pós-vôo avaliando e sistematizando as prioridades do cliente durante o transporte.

A fonte de pesquisa utilizada nesse presente estudo foi um levantamento bibliográfico no período de fevereiro a setembro de 2010, nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Eletronic Libery on-line (Scielo) e Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (Medline).

3. Aspectos Históricos do Transporte aeromédico

E necessário entender os aspectos históricos do transporte aeromédico desde o seu surgimento e como foi sofrendo modificações ao longo do tempo. O Enfermeiro deverá entender o cenário de antigamente e o atual, ter a percepção da evolução do avião para o helicóptero que é a peça fundamental para as modalidades de transporte aeromédico. E necessário o conhecimento do antigo e atual, como foi ontem e como e hoje.

Na I Guerra Mundial 1914 a 1939 (também conhecida como Grande Guerra antes de 1939, e Guerra das Guerras) iniciava os primeiros modelos de aeronaves para transporte aeromédico. Eram rudimentares, despressurizadas, em baixa altitude, sem equipe de vigilância durante o voo, isso já demonstrava a necessidade do piloto em conhecer procedimentos básicos de primeiro atendimento com sistema de rede de oxigênio suplementar, em monomotores de velocidade média de 150 km/hora e os feridos encontravam-se em compartimentos à frente do piloto[3].

Durante a guerra da Coréia em 1950, foram usados helicópteros para o resgate de aproximadamente 20,000 (vinte mil) militares feridos. Estes voos bem sucedidos da Coréia serviram de base para as ações no Vietnã [4].

No histórico das remoções aéreas e aeromédica nas I e II Guerras Mundiais, Guerra da Coréia e a do Vietnã, verifica-se que, se por um lado à guerra deixou muitos feridos, por outro, trouxe também a necessidade de um transporte rápido e seguro, com assistência especializada, favorecendo o avanço e o desenvolvimento técnico – científico nas remoções aeromédicas[5].

As enfermeiras atuaram de maneira eficaz e de extrema importância durante a guerra realizando cuidados de enfermagem ao paciente.

3.1. Meios de transporte inter- hospitalar

O transporte inter-hospitalar faz-se necessário  quando o hospital onde se encontra o paciente/cliente/usuário não tem recursos humanos, diagnósticos e terapêuticos  necessários para melhor do quadro clínico. A escolha interfere nas condições de assistência, diagnóstico e terapêutica na qualidade prestada ao paciente [6].

E. O Enfermeiro deve promover meios para que o transporte destes pacientes seja feito sem prejudicar o seu tratamento, ou seja, deve ser indicado, planejado, executado minimizando o máximo possível os riscos para o transportado.

Existem três principais tipos de transferência intra-hospitalar e há considerações importantes acerca de cada uma delas.  Os meios de transporte podem ser: terrestres (ambulâncias), aéreos (helicóptero ou avião) ou aquáticos em alguns locais, podem ser usado barcos.

3.2. Ambulância

Ambulância e um veículo (terrestre, aéreo ou aquaviário) que se destine exclusivamente ao transporte de enfermos. As dimensões e outras especificações do veículo terrestre deverão obedecer às normas da ABNT – NBR 14561/2000, de julho de 2000, e os materiais obrigatórios, à Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048/ 2002, e cada tipo de ambulância tem de apresentar condições mínimas para realizar o atendimento com segurança.

3.3. Helicóptero

O helicóptero pode ter múltiplas funções, servindo para a Polícia, Resgate do Corpo de Bombeiros, bem como para Transporte Médico. Outras vezes, pode ser dedicado apenas ao transporte médico. Seu uso deve ser considerado para distâncias de até 400 Km e, também, quando há dificuldades topográficas no local. Sua velocidade depende do modelo, podendo variar de 200 a 320 Km/hora [7].

O maior desafio é prestar um atendimento de qualidade em um local restrito. O helicóptero é adaptado com o que há de melhor em tecnologias existentes atualmente no mercado.

A Portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde, de 5 de novembro de 2002, normatiza o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel. Ela estabelece regras que vão desde as especializações da equipe médica até as características dos veículos e os equipamentos a serem utilizados.

3.4. Aeronaves

Para distâncias a partir de 400 Km, recomendam-se os Learjets, Turboélices e Bimotores, cuja opção será baseada no tipo de pista disponível na cidade de origem8. Apesar de estarmos habituados apenas ao transporte de ambulância, o preconizado em relação ao modo de transporte é: via terrestre para distância de até 150 Km, helicópteros para distâncias de até 400Km e, para distâncias maiores, devem ser utilizados Learjeats, Turboélices ou Bimotores.

3.5. Aquaviário

Este tipo de transporte poderá ser indicado em regiões onde o transporte terrestre esteja impossibilitado pela inexistência de estradas e/ou onde não haja transporte aeromédico, observando-se a adequação do tempo de transporte às necessidades clínicas e a gravidade do caso. Como o transporte aeromédico, aqui o profissional envolvido é considerado “tripulante de embarcação” e, portanto, submetido à legislação da Marinha do Brasil[8].

3.6. Resgate Aeromédico x Remoção Aeromédica

Para sabermos a diferença precisamos entender que esse tipo de transporte e feito em aeronaves de asa rotativa, quando a gravidade do quadro clínico do paciente exigir uma intervenção rápida e as condições de trânsito tornem o transporte terrestre muito demorado, ou em aeronaves de asa fixa, para percorrer grandes distâncias em um intervalo de tempo aceitável, diante das condições clínicas do paciente.

Existem duas situações para o transporte aeromédico: Primeira situação é a remoção de uma vítima do local de um acidente ou após um resgate/salvamento; Segunda situação é quando um paciente precisa ser transferido para outro hospital onde existem mais recursos de atendimento. Nesse caso, a aeronave de transporte, ou aeronave ambulância, chega ao hospital de origem com uma equipe que irá avaliar, junto com a equipe médica do hospital, as condições do paciente para que ele possa ser removido.

Em ambas as modalidades do transporte aeromédico é imprescindível a presença de um médico, de um piloto e de um enfermeiro a bordo.

3.7. Etapas de PRÉ, PER e PÓS – Voo

Quando o serviço de transporte aeromédico e acionado o enfermeiro deverá planejar as etapas desse processo e atuar nesse cenário de forma eficiente durante a missão cumprindo as etapas denominadas de pré- vôo, per- vôo e pós- vôo.

Qual é a atenção de enfermagem nessas etapas? Como o enfermeiro atua nesse momento?

a. Pré – Voo

O pré-vôo também conhecido como primeira fase é a etapa inicial que compreende o preparado da aeronave com matérias (kit’s) e equipamentos (bomba infusora, cilindro de oxigênio, respirador, tempo útil de baterias etc…). O enfermeiro e atuante no check-list realizando o planejamento individualizado para cada paciente, cada paciente e singular.

O enfermeiro deverá instalar os equipamentos dentro da aeronave assim como verificar sua funcionalidade testando cada aparelho, inteirar-se do histórico do paciente, quadro clínico, sinais vitiais e o tempo de missão.

A equipe médica e de enfermagem realizaram em conjunto a organização dos equipamentos, matérias e medicamentos estabelecendo sua disposição nas aeronaves e definindo à composição mínima necessária para oferecer uma remoção segura e de qualidade aos pacientes1.

O enfermeiro deve chegar à reposição da cada de medicamentos portátil do tipo “multi-box”; verificar o funcionamento de equipamentos (oximetro de pulso, ventilador e desfibrilador); verificar o volume de oxigênio existente dentro do cilindro de oxigênio[9].

b. Per – Voo

O per–vôo também conhecido como segunda fase e a etapa que compreende a remoção aeromédica, missão propriamente dita.

O enfermeiro irá oferecer uma assistência direta de enfermagem realizando uma avaliação inicial do paciente, assistir ao médico e realizar os procedimentos a bordo, realizar anotações de enfermagem e administrar medicações.

É função do enfermeiro de bordo avaliar e sistematizar as prioridades do paciente, realizar assistência integral ao paciente e zelar pela integridade física e psíquica do paciente, preservar a segurança do paciente[10].

c. Pós – Voo

O pós – voo também conhecido como terceira fase que compreende a última etapa, e o retorno à base operacional. O enfermeiro atua nessa etapa após a entrega do cliente ao hospital de destino, repondo o material e coordenando a desinfecção e esterilização do material e a parte burocrática desse processo pós-voo.

O enfermeiro fará a reposição da aeronave para uma nova missão. Realizar desinfecção dos materiais, encaminhar roupas usadas para lavanderia, organizar o prontuário e protocolar em ordem decrescente.

Esse processo pode ser diferente em algumas empresas que executam o serviço de transporte aeromédico. Existem hoje no mercado grandes empresas de renome que atuam com protocolos criados da instituição, o enfermeiro poderá atuar de forma diferente em algumas etapas do transporte.

3.8. Enfermeiro de Bordo

As Enfermeiras desempenham suas atividades no transporte aéreo e realizam treinamento específico para atender às necessidades dos pacientes em pleno vôo, o que se constituiu em um grande desafio, especialmente porque assumi toda responsabilidade no cuidado destes pacientes, podemos inferir a sobrecarga psicológica que domina as Enfermeiras do Transporte Aéreo, pois a assistência de enfermagem e desenvolvida com tomadas de decisões, que envolviam o fazer médico.

3.9. Formação específica do enfermeiro de transporte aéreo

No Brasil, o enfermeiro de bordo e uma atividade ainda em expansão, com avanço dos grandes centros urbanos como São Paulo – SP e Rio de Janeiro – RJ, hoje existem cursos específicos ministrados por instituições de ensino, tendo sua formação voltada para o transporte aéreo de doentes, tendo o público alvo os profissionais da saúde: médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com carga horário de 30 horas para Médicos e Enfermeiros, Auxiliar/técnico de enfermagem de 22 horas, conforme estipulada pela portaria nº 2.048, de 5 de novembro de 20022, e a Resolução COREN  nº 290/2004 que fixa as especialidades de enfermagem e reconhece a especialização Aeroespacial [11].

Os profissionais devem ter noções de aeronáutica de fisiologia de voo, estas noções de aeronáutica e noções básicas de fisiologia de voo devem seguir as determinações da Diretoria de Saúde da Aeronáutica, e da Divisão de Medicina Aeroespacial.

O alto risco de vida da maioria dos pacientes aerorremovidos exige assistência constante de enfermagem especializada, bem como os cuidados médicos preparados para atender pacientes críticos [12].

Requisitos Gerais para o Enfermeiro: Disposição pessoal para a atividade; Equilíbrio emocional e autocontrole devido às possíveis situações de risco que estão envolvidas durante o transporte; Capacidade física e mental para a atividade; Condicionamento físico para trabalhar em unidades móveis; Capacidade de trabalhar em equipe; Iniciativa e facilidade de comunicação; Disposição para cumprir ações orientadas; Experiência profissional prévia em serviço de saúde voltado ao atendimento de urgências e emergências; Disponibilidade para a capacitação discriminada, bem como para a recertificação periódica; Tato e sensibilidade; Exigências antropométricas; Liderança; Resposta satisfatória ao estresse; Curso básico de transporte aeromédico; Curso e exercício simulado de emergência anual.

O enfermeiro necessita ter um bom controle emocional, devido às possíveis situações de risco que estão envolvidas durante uma remoção aérea. O ambiente restrito da aeronave, diferentes pacientes com diferentes diagnósticos, fisiologia de altitudes, aceleração, desaceleração, diferentes temperaturas, situações de emergência em voo tais como: despressurização, aterrissagem de emergência e outras panes possíveis que envolvem a complexidade de uma aeronave que podem influenciar o estado psicológico do profissional que atua em remoção aérea1.

4. Análise de dados

4.1. Resposabilidades e atribuições do enfermeiro no transporte médico

a. Em relação aos problemas do paciente

Após passar por todas as etapas de voo até a entrega do paciente /cliente/usuário ao hospital de destino o enfermeiro deverá realizar o registro de enfermagem no livro de relatórios dos enfermeiros.

Em caso de escalas não previstas no plano de voo, o piloto deverá informar ao enfermeiro mudanças no número de escalas e o tempo de permanência de cada escala em solo, para planejar a quantidade de medicação e o consumo de oxigênio de acordo com o estado do paciente / cliente / usuário1-.

Os seguintes cuidados de enfermagem nas seguintes situações descritas abaixo [13]:

Ansiedade: O enfermeiro deve identificar as necessidades que o paciente tenha pela perspectiva de vôo, orientando-o de tal forma que suas preocupações sejam diminuídas e que ele possa fica tranquilo sem medos. E importante que o cliente sinta-se calmo durante todo o processo de translado hospital- aeronave- hospital

Barosinusites: Solicitar ao piloto o retorno a altitudes mais elevadas, também pode se fazer uso de um spray nasal vasoconstritor;

Distensões gástricas: O enfermeiro deve avaliar antes do voo e aliviar ou eliminar através de sonda nasogástrica, que deve permanecer aberta, pois com o aumento da altitude os gases podem se expandir, resultando em episódios de emese e possíveis aspirações para os pulmões.

Descompressão ou disbarismo: O tratamento de emergência para todas as formas inicia-se com oxigênio a 100% e deve incluir uma rápida descida da aeronave;

Paciente traumatizado: Verificar o tipo de trauma do paciente, estabilidade do paciente que pode ser afetada pela altitude, condições de volêmia, balaço hídrico, exames hematológicos compatíveis, alguns procedimentos invasivos durante o voo, desobstrução das vias aéreas, imobilização de fraturas, necessidade de oxigenação.

Ruídos: Se restringe a utilização de proteção auricular (fone de ouvido) que deve ser utilizado tanto pelo tripulação quanto paciente/cliente/usuário, assim possibilitando uma comunicação entre eles.

Existem outros efeitos durante o voo que o paciente e a tripulação aeromédica esta sujeita, a empresa de transporte aeromédico irá treinar o enfermeiro e a equipe sobre os possíveis efeitos que ocorrem no voo.

b. Competências e responsabilidades

De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048/2002 que estabelece as respectivas competências/atribuições do Enfermeiro de bordo segue a abaixo:

Supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe no Atendimento Pré-Hospitalar Móvel; Conhecer equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas;  Executar prescrições médicas por tele-medicina; Prestar cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica a pacientes graves e com risco de vida, que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas; Prestar assistência direta as vítimas, em atuação na aeronave; Prestar a assistência de enfermagem à gestante, a parturiente e ao recém-nato; Fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes à sua profissão; Exercer todas as funções previstas legalmente reconhecidas a sua formação profissional; Monitorizar o monitor cardíaco, oxímetro de pulso e monitor não invasivo de pressão arterial; O paciente deve ter no mínimo um acesso venoso calibroso (com jelco ou abocath – tipos de seringas). Os procedimentos invasivos devem ser realizados antes do embarque;  Administrar medicação e infusão de drogas endovenosas; As medicações de urgência, com uso previsível para a situação, devem estar prontas para administração, controlar e repor medicação e material utilizado; Realizar curativos e imobilização de fraturas; Colocar água nas cânulas endotraqueais durante o vôo para prevenir a ruptura do mesmo, devido à expansão gasosa nas grandes atitudes; Em caso de tração ortopédica, utilizar as confeccionadas para as remoções, onde não há necessidade de pesos, pois durante a aceleração e desaceleração os pesos tendem a balançar, alterando a tensão da tração; É desejável que se disponha de um aspirador manual portátil para as situações de falha do equipamento; Sondas vesicais demora devem ser mantidas abertas para evitar a expansões gasosas e eliminar com facilidade a urina; Se a vítima estiver consciente deve ser esclarecida quanto ao transporte. Se a vítima se encontrar em estado agitado deve ser sedada e contida, especialmente em helicópteros devido ao piloto e ao painel de controle estarem ao alcance da mesma;  Imobilizar adequadamente as vítimas de traumas; Observar constantemente a evolução dos sinais e sintomas do paciente;  O enfermeiro de bordo deve  acompanhar o embarque e desembarque do paciente; administrar medicação prescritas pelo médico responsável do hospital de origem e outros medicamento caso o médico de bordo julgas necessário durante o translado; segurança no interior e exterior da aeronave1-2-10.

Portanto, se faz necessário que o enfermeiro tenha o conhecimento técnico e prático na execução de suas atividades atribuídas e saiba executar a melhor intervenção de enfermagem, assegurando ao cliente uma assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.

c. Organização e Controle do material

Como citado anteriormente, a escolha da aeronave e definida pela coordenação de voo juntamente com o médico, a montagem da aeronave será realizada pelo enfermeiro, após analise sistematizada de todos os fatores e de acordo com a necessidade clínica de casa paciente / cliente / usuário.

O enfermeiro deverá estar atento aos seguintes itens abaixo no momento de alojamento e desalojamento do paciente na aeronave: Supervisionar o alojamento e desalojamento do paciente na aeronave; Atuar em conjunto com o médico durante a execução das manobras de ressuscitação e intervenção de emergência; Administrar medicação e infusão de drogas endovenosas; Realizar curativos e imobilização de fraturas; Prestar cuidados específicos ao paciente, avaliando e registrando sua evolução; Manusear equipamentos, bem como providenciar sua manutenção; Controlar e repor medicação e material utilizado; Providenciar o preenchimento do termo de responsabilidade; Proporcionar conforto e apoio ao paciente removido e sua família; Implementar ações para a promoção a saúde e adotar práticas, normas e medidas de biossegurança; Tratar os incidentes críticos em reuniões de BRIEFING1-11;

Portanto, o enfermeiro tem uma atuação participativa e não um coadjuvante durante as etapas de voo do transporte aeromédico. O profissional de enfermagem atua na promoção, recuperação da saúde de de seus paciente / cliente / usuário, visando o ser humano como um todo.

4.2 Riscos ocupacionais no transporte aeromédico

O enfermeiro de bordo no desenvolvimento de suas funções está exposto a inúmeros riscos ocupacionais  podendo ser causado por fatores químicos, físicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, que podem ocasionar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, uma vez que esses profissionais lidam diretamente com o paciente, com agulhas e outros tipos de perfuro cortantes, equipamentos, soluções e outros situações e aspectos.

A área de transporte aeromédico esta tem os seus ricos tanto para o trabalhador como para o paciente/cliente/usuário, a diferença  e que o corpo esta sujeito apenas naquele momento ou diariamente para quem trabalha no serviço de remoção ou resgate aeromédico.

A equipe aeromédica está sujeito a riscos ocupacionais como em qualquer outra profissão. Durante a remoção  e resgate aeromédico podem ocorrem episódios que a longo ou curto prazo pode afetar a vida cotidiana do profissional que trabalha nesse área.

Muitos fatores e situações de trabalho no contexto da enfermagem, predispõem ou acentuam o aparecimento de danos aos profissionais. Portanto as constantes mudanças aumentam as cobranças e exigências do empregador / empresa/ hospital em relação  ao empregado/ funcionário que afeta a qualidade de vida dos trabalhadores. Os fatores estressantes de voo para a equipe aeromédica são12-13:

Vibração e ruído: As vibrações se propagam pela fuselagem e pelo ar, podendo causar diminuição da acuidade visual afetando o sistema neuromuscular e vascular, levando a uma sensação de desconforto e fadiga. A audiometria anual e obrigatória como meio de prevenção. Ruídos acima de 120dB(A) é considerado prejudicial ao ouvido humano,  acarretando há: cefaléia, fadiga, náusea, vertigem podendo também causar dano permanente ou temporário ao ouvido e deteriorazação no desempenho de suas atividades. O uso de protetores auriculares e recomendado e fone de ouvidos como EPI.

Cruzamento de fusos horário: Trabalho noturno e diurno – O ritmo circadiano da tripulação aeromédica fica comprometido quando  vários meridianos são ultrapassados durante o voo.  Os efeitos estressantes em decorrer a diferença de fuso horário são: distorção tempo/distância, alteração de apetite, insônia, constipação; irritabilidade; ptesiofobia (medo de voar), astenia; concentração e capacidade de decisão rebaixados;

Mudanças de Clima: Extrema mudança de clima podem depender do local do hospital bem como das condições  que esta dentro do interior da aeronave. Se houver baixa resistência ou fadiga pela exposição a variações de temperatura pode haver infecções respiratórias frequentes;

Esforço Físico: Levantamento de peso –  Manipulação do paciente auxiliando por maca e colocá-lo na aeronave; manejo, reposição de materiais e outros procedimentos caracterizam o dia-a-dia da enfermagem acarretando cansaço e dores no corpo;

Risco de acidente:  Possibilidade de incêndio ou explosão – risco de  queda da aeronave, incidentes aéreo ou sinistro; Risco elétrico se enquadra aqui também;

Psiquicossociais: Desgaste físico e emocional – Sobrecarga vinda do contato com os sofrimentos dos pacientes, com dor e a morte;

Perfuro cortante: Os materiais perfuros cortantes são as principais causas de acidentes na enfermagem sendo material infectocontagioso, podendo causar hepatite, herpes, AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida);

A dieta da tripulação  durante a remoção deve ser mais rica em carboidratos que propicia energia mental, do que em proteínas, que requer mais O2 que são de difícil digestão. Alguns alimentos devem ser evitados pela tripulação que podem levar a uma distensões e cólicas, exemplos: feijão, repolho, tomate, pão, bola e goma de mascar, amendoim, cebolas, bolo. Evitar bebidas gaseificadas devido a dilatação dos gases, não ingerir bebida alcoólica, pois seu efeito é potencializado de 2 a 3 vezes13.

Portanto entende-se que a equipe aeromédica está sujeito a fatores estressantes na atividade profissional como em qualquer outra profissão. Deve-se estar sempre atento para o risco de estresse e fadiga aérea que prejudicam o trabalho da equipe aeromédica, desenvolver estratégias para atender de modo satisfatório o paciente, prestando um cuidado livre de erros tanto para o cliente quanto para tripulação.

5. Considerações Finais

A profissão de enfermeiro de bordo exige muito mais que preparo físico, exige um preparo intelectual, não basta ser enfermeira tem que gostar do que faz e ter conhecimento para isso. E importante que o enfermeiro deve estar ciente de que o estudo é contínuo, não é algo fixo fechado, ele é mutável e terá que correr atrás para estar renovado constantemente. Conclui- se que existe um leque de opções para a enfermagem se especializar / capacitar.

É perceptível o crescimento gradativo da profissão e consequentemente amplia as possibilidades na especialização da enfermagem. Os profissionais que possuem um vasto conhecimento em atendimento emergencial, cursos de socorristas estão inseridas em um mercado constantemente em expansão, porém, pouco divulgado.

Pessoas que trabalham em altitudes também sofrem os efeitos colaterais iminentes da profissão como náuseas, sensação de trepidação, perda gradativa de audição e envelhecimento precoce, pela falta adequada de oxigênio. Existem  características na fisiologia do organismo em solo, que é diferente em altitude. Cada vôo é singular, nenhum outro terá as mesmas emoções e sentimentos.

As atribuições e responsabilidade do enfermeiro de bordo e de fundamental importância para um transporte seguro que e uma das mais significativas aquisições da aviação em um país como o Brasil, as chamadas UTIs aéreas tem importância capital, permitindo o deslocamento de pacientes de regiões de baixos recursos médicos, ou de áreas remotas, para grandes centros de referência.


Referências

[1] THOMAZ, R, R., MIRANDA, M.F.B., G.A.G, GENTIL, R.C. Enfermeiro de Bordo: uma profissão no ar. Acta paulista enfermagem. São Paulo, vol.12, n.1, p. 86-96, 1999.

[2] BRASIL, Ministério da Saúde. Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Portaria no 2.048/GM, 05 Nov, Brasília, 2002.

[3] FERRARI, D. Transporte aeromédico: evolução e história. Revista Intensiva vol.3, 2005.

[4] VIEIRA, B. Ciências aeronáuticas: transportes especiais de pessoal. Guaratinguetá, Brasil: Quartzo Escola, 2009.  Disponível em: www.quartzoescola.com.br/apostilas/5transespe.doc Acessado em: 01/05/2010.

[5]  GENTIL, R, C. Remoção aeromédica: a implantação de um serviço privado em São Paulo. (Tese de Mestrado – Faculdade de São Camilo de Administração hospitalar), São Paulo, 1992.

[6] JUNIOR, G.A.P, NUNES,T.L., BASILE- FILHO A. Transporte do paciente crítico. Rev Do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, 34:2, pag 143-153, 2001. Disponível em: http://www.bireme.br. Acessado em: 09/03/2011.

[7] CONN A, K, T. Transport of the critically ill patient. 3th. ed. W.B. Saunders, Philadelphia, Pennsylvania, pág. 74-79, 1995.

[8] LARCERDA, M. A.; CRUNIVENEL, M, G, SILVA, W, V. Transporte de pacientes: Intra-Hospitalar e Inter- Hospitalar. Capitulo VI Ano 2007.

[9] THOMAZ, R.R, LIMA. F.V. Atuação do enfermeiro no atendimento pré –hospitalar na cidade de São Paulo. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v.13, n.3 p.59-65, 2000.

[10] CARVALHO, V. P; DIAS, C. P. O Enfermeiro de bordo no transporte aéreo. Trabalho 3206 – 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem- Transformação Social e Sustentabilidade Ambiental – CBen, Fortaleza, CE, 2009.

[11] COFEN. Resolução COFEN 290/2004 – Fixa as Especialidades de Enfermagem. Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4326 Acessado em: 25/09/2010.

[12] GENTIL, R, C. Aspectos históricos e organizacionais da remoção aeromédica: A dinâmica da assistência de enfermagem. Revista da escola de enfermagem USP 31:3 (1997), p. 452-457. 

[13] REIS, M,C,F, VASCONCELLOS, D.RL., SAIKI, J., GENTIL, R.C. Os efeitos da fisiologia aérea na assitencia de enfermagem ao paciente aeroremovido e na tripualação aeromédica. Acta Paulista de enfermagem, São Paulo, v. 13, n.2, p. 16-25, 2000.


Os autores são Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Estácio de Sá – Trabalho de Conclusão de Curso. Campus: Barra/Akxe – 2011.01.

Orientador (a): Prof.ª Ms. Nina Aurora Mello Savoldi é  Docente da Universidade Estácio de Sá, mestre /UERJ- Enfª. BLH-IFF -FIOCRUZ- Rio de Janeiro.


Ciopaer/TO efetua resgate aeromédico de vítima de acidente de trânsito

Durante patrulhamento aéreo no final da tarde de desta quarta-feira (22/05), a equipe do Centro Integrado de Operações Aéreas – Ciopaer / Tocantins foi acionada, via SIOP, para atuar no socorro as vítimas de um grave acidente automobilístico envolvendo cinco pessoas que estavam a bordo de um veículo Fiat Uno de cor prata, que se dirigia de Barrolândia para a capital.

CIOPAER-TO

De imediato a equipe multi missão a bordo da aeronave “Tocantins 01” se deslocou até o ponto exato do acidente, localizado nas imediações do assentamento Irmã Adelaide no Município de Miracema do Tocantins. Ao chegarem ao local, verificaram a gravidade dos ferimentos dos ocupantes e os danos causados no veículo após o seu condutor ter perdido o controle da direção vindo a colidir com um poste (padrão) de energia.

Dentre as vítimas, foi constatado após uma rápida avaliação, que o menor de iniciais C.B.C., de 17 anos era a que apresentava o quadro mais grave, tendo sofrido fraturas e lesões consideradas graves com riso a vida. Devido a seu quadro clínico grave, o mesmo foi imobilizado, pela equipe do Ciopaer com apoio do SAMU, sendo embarcado na aeronave e levado ao diretamente ao Hospital Geral de Pamas – HGP. Durante o trajeto de 12 minutos do local do acidente até o hospital, o menor foi assistido por um médico e um enfermeiro.

Ao chegar ao hospital, à vítima foi recebida por uma equipe médica que já a aguardava a fim de prestar os cuidados necessários. A ação propiciou ao jovem um ganho de tempo no atendimento em cerca de 1 hora entre o acionamento do helicóptero e a chegada ao hospital para os cuidados necessários, sendo decisivo para sua sobrevivência.

Fonte: Atitude Tocantins

SP amplia "tropa de elite" do resgate médico

Saúde investe R$ 34,7 milhões na compra de ambulâncias, novas bases operacionais e médicos especializados que atuarão no socorro a vítimas de acidentes e violência em 10 cidades

O Governo de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Estado da Saúde, em solenidade realizada na sede do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da PMESP, na manhã de hoje (04/02), disse que vai investir R$ 34,7 milhões para ampliar sua “tropa de elite” do resgate médico, aéreo e terrestre, a vítimas de acidentes e violência em todo o Estado.

Mais nove bases do Grau (Grupo de Atendimento e Resgate às Urgências), da Secretaria, serão instaladas nas cidades de Bauru, Araçatuba, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Presidente Prudente, Praia Grande, São José do Rio Preto, Sorocaba e Piracicaba.

O projeto-piloto de ampliação da rede começou por Campinas, em 2012. Além disso, o Grau já mantém cinco bases na capital, incluindo o Grupamento de Radiopatrulha Aérea da PMESP, que atuam em toda a região metropolitana da Grande São Paulo.

GRAU11

Para reforçar e agilizar o socorro pré-hospitalar, fundamental para salvar vidas, a Secretaria comprou 55 novas ambulâncias superequipadas, com todos os recursos de suporte avançado às vítimas, além de materiais e insumos necessários para o atendimento.

Além disso, serão contratados 258 novos profissionais, dos quais 136 médicos (cirurgiões, intensivistas e anestesistas) e 122 enfermeiros, especializados no atendimento a pessoas em estado grave, como vítimas de atropelamento, quedas e até de grandes catástrofes, visando à estabilização do estado clínico até a chegada ao hospital.

Os médicos e enfermeiros do Grau terão o apoio de 21 helicópteros da Polícia Militar para transporte aéreo de pacientes com quadros gravíssimos e risco iminente de morte.

GRAU7As novas bases serão instaladas até o próximo ano nos municípios do interior e litoral, que foram selecionados conforme sua grande densidade demográfica. Além disso, todas essas cidades possuem estruturas hospitalares aptas a receberem os pacientes em diferente graus de complexidade, plenamente integradas com as Redes de Urgência do Estado, incluindo os diversos SAMUs municipais.

Com a ampliação do Grau, a Secretaria irá quadriplicar o orçamento de seu serviço de Resgate, dos atuais R$ 5 milhões para $ 22 milhões por ano.

“o atendimento pré-hospitalar é crucial para estabilizar a vítima antes da remoção, especialmente de pessoas com quadros mais graves, como aquelas em choque ou inconscientes, aumentando desta forma as chances de sobrevivência. A ampliação de um serviço altamente especializado em resgate médico certamente irá contribuir para salvar muitas vidas”, afirma Giovanni Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

Referência

O Grau é referência nacional e até mesmo internacional em resgate médico e atendimento a desastres. A “tropa de elite” da Secretaria esteve presente em tragédias históricas, como a explosão do Osasco Plaza Shopping (1996), queda do teto da Igreja Renascer, quedas das aeronaves da TAM (1996), TAM (2007) e a dos Mamonas Assassinas (1996), além das enchentes que atingiram Santa Catarina (2008), São Luiz do Paraitinga, no interior paulista (2010) e Alagoas (2010).

Os cerca de 80 profissionais do Grau especializados em catástrofes e atendimento a vítimas de acidentes realizam aproximadamente 18 mil socorros médicos por ano. Na capital paulista as cinco bases terrestres do serviço ficam na Praça da Sé, Casa Verde, Cambuci, Butantã e Itaquera.

GRAU14A equipe do Grau, que passa por diferentes e exaustivos treinamentos, como negociação em sequestros e balística, integra um sistema de resgate composto também pelo Corpo de Bombeiros e o Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar.

Além de participar de ações aéreas de resgate médico, por meio dos helicópteros Águias da Polícia Militar, o Grau também disponibiliza viaturas rápidas, com especialistas e equipamentos aptos à prestação de atendimento rápido para a vítima ainda em rua antes da chegada de uma ambulância.

O acionamento do Grau é feito pelo telefone 193, Central de Operações do Corpo de Bombeiros (COBOM), cabendo ao Médico Regular do Grau, através das informações recebidas e após o despacho da viatura adequada, monitorar e orientar os profissionais no local além de indicar o melhor recurso hospitalar para cada tipo de atendimento, de acordo com a regionalização e hierarquização dos hospitais previamente normatizados e por uma grade já estabelecida.

Levantamento realizado pelo Grau mostra que 80% das cerca de 1.000 vítimas encaminhadas pelo serviço ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP sobreviveram e tiveram altas.

A rapidez e o alcance do Grau, com raio de aproximadamente 60 km de onde a base está instalada, minimizam o estresse em localidades em que há poucos hospitais ou unidades sem as especialidades para p atendimento da vítima.

Confira as fotos do evento:

Fotos: Rivaldo Ribeiro para o Piloto Policial.

Avião adaptado para transportar pacientes é parceria inédita no Litoral Gaúcho

Menino mordido por cachorro em Torres, na terça-feira (08/01/13), foi transferido no Guapo 16 com agilidade para Porto Alegra/RS.

Os 20 policiais militares que desafiam o tempo e o ar para salvar vidas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul trazem novas companhias a bordo. Diariamente, uma equipe formada por médico integra a tripulação de praças e oficiais que, no céu, são como anjos.

Equipe de médico e enfermeiro integra tripulação de praças e oficiais para salvar vidas. Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Devido ao convênio firmado neste verão entre a Brigada Militar, por intermédio do Batalhão de Aviação (BAv) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pacientes como Pietro Jobim Pastorini de Sousa Borges, quatro anos, mordido por um cachorro em Torres na última terça (08/01/13), puderam ser deslocados ou atendidos com agilidade — característica determinante em alguns casos.

— Torcemos para não ser acionados, pois, quando somos, é porque a situação é realmente grave. Então, nesses momentos, é fundamental poder contar com a novidade de termos uma equipe médica conosco — avalia o comandante do Batalhão de Aviação da Brigada, tenente-coronel Carlos Alberto Selistre.

A parceria, que já tem força em Estados como São Paulo e Santa Catarina, ainda está em fase de teste no Rio Grande do Sul. E para que este primeiro passo fosse possível, uma aeronave teve ser adaptada. Com assentos subtraídos e equipamentos especiais adicionados, o Guapo 16 ganhou ares de UTI no céu. Nele, é possível transportar pacientes do Litoral Norte para a Capital gaúcha, desde que a família concorde e não haja prejuízo ao paciente, uma vez que a aeronave não é pressurizada.

— O espaço é pequeno. Por isso, o atendimento tem de ser resolutivo e feito com um número reduzido de materiais. No entanto, temos a chance de remover rapidamente e salvar vidas que poderiam ter fim com a demora — explica a médica Rossana de Carli.

Velocidade como aliada

Além da remoção por meio do Guapo 16, os profissionais estão aptos para atuar com a tripulação em casos de afogamento, acidentes em rodovias ou em qualquer situação em que a velocidade seja a maior aliada. Para isso, o grupo ainda conta com outras duas aeronaves: um avião monomotor e um helicóptero.

A ideia é de que este projeto-piloto seja qualificado com formação e capacitação de novas equipes médicas, compra de equipamentos e, até mesmo, aquisição de uma aeronave-UTI. De acordo com Maicon Vargas, coordenador geral do SAMU no Estado, o objetivo final é oferecer o atendimento aeromédico durante todo o ano e em todas as regiões gaúchas.

Desde o início da Operação Golfinho, em 15 de dezembro, o batalhão já foi acionado 11 vezes para agir em salvamentos no mar e águas internas e nas rodovias com os médicos e enfermeiros da SAMU. Com orgulho de quem vê os esforços valerem a pena, eles não contabilizam nenhuma morte. Todas as intervenções desta nova parceria foram de sucesso.

Uso de cada aeronave

Avião multimotor Embraer 810 Seneca (Guapo 16)

Utilizado para a realização de eventuais missões de misericórdia, ou seja, transportar pacientes do Litoral Norte para a Capital, desde que a família concorde e não haja prejuízo ao paciente, uma vez que a aeronave não é pressurizada.

Avião monomotor Cessna Centurion

Empregado em missões de patrulhamento na orla, sobre rodovias e, principalmente na rápida localização de vítimas à deriva no mar ou em lagoas.

Helicóptero Schweizer HU-30

Usado em atividades de salvamento aquático. No entanto, por ser de apenas dois lugares, permite que apenas um tripulante operacional seja lançado à água de cada vez para fazer o salvamento. Os helicópteros multimissão do BAv (Esquilo), ideais para esta situação, estão em manutenção em Minas Gerais, sem uma exata previsão de retorno.

Serviço

A ajuda da equipe aeromédica pode ser solicitada pelos telefones 3665-2813, 190 e 192.

Fonte: Zero Hora

Guardiões do Ar: O esforço para salvar vidas das equipes de resgate no Sul do País

Quando o pedido de socorro para um helicóptero vem das estradas quase sempre a situação é muito grave. Na última reportagem da série Guardiões do Ar, acompanhe o esforço das equipes de resgate no sul do País.

Esse episódio mostra a atividade de resgate aeromédico realizado pela Polícia Rodoviária Federal e Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. Esse episódio mostra ainda o transporte de órgão realizado pela Polícia Civil de São Paulo e finaliza com ocorrências da Polícia Militar de São Paulo.


Guardiões do Ar, veja a série completa das reportagens do Jornal da Record


Fonte: Rede Record

CIOPAer/TO atua em resgate aeromédico de vítima de acidente de trânsito

A equipe do Centro Integrado de Operações Aéreas – Ciopaer, de Tocantins, efetuou, em 04/01/2013, o resgate aeromédico de uma vítima de acidente de trânsito ocorrido na rodovia TO 080, aproximadamente 40 quilômetros da Capital, Palmas.

Por volta das 15h, o Ciopaer, recebeu a informação de que havia ocorrido uma colisão frontal envolvendo dois veículos na rodovia que liga Palmas a Paraíso e que havia feridos graves necessitando de transporte aeromédico. O helicóptero da SSP foi acionado e seguiu imediatamente ao local do acidente onde realizou o pouso na rodovia e efetuou o embarque de uma das vítimas que havia sofrido um traumatismo crânio encefálico (TCE) e, devido à gravidade das lesões, necessitava de remoção aérea urgente.

Por ocasião do atendimento aeromédico, foi constatado pela equipe do Ciopaer que, na verdade, se tratava de um capotamento de um veículo modelo S10, cor Prata que transportava três pessoas no momento em que se acidentou.

O helicóptero, em contato com o SIOP, informou a necessidade de pouso no Hospital Geral de Palmas – HGP, sendo então, deslocada uma viatura da polícia militar para o local a fim de auxiliar nos procedimentos de pouso. Após deixar o local do acidente, a aeronave da SSP, efetuou o trajeto até o hospital em menos de dez minutos e entregou a vítima aos cuidados da equipe médica daquela instituição hospitalar para o devido atendimento.

A intervenção rápida e eficiente da aeronave do Ciopaer contribuiu de forma decisiva para que a vítima, que se encontrava em estado grave, pudesse receber o atendimento médico adequado em um menor espaço de tempo. A ação também demonstrou a total integração e harmonia entre as forças de segurança compostas pelo Ciopaer, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e SIOP, que tem como objetivo preservar a vida do cidadão tocantinense.

Fonte: Ascom SSP/TO.

SAMU e DOA/PRF atendem acidente com múltiplas vítimas em Major Gercino/SC

Por volta de 16 horas do dia 07/12 o SAMU de Nova Trento, em Santa Catarina, foi acionado para atender uma colisão entre um VW/ Gol x caminhão Mercedez Bens, na localidade de Pinheiral, área rural de Major Gercino/SC, no carro havia uma mulher grávida (25 anos) conduzindo o veículo, ela sofreu traumatismo craniano.

A equipe terrestre  levou 1 hora para chegar ao local, pois era de difícil acesso, e chegando lá constatou que além do acidente havia outra vítima no local, um cunhado da gestante condutora do VW/GOL, um masculino de 30 anos que havia sofrido uma queda de uma arvore de aproximadamente 3 metros de altura e estava com múltiplas fraturas no corpo. Com isso a sua cunhada pegou o carro e foi atrás de socorro para o familiar, mas poucos metros após sair de casa ela veio a colidir contra o caminhão.

O SAMU atendeu as duas vítimas e contou com apoio do helicóptero Patrulha 01 da Policia Rodoviária Federal, que atua em parceria com o SAMU em todo país, as duas vítimas foram imobilizadas e medicadas no local, em seguida o helicóptero conduziu a mulher grávida de 8 meses para o hospital Regional de São José, e após retornou ao local do acidente para levar o homem, que estava com várias fraturas, para o Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis.

Se o percurso fosse feito por terrestre levaria quase duas horas e meia até Florianópolis, com o apoio aéreo isso foi reduzido a aproximadamente 20 min de voo.

 

Fonte: SAMU Nova Trento/SC

Texto/Fotos: Técnico de Enfermagem Samuel

GRAER/PR transporta criança com insuficiência respiratória para Curitiba

Na manhã desta quarta-feira (dia 17 de outubro), a equipe do GRAER de serviço na aeronave Falcão 04 (EC130 B4, prefixo PR-BOP), foi acionada para uma remoção aeromédica de urgência, a partir do Município de Paranaguá, no litoral paranaense. O paciente a ser transportado, uma criança do sexo masculino de apenas um ano de idade, apresentava quadro de insuficiência respiratória e suspeita de estar sob influência do vírus N1H1.

Como a criança necessitava de transporte emergencial para um hospital de maior complexidade, o helicóptero do GRAER deslocou para Paranaguá, pousando no aeroporto daquela cidade por volta do meio dia, onde aguardou a chegada da ambulância que trazia o paciente.

O hospital escolhido para receber a criança foi o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC), localizado no centro de Curitiba. Como essa instituição não possui heliponto, decidiu-se que a aeronave pousaria no campo de futebol do Colégio Estadual do Paraná, que fica ao lado do HC.

Por volta das 12h37min a aeronave decolou do litoral em direção à Capital Paranaense e, além da equipe de serviço, esteve presente no deslocamento um médico do Hospital de Paranaguá, Dr. Denis, que fez o acompanhamento clínico da criança durante o voo.

Trinta e cinco minutos depois, a aeronave pousou no campo de futebol do Colégio Estadual, em uma área previamente isolada. Perto do local de pouso, já estava uma ambulância que aguardava para remover a criança ao Hospital de Clínicas. O sucesso da missão foi marcado, além da rapidez no translado do paciente, pelo profissionalismo da tripulação e qualidade operacional do helicóptero utilizado.

Fotos: Divulgação

Resgate aeromédico salva vidas em municípios do Maranhão

SÃO LUÍS – Prontos para atuar no transporte e resgate de pacientes em todo o estado, a primeira turma de Resgate Aeromédico do Maranhão realizou, em 10 dias de operação, seis atendimentos em São Luís, Barreirinhas, Santa Inês, Cururupu e São João dos Patos. O serviço foi implantado semana passada, por meio de uma parceria entre as secretarias estaduais de Saúde (SES) e Segurança Pública.

Foto 1 Resgate aeromédico

“Nós continuamos investindo em equipamentos e nos profissionais para assegurar maior assistência e atendimento de qualidade a todos os maranhenses. E agora o resgate aeromédico serve de apoio à rede hospitalar que estamos implantando em todo o Maranhão”, ressaltou o secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad.

Formada por nove médicos e 11 enfermeiros da Secretaria de Estado da Saúde (SES), a equipe trabalha em regime de plantão 24 horas e funciona na sede do Grupo Tático Aéreo (GTA). Em cada plantão trabalham um médico, um enfermeiro, um operador tático especializado e dois pilotos.

De acordo com a enfermeira Joselia Alves, que integra a equipe de aeromédicos, a maioria das ocorrências é de vítimas de acidentes envolvendo carros e motos.

Um dos casos mais graves atendidos pelos aeromédicos ocorreu no município de Cururupu. Vítima de acidente automobilístico, o paciente, cujo carro colidiu com um caminhão, teve politraumatismo. “O estado dele era muito grave e, se não fosse a possibilidade de ser transferido por uma UTI aérea com equipe especializada, talvez não conseguisse chegar ao hospital ainda com vida”, disse a enfermeira.

Outra importante intervenção dos aeromédicos foi realizada em Barreinhas, sábado passado. O pequeno Werlison Sousa Conceição, de apenas um ano e sete meses, acometido de pneumonia e com quadro de infecção respiratória grave foi resgatado pela equipe que o transportou para Coroatá, onde foi internado na UTI pediátrica do Hospital Macrorregional Alexandre Mamede Trovão.

Capacitação

Os aeromédicos são capacitados para atuar no transporte e resgate com utilização de helicópteros do GTA, conforme as exigências do Conselho Federal de Medicina, bem como as regulamentações aeronáuticas e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Agora o Maranhão dispõe de Resgate Aeromédico, como em outros Estados. Para fazer o transporte dos pacientes de forma adequada, a aeronave tem UTI completamente montada.

O curso teve duração de três meses e a grade curricular abrangeu disciplinas como terminologia aeronáutica, conhecimentos técnicos, segurança de vôo, fisiologia de vôo, fraseologia operacional, adaptação ao meio liquido, embarque e desembarque de helicópteros, resgate em locais de difícil acesso e assistência ao paciente aerotransportado.

Fonte: Secretaria de Saúde do Maranhão.

Foto: Nestor Bezerra.

GRAESP/PA realiza remoção aeromédica de criança

Na região sudoeste do Estado do Pará não param os serviços do GRAESP, seja no policiamento ou no resgate aeromédico, mostrando profissionalismo e capacitação técnica para atuar de forma dinâmica em todas as missões que se deparam.

Mais uma nova remoção aeromédica foi realizada. Dessa vez foi o transporte de uma criança de 8 anos, com um grave quadro de AVC hemorrágico. Esse translado ocorreu dos municípios de Medicilândia para Altamira, sudoeste do estado do Pará. A criança foi levada pelo helicóptero para o Hospital Regional de Altamira, onde foi assistida.

Fonte: GRAESP

Maranhão passa a ter resgate aeromédico

O Maranhão passa a dispor de Resgate Aeromédico. Outros estados já possuem esse serviço, como Paraná, Santa catarina, Bahia, São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, etc. A primeira turma para a realização desse serviço no estado foi certificada, na manhã desta quinta-feira (6), em solenidade ocorrida na sede do Grupo Tático Aéreo (GTA). Nove médicos e 11 enfermeiros da Secretaria de Estado de Saúde (SES) foram capacitados para atuar no transporte e resgate com utilização de helicópteros do GTA – conforme as exigências do Conselho Federal de Medicina (CRM), bem como as regulamentações aeronáuticas e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

turmado aeromedico

A solenidade de formatura foi presidida pelos secretários de Estado Ricardo Murad (Saúde) eAluisio Mendes (Segurança Pública) e contou com a participação do comandante geral daPolícia Militar do Maranhão, coronel Franklin Pacheco Silva; da delegada geral de Polícia Civil do Maranhão, Maria Cristina Resende; do coordenador geral do Grupo Tático Aéreo (GTA),Delcimar de Oliveira Silva; da gestora de Ações e Serviços de Saúde da SES, Maria do Socorro Bispo, familiares e convidados dos formandos.

Ricardo Murad parabenizou os médicos e enfermeiros que participaram voluntariamente do Curso de Resgate Aeromédico, o que vai possibilitar um trabalho mais eficiente no resgate aéreo dos pacientes. O transporte aeromédico é uma atividade que exige alto grau de especialização dos profissionais, tendo em vista que o traslado pode, em alguns casos, agravar o estado clínico do paciente. “Por isso, selecionamos profissionais com altíssima capacitação e muita experiência em atendimento de urgência e emergência”, completou o gestor estadual de Saúde.

A capacitação foi realizada em parceria com a Secretaria de Segurança Pública. “Quero registrar a minha admiração e apoio incondicional ao trabalho que vem sendo realizado pelo sistema de Segurança Pública na destruição das estruturas do crime organizado no estado”, ressaltou Ricardo Murad.

Aluisio Mendes enfatizou que a metropolização de São Luís e o crescimento de outros municípios do Maranhão demandaram a necessidade dos órgãos estaduais disporem de um mecanismo de resgate mais eficaz, em relação ao tempo de deslocamento. “Este helicóptero, dotado de duas UTIs completamente montadas, é um dos mais modernos do país e vai contribuir para uma abrangência mais ampla e eficiente no resgate de pacientes, antes exercido com muita competência e sem estrutura adequada pelos homens do Corpo de Bombeiros”, acrescentou.

O curso teve duração de 80 horas aula, com as disciplinas de terminologia aeronáutica, conhecimentos técnicos, segurança de vôo, fisiologia de vôo, fraseologia operacional, adaptação ao meio líquido, embarque e desembarque de helicópteros, resgate em locais de difícil acesso e assistência ao paciente aerotransportado.

O médico Antonio Borba Lima, que era um dos formandos, agradeceu ao Governo do Estado pela oportunidade de participar do curso e relembrou as dificuldades enfrentadas durante a qualificação. “Todo o processo de transformação pelo qual fomos submetidos nos incentivou ainda mais a prosseguir nesta missão de salvar vidas”.

Fonte: Secretaria de Saúde do Maranhão.

Foto: Mauro Wagner.

Cerimônia celebra cinco anos de resgate aeromédico do Samu Metropolitano do Recife/PE

Evento reuniu gestores, trabalhadores e convidados da Prefeitura do Recife e Polícia Rodoviária Federal, instituições que operam o serviço

O convênio assinado entre Prefeitura do Recife e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para disponibilizar resgate aeromédico ao Samu Metropolitano do Recife completou cinco anos. O marco foi comemorado na noite desta sexta-feira (03) em cerimônia que levou uma movimentação diferente ao hangar do órgão nacional, na Imbiribeira, onde os frequentes pousos e decolagens da aeronave que transporta as equipes de salvamento deram vez a momentos exclusivamente festivos.

A solenidade contou com a presença de gestores, trabalhadores e convidados das duas instituições. Entre os pontos altos do encontro, exibição de vídeos resgatando um pouco sobre a solidificação da parceria e a homenagem a alguns dos principais envolvidos na transformação da iniciativa pioneira numa história de muitos sucessos.

O secretário de Saúde do Recife, Humberto Antunes, comentou a consolidação do processo. “Testemunhamos o importante momento de um trabalho produtivo, bem-sucedido, que ultrapassa barreiras. É motivo de orgulho acompanhar o êxito de um serviço que reúne profissionais disciplinados, que seguem métodos e protocolos, e, principalmente, têm compromisso com a sociedade e o povo brasileiros. Na expectativa para a Copa do Mundo 2014, queremos estar preparados para assegurar a cobertura eficiente e efetiva para a nossa população e quem mais vier prestigiar o campeonato esportivo internacional”, destacou.

Chefe da Base Avançada da PRF no Recife, o comandante André Galdino agradeceu a contribuição dos envolvidos na concretização da parceria. “Em 2005, eu estava em Brasília e fui transferido para cá para trabalhar no resgate aeromédico. Antes do convênio efetivo com o Samu, já salvávamos vidas com o uso do helicóptero. Atuávamos com valentia, mas fazendo um trabalho empírico”, recordou.

Leonardo Gomes, coordenador do Samu Metropolitano do Recife, enfatizou a relevância da pactuação entre as instituições. “É um trabalho exitoso, que funciona com excelência e, por isso, traz bastante orgulho. A experiência desenvolvida na capital pernambucana é exemplo para todo o País e muito nos honra participar dela”, assegurou.

Saiba mais

O convênio da Prefeitura do Recife e a PRF, que conta com suporte financeiro do Ministério da Saúde, teve início em agosto de 2007. O principal objetivo da iniciativa é oferecer atendimento pré-hospitalar nos locais de difícil acesso e que exijam um melhor tempo resposta desde o chamado da ocorrência até a chegada ao ponto onde está a vítima. Desde o início da parceria, foram realizados aproximadamente 1,3 mil atendimentos conjuntos. Atualmente, a média mensal é de 30 intervenções com a utilização da aeronave.

O helicóptero usado é um Bell 407, com autonomia de voo de três horas – o que representa 640 quilômetros de deslocamento sem pausa para reabastecer. Normalmente, ele percorre 18 quilômetros a cada cinco minutos. Equivale a dizer que, saindo do hangar na Zona Sul da Cidade, o veículo chegaria numa ocorrência hipotética em Igarassu em dez minutos. Além de no Grande Recife, o equipamento já foi enviado para atendimentos em outras cidades de Pernambuco e mesmo estados vizinhos, como Alagoas e Paraíba.

A tripulação é composta por piloto, operador de voo, médico e enfermeiro. O serviço funciona das 7h às 17h, de domingo a domingo. Todos os profissionais que compõem o convênio são qualificados e passam permanentemente por capacitações, cursos, treinamentos e simulados específicos.

O acionamento pode ser feito pela Central de Regulação Médica do Samu Metropolitano do Recife, pela PRF ou pelo Ciods – Centro Integrado de Operações de Defesa Social. As causas externas em via pública, principalmente acidentes de trânsito, formam a maior demanda atendida pela aeronave. A viatura aérea, no entanto, pode ser solicitada para cobrir praticamente quaisquer atendimentos, desde que haja condições para pouso e decolagem. Entre as possibilidades estão atropelamentos em rodovias, quedas de barreiras e capotamentos de veículos.

Fonte: Prefeitura de Recife.

GRAESP/PA trabalhando e salvando vidas

O GRAESP em mais uma de suas nobres missões não para de atender os que mais precisam em todo o Estado do Pará,   trabalhando para melhor servir à sociedade. Os serviços vão desde o patrulhamento policial ao atendimento/suporte de emergência para os casos mais complicados de saúde nos diversos municípios do Pará.

O transporte Aeromédico é uma resposta rápida a situações delicadas, dando a esperança de um tratamento específico e especializado, seja na capital Belém ou no interior – pólos de referencia de atendimentos hospitalares de média e alta complexidade.

Atuando na Amazônia paraense desde 2007, a equipe do Resgate 01 (GRAESP e SESPA) promoveu uma remoção aeromédica de criança com 01 ano e 08 meses, que estava com insuficiência respiratória em virtude do quadro de  pneumonia que se encontrava. Esta ação fora executada de Oeiras do Pará para Belém com duração de 54 minutos de vôo. Em deslocamento convencional (embarcação e veículo terrestre) este transporte seria cumprido em cerca de 14 horas. A criança foi encaminhada para o Hospital da Santa Casa de Misericórdia onde foi assistida e está em evolução do quadro de saúde.

São inúmeros os casos onde a vida foi salva devido a atuação do GRAESP, consolidando que não há valor para uma vida, como, por exemplo, o transporte aeromédico do senhor VLADIMIR LOBATO que sofreu infarto e necessitava receber tratamento especializado ou a remoção aeromédica do Sr. Geraldo Batista, 35 anos, vítima de traumatismo na região da coluna cervical, após sofrer uma queda de motocicleta na zona rural do município de Medicilândia.

GRAESP – atendendo a sociedade e garantindo a vida!

Fonte: GRAESP

BRPAe Campinas/SP: Resgate aeromédico completa 2 anos

Em 2 anos, 425 voos para ações de resgate a vítimas

Quarta-feira, 30 de junho de 2010. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, levanta voo pela primeira vez para socorrer uma pessoa que havia caído de uma altura de 20 metros, em Campinas. Aquele foi o primeiro voo do resgate aeromédico da PM da base Campinas. Passados dois anos, 425 voos foram realizados com a mesma finalidade: salvar vidas.

A base de Campinas do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da PM, ou simplesmente Águia, é a única fora da Capital que possui o resgate aeromédico e conta com uma equipe de ponta. Os policiais militares que atuam no Águia e os médicos e enfermeiros do Grupo de Resgate de Atendimento de Urgência (Grau) que trabalham nas ocorrências não são adeptos ao título de heróis, mas é inegável a importância desses profissionais no resgate de vítimas.

Com a capacidade de levar ao local do acidente uma equipe médica com rapidez, o Águia da PM se transformou em esperança. Afinal, é este o sentimento quando o Águia aterrissa nos locais mais improváveis para realizar seus resgates. Com as estatísticas apontando para o sucesso das operações de resgate do Águia, o slogan “voando para servir” facilmente poderia ser substituído por “voando para salvar”.

Em dois anos do resgate aeromédico, completados ontem, foram centenas de vidas salvas. Pessoas que tiveram a chance de sobreviver graças ao resgate rápido e preciso. Como João Vitor, Lucas, Santino e tantos outros. Personagens do dia a dia que entraram para lista de sucesso do Águia: a de pessoas que foram salvas.

O dia 2 de julho de 2011 mudou o rumo da família Secafene. Era meio-dia quando o jovem João Vitor, com 20 anos, recebeu uma ligação de um amigo que pediu uma carona para levá-lo até uma oficina mecânica buscar sua moto. João saiu de casa, no Jardim Esmeraldina, em Campinas, e não foi preciso mais de 500 metros para sua vida mudar radicalmente. Foi atingido em cheio por uma camionete. Com uma fratura na cabeça, outra na perna, uma grave fratura na bacia e muitas escoriações pelo corpo, o jovem saudável estava no chão, à espera de socorro.

“Na hora que eu cheguei lá eu achei que tivesse perdido ele. Entrei em pânico”, se recorda o pai, José Roberto. Em seguida, surgiu o helicóptero da PM. Na época, o Águia salvava vidas havia pouco mais de um ano e ainda era pouco conhecido. “Confesso que não sabia o que aquele helicóptero estava fazendo ali. Para mim só servia para ações policiais. Mas era o resgate do meu filho que estava chegando”, diz, emocionado. Juntamente com os “anjos” que vieram do céu, uma equipe do Samu chegou e começou a luta para salvar João. “E como foi perfeito. Foi uma coisa extraordinária. Só tenho a agradecer”, resume o pai, que ainda se emociona ao se lembrar do episódio. Ele chegou ao HC da Unicamp com um diagnóstico assustador. Fêmur e bacia gravemente fraturados. Quadro de hemorragia interna. Pouco mais de um mês de sofrimento da família e muitas incertezas.

Amarrados

Na UTI, uma cena chamou atenção de José. Muitos internados ficavam amarrados, mas isso era um bom sinal porque mostrava que os pacientes em coma estavam tendo estímulos. “Eu queria ver o meu filho amarrado, porque sabia que ele estaria evoluindo. E quando vi ele com as mãos amarradas fiquei muito feliz. Parece estranho, mas ele estava reagindo”, contou. Foram 35 dias na UTI, até que em 30 de setembro João finalmente voltou para casa. Apesar disso, ele ainda não falava. Se comunicava através de gestos. Também não andava.

Em novembro, já falando algumas palavras, começou a sair da cama para iniciar as sessões de fisioterapia, no centro de referência Luci Montoro. “Começou indo na cadeira de rodas. Hoje ele já consegue ficar em pé”, conta com alegria a irmã mais nova, Priscila, de 19 anos, que, desde o acidente, dedica sua vida para cuidar do irmão. “Deus não faz nada sem nenhum propósito. Uniu muito a família, fortaleceu a todos”, contou José.

Toda essa união é sentida pelo jovem durante o tratamento. “A família é muito importante para mim”, contou João, que tem um sonho: voltar a trabalhar. Na última semana, a família Secafene fez questão de levar João para conhecer os oficiais do Águia que realizaram seu resgate. “Eu acho que ele só conseguiu estar aqui justamente por ter sido salvo pelo Águia”, diz o pai.

O jovem, que está apenas há duas semanas andando com auxílio de muletas, conheceu a base e o helicóptero.

Casal

A história do casal Aparecida Fátima Zacarias, de 45 anos, e Santino Medeiros Navarro, de 48, poderia ter um fim trágico no dia 1 de junho deste ano. Morador de Cabreúva, Santino saiu de casa na manhã daquela sexta-feira, em sua moto, rumo a Mogi Mirim, para visitar amigos. Mas a viagem foi interrompida no Km 130 da Rodovia D. Pedro I. Uma freada brusca de um caminhão à sua frente não permitiu que Santino parasse. Ele acabou batendo violentamente contra o veículo. “Graças a Deus foi o Águia que socorreu ele, porque, se não fosse, sabe Deus o que poderia ter acontecido. Não ia dar tempo de chegar ao hospital”, disse a mulher.

Ele foi levado para o HC da Unicamp com fraturas em quase todas as costelas, na clavícula, além de uma perna e um braço quebrados. Após quase um mês, Santino segue na UTI, mas está prestes a ser levado para um quarto. “Os médicos não acreditavam que ele estaria como está. Tenho muito a agradecer ao Águia”. Santino ainda passará por duas cirurgias e, apesar da gravidade dos ferimentos, não há indícios que ele terá sequelas. “Ele ainda será avaliado pelos médicos, mas tudo indica que ele ficará bem”, contou a mulher.


Fonte: Correio Popular

REGA: Resgate aeromédico suiço completa 60 anos

Os helicópteros da Rega, a companhia de resgate e ambulância aérea da Suíça, foram chamados para transportar alguns dos feridos do local do acidente, no cantão do Valais (sudoeste) até os hospitais de outros estados. Todos as três aeronaves da organização foram usados depois para repatriar os alunos da escola belga de volta para casa. Essa foi uma das maiores e mais traumáticas operações nos 60 anos de história da Rega.

Poucas semanas depois, a ambulância aérea foi chamada novamente, desta vez na Turquia, onde 19 turistas suíços ficaram feridos em um acidente de ônibus – acidente que custou a vida de um dos suíços do grupo. 

Um médico da Rega baseado no país conseguiu chegar no local do acidente em questão de horas e 14 feridos suíços voltaram para casa através do serviço de ambulância aérea em menos de dois dias. 

O ano passado foi mais movimentado do que nunca para a Rega. Seus 17 helicópteros e três aviões a jato voaram em 14.240 missões de resgate de cidadãos suíços, no país e no exterior. Não é de se admirar que o serviço sem fins lucrativos tenha ganho status de ícone, citado por muitos suíços no mesmo nível da Cruz Vermelha – organização da qual a Rega também faz parte. 

Acidente na geleira Gauli 

O serviço de resgate aéreo suíço foi fundado em 27 de abril de 1952. Em seu primeiro ano de funcionamento, o serviço voou apenas em seis missões – no ano passado, os helicópteros voaram por dia só cinco vezes esse número. 

Mas a ideia de um serviço de salvamento aéreo suíço nasceu a partir da queda de um avião militar dos Estados Unidos sobre o Glaciar Gauli, no cantão de Berna, em 1946. Após uma busca de quatro dias, dois aviões do exército suíço puderam pousar em uma geleira próxima e completar o resgate dramático da tripulação e dos passageiros do avião.

O salvamento demonstrou a eficácia do resgate aéreo nos Alpes e seis anos depois era formalmente criado o Resgate Aéreo Suíço (Rega), uma subdivisão da Associação Suíça de Resgate, sob a liderança de Rudolf Bucher.

Em seus primeiros anos, o serviço não só salvava pessoas em terrenos acidentados dos Alpes suíços, mas também participava de operações internacionais. Paraquedistas treinados pela Royal Air Force foram largados na Holanda para ajudar as pessoas presas em uma enchente em 1953. No ano seguinte, os socorristas suíços entraram em ação em um resgate de uma avalanche na Áustria. 

Cooperação internacional 

Em 1956, Rega participou na busca dos corpos das vítimas de uma colisão entre dois aviões de linha sobre o Grand Canyon, nos EUA. Outras operações foram realizadas nos anos seguintes na Turquia, Itália e Romênia. “Estamos orgulhosos de ver o nome do serviço Rega respeitado em todo o mundo. 

Os serviços de resgate aéreo do mundo estão agora mais equipados, mas continuamos cooperando com outras organizações na formação e na transmissão do conhecimento em áreas como a voos noturnos”, disse à swissinfo.ch o diretor-geral Ernst Kohler. 

Os turistas suíços podem ser resgatados em qualquer lugar do mundo em caso de doença ou acidente. Por exemplo, durante o tsunami na Ásia, no final de 2004, 60 turistas suíços foram repatriados pelo serviço. 

Mas as operações no exterior estão diminuindo nos últimos anos. Em 2011, o serviço Rega agiu em 2114 emergências médicas no exterior, ou 19% a menos que no ano passado. “Em vinte anos, os serviços médicos de muitos países melhoraram, de modo que o repatriamento é cada vez menos necessário. Mas há sempre pessoas que preferem voltar para serem tratadas na Suíça”, diz Ernst Kohler. 

Um socorro para o erário 

A importância do serviço Rega pode ser medida pelos seus 2,4 milhões de doadores que contribuíram com 86,5 milhões de francos suíços no ano passado.

As contribuições também ajudam a evitar que os contribuintes paguem pelo serviço. Por outro lado, o Tribunal Federal (última instância) confirmou em novembro passado a decisão da Receita Federal suíça de que há de fato uma troca de serviços sujeitos ao IVA entre doadores e Rega. Números impressionantes para um país de 8 milhões de habitantes. Especialmente porque todos têm direito à assistência gratuita do serviço Rega, mesmo quem não é membro ou não paga uma cotização. 

Consequentemente, este último teve que pagar 5,5 milhões de francos em impostos, o equivalente ao pagamento de 185.000 anuidades. “Não é justo arrecadar dinheiro de uma organização sem fins lucrativos”, protestou Ernst Kohler. “Este dinheiro deve ser usado para os aviões em vez de terminar nos cofres do Estado”, disse. 

O debate agora está nas mãos dos políticos suíços, mas Ernst Kohler não espera que o problema seja resolvido tão cedo: “uma decisão política seria um bom presente de aniversário, mas é preciso tempo para mudar a lei”. 

Frota

A Rega opera uma frota de 17 helicópteros e três aviões. A frota de helicóptero compreende em seis Eurocopter EC145, baseados em quatro bases nas cidade de Basel, Zurich, Berne e Lausanne, e 11 AgustaWestland AW109, baseados em oito bases localizadas em Erstfeld, Locarno, Samedan, St. Gallen, Mollis, Untervaz, Zweisimmen and Wilderswil. Assim, cinco dos helicópteros estão sempre na reserva, podendo estar sendo submetido a manutenção ou sendo usado para treinamento. A frota de aviões compreende em três aeronaves Challenger CL-604.

Adaptação: Fernando Hirschy / Fonte: Matthew Allen (swissinfo.ch), via Desastres Aéreos News.

Segurança de voo em Operações de Resgate Aeromédico do GRPAe/SP

JOSÉ ALEXANDER DE ALBUQUERQUE FREIXO

INTRODUÇÃO

Para a realização de Operações Aeromédicas, diversas ações preparatórias devem ser desenvolvidas visando o cumprimento da missão dentro de um nível aceitável de segurança operacional. Estas ações englobam o estabelecimento de procedimentos operacionais padrão, treinamentos específicos e um constante gerenciamento do risco durante a execução dos voos.

Um voo de resgate envolve uma série de variáveis que o Comandante de aeronave deve gerenciar, como o peso da aeronave, quantidade de combustível e potência disponível para o voo, condições meteorológicas, entre outras. Mas os pontos mais críticos da operação, sem dúvida, são o pouso em área restrita e a segurança da aeronave no solo.

Quando ocorre o acionamento da equipe, a tripulação não sabe aonde realizará o pouso, essa análise é feita quando da localização da ocorrência, onde de uma maneira dinâmica, a equipe realiza o gerenciamento de risco, optando pelo local mais seguro, dentro de parâmetros pré-estabelecidos em um procedimento operacional padrão.

O RESGATE AEROMÉDICO

Atualmente o GRPAe realiza o serviço de resgate aeromédico nas Bases de Radiopatrulha Aérea (BRPAe) de São Paulo e Campinas, atuando diariamente no período diurno, mantendo aeronave e equipe das 06:30 h ao pôr do sol. Esta limitação operacional não é imposta pela regulamentação aeronáutica, ela ocorre por uma doutrina operacional do GRPAe, que privilegia a segurança do voo, tendo em vista os vários perigos presentes nas operações de resgate aeromédico, que no período noturno são potencializados.

A baixa luminosidade ou a sua ausência dificultam a visualização de obstáculos e também podem contribuir para a desorientação espacial do piloto, dentre outros problemas que o pouso e decolagem noturnos em áreas não preparadas para este fim podem ocasionar.

A possibilidade de pousar em áreas não homologadas ou registradas para este fim é fundamental para o cumprimento das missões de resgate. A autorização para a realização de algumas condições especiais de operação, tal como o pouso em locais não homologados, é prevista na legislação e regulamentação aeronáutica, para aeronaves em missões de segurança pública e/ou defesa civil, desde que o objetivo da missão seja a proteção e o socorro público ou o combate a incêndios florestais.

Além disso, o Órgão de segurança pública e/ou de defesa civil responsável deve ter estabelecido procedimentos padronizados de operação e de segurança de voo, com a finalidade de orientar a conduta das tripulações nestas condições especiais.

Atualmente o GRPAe utiliza a aeronave AS350- Esquilo, para as missões de Resgate Aeromédico. O helicóptero conta com os equipamentos exigidos para uma ambulância aérea e sua tripulação é composta por dois pilotos, um médico e enfermeiro.

Por contar com dois pilotos, um comandante de aeronave e um comandante de operações, a maca é instalada na transversal do aparelho, diferente da configuração de transporte inter hospitalar, onde a maca é montada na longitudinal, obrigando a retirada do assento do copiloto e os respectivos comandos de voo.

Durante todo o voo e em especial no pouso em área restrita, o enfermeiro e o médico devem orientar o piloto no posicionamento da aeronave.

A visão do piloto é muito limitada e somente com o trabalho da tripulação como uma equipe é possível efetuar um pouso nestas condições com segurança.

Com as portas traseiras abertas, o médico e enfermeiro tem visão das extremidades do rotor e da cauda da aeronave. A utilização da fraseologia operacional padrão é fundamental para uma comunicação clara, objetiva e precisa, não permitindo interpretações ou entendimentos equivocados, principalmente nas fases mais críticas.

A outra grande preocupação é a segurança da aeronave no solo. Assim que o helicóptero pousa, o copiloto, médico e enfermeiro desembarcam imediatamente e fazem o isolamento até a parada total dos rotores, evitando desta forma a aproximação de pessoas, animais e veículos.

POUSO EM ÁREA RESTRITA

Para a realização do pouso em área restrita, a tripulação deve observar os seguintes critérios:

a) Operação entre o nascer e o pôr do sol;
b) Atentar para a presença de obstáculos;
c) Observar materiais que possam ser danificados ou deslocados pela ação do vento do rotor;
d) Atentar para dimensão de no mínimo 20×25 metros da área de toque (referência para aeronave AS350);
e) Identificar tipo de solo, prevendo a formação de nuvens de poeira;
f) Atentar para objetos que possam atingir o rotor de cauda; e
g) Caso as condições de segurança não existirem, escolher outro local nas proximidades e fazer nova verificação. CASO NÃO EXISTA UM LOCAL SEGURO, ABORTAR A MISSÃO.

EMBARQUE/DESEMBARQUE A BAIXA ALTURA

A técnica de desembarque e embarque a baixa altura é utilizada quando há a necessidade da extração e/0u infiltração de efetivo em um determinado local onde o helicóptero não tem condições de pousar (esquis no solo), devido às irregularidades no terreno, presença de pequenos obstáculos no solo ou vegetação alta.

Tal técnica não é considerada como um procedimento isolado e sim um meio para a realização de determinados procedimentos, tais como o desembarque de tripulantes e embarque de vítimas em encostas, desembarque de tripulantes em locais de difícil acesso por terra, como ilhotas, morros, matagais, lajes etc.

Igualmente a todas atividades desenvolvidas em “Operações Aéreas de Segurança Pública e/ou Defesa Civil”, se faz necessário e fundamental a realização prévia de treinamento com pessoal envolvido na missão, visando estabelecer padrões de segurança compatíveis com o risco assumido. Os objetivos a serem alcançados neste tipo de treinamento são:

a) Ambientação à cabine da aeronave;
b) Conhecimento das regras gerais de segurança em operações embarcadas; e
c) Execução com proficiência do embarque/desembarque a baixa altura.

Para a realização do referido treinamento é necessário apenas a instalação de alças de embarque para auxiliar os tripulantes na operação.

Vale lembrar que todas as atividades aéreas, ainda mais as de Segurança Pública, envolvem riscos, tais riscos podem ser reduzidos a níveis aceitáveis com o treinamento adequado dos envolvidos.

Em 2004 um helicóptero em operação de Segurança Pública teve perda total e duas pessoas tiveram ferimentos leves, após um acidente em uma missão de apoio à Polícia Federal, onde os Agentes não tiveram treinamento e, devido a característica da missão, foi necessário o embarque com a aeronave a baixa altura em uma área onde o pouso não era possível, sendo que um dos Agentes apoiou-se indevidamente na alça do cinto de segurança do Piloto, resultando numa atitude brusca no comando do helicóptero, vindo a colidir o rotor de cauda com obstáculo.

DESCIDA DE RAPEL DA AERONAVE

O rapel é uma técnica utilizada para o desembarque de tripulantes descendo até o solo por meio de cordas, partindo do helicóptero.

Esta técnica não é muito comum de ser empregada em operações aeromédicas, porém já ocorreram situações onde a equipe médica teve que descer de rapel da aeronave para acessar à vítima, por esta razão, é fundamental que os médicos tenham conhecimento dos procedimentos a serem utilizados neste tipo de missão, bem como pratiquem a técnica, permitindo uma familiarização com os equipamentos e o conhecimento das particularidades a serem executadas.

O treinamento de descida de rapel do helicóptero somente será realizado após um detalhado briefing com os pilotos e tripulantes lançadores e a realização de descidas em torre de treinamento.

CONCLUSÃO

A operação de resgate Aeromédico envolve vários perigos que devem ser identificados pela Organização de Aviação de Segurança Pública (OASP).

Características como a urgência, imprevisibilidade, voo a baixa altura, pousos e decolagens em áreas restritas e a pressão “auto-imposta” tornam esta atividade uma das mais críticas desenvolvida pelos operadores de Segurança Pública e/ou Defesa Civil.

Mais do que identificar as ameaças, a Organização deve ter a capacidade de gerenciar os riscos associados e estabelecer defesas para realizar a operação dentro de níveis aceitáveis de segurança de voo.

Uma missão segura pressupõe a existência de uma doutrina operacional, procedimentos padronizados e a capacitação dos tripulantes.


Autor: O Cap PM Freixo é Comandante de Aeronave e Chefe da Seção de Segurança de Voo do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo.


Ensaio sobre Aviação de Bombeiros e outras considerações

Com o objetivo de perpetuar ainda mais a memória do Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa, piloto de helicóptero do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, publicamos três excelentes artigos que escreveu em junho de 2007 no seu Blog, denominado Resgate Aéreo.

Os artigos são, além desse, “E o fio estava lá” e “Como Montar uma Unidade Aérea de Bombeiros“. O seu Blog era voltado aos temas relacionados a aviação de Bombeiros no Brasil e no mundo e hoje encontra-se inativo.

O Comandante faleceu em um acidente aeronáutico em 09 de agosto de 2007, por volta de 14:00h, no Setor P-Sul da cidade de Ceilândia – DF, envolvendo um helicóptero do Corpo de Bombeiros (AS350BA, PT-HLZ). Estavam a bordo, além dele, o Cap BM José Frederico Assunção Magalhães e do 1.º Sgt Lélio Antônio da Rocha.

Esse ensaio é intrigante, desafiador e corajoso. Merece ser lido.

Luiz Henrique Andrade Barbosa (em memória)

Há algum tempo venho tentando escrever a respeito da aquisição da nova aeronave EC 135T2 feita pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal no final de 2004 e entregue no início desse ano (2007). Esse tema em especial, nos leva a discutir também outros assuntos inter-relacionados e que eu sempre quis explorar na forma de texto, mas nunca tive tempo nem coragem de abordar.

A vontade de discutir esse assunto vem da grande quantidade de questionamentos de toda a ordem feitos a mim e a outros pilotos da Corporação, sobre os “porquês” dessa compra. Muito desses questionamentos foram feitos por pessoas ligadas a aviação para-pública. Para ser sincero, fico preocupado quando pessoas com algum conhecimento na área levantam esse tipo de questionamento. Não sei se perguntam por desconhecimento ou por despeito. Aposto nas duas hipóteses.

Na verdade, sinto que ocorre no Brasil, especificamente na aviação de segurança pública, uma “miopia” sobre as missões de bombeiros. Não sei se o termo correto seria miopia, mas vou manter assim. Todos enxergam a missão, mas para alguns, essa imagem é um pouco embaçada e distorcida, nem tanto por despeito, mas por puro desconhecimento de causa.

Na prática, todas as unidades aéreo-policiais realizam tanto missões policiais quanto missões de bombeiros. Em tese, portanto, alguma experiência e vivência nessa atividade eles possuem. Esse fato decorre em parte, pela história dessas Corporações que sempre possuíram em suas estruturas organizacionais a presença do Corpo de Bombeiros.

Nas décadas de 80 e 90, muitos Corpos de Bombeiros se desvencilharam das Policias Militares, tornando-se independentes tanto operacionalmente como administrativamente. As exceções são os Corpos de Bombeiros do Distrito Federal e do Rio de Janeiro, que desde a suas criações são independentes, não havendo nenhuma inter-relação histórica com a Policia Militar. De lá pra cá, pouquíssimos foram os Corpos de Bombeiros, que alcançaram uma plenitude operacional a ponto de se aventurar no mundo da aviação. Infelizmente essa é uma dura realidade.

Nesse mesmo período, ao contrário dos Bombeiros, um bom número de Corporações policiais introduziram ou ampliaram a atividade aérea em sua doutrina operacional, especialmente com o emprego de helicópteros. Consequentemente, elas não só realizavam missões policiais como também missões típicas de bombeiro. Cabe ressaltar, que as atividades de salvamento e resgate, sempre renderam uma boa imagem as Policias Militares, justificando a existência desse investimento e impulsionando o crescimento de todas as unidades aéreas no Brasil.

Nessa época, legitimamente as Corporações policiais realizavam tais operações, pois os bombeiros faziam parte da mesma organização. A questão que se levanta atualmente, antes de retornarmos ao assunto da compra de uma aeronave biturbina para o Corpo de Bombeiros, é que, na maioria dos Estados onde já existem Corpos de Bombeiros independentes, as operações aéreas realizadas hoje pelas Policias Militares, ocorrem à revelia dos Bombeiros.

Quanto à miopia geral que se abateu sobre as unidades aéreas policiais, eu entendo que o foco principal dessas unidades sempre foi e sempre será a missão policial, e com o passar dos anos e o natural afastamento da vivência das atividades dos Bombeiros, esse foco ficou ainda mais forte. Essa miopia ocorre por serem, antes de tudo, unidades policiais puras. Constituídas em sua totalidade por policiais, formados e doutrinados para essa atividade.

Por mais que se diga, “eles também realizam missões de bombeiro”, eles não são bombeiros. Na verdade, durante um momento, eles estão bombeiros. Eu também, em minha unidade, esporadicamente realizo missões aeropoliciais. Mas eu não sou policial! Por mais que eu me esforce e, com toda a minha bagagem operacional em aviação, sempre faltará algo para que eu possa potencializar em toda a plenitude o que uma missão policial requer.

Missões de bombeiro são mais bem executadas por bombeiros, missões policiais são mais bem executadas por policiais! Isso é óbvio. Só não enxerga que não quer.

Há exceções!

Em São Paulo, por exemplo, o Corpo de Bombeiros ainda é parte integrante da Policia Militar, e no Grupamento aéreo daquela Corporação, existem bombeiros em seus quadros, o que dá aquela unidade o espírito e a vivência de que falei anteriormente. Motivo pelos quais tantos são os avanços em nossa atividade oriundos daquele grupamento.

Dessa forma, unidades policiais puras, jamais se esforçarão para alcançar a excelência na missão que não lhe compete. E jamais compreenderão as necessidades da atividade realizada pelos Bombeiros.

Certo dia, conversando com um piloto policial – “Puro sangue”, começamos a conversar a respeito de alguns equipamentos essenciais para as nossas missões e a necessidade urgente que tínhamos de adquirir tais materiais. Ao longo da conversa, percebemos que divergíamos cada vez mais, cada um defendendo o seu ponto de vista a respeito de qual equipamento era mais imprescindível do que o outro.

Depois de muito tempo de discussão, percebemos que defendíamos corretamente o nosso ponto de vista, com o foco em nossas necessidades. Porém, as necessidades de uma unidade aérea de Bombeiro são bem diferentes das necessidades de uma unidade aérea policial. Desde a utilização de equipamentos e de treinamento de pessoal até das características de suas aeronaves!

Nós, Bombeiros, jamais compraremos equipamentos tipicamente policiais para melhorar nossa eficiência quando esporadicamente realizamos missões em apoio às polícias civil ou militar. Se tivermos que utilizar nossos recursos, utilizaremos em equipamentos que tornarão as nossas missões mais efetivas.

Seguindo esse raciocínio, qual Corporação policial investirá na compra de um helicóptero ideal para missões de Bombeiro se tal missão não lhe compete?

Em Brasília, a história da aviação de segurança pública remonta de meados dos anos 80, quando foi adquirido pelo governo do Distrito Federal o seu primeiro helicóptero. Esse por sinal, foi destinado ao Corpo de Bombeiros que a época, repassou a Secretaria de Segurança Pública para utilização conjunta com todos os demais órgãos integrantes daquela secretaria.

Durante mais de 10 anos, Brasília operou sua aviação de maneira “integrada”. A partir de 1996, ocorreu a divisão das aeronaves e o inicio das operações independentes. Nessa época, o Governo do DF já possuía 03 helicópteros modelo esquilo. Cada um destes foi destinado a um segmento.

Desse período, ficaram vários ensinamentos importantes. Um deles é que todos nós da área da aviação de segurança pública ocupamos a mesma “grande árvore”, mas cada macaco no seu galho! Policia é policia, bombeiro é bombeiro.

Durante esses mais de 10 anos operando “integrado”, todos os pilotos atuaram nos diversos tipos de missão, tanto missões policiais quanto de bombeiro. Desse período, restou a confirmação de que não basta ter uma boa tripulação, se essa não conhece profundamente a missão a ser executada, se não veste a camisa da Corporação apoiada e se não tem a vivência e a experiência necessária daquela profissão. A operacionalidade de uma tripulação se faz muito mais com o conhecimento da profissão do que propriamente com a proficiência de vôo.

Devemos lembrar que o helicóptero é apenas mais um recurso disponível entre tantos outros para que a Corporação execute a sua missão. Portanto, um experiente piloto de helicóptero, que não é policial ou bombeiro, até irá executar uma atividade operacional, mas certamente, o aproveitamento não será igual à de um profissional da área. O mesmo exemplo se aplica a um Piloto Policial ou Bombeiro atuando pela primeira vez em uma missão offshore.

O que ocorre, portanto, é que existem muitas unidades policiais realizando missões de bombeiro, mas, sem o compromisso real de desenvolver essa atividade. Soma-se a isso, o desconhecimento profundo sobre as minúcias de nossa profissão.

Em unidades aéreas “integradas”, a teoria e a prática caminham em lados opostos. Na teoria, a integração existe e todas as Corporações estão felizes e satisfeitas em trabalharem juntas em prol da sociedade. Na prática, uma verdadeira guerra de vaidades e disputas sobre de quem é a missão mais importante.

O poder político junto à secretaria e ao governo do Estado, dita a regra de quem dá as cartas. Nesse jogo, a missão do bombeiro é a menina dos olhos, mas os bombeiros estão no fim da fila das prioridades. Isso aconteceu em Brasília durante quase 11 anos. Eu sei o que estou falando.

Vamos voltar ao nosso assunto inicial.

Recentemente, um piloto policial, em tom bastante soberbo, disse a mim que não entendia o porquê da utilização pelo CBMDF de uma aeronave no padrão do EC 135? Iniciei minha resposta, voltando a ele outra pergunta. Porque você acha isso? Ele me respondeu apenas o seguinte:

O Distrito Federal é muito pequeno para a utilização de uma aeronave biturbina. Uma aeronave do tipo esquilo é mais do que suficiente para as “nossas” missões.

Respondi mais ou menos assim:

Nossas missões? Mas as nossas missões são diferentes!

Concordo que o esquilo é realmente uma plataforma ideal para as missões policiais e até cumpre, em parte e com ressalvas, uma boa parcela das missões dos Corpos de Bombeiros. Devemos todos entender, que na verdade não existe helicóptero ruim, todos os helicópteros são muito bons. Existem sim, helicópteros sendo utilizados em missões para as quais ele não foi projetado. Erradamente, passamos a condenar um helicóptero porque ele não faz o que queremos ou da maneira que queremos.

Nós forçamos a barra. O errado somos nós.

O esquilo foi durante muito tempo para o CBMDF a sua tábua da salvação, a sua coluna mestra. Era o que tínhamos e não tivemos escolha nesse caso.

Ao longo de mais de 20 anos de operação, nossa aeronave realizou de tudo um pouco. De resgates espetaculares a transporte de papai Noel. Somando mais de 6000 horas de vôo e de bons serviços prestados a comunidade do Distrito Federal. Nenhum acidente ou incidente grave registrado.

No inicio de nossas atividades independentes, lá em 1996, tínhamos a necessidade de justificar a nossa existência. O que importava acima de todas as outras coisas era a quantidade de operações e a visibilidade resultante dessas. Tínhamos que solidificar a atividade. A qualidade do atendimento pouco importava no inicio, motivo pelo qual, para nós, o esquilo continuava a ser o ideal. Tínhamos um helicóptero! Acreditávamos cegamente que ele por si só já era um recurso que agregava qualidade ao atendimento.

Com o passar dos anos, conseguimos solidificar a existência de nossa unidade aérea. A Corporação começava a se acostumar com a presença do helicóptero e se ambientar com a atividade. Com o conhecimento, veio logicamente uma visão mais crítica e analítica sobre o que estávamos fazendo. Quando começamos a nos acostumar com a atividade, começamos também a percebê-la com outros olhos. Ela era boa, facilitava as coisas, ganhávamos tempo, reduzíamos as distâncias, mas, e a vítima? A qualidade do atendimento em relação à vítima e aos procedimentos de emergência não estava adequada.

A missão sempre era realizada, mas tínhamos a impressão que algo não estava certo, faltava principalmente espaço. Espaço pra vítima, espaço pros tripulantes, espaço para os equipamentos. Esses aspectos levavam a eficiência do socorro lá pra baixo. Muitas vezes uma das portas traseiras tinha que ir aberta. Isso agravava o quadro clínico do paciente por conta da queda da temperatura. Pouquíssimos eram os médicos se sentiam a vontade e confortáveis com o ambiente de cabine. Eles passaram a questionar a viabilidade do transporte aéreo naquelas condições. A segurança de vôo também ficava comprometida.

Sempre tivemos também, um volume muito grande de missões no período noturno, e nessas missões, ficava sempre a impressão que também faltava-nos algo, a aeronave não transmitia a segurança necessária para a execução dessas operações.

Passamos a questionar a nossa eficiência e a buscar um culpado. O helicóptero era sempre o culpado.

Quando então consolidamos realmente a atividade, nossa preocupação passou a ser a qualidade do nosso atendimento. A quantidade já pouco importava. Não queríamos voar nem mais nem menos do que voávamos. Queríamos voar o necessário quando necessário. Mas com qualidade.

Nesse período já registrávamos uma demanda de atendimentos que já justificaria a aquisição de mais uma aeronave. Voávamos bem e com uma constância que garantia uma média de mais de 60 ocorrências ao mês. E um detalhe, esse número não é de vôos realizados, e sim de ocorrências atendidas. Com o nome da vítima transportada, local da ocorrência, hospital conduzido, hora de início e término da operação, etc. Para nós, cada hora voada representa pelo menos duas ocorrências atendidas.

Falo isso, porque é muito fácil acharmos unidades aéreas policiais que festejam recordes de horas voadas ao ano. Quando vamos aos registros desses vôos, todas essas horas produziram números pífios em relação à produtividade desejada. E quando são questionados a respeito, sempre apresentam resultados subjetivos e pouco convincentes.

“Realizamos um trabalho ostensivo e preventivo, que resultou na redução dos números da criminalidade e no aumento da sensação de segurança da população”. Pergunto então: Todas essas horas resultaram em quantos criminosos presos pela ação objetiva e direta da aeronave? Quantos veículos deixaram de ser roubados pela ação ostensiva do helicóptero? Essa unidade tem como provar a relação de causa e efeito entre ação da aeronave e a melhoria dos números da criminalidade?

Pessoalmente acredito na importância do helicóptero para as polícias. Mas somente tenho a “sensação” de que efetivamente o helicóptero produz melhorias técnicas objetivas e subjetivas na qualidade do policiamento.

Na verdade, já ouvi de muitas pessoas que quando vêm o helicóptero da Policia voando baixo e em círculos sobre algum local, com os tripulantes à porta com seus fuzis à mostra, a sensação real é de completa insegurança. Passa-se a impressão de que algo está errado, aconteceu algo ruim e perigoso, o problema está aqui bem perto da minha casa! A criminalidade já chegou até aqui!?

Essas ações ao contrário do esperado, produzem mais medo. O leigo, o cidadão comum não vê nessas ações, o poder dissuasor do estado, a pro-atividade da polícia no emprego de uma tecnologia de ponta. Só enxergam a reatividade tardia do estado e a confirmação de que a segurança está falha.

Por outro lado, as operações dos Bombeiros são vistas como “obra de heróis”. O fato de pousar aquele helicóptero “tão grande” no meio da via pública para resgatar uma pessoa ferida é quase a providência divina. Nesse caso, o Estado se apresenta positivamente, pois mesmo sendo reativo ao acontecimento trágico, ele demonstra eficiência técnica e disponibilidade de meios em prol da comunidade. Todo mundo gosta de saber que se tiver a infelicidade de se envolver em um grave acidente, poderá contar até com um helicóptero para o seu resgate.

A grande diferença em relação às operações de Bombeiros e as missões policiais, é que o emprego do helicóptero em qualquer missão de bombeiro, produz efeitos objetivos, visíveis e mensuráveis. A ação pode ser rapidamente catalogada e rende números positivos às estatísticas operacionais. Motivo pelos quais as unidades aéreas policiais não querem deixar de realizar as missões típicas de bombeiro.

Felizmente ou infelizmente, essa é a realidade entre essas duas atividades.

Voltando ao assunto, passamos a entender então, que a melhoria da qualidade não viria se não buscássemos uma solução ideal. Nada paliativo resolveria.

Comprar mais um esquilo ou outra aeronave similar seria apenas comprar mais do mesmo. E pior, o que já era um problema passaria a ser dois problemas. Teríamos dois helicópteros, mais as dificuldades permaneceriam. Na verdade as dificuldades dobrariam.

De todo esse longo processo de aprendizagem, vi que, na fase inicial de aquisição de uma aeronave, nunca podemos nos ater ao modelo. Hoje, a grande falha nas compras de aeronaves no segmento da segurança pública está no fato das pessoas olharem primeiro para as aeronaves e só depois para a missão.

– É isso que você está fazendo agora. Você questiona a aeronave sem olhar para a nossa missão. Disse ao companheiro policial.

Todo vez que surge a possibilidade de alguma Corporação adquirir um helicóptero, somos todos forçados, quase que obrigados a acreditar e a aceitar dos representantes, que o seu produto é o ideal para as nossas missões. Quando surge alguma limitação no helicóptero, eles não buscam solucionar os problemas de seu produto, ao contrário, a empresa passa a questionar os nossos métodos operacionais e a nossa doutrina. Nós é que estamos fazendo a coisa errada.

Desse modo, e sem perceber, passamos a ajustar nossas operações às limitações das aeronaves oferecidas no processo licitatório. O que é completamente errado e inverte a lógica da compra. “Agora não vamos mais operar guincho como recurso de resgate, pois nossa nova aeronave não pode operar esse equipamento”. “O Bambi Bucket ideal para as nossas missões é o de 545 litros, pois o guincho de nossa aeronave só pode suportar essa carga”. “Não podemos mais voar de portas abertas, pois essa aeronave não possui portas corrediças”.

Quando surgiu a possibilidade de adquirimos mais um helicóptero, foi nos dada à missão e a liberdade para escolhermos uma aeronave que atendesse plenamente às nossas necessidades operacionais. Essa é a lógica que devemos seguir e foi á lógica que seguimos.

Primeiro, devemos definir claramente nossas missões:

– O que fazemos?
– Como fazemos?
– Quais as nossas necessidades e limitações atuais?

Considere tudo que possa influenciar negativa e positivamente a sua operação.

Respondida essas perguntas iniciais, podemos então desenhar o perfil da aeronave ideal para as nossas atividades. Veja que o foco da escolha está na missão e não na aeronave. Primeiro devemos definir a missão pra depois escolhermos as ferramentas! Muitos escolhem as ferramentas pra depois definir a missão. É um grande erro.

Vale ressaltar que quando nos referimos as ferramentas, ainda não estamos falando do modelo da aeronave, do fabricante, etc. Estamos falando das características técnicas que essa aeronave deverá possuir para que possa atender aos requisitos técnicos de nossa Corporação.

Antes de iniciarmos o nosso processo, definimos que uma aeronave para as missões do Corpo de Bombeiros deve possuir de um modo geral, no mínimo, as seguintes características: Grande versatilidade operacional; dimensões externas e internas compatíveis com as características de operação da Corporação sejam em áreas urbanas como florestais; disposição interna das macas que facilite o trabalho das equipes médicas e dos Tripulantes Operacionais; capacidade de transporte de até 02 pacientes mais tripulação com pelo menos 01 tripulante operacional e 02 pilotos, capacidade de realizar partidas rápidas e consecutivas; grande reserva de potência; grande capacidade de carga interna, assim como, no gancho e no guincho; boa velocidade de cruzeiro; bom alcance operacional; boa autonomia; baixo nível de vibração; baixo nível de ruído; manutenção fácil e custo compatível; presença de tecnologias que reduzam a carga de trabalho e elevem a segurança de voo; grande segurança nas operações com baixa altura e baixa velocidade fora do efeito solo.

Encima desses requisitos, montamos o nosso processo. Logicamente, outros aspectos muito importantes foram lembrados. Sendo esses tão importantes quanto aos citados anteriormente.

Lembro ainda, que os Corpos de bombeiros de um modo geral sempre tiveram grandes dificuldades para adquirir suas viaturas. As viaturas de Bombeiro são caríssimas, grandes e na maioria dos casos são importadas. Isso sempre foi um grande empecilho para as Corporações. Enquanto as policias compram centenas de viaturas de uma só vez, nós Bombeiros, compramos dois carros de combate a incêndios a cada década! Passando para a atividade aérea, essa realidade se repete. Tudo é mais complexo, tudo é mais caro.

Em 2005 tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o serviço aéreo do Corpo de Bombeiros da Cidade de Los Angeles, do Condado de Los Angeles e da Guarda Costeira Americana. Foi uma experiência incrível, pois pude perceber as semelhanças e diferenças entre aqueles serviços aéreos e o nosso.

Em relação às aeronaves, percebi que os helicópteros de todos esses serviços eram de porte médio pra cima. Perguntei ao Piloto Chefe do serviço aéreo do Corpo de Bombeiros da Cidade de Los Angeles, Capt. Paul Chester, porque eles não utilizavam aeronaves menores? Porque não nos serve! Respondeu ele diretamente.

A única aeronave de porte pequeno que é utilizada naquele serviço é um BELL LONG RANGER III, utilizado como plataforma de observação e comando, dotada de imageador térmico e transmissão de TV. As demais aeronaves são BELL 412 (04 helicópteros). Já os Bombeiros do Condado de Los Angeles utilizam 03 FIREHAWK e 01 BELL 412. A base de Los Angeles da Guarda Costeira é dotada por 04 DAUPHINS.

Veja que em todos os serviços aéreos citados, a missão principal é o resgate. E em todos eles, a plataforma é uma aeronave de porte elevado. Essa é a realidade e o padrão ideal para as missões de resgate.

Na Europa, tive a oportunidade de conhecer o serviço alemão de Resgate, o ADAC, e verifiquei que a aeronave padrão daquele serviço, considerado o melhor da Europa e um dos melhores do mundo, é o EC 135. Eles ainda utilizam o modelo BK 117, o MD 902 e o moderno EC 145. São mais de 30 helicópteros espalhados por toda a Alemanha.

Você pode dizer: Mais você citou exemplos de primeiro mundo. Lá a realidade é outra. Mas essa é a questão! É essa realidade que temos que perseguir.

Temos que olhar para o primeiro mundo se quisermos alcançar a excelência de que tanto procuramos. Quando começamos a nos preocupar com a qualidade de nosso serviço, tínhamos que observar o que existia de melhor no mundo. E achamos nos estados unidos e em vários países da Europa as respostas que procurávamos. É possível chegar lá e estamos já bem próximos disso.

Só pra exemplificar, qual foi a minha surpresa, durante um seminário de resgate aeromédico em Barcelona, quando constatei que existem serviços aéreos de resgate na Europa muito menos estruturados e equipados do que o serviço aéreo do Corpo de Bombeiros de Brasília. Parece exagero mais é a pura realidade.

Na Espanha, por exemplo, a grande maioria dos serviços sofrem com a falta de estrutura em suas bases operacionais. Faltam centrais de comunicação e alojamentos adequados para as tripulações, falta coordenação entre as equipes de socorro em terra e as aeronaves. Eles não se comunicam na mesma frequência!

Quando mostrei as fotos de nossa base em Brasília e de algumas missões reais, os espanhóis não acreditaram que em Brasília tínhamos essa capacidade, esse nível de organização e coordenação. Portanto, não estamos longe da excelência desejada. Alcançá-la é difícil, mas não impossível. A compra dessa aeronave e a sua entrada em operação inaugura a fase final que almejamos na melhoria da qualidade de nosso atendimento.

Estamos operando o EC 135T2 desde o começo desse ano (2007). E operacionalmente desde maio. A diferença entre o ESQUILO BA e o EC 135T2 é brutal. Tivemos que remodelar nossa Doutrina operacional em quase 80%. Muitas das dificuldades que tínhamos foram sanadas e os problemas que hoje encontramos estão relacionados muito mais com a adaptação ao novo equipamento do que com a existência de alguma limitação da aeronave.

Hoje é possível transportarmos até dois pacientes, mais os nossos 02 tripulantes e os 02 pilotos. Voamos sempre com as portas fechadas. A aeronave é toda configurada para o transporte aeromédico, o que mantém todos os equipamentos necessários em seus devidos lugares, sem ocupar espaços que prejudicam os trabalhos junto ao paciente.

A disponibilidade de potencia é confortável mesmo operando a 4500’ de altitude. A velocidade é outro aspecto importantíssimo para nós. O ESQUILO BA era muito limitado nesse aspecto. Já o EC, cruza muito mais rápido, o que amplia em muito as chances do paciente.

Nas operações noturnas, o EC 135 é realmente incomparável. A estabilidade em voo fornecida pelo Sistema de Estabilização Automática – SAS é uma tranquilidade para a tripulação que aliada ao potente NIGHTSUN, fazem do voo noturno apenas mais um voo. Por fim, a segurança de ter dois motores ao seu comando, torna tudo mais fácil e tranquilo.

Estamos convencidos que o caminho para a excelência está traçado. É uma questão de tempo e ajustes normais. Temos uma boa base, bons profissionais e bons equipamentos. Temos uma Doutrina de operações e de segurança de vôo sólidas. Temos recursos orçamentários para mantermos nossa atividade. Então, Nos resta voar, pairar, salvar!!!!

Bom companheiro. Espero que eu tenha respondido o seu questionamento.

O policial meio sem jeito e com um sorriso um pouco amarelo, respondeu que estava bem explicado. Mas, sinceramente, acho que ele não gostou muito da explicação. Na verdade, acho que ele descobriu que não conhece nada de missão de bombeiro. E eu, descobri que ele sofre de uma forte dor de cotovelo por não possuir uma segunda aeronave do porte do Corpo de Bombeiros.

A vida é assim.

Por fim, acredito firmemente no futuro da aviação de segurança pública. Seja policial ou de Bombeiros. Ambas possuem potencial para crescer independentemente uma da outra. Para isso, problemas estruturais graves devem ser resolvidos.

Precisamos corrigir as falhas existentes na legislação que nos regula. Precisamos acabar com as disputas e guerras de vaidades entre as Corporações para que possamos juntos, alcançar objetivos comuns.

Para os Bombeiros do Brasil fica o meu recado:

Só uma coisa torna um sonho impossível. O medo de realizá-lo.

O Autor: Esse artigo foi publicado em 04 de junho de 2007 pelo Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal em seu Blog. Ele era Oficial de Segurança de Voo e voava EC135 e AS350BA do CBMDF.

E o fio estava lá!!!!

Com o objetivo de perpetuar ainda mais a memória do Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa, piloto de helicóptero do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, publicamos três excelentes artigos que escreveu em junho de 2007 no seu Blog, denominado Resgate Aéreo.

Os artigos são, além desse, “Ensaio sobre aviação de Bombeiros e outras considerações” e “Como Montar uma Unidade Aérea de Bombeiros“. O seu Blog era voltado aos temas relacionados a aviação de Bombeiros no Brasil e no mundo e hoje encontra-se inativo.

O Comandante faleceu em um acidente aeronáutico em 09 de agosto de 2007, por volta de 14:00h, no Setor P-Sul da cidade de Ceilândia – DF, envolvendo um helicóptero do Corpo de Bombeiros (AS350BA, PT-HLZ). Estavam a bordo, além dele, o Cap BM José Frederico Assunção Magalhães e o 1.º Sgt Lélio Antônio da Rocha.

Essa rica experiência certamente aumentará o nível de alerta de todos os aeronavegantes.

Luiz Henrique Andrade Barbosa (em memória)

No ano passado (2006), por muito pouco o helicóptero em que eu pilotava não colidiu com uma fiação que cruzava a BR 060, rodovia que liga o Distrito Federal a cidade de Goiânia – GO. Foi por muito pouco mesmo. O interessante é que todo o procedimento operacional e de segurança adotado por minha unidade aérea foi cumprido.

Ao bloquear o local, circulei o ponto do lado do Co-piloto para que ele e o tripulante da esquerda “clareassem” a área identificando os obstáculos significativos como fiação, torres, antenas, veículos, pessoas, áreas e ou situações de perigo em potencial para a nossa operação.

Terminada essa primeira passagem, circulamos na direção oposta para que todos os tripulantes posicionados do outro lado, incluindo eu, tivessem também o conhecimento sobre a área sobrevoada, confirmando a presença de todos os obstáculos anteriormente observados. Feito isso, confirmei se toda a tripulação tinha identificado à área de pouso, se todos tinham visto os obstáculos e se havia alguma outra observação a mais a ser feita.

Imagens: Utilities Aviation Specialists, INC - USA.
Imagens: Utilities Aviation Specialists, INC – USA.

– Então podemos pousar? Sempre faço esse questionamento.

Por último, informei qual seria a entrada para o pouso baseado no vento predominante, nas condições do terreno e na situação do acidente lá embaixo.

Como nada mais foi dito ou perguntado, então informei que ingressaria na final para o ponto definido. Eu costumo fazer minha final pra pouso e minha posterior decolagem, mantendo-me sempre sobre a rodovia. Geralmente não costumam “plantar” postes no meio da pista. Aproximo para um ponto imaginário na vertical da área escolhida sempre em uma altura superior a uma possível fiação que esteja cruzando a via. Na curta final, se já for possível garantir que realmente não há fiação cruzando, prossigo direto até o toque no solo.

Tudo isso parece um processo longo e demorado, mas não é. Com o tempo ele passa a ser executado de forma natural e bastante dinâmica.

O mais importante de todo esse procedimento, e de qualquer outro envolvendo missões operacionais, é não nos envolvermos demais com os acontecimentos lá de baixo, para que não deixemos de executar algo necessário a segurança do vôo.

Isso realmente pode acontecer e influencia demais as atitudes a serem tomadas pela tripulação como um todo. O envolvimento emocional com a situação em terra pode nos levar a cometer falhas durante uma operação. O fato da vítima está em estado crítico ou por se tratar de uma criança, por exemplo, pode gerar no piloto e na tripulação, uma ansiedade de pousar logo para resolver a situação, o que acaba fazendo com que ele negligencie a segurança, pulando etapas importantes ou passando rapidamente por outras. Isso é uma verdadeira armadilha!

No meu caso, a presença do fio só foi notada na decolagem. Apesar de todos os cuidados relatados acima. Ninguém durante o reconhecimento visualizou a fiação que cruzava a rodovia. A bem da verdade, ela era quase invisível, “imperceptível a olho nu”.

Após o embarque das vítimas, iniciamos os procedimentos para a decolagem. O Piloto, durante esse momento, deve se manter muito atento à presença de fios, e foi isso que o nosso Co-Piloto fez (Graças a Deus!). Mas o que chamou a sua atenção foi um poste ao lado da rodovia. Quando ele percebeu a sua presença, ele buscou visualizar se havia alguma fiação que partia ou chegava nesse poste. Não tem aquele ditado, onde há fumaça há fogo. Então, onde há poste há fio. Ele acabou notando a presença de uma fiação e tentou ver pra que lado ela ia.
A aeronave já estava na decolagem!

Quando ele viu que essa fiação não seguia paralela à via, e sim, que ela cruzava a pista, só deu tempo de dizer:

Olha o Fiiiioooo….oooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A fiação já estava bem a nossa frente.

Instintivamente dei uma cabrada na aeronave e um “gás” de coletivo. Foi o suficiente para ultrapassarmos o maldito fio.

Fomos salvos pelo poste!!!!!

Cada vôo que eu faço e cada missão que eu cumpro, aprendo algo novo. Nesse, descobri que temos que acreditar desconfiando. Jamais acredite nos seus sentidos. Nem sempre conseguiremos ver tudo. Nesse caso, todos nós achávamos que não havia fiação, pois fizemos tudo que tinha de ser feito, mas ela estava lá e por pouco não causou um grande problema.

Imagine se fosse à noite? Certamente não iríamos perceber a fiação.

Portanto, nós que atendemos a centenas de ocorrências todos os anos, de dia e de noite, pousando nos lugares mais improváveis que existem, vamos atentar para o fato que nem sempre vemos o que queremos ver. E o fato de não vermos alguma fiação, não quer dizer que ela não esteja lá. Acredite desacreditando, confie desconfiando. Pois “seguro morreu de velho”.

Sempre acredite na existência de um obstáculo nas proximidades de seu ponto de pouso, se pensar assim, você certamente não vai tomar um susto como eu tomei.

Bons vôos, bons reconhecimentos e pousos e felizes decolagens.

O Autor: Este artigo foi publicado em 04 de junho de 2007 pelo Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal em seu Blog. Ele era Oficial de Segurança de Voo e voava EC135 e AS350BA do CBMDF.

Como montar uma Unidade Aérea de Bombeiros

Com o objetivo de perpetuar ainda mais a memória do Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa, piloto de helicóptero do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, publicamos três excelentes artigos que ele escreveu em junho de 2007 no seu Blog, denominado Resgate Aéreo.

Os artigos são, além desse, “Ensaio sobre aviação de Bombeiros e outras considerações” e “E o fio estava lá!”. O seu Blog era voltado aos temas relacionados a aviação de Bombeiros no Brasil e no mundo e hoje encontra-se inativo.

O Comandante faleceu em um acidente aeronáutico em 09 de agosto de 2007, por volta de 14:00h, no Setor P-Sul da cidade de Ceilândia – DF, envolvendo um helicóptero do Corpo de Bombeiros (AS350BA, PT-HLZ). Estavam a bordo, além dele, o Cap BM José Frederico Assunção Magalhães e o 1.º Sgt Lélio Antônio da Rocha.

Luiz Henrique Andrade Barbosa (em memória)

Desde o ano passado (2006) tenho recebido muitos questionamentos sobre como montar uma unidade aérea de Bombeiro? que aeronave comprar? como estabelecer uma doutrina de operação? etc.

Hoje, a vontade de se adquirir uma aeronave e começar a voar é muito grande em todas as Corporações. Estamos passando por um grande momento de nossa aviação após a criação do Conselho Aeropolicial e da efetiva participação dele nas operações de segurança do Pan do Rio de Janeiro.

Porém, não se tira uma aeronave da cartola. Não se monta uma unidade aérea em “toque de caixa” e nem se consegue administrar essa atividade sem um mínimo de estrutura e experiência. Como estrutura, entenda um quadro de pilotos com experiência, mecânicos, hangar, seguro aeronáutico e um bom contrato de manutenção, peças e serviços.

Foto: Eduardo Alexandre Beni.
Foto: Eduardo Alexandre Beni.

Senhores, não dá para se aventurar na aviação da mesma forma que os “antigos” fizeram lá na década de 80. Eram outros tempos, outras visões e oportunidades. Hoje as coisas estão muito mais complexas e os investimentos devem ser feitos com base em argumentos sólidos e em um planejamento correto.

Algumas Corporações estão buscando suas próprias aeronaves, mas não sabem bem ao certo nem por onde começar a errar. Sabem que e é importante esse tipo de atividade, mas não sabem como demonstrar isso. Hoje as Polícias Militares compartilham muito desse processo sempre que uma Corporação busca criar a sua atividade.

Os Corpos de Bombeiros ao contrário, se cercam de precauções e de uma auto suficiência inacreditável (coisa de bombeiro sabe tudo e faz tudo) que acaba levando todo o projeto para o buraco. Recentemente um Oficial que está muito empenhado em adquirir uma aeronave para o seu Estado se espantou com o orçamento necessário para se manter uma unidade aérea.

Isso depois de terem garantido a ida de alguns pilotos para a formação básica em São Paulo. Entraram numa festa sem saber o quanto vão pagar na saída. E agora? Isso é um grande erro e um grande perigo para o sucesso dessa empreitada. Um bom exemplo da nova metodologia para implantação de uma unidade aérea se deu na Bahia onde foi realizado um trabalho longo de planejamento e um processo sem atropelos de implantação e desenvolvimento da unidade.

Hoje já estão operando conforme o previsto. Em todo processo de mudança organizacional como é o caso da implantação de uma unidade aérea, o maior risco é a pressa na execução dessa mudança. Em grande parte das vezes, a velocidade da mudança é a chave para o insucesso do projeto.

Deve-se lembrar ainda, que em nossas Corporações, existem muitas resistências sobre a utilização de aeronaves tendo em vista os custos que elas envolvem. Somos unidades terrestres, não temos em nossas raízes a cultura da aviação. Não pensamos como aeronautas. Pensamos como Bombeiros! Então, não se deve deixar de lado um trabalho muito difícil que é o do convencimento e esclarecimento sobre a importância da atividade para a Corporação.

Por último, não inicie a criação de sua unidade olhando para um determinado modelo de aeronave. Olhe para a sua missão, foque nas suas necessidades atuais e futuras, observe as características de sua região e a cultura de sua Corporação.

Busque uma aeronave tendo com base a sua operação e a sua capacidade de gestão de pessoal e de recursos. Lembre-se também das parcerias, elas podem ajudar e muito. Antes de voar, ponha os pés no chão e a cabeça no lugar. Não se aventure olhando simplesmente o que está acontecendo em Brasília, Rio de Janeiro e Minas Gerais e copie os nossos modelos.

São realidades diferentes, Corporações diferentes, regiões diferentes, missões diferentes, orçamentos diferentes. Não se pode copiar e colar simplesmente. O que funciona em Brasília pode não funcionar no Rio de Janeiro e vise e versa. Muita coisa se aproveita, mas nem tudo.

Podemos sim ajudar e muito, especialmente na identificação dessas necessidades, no perfil, mas adequado de aeronaves segundo suas operações, na elaboração de um projeto de implantação e no treinamento e qualificação de pessoal. Quem quer crescer não pode se fechar.

Estamos à disposição e torcendo pelo sucesso dos nossos Bombeiros em todo o Brasil.

Boa sorte.

O Autor: Este artigo foi publicado em 04 de junho de 2007 pelo Comandante Luiz Henrique Andrade Barbosa do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal em seu Blog. Ele era Oficial de Segurança de Voo e voava EC135 e AS350BA do CBMDF.

Dia agitado no GRAer/BA

2

Segunda-feira, dia 27/02, as atividades no GRAer/BA começaram cedo. Um acidente grave ocorrido por volta das 7h, na BR-324, deixou o trânsito congestionado devido a colisão de dois carros, com duas pessoas feridas no local, sendo uma delas presa nas ferragens em estado grave, por isso foi solicitado o apoio do GRAer/BA.

A vítima Alice Queiroz de Oliveira, politraumatizada (fratura de fêmur e pelve) foi estabilizada e conduzida ao Hospital do Surbúbio a bordo do helicóptero Guardião 01, onde foi entregue às 08:09h.

Um pouco mais tarde, outra ocorrência de gravidade. Desta vez, dois policiais militares feridos por arma de fogo (um na cabeça e um no abdome e no braço), foram removidos do município de Valença/BA para Salvador, e recebem cuidados no Hospital do Subúrbio e no Hospital da Bahia.

Veja as fotos:

Fonte/Fotos: GRAer/BA

Acidente na BR-376 tem apoio do DOA/PRF e BAPM/SC

Três pessoas morreram, entre elas uma criança, e outras seis ficaram feridas num acidente envolvendo quatro veículos, por volta das 10h40 de domingo (19/02), no km 674 da BR-376, sentido Santa Catarina, em Guaratuba/PR.

As vítimas foram encaminhadas a hospitais de Curitiba e Santa Catarina por helicópteros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do BAPM da Polícia Militar de Santa Catarina.

Segundo informações preliminares da PRF, o motorista de um caminhão com placas da Argentina, carregado com bobinas de tecido, perdeu o controle do veículo, atingindo os demais carros: um Hyundai Santa Fé com placas do Paraguai, uma caminhonete Ford Ranger e um Toyota Corolla.

Depois da colisão, o caminhão tombou na pista e o cavalo-trator pegou fogo. Além do motorista, uma mulher e uma criança estavam na cabine do caminhão. O condutor identificado pela PRF como Pablo Fabian Cambá, sem idade apurada, chegou a ser retirado da carreta, mas morreu logo em seguida asfixiado pela fumaça. As outras duas vítimas foram encaminhadas em estado grave para hospitais. A criança está internada no Hospital do Trabalhador.

Cinco pessoas de uma mesma família – um casal de crianças, os pais delas e o cunhado de um dos adultos – ocupavam o veículo Santa Fé, de acordo com o policial rodoviário César Calera, do posto Alto da Serra (BR-376).

Adan Salinas Ramirez, cuja idade também não foi informada, morreu na hora. Uma das crianças que ocupava a cadeirinha foi encaminhada ao Hospital Infantil de Joinville e, segundo informação recebida pelo policial, não resistiu aos ferimentos.

A outra criança permanece internada no mesmo hospital enquanto os pais estão se recuperam do acidente no Hospital São José, conforme informação do pronto-socorro.

Uma mulher que estava na Ford Ranger sofreu ferimentos leves e foi liberada no local após ter sido atendida por socorristas.

Segundo o policial, testemunhas informaram que o caminhão descia a serra em alta velocidade quando colidiu com os demais veículos. “Não sabemos ainda se houve problema mecânico. Depois de bater nos carros, ele saiu da pista, tombou na via e pegou fogo”, contou o agente. De acordo com a PRF, a pista foi totalmente interditada para o resgate das vítimas e provocou um congestionamento de 6 quilômetros.

Fonte: Paraná Online

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