Ceará – Uma família criou uma campanha para arrecadar dinheiro para pagar o transporte aeromédico de Fernando Vidal, 46, que se encontra internado em Manaus (AM). Fernando sofreu um infarto agudo do miocárdio (IAM com supra de ST) no dia 2 de fevereiro, pouco antes de iniciar uma corrida de rua.
Ele foi atendido no local e levado ao hospital em PCR (parada cardiorrespiratória), onde precisou fazer uma revascularização cardíaca de urgência. Foram colocadas cinco pontes de safena e apesar de ter sido um sucesso o procedimento, Fernando segue em estado de coma vegetativo (traqueostomizado).
A família é de Fortaleza (CE) e precisa trazê-lo de volta, para que possa prosseguir com seu tratamento e receber todo o suporte de seus parentes e amigos. Fernando tem uma filha de 4 anos e um filho de 17.
Ana Ferreira, irmã do paciente, explicou que o transporte aeromédico é a única forma de transportar Fernando com segurança. Segundo ela, o custo estimado do transporte aeromédico é de R$ 200 mil. Alguns dos orçamentos recebidos parcelam em até 4 vezes, mas disse que não possui recursos para pagar pelo transporte.
Nas redes sociais, os familiares disseram que também estão tentando viabilizar o transporte pela via governamental e judicial.
ADAC inova com projeto de transporte de sangue por drones. Foto: ADAC.
Alemanha – Com 55.675 missões, os helicópteros da operadora alemã de resgate aéreo ADAC registraram um aumento de quase 7% em 2022. Foram 3.441 missões a mais em comparação com o ano anterior (52.234). Em média, os helicópteros das 37 bases decolaram para cerca de 153 emergências por dia.
Além dos números impressionantes de atendimentos do ano passado, a operadora alemã de resgate aéreo também investiu em seus projetos de inovação. Em parceria com o serviço de doação de sangue da Cruz Vermelha Alemã (DRK-Blutspendedienst), desenvolveram a logística de drones para a transporte de sangue, medicamentos e tecidos, no projeto chamado de “MediCargo“.
Em uma fase inicial de testes, já concluíram com sucesso mais de 300 voos no Hospital Universitário de Ulm, uma cidade localizada no Estado de Baden-Württemberg. Processos claros e o uso de software inteligente permitiram operações seguras, mesmo com movimentos adicionais das aeronaves no ar.
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ADAC inova com projeto de transporte de sangue por drones. Foto: ADAC.
ADAC inova com projeto de transporte de sangue por drones. Foto: ADAC.
ADAC inova com projeto de transporte de sangue por drones. Foto: ADAC.
ADAC inova com projeto de transporte de sangue por drones. Foto: ADAC.
Segundo dados da pesquisa, o drone é até cinco vezes mais rápido do que os serviços de transporte convencionais terrestres, o alcance é de até seis quilômetros, e o peso máximo de transporte é de 1.000 gramas.
A partir de junho de 2023, a ADAC planeja realizar operação experimental com o transporte de amostras de sangue por drone em operações hospitalares diárias na cidade de Ulm. No futuro, os drones serão controlados por pilotos de drones especialmente treinados com um tablet, com uma tela sensível ao toque.
Segundo a ADAC, o projeto de pesquisa conjunto “MediCargo” serve como um importante modelo para o transporte médico de mercadorias com drones e pode ser facilmente transferido para toda a Alemanha.
VoloCity
A ADAC também é a primeira organização do mundo a testar a operação de multicópteros movidos a eletricidade para o transporte aeromédico, chamados de “VoloCity”. Juntamente com o fabricante Volocopter de Bruchsal, o primeiro voo de teste público para resgate aéreo com um e-VTOL estatá programada para acontecer esse ano no Aeroporto de Lahr.
Um e-VTOL está programado para entrar em operação real em 2024 como parte de testes operacionais na Baviera e na Renânia-Palatinado.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
EUA – Na noite de sexta-feira (24), um avião de transporte aeromédico caiu nas proximidades de Dayton, no estado de Nevada, oeste dos Estados Unidos. As cinco pessoas que estava a bordo faleceram. A equipe havia decolado de Reno e levava um paciente para Salt Lake City, em Utah. O avião voou por cerca de 15 minutos antes de cair.
A operadora aeromédica Care Flight, um serviço da empresa REMSA Health, informou que o acidente aconteceu com seu avião Pilatus PC-12, matrícula N273SM, e a bordo estavam um piloto, uma enfermeira de voo, um paramédico de voo, um paciente e um familiar do paciente.
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Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: NTSB.
O local do acidente de avião de transporte aeromédico da Care Flight no condado de Lyon, Nevada. (Jason Bean/AP)
“Nossa organização está de luto pela perda de nossos valiosos membros da equipe e estende nossas mais profundas condolências às suas famílias. Nosso trabalho como agência EMS é cuidar das comunidades que servimos – e neste momento – também estamos cuidando uns dos outros”, disse a REMSA Health em nota à imprensa.
“Nosso foco é e continuará sendo ajudar funcionários e colegas, bem como suas famílias, a lidar com essa notícia devastadora. Pedimos que sua privacidade seja respeitada”, complementou a nota.
O Corpo de Bombeiros e o Departamento do Xerife do Condado de Lyon estão coordenando com o NTSB (National Transportation Safety Board) para determinar os detalhes do acidente, que está sob investigação.
A empresa suspendeu momentaneamente suas operações e auxilia o NTSB nas investigações. REMSA opera helicópteros Airbus H125, aviões Pilatus PC-12/45 e ambulâncias terrestres. Os helicópteros cobrem aproximadamente 50.000 milhas quadradas da Califórnia e Nevada e os aviões cobrem 11 estados em todo o oeste dos Estados Unidos.
Acidente com ambulância aérea deixa cinco mortos em Nevada, EUA. Foto: Remsa Health.
Investigações
Segundo informações preliminares, as condições meteorológicas eram desfavoráveis e aeronave pode ter experimentado uma falha estrutural catastrófica da fuselagem. O NTSB não descreveu por que os elementos da fuselagem podem ter falhado, mas informou que partes da fuselagem se separaram antes do impacto com o solo.
De acordo com o advogado Slack Davis Sanger, que acompanha o caso e lidou com situações de falhas estruturais de aeronaves, “falhas catastróficas de elementos aerodinâmicos são tipicamente associadas ao excesso de velocidade ou cargas de aceleração que se combinam para exceder os limites estruturais da fuselagem. Vimos casos em que uma perda de controle em voo introduziu cargas excessivas que resultaram em uma falha estrutural. O NTSB estudará os destroços para determinar por que e quando a falha estrutural ocorreu.”
A Petrobrás realizou licitação para afretamento de um helicóptero de médico porte (AW139 ou H160), configurado como ambulância aérea. Segundo o edital, a base inicial de operações será o Aeroporto Internacional de Cabo Frio (RJ) e poderá atender demandas em todo o Brasil. O critério de julgamento é o maior desconto e o contrato tem prazo de 5 anos.
As propostas foram apresentadas na sexta-feira (24). Participaram da licitação as empresas Omni, CHC do Brasil e Costa do Sol. A Omni Táxi Aéreo foi a empresa que apresentou o menor preço, R$ 2.585.948,69, seguida da CHC do Brasil Táxi Aéreo com R$ 2.891.642,88 e da Costa do Sol Táxi Aéreo com R$ 2.924.951,71.
Segundo o edital, a aeronave será dedicada, com equipe de prontidão para qualquer acionamento aeromédico em apoio às unidades de exploração, produção e auxiliares. Também poderá ser usada no transporte de pessoal, material e no apoio à emergência de controle da poluição a partir da base de operação.
Governo do Piauí anuncia a aquisição de três helicópteros para a segurança publica
Piauí – O governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou no dia 18 de fevereiro, durante visita ao Batalhão de Operações Aéreas (Bopaer), a aquisição de três helicópteros. O governador adiantou que pretende adicionar mais um helicóptero ainda em 2023, outro em 2024 e o terceiro em 2025.
Atualmente a Unidade Aérea Pública possui um Airbus AS350B3 locado (PR-TNG). “Estamos trabalhando para adicionar às ações de segurança do Estado um helicóptero por ano. Isso porque este é um importante instrumento para reprimir a criminalidade e dar a segurança necessária para a nossa população”, reforçou Rafael Fonteles.
O governador explicou que a ideia é que os helicópteros ajudem a cobrir quatros regiões do Piauí, ficando os helicópteros em bases instaladas nas cidades de Teresina, Parnaíba, Picos e Bom Jesus.
O secretário de Estado da Segurança, Chico Lucas, recebeu com entusiasmo a notícia dada pelo governador como mais uma ação para o reforço das ações de segurança pública do Estado, principalmente a Polícia Militar. “As aeronaves fazem um grande trabalho tanto de patrulhamento como de salvamento de vidas e em situações de defesa civil, sendo muito importante essa interiorização, trabalhando a capital, o semiárido, o cerrado e planície litorânea”, detalhou o gestor.
O governador também ressaltou a importância do trabalho realizado com os helicópteros em caso de incêndios que porventura ocorram nas quatro macrorregiões do Piauí. “São com esses investimentos que nós vamos garantir cada vez mais a defesa e paz social. Nós estamos focados em garantir segurança e paz para o nosso povo”, garantiu Rafael Fonteles.
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Governo do Piauí anuncia a aquisição de três helicópteros para a segurança publica
Governo do Piauí anuncia a aquisição de três helicópteros para a segurança publica
Governo de Alagoas inaugura nova base do Comando de Aviação do Estado. Pei Fon / Agência Alagoas.
Alagoas – Na quinta-feira (23) o Governo de Alagoas inaugurou nova base do Comando de Aviação do Estado e entregou dois aviões ao Corpo de Bombeiros Militar. Durante a solenidade, o governador Paulo Dantas destacou o heroísmo dos homens e mulheres que integram o Grupamento Aéreo no resgate de pessoas e no combate à criminalidade.
A nova estrutura funcionará no município de Marechal Deodoro. O Comando de Aviação do Estado foi criado pelo Governo de Alagoas para dar mais dinamismo e eficiência à segurança pública. A estrutura é composta por dois hangares, com, aproximadamente, 1.500 m² de área construída em um terreno cedido pela empresa Manutenção Alagoana de Aeronaves Ltda. (Manal).
Governo de Alagoas inaugura nova base do Comando de Aviação do Estado. Pei Fon / Agência Alagoas.
Os hangares possuem 13 salas que abrigam toda a estrutura administrativa da Chefia Especial Aérea de Segurança Pública (Caesp). Na parte externa há um estacionamento amplo para mais de 50 veículos.
Além do prédio e dos aviões, foram entregues três caminhões auto bomba tanque e dois reboques de tanque de combustível, com capacidade para mil litros cada. O estado investiu R$ 2.565.000,00 milhões na aquisição dos três caminhões auto bomba tanque e R$ 345 mil nos reboques.
Os aviões foram doados pela justiça e serão usados no transporte de enfermos e equipes de resgate. O tanques de combustíveis serão utilizados em operações aéreas no interior, garantindo que as aeronaves possam reabastecer em locais planejados.
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Governo de Alagoas inaugura nova base do Comando de Aviação do Estado. Pei Fon / Agência Alagoas.
Governo de Alagoas inaugura nova base do Comando de Aviação do Estado. Pei Fon / Agência Alagoas.
Governo de Alagoas inaugura nova base do Comando de Aviação do Estado. Pei Fon / Agência Alagoas.
Samu e Ciopaer realizam resgate de bebês na Aldeia Alves Rodrigues. Foto: Odair Leal/Sesacre
Acre – Em 2012 a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) assinaram convênio para implantação dos serviços de atendimento aeromédico e resgate de pacientes no Acre. A partir dai a Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (CIOPAER) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) passaram a trabalhar integrados.
Os dois helicópteros do CIOPAER são habilitados na frota do SAMU para encaminhamento à rede assistencial do SUS. Essa modalidade de serviço aéreo especializado para o atendimento pré-hospitalar móvel e resgate de vítimas resultou em muitas vidas salvas.
São 197,3 horas de voo em 112 missões de saúde, entre os anos de 2019 a 2022. No ano passado foram realizados oito resgates de indígenas em aldeia. E neste ano já são cinco missões de saúde, com 3 pacientes indígenas resgatados.
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SAMU e CIOPAER do Acre celebram 11 anos de parceria salvando vidas. Foto: Odail Leal/Sesacre.
Samu e Ciopaer realizam resgate de bebês na Aldeia Alves Rodrigues. Foto: Odair Leal/Sesacre
SAMU e CIOPAER do Acre celebram 11 anos de parceria salvando vidas. Foto: Odail Leal/Sesacre.
SAMU e CIOPAER do Acre celebram 11 anos de parceria salvando vidas. Foto: Odail Leal/Sesacre.
O secretário de Saúde, Pedro Pascoal, médico emergencista e especialista em transporte aeromédico, foi coordenador do SAMU entre 2019 e 2022. O gestor pontua que muitos foram os frutos nesse primeiro quadriênio, e essa união das duas instituições ganhará muitos espaços nesses próximos anos, garantindo assistência à população do estado.
“Esse é um trabalho fundamental para a população que se encontra em áreas remotas em situação de emergência e urgência, como por exemplo, a população ribeirinha, aldeias indígenas ou acidentes em BR e municípios que não possuem aeródromos para pousos de aeronaves de asa fixa”, evidenciou o titular da pasta da Saúde do Acre.
O SAMU comemorou, no final do ano passado, seu 18º aniversário. Os emergencistas são focados em salvar vidas, e as equipes lidam diariamente com ocorrências diversas. Alguns casos são mais simples, outros mais complexos. A adrenalina é constante e o objetivo é garantir o bem-estar do cidadão acreano.
Samu e Ciopaer realizam resgate de bebês na Aldeia Alves Rodrigues. Foto: Odair Leal/Sesacre.
Empresas Heringer e Brasil Vida Táxi Aéreo contratadas pelo Estado amplias a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará.
Pará – Mesmo passados os momentos mais críticos da pandemia da COVID-19, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) segue investindo nos serviços aeromédicos em diferentes regiões do Estado.
Em 2021, quando cerca de 70% dos transportes realizados era de pacientes de COVID-19, foram feitos 1.210 resgates. Em 2022, esse número foi para 2.519 atendimentos aéreos, sendo apenas 25% de pacientes de COVID-19.
O serviço aeromédico no Pará é realizado com helicópteros e aviões contratados pelo Estado para atendimento de pacientes SUS. As aeronaves e equipes ficam de prontidão em Belém e em Santarém e são acionadas pela Central de Regulação. Durante as fases agudas da COVID-19, também havia uma base de helicóptero em Marabá.
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Empresas de táxi aéreo contratadas pelo Estado ampliam a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará
Empresas Heringer e Brasil Vida Táxi Aéreo contratadas pelo Estado amplias a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará.
Empresas de táxi aéreo contratadas pelo Estado ampliam a capacidade de atendimentos. aeromédicos no Pará. Foto: Agência Pará.
Empresas de táxi aéreo contratadas pelo Estado ampliam a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará. Foto: Agência Pará.
Empresas de táxi aéreo contratadas pelo Estado ampliam a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará
Empresas Heringer e Brasil Vida Táxi Aéreo contratadas pelo Estado amplias a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará.
A Sespa contrata empresas de táxi aéreo especializadas em atendimentos aeromédicos. A Heringer Táxi Aéreo realiza os transportes aeromédicos com helicópteros e a Brasil Vida Táxi Aéreo com aviões. Juntos, os contratos somam valores anuais estimados em R$ 58,4 milhões. A Brasil Vida é especializada em transporte de pacientes e realizou em 2022 mais de 3 mil voos.
Para operações aeromédicas com helicópteros são contratadas horas de voo e para operações com aviões, quilômetros voados. Pelos contratos, dois aviões da Brasil Vida e dois helicópteros da Heringer operam a partir de Belém e um avião e um helicóptero a partir de Santarém.
O Pará, como outros estados, contratam empresas de táxi aéreo para transportar pacientes SUS, pois a demanda é grande e o Brasil possui grande extensão territorial. Além das empresas especializadas, a Sespa também recebe apoio do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (GRAESP) para transportar órgãos e insumos médicos.
Além do atendimento aeromédico, a inauguração de hospitais com o aumento do número de leitos fazem parte de projeto para descentralizar a saúde no estado, evitando que as pessoas façam grandes deslocamentos para receberem atendimento especializado.
“Sabemos que pelo tamanho e características do Pará, é necessário que tenhamos este serviço aeromédico disponível para salvar vidas de pessoas que moram em locais distantes, como, por exemplo, parte de nossa população indígena”, afirmou o secretário de Saúde, Rômulo Rodovalho.
Empresas Heringer e Brasil Vida Táxi Aéreo contratadas pelo Estado amplias a capacidade de atendimentos aeromédicos no Pará.
Em homenagem ao dia de hoje, 24 de fevereiro – Dia do Piloto de Helicóptero, o site Resgate Aeromédico relembra alguns artigos que contaram um pouco da história desses heróis e que certamente foram os responsáveis por tudo isso.
Não fossem eles, o emprego dos helicópteros no salvamento poderiam ter tido outra história. O grande heroísmo dos pilotos de helicóptero no fatídico incêndio do edifício Andraus ocorrido em dia 24 de fevereiro de 1972 na cidade de São Paulo foi a inspiração para esse dia de comemoração.
Muitos desses pilotos que atuaram no incêndio do edifício Andraus também trabalharam no salvamento de pessoas no incêndio do edifício Joelma em 01 de fevereiro de 1974.
No edifício Andraus tiveram mais sucesso salvando vidas do que no edifício Joelma. Não foi por falta de valentia ou coragem, foi porque na época não existiam regras sobre saídas de emergência em edifícios, o Andraus possuía um heliponto (interditado) com acesso e o Joelma um telhado sem acesso para as pessoas, assim os helicópteros não conseguiam aproximar e salvar.
A escolha dessa dessa data não foi a toa, por isso nada mais justo que homenagear, no dia 24 de fevereiro, todos os pilotos de helicópteros do Brasil.
Comandante Finatti durante o salvamento no Edifício Andraus
EDUARDO ALEXANDRE BENI Coronel da Polícia Militar de São Paulo – Águia 31
Artigo publicado em 09 de agosto de 2011
Antes de iniciar esse artigo agradeço a oportunidade de ter conhecido a pessoa que possibilitou escrever essa história – Comandante Cláudio Finatti (In memoriam). Foram muitas conversas e longas pesquisas. Finatti mantinha um arquivo pessoal invejável e que possibilitou escrever esse artigo.
Faço uma ressalva quanto ao número de pessoas salvas e sequências dos fatos, pois, apesar de ler muito sobre o assunto, muitos anos se passaram e existem muitas versões. Tentei seguir aquilo que foi publicado na mídia à época dos fatos. Faço aqui um breve resumo.
Passados 49 anos dessa tragédia, vimos que esses pioneiros reescreveram a história do salvamento aéreo no Brasil e no mundo e esses pilotos foram os desbravadores e os grande motivadores do uso de helicópteros nas operações de segurança pública e de defesa civil, que nesta época era apenas um sonho.
Muitos deles eram pilotos civis e outros eram oriundos das Forças Armadas e que trabalhavam na Aviação Civil. Como fato histórico, a Polícia Militar, bem como a Polícia Civil de São Paulo, somente receberiam seus helicópteros 12 anos depois dessa tragédia.
Cláudio Finatti da Anhembi Aviação estava no Campo de Marte na hora do incêndio, pilotando o helicóptero PT-HCB, um Enstron F28-A. Foto: Agência Estado.
O mais incrível é que, mesmo nos dias de hoje, muitas pessoas ainda não entendem a importância do helicóptero no resgate, no salvamento e no policiamento.
Estados no Brasil iniciaram seus serviços de Aviação de Segurança Pública na década de 70 e também encontraram muitos entraves políticos, econômicas e jurídicos. Atualmente o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Nº 90 (RBAC 90) regulamentou as operações especiais de Aviação Pública e o serviço é realizado em todo o Brasil.
Antigamente, o helicóptero era visto pelas pessoas como um aparelho sensacional e de muita utilidade, hoje, muito embora, não seja a maioria, vêem o helicóptero como um equipamento barulhento e que incomoda o dia-a-dia das grandes capitais.
Em São Paulo, por exemplo, o helicóptero é um grande problema para a “Aviação Regular” (Serviço Aéreo Público), pois o Aeroporto de Congonhas está localizado entre centenas de arranha-céus repletos de helipontos elevados.
Assim, inicio esse artigo relembrando as pessoas da importância do helicóptero no desenvolvimento da Aviação e, principalmente na Segurança Pública e Defesa Civil e, consequentemente, encontraremos algumas respostas para as perguntas que são feitas nos dias de hoje. “Relembrar é viver”.
Antoine de Saint-Exupery, escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial, disse, de forma magistral, que: “O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído, e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quanto o destino.”
O INCÊNDIO DO EDIFÍCIO ANDRAUS – OS FATOS
Às 16:20h de 24 de fevereiro de 1972 a população paulistana assistiu estarrecida ao incêndio que destruiu o edifício Andraus, resultando em uma tragédia sem precedentes.
O edifício Andraus, de 30 andares, na Av. São João em chamas. Foto: Agência Estado.
O edifício, de 30 andares, na Av. São João, era referência para a época, possuía escritórios da Petrobras, Shell, dez companhias de seguros, entre elas a The Tokio and Fire, além das Casas Pirani, uma das mais populares lojas de departamento de São Paulo, que ocupava os quatro primeiros andares do prédio.
Em determinado momento, ocorreu uma súbita escuridão e em poucos minutos mais de mil pessoas se deram conta de um incêndio que tomava todo o edifício. Neste momento começou a corrida pela sobrevivência. A população solidária iniciava uma operação de salvamento, a Polícia Militar utilizava homens e equipamentos para resgatar as vidas em desespero, surgem, então, os heróis, aqueles que lutaram até o último suspiro de força, de coragem, de ternura e desprendimento.
Segundo relatos, o vento nesse dia era forte, 30 km/h, alimentando o fogo, mas esse vento foi a salvação de mais de 700 pessoas, metade no heliponto do edifício e a outra metade na escada interna do edifício, pois, batendo nos fundos do prédio, na direção norte, o vento levava o fogo e a fumaça para a fachada do prédio e para a lateral na Rua Aurora.
Foto que marcou época. Este bombeiro, Cabo Geraldo Alves de Andrade, faleceu algum tempo depois, vítima de queda do caminhão de combate a incêndio na Praça Panamericana. Foto: Agência Estado.
Muitas pessoas, fugindo da morte, com esperança de sobrevivência, buscavam saídas, muitas vezes para a morte, outras para a vida. As chamas devastavam o prédio rapidamente e uma saída foi encontrada, um dos poucos helipontos elevados existentes na Cidade, local que salvou mais de 700 pessoas, com a ajuda de helicópteros.
Com a repercussão dada pelo rádio e pela necessidade, os pilotos, um a um, foram voluntariando-se, buscando seus helicópteros e iniciando os salvamentos. Esse fato foi inédito e, além de nem todos terem experiência nesse tipo de operação, foram obrigados a operar à noite, exigindo esforço e coragem dos pilotos e policiais militares que tripularam as aeronaves.
QUEM ERAM OS PILOTOS
Através de material publicado no Jornal Folha de São Paulo, Caderno 2, de 05 de março de 1972, pelos repórteres: Isabel Dias de Aguiar, Julio Moreno, Luís Carlos Ventura e Renato Russo e por outras diversas publicações e fotos, guardadas carinhosamente pelo Comandante Finatti, foi possível resgatar essa memória esquecida para alguns e marcada na carne para outros.
Dentre eles existiam pilotos experientes, com mais de 3.000 horas de voo em helicópteros e aqueles com pouco mais de 350 horas, como o Comandante Finatti, sem falar dos helicópteros utilizados: Bell 204 e 206, Hughes, Hiller e Enstron. Um feito memorável e que reescreveu a história do salvamento aéreo no Brasil e no mundo.
OS PILOTOS – OS HERÓIS
Alguns desses pilotos ainda voam pelos céus do Brasil e do Mundo. Outros, o destino obrigou-os a alçarem voos mais altos, de onde nos protegem e nos ensinam com suas histórias. Conheçam os pioneiros:
O SALVAMENTO
O pânico era o único sentimento que prevalecia e as pessoas tentavam encontrar forças para sobreviverem. As aeronaves iniciaram uma operação inédita e perigosa, tentavam pousar no heliponto do prédio (encontrava-se interditado), porém a fumaça, o calor, o desespero das vítimas e as antenas impediram, momentaneamente, o salvamento por via aérea, restando somente o lançando de leite às vítimas, que ora bebiam, ora resfriavam o corpo. As pessoas, encurraladas entre a morte certa e a esperança de viver, arrancavam desesperadamente as antenas, tentando facilitar a chegada dos helicópteros.
O Comandante Olendino Francisco de Souza, piloto do Governo do Estado de São Paulo, sabia que enfrentaria três perigos: a fumaça, a laje instável e o pânico das pessoas, entretanto, achou de deveria ser o primeiro a pousar, pois como pilotava o maior helicóptero (Bell 204), se pousasse, os demais poderiam seguir o mesmo caminho. Foi o que aconteceu.
Olendino Francisco de Souza, piloto do Governo do Estado de São Paulo, no helicóptero PP-ENC, um Bel 204B. Foto: Agência Estado.
Segundo entrevista dada pelo Comandante Picolli ao JT no dia do incêndio, disse: “o Comandante Sayão foi o segundo a pousar no prédio, o primeiro a ver o incêndio e dar o alarme. Pousou na avenida São João, entre jatos d’água, entulhos, fios de alta tensão e outros obstáculos. Quase morreu em um momento. A fumaça invadiu o motor do helicóptero. Faltou oxigênio e ele teve que “se jogar” sobre a praça da república até conseguir sustentação de novo para o aparelho.“
Assim, no helicóptero, PT-EES, um Hiller FH-1100, o Comandante Sayão (Leia o artigo) embarcou o então Ten PM Duxferri Gomes de Oliveira do Corpo de Bombeiros, o 3º Sgt PM Milton Serafim da Silva e o 2º Sgt PM Augusto Cazzaniga, ambos do COE (o Sgt Serafim era piloto privado) e, após várias tentativas de outras aeronaves, conseguiu lançá-los no heliponto, que mediante atitudes enérgicas, conseguiram heroicamente, coordenar o salvamento, controlar o incontrolável e salvar essas pessoas que estavam a beira do colapso.
Na sequência surge outra aeronave, comandada por Zanini e auxiliado pelo Eng. de Bellegard, lançando, em duas viagens, outros três policiais militares sobre o heliponto, o Cap PM Helio Barbosa Caldas, o 3º Sgt PM Wisnton Oscar Boldi da Silva, ambos do Corpo de Bombeiros e o 3º Sgt PM Djalma Evangelista, do COE. Diante deste quadro tétrico surgem os pilotos, heróis anônimos, que ultrapassando todos os limites operacionais e exigindo o que não se pode exigir de uma aeronave, retiraram todas as vítimas do heliponto.
Vale lembrar que o COE era ainda uma Companhia de Operações Especiais e pertencia ao 1º BPM “Tobias de Aguiar”. Essa subunidade teve participação decisiva na operação de salvamento ao lado do Corpo de Bombeiros. Conta o então 2º Sgt PM Newton Ferreira da Silva do COE, que estava no teto do edifício Palladium (fica ao lado do edifício Andraus), e após retirar 8 pessoas com uma corda amarrada entre os prédios, atravessou o vão entre eles por uma escada. A extremidade da escada, apoiada no edifício Andraus, era segurada pelo Ten Duxferri e Sgt Cassaniga. Feita a travessia auxiliou a retirada de 26 pessoas, sendo 13 pela escada “magirus” e 13 pelas escadas do prédio até o térreo.
Cláudio Finatti da Anhembi Aviação estava no Campo de Marte na hora do incêndio, pilotando o helicóptero PT-HCB, um Enstron F28-A. Foto: Agência Estado.
Alguns pilotos conduziram suas máquinas sem ao menos possuírem rádios. O ar rarefeito reduzia a potência dos motores dos helicópteros, o que exigia enorme esforço dos pilotos para controlar os aparelhos. O teto baixo, a névoa úmida misturada à fumaça, tudo contribuiu para tornar a missão demasiadamente perigosa.
Os pilotos abasteciam as aeronaves no Aeroporto Campo de Marte e retornavam ao local do incêndio, alguns tinham que manter somente 50% de combustível, a fim de terem mais disponibilidade de potência e consequentemente, poderem embarcar mais pessoas. As vítimas embarcadas nas aeronaves eram conduzidas ao Campo de Marte, Praça Princesa Isabel (centro) e de lá levadas de ambulância aos hospitais, bem como ao Hospital Geral do Exército no Cambuci e ao Hospital das Clínicas.
O heliponto era para 2.400 quilos, mas, como numa sinfonia, utilizaram áreas restritas para os pousos, aproximações arriscadas, mas estavam predestinados a salvarem aquelas pessoas, pois para elas era a única saída, e, cinco horas depois, o heliponto estava completamente vazio, a missão estava cumprida.
Às 22 horas, os helicópteros retiram mais de 700 pessoas das cerca de 1.200 pessoas que estavam no Edifício em chamas. Foram realizados mais de 150 pousos no heliponto interditado do Edifício Andraus e faleceram 16 pessoas.
AS CONDIÇÕES ADVERSAS PARA O VOO
Segundo artigo publicado na Revista Pirelli, Ano XXIII, N 118, de dezembro de 1978, pg 24, 10 anos no Ar, escrita pelo Engo Carlo de Bellegarde de Saint Lary e corroborada pelo Comandante Zanini, relatou, de forma primorosa, o seguinte:
Carlos Henrique de Campos Zanini, piloto da Pirelli, e o Eng. Carlo de Bellegarde de Saint Lary, a bardo da aeronave, resgataram 53 pessoas do Edifício Andraus em 19 viagens com o helicóptero PP-HBN, um Bell Jet Ranger 206A. Foto: Agência Estado.
“Para dar a dimensão do risco ao qual estiveram expostas as equipagens e máquinas é suficiente considerar os seguintes fatores técnicos, todos conflitantes com as regras normais de segurança de voo, e que foram, por nós, experimentadas e vividas durante a operação:
As aterrissagens com visibilidade “zero” quando os helicópteros atravessavam a densa fumaça para colocar-se sobre o terraço;
Antenas de televisão invisíveis da fumaça e que se encontravam na trajetória da descida;
Turbulência provocada pelas chamas inferiores, com conseqüente dificuldade do controle das aeronaves;
Temperatura elevadíssima quando da decolagem, provocando superaquecimento da turbina, que alcançou temperaturas ao redor de 900oC, quando o máximo permitido é de 843oC, durante seis segundo no máximo (helicóptero da Pirelli, PT-HBN, um Bell Jet Ranger 206A);
Perda de potência no motor e insuficiente rotação do rotor, devido à temperatura e ao ar rarefeito e, em conseqüência, o helicóptero, logo após a decolagem, não voava, mas caía fora do edifício, em direção à Praça da República, onde, por felicidade nossa, era possível recuperar-se contra o vento e com ar fresco;
Quase todos os helicópteros, devido às proibitivas condições de voo, sofreram anomalias de funcionamento de um ou mais componentes. Por exemplo, o helicóptero da Pirelli (PP-HBN, um Bell Jet Ranger 206A) voou durante muito tempo com panes intermitentes de uma das bombas de combustível;
Durante as aterrissagens noturnas sobre o Andraus, a fumaça e a garoa que se formavam ao redor do edifício refletiam a luz dos holofotes de aterrissagem, tornando nula a visibilidade externa.”
Esse relato, dado pelos pilotos e publicada pela revista, está repleto de informações técnicas e de valor inestimável. É, inquestionavelmente, um marco histórico para o salvamento aéreo, pois algo muito semelhante aconteceu no incêndio da favela de Heliópolis no dia 17 de junho de 1996 (Heliópolis – O voo a beira dos limites), 24 anos depois. Nesse episódio, lembram os pilotos, do aquecimento acima do normal da turbina e das perdas momentâneas de sustentação da aeronave.
AS HOMENAGENS
Em função desse feito heroico, todos os pilotos, policiais militares, bombeiros, etc que participaram dos salvamentos foram exaustivamente homenageados e não era para menos. Assim, foram oferecidas algumas homenagens a esses heróis, embora não se limitem somente a essas:
Troféu “Merecimento Rotariano”, outorgado pelo Rotary Club de São Paulo em 08 de março de 1972, a 18 heróis que participaram no salvamento do Edifício Andraus;
Láurea máxima oferecida pela Flight Safety Fundation, com sede em Washington aos pilotos, entre os dias 16 e 18 de outubro de 1972;
Prêmio oferecido pela Helicopter Association of America em Las Vegas, EUA, em 1973;
Medalha de Mérito Santos Dumont, entregue em 20 de Julho de 1972, em solenidade na Base Área de São Paulo, em Cumbica;
Homenagem na Semana da Asa em Santos, 19 de outubro de 1981: o Comandante Cláudio Finatti recebeu um cartão de prata pelo feito no Edifício Andraus e Joelma;
Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo entregue em 26 de outubro de 1972, pela Câmara municipal de São Paulo, etc.
Medalha de Bravura da Cidade de São Paulo entregue no dia 30 de Janeiro de 1973 no Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, com a presença do Governador de Estado Laudo Natel e do Prefeito Figueiredo Ferraz;
Em 2002, o Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRPAe) da Polícia Militar de São Paulo homenageou os heróis que participaram do incêndio do Edifício Andraus.
Nesse evento estavam presentes pilotos e bombeiros que também atuaram no incêndio do Edifício Joelma, com a participação ilustre do primeiro piloto de helicóptero do Brasil, Comandante Carlos Alberto (Conheça sua história). Na época ele era piloto da Pirelli e, na companhia do Eng. Carlo de Bellegarde de Saint Lary, participaram do trágico incêndio do Joelma.
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Cel Beni, Cmt Otte; Cmt Carlos Alberto, Cmt Finatti, Cel Caldas,Cel Otacilio e Cel Gaspar.
Comandante Finatti, Cel PM Caldas, Comandante Carlos Alberto, Cel PM Eduardo Alexandre Beni. Foto: Rivaldo dos Santos.
Homenagem recebida na Prefeitura de São Paulo. Foto Agência Estado.
Homenagem recebida na Prefeitura de São Paulo. Foto Agência Estado.
Homenagem recebida na Prefeitura de São Paulo. Foto Agência Estado.
Homenagem recebida
UM DETALHE CURIOSO
O Comandante Portugal Motta, que pilotava um Bell 206 e que salvou 100 pessoas no incêndio, quando era Oficial da FAB, havia interditado o heliponto em meados de 1969, pois haviam instalado nele muitas antenas de televisão e outros aparelhos e retiravam a segurança do heliponto.
A administração do prédio não se interessou em reabrir o heliponto e então ficou válida a sua interdição. O detalhe que esse era, segundo informações da época, o único heliponto registrado de São Paulo e aquele que interditou foi um dos heróis que participou do salvamento.
AS DISCUSSÕES PROMOVIDAS APÓS A TRAGÉDIA
Na época do incêndio muitos questionamentos surgiram sobre o então Código de Obras de São Paulo, principalmente sobre a segurança desses edifícios e, assim, o Jornal Folha de São Paulo, Caderno 1, de 05 de março de 1972, levantou vários problemas, fazendo um paralelo com o Código de Obras de Nova York. A seguir, alguns pontos discutidos na época:
Melhor dimensionamento dos sistemas de escoamento dos edifícios, “halls”, áreas comuns, escadarias, etc;
Estanqueidade, continuidade e incombustibilidade das caixas de escada, proposta seguramente mais significativa que qualquer exigência de escadaria externa;
Inclusão de portas corta-fogo, em determinados casos e posições estratégicas, proposição que assume grande importância, sobretudo para escolas, teatros, cinemas e locais de reunião pública em geral;
Sistemas de indicações precisas sobre a possibilidade de aberturas em paredes divisórias, para atingir áreas de saída e edificações vizinhas; sinalização adequada, nos grandes edifícios, sobre os meios de escoamento de emergências disponíveis;
Criação de dispositivo permanente de fiscalização e vistoria, capaz de assegurar o razoável cumprimento das disposições básicas de segurança, e
Construção de helipontos elevados em Edifícios, a fim de possibilitar o pouso de helicópteros;
Vimos nessas questões discutidas na época muitas realidades de hoje, uma delas é a enorme quantidade de helipontos elevados nos edifícios paulistas.
Evidente que sua utilização hoje se deve pela disseminação do uso do helicóptero no transporte de pessoas, principalmente de autoridades e executivos, entretanto, podemos afirmar que a inclusão de helipontos nos projetos de construção dos prédios na cidade de São Paulo foi decorrente dessa tragédia, mas, mais especificamente, por conta do incêndio do Edifício Joelma em 1974 (será tema de outro artigo), pois ele não possuía heliponto e, por isso, muitas pessoas morreram no teto do prédio, mostrando na carne a importância do heliponto.
A PREVISÃO
Não querendo ser injusto com pessoas que lutaram pela utilização e disseminação do helicóptero no Brasil, farei uma menção honrosa ao Comandante Judimar Piccoli, que foi o idealizador da Escola de Pilotagem Anhembi e um dos pilotos que mais defendeu o uso do helicóptero no Brasil e foi um ícone na Aviação, além de excelente piloto:
Em matéria publicada no Jornal O Estado de São Paulo, de 11 de janeiro de 1973, o Comandante Piccoli disse, quase de forma premonitória, o seguinte:
“O incêndio do Andraus serviu para dar o impulso inicial, embora algumas poucas pessoas já soubessem como podem ser eficientes os serviços prestados pelo helicóptero. Mas parece que tudo foi esquecido. O Órgão responsável pelo trânsito da Capital, a Polícia, os grandes hospitais – todos podiam estar utilizando o helicóptero como uma das formas mais eficientes de colher informações de toda a cidade em poucos minutos e também de prestar assistência à população. No Brasil, não se aprendeu ainda a aproveitar a modalidade e a rapidez desse aparelho. Quem sabe num outro incêndio…” (grifo nosso)
Antes de continuar a leitura, peço um minuto de silêncio…Quando estudamos os fatos e relembramos a história nos damos conta de fatos estarrecedores como esse.
Assim, temos que fazer, nesse momento, uma alusão ao incêndio do Edifício Joelma, ocorrido no dia 1° de Fevereiro de 1974, dois anos depois do incêndio do Andraus e um ano depois do que disse o Comandante Piccoli. Pode parecer pura coincidência, mas quem conhecia o Comandante e sua vasta experiência, sabia que isso realmente poderia acontecer. O resultado desta tragédia foi cerca de 345 feridos e mais de 180 mortos.
OS RESULTADOS
Considerando ainda o incêndio do Edifício Joelma, ocorrido em 1 de fevereiro de 1974, dois anos depois do incêndio do Andraus, vimos hoje, que essas duas tragédias foram as precursoras de várias providências que surgiram nas décadas seguintes.
Um dos pontos mais importantes de toda essa discussão iniciada, por conta dessas duas tragédias, foi a necessidade do Estado aparelhar suas Polícias e Corpos de Bombeiros com helicópteros e a necessidade constante de modernizar seus equipamentos e técnicas de salvamento.
A proliferação dos helipontos elevados em São Paulo, inclusive em hospitais e o aumento da segurança nos projetos dos novos edifícios foi, certamente, resultado dessas tragédias. As pessoas hoje se esquecem disso, reclamando do barulho dos helicópteros, problemas para os aeroportos, como ocorre em São Paulo, o excesso de exigências nos projetos de combate a incêndio, etc. Isso é falta de memória. Por isso, vamos relembrar.
Importante frisar que nessa época o Hospital das Clínicas de São Paulo não possuía heliponto elevado, hoje possui dois e com toda infra-estrutura para o desembarque de enfermos. O Grupamento Aéreo da Policia Militar de São Paulo é o seu maior usuário.
No campo legislativo, outro resultado importante dessas tragédias (Andraus e Joelma), foi o avanço gradativo da conscientização, por parte do poder público, na elaboração de decretos e leis estaduais que criaram uma legislação coerente sobre Segurança contra Incêndios.
No caso de São Paulo, o município criou o Decreto nº 10.878 de 07 de fevereiro de 1974, que foi o primeiro regulamento oficial sobre segurança contra incêndio de edificações no Brasil. Detalhe, este decreto foi sancionado uma semana após o incêndio no edifício Joelma.
Desde então, os decretos sofreram várias atualizações que culminaram com o atual Regulamento Estadual de Segurança contra Incêndios, aprovado por meio do Decreto Estadual 46.076 de 31 de agosto de 2001. Este é o terceiro regulamento oficial de segurança contra incêndio em edificações, elaborado pelo Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, aprovado 29 anos depois do incêndio do Edifico Andraus.
Muitas coisas ainda ficarão sem respostas, mas uma coisa é certa, o helicóptero se consolidou como um instrumento eficiente e eficaz, não só no transporte de pessoas, mas no salvamento, na observação do trânsito, no resgate, no trabalho da imprensa, no policiamento, etc.
Importante, agora, que o Poder Público, da mesma forma como ocorreu com regras sobre segurança contra incêndio em edificações, aprove regulamento sobre a Aviação de Segurança Pública e Defesa Civil. Quantas tragédias precisarão acontecer para que essa atividade seja devidamente reconhecida pelos legisladores.
Hoje, Comandante Piccoli, seu sonho e desejo é uma realidade.
REFERÊNCIAS
Jornal Folha de São Paulo, Caderno 2, pg. 14, de 05 de março de 1972, pelos repórteres: Isabel Dias de Aguiar, Julio Moreno, Luís Carlos Ventura e Renato Russo, “A história completa do incêndio Andraus.”;
Revista Pirelli, Ano XXIII, N 118, de dezembro de 1978, pg 24, 10 anos no Ar;
O Estado de São Paulo, de 12 de outubro de 1972, Jornal da Tarde, pg. 21, “Um prêmio para onze pilotos, heróis do edifício Andraus.”;
Folha de São Paulo, 1o Caderno, pg. 12, de 05 de março de 1972 – “Como evitar que isto se repita.”;
O Estado de São Paulo, pg. 14, de 26 de fevereiro de 1972, “Doze helicópteros, 7 fatos e uma façanha.”;
Folha de São Paulo, 2o Caderno, pg.15, de 05 de março de 1972, “O que os outros fazem contra o fogo.”;
O Estado de São Paulo, de 11 de janeiro de 1973, Jornal da Tarde, pg. 3, “Os heróis não vão a Las Vegas receber seu prêmio.”;
Revista O Cruzeiro, de 3 março de 1972, no 10, pg.22, “O Inferno”;
Fotos da Agência Estado, dos Jornais e do acervo pessoal do Comandante Finatti;
Entrevista com o Cap Ref PM Newton Ferreira da Silva.
Autor: Eduardo Alexandre Beni é Coronel da reserva Polícia Militar de São Paulo trabalhou 22 anos no Grupamento de Radiopatrulha Aérea. É piloto comercial de helicóptero, instrutor de voo e editor do site Resgate Aeromédico.
Nota: As pessoas que possuírem mais informações, fotos, ou que sugiram alterações, correções no texto, favor enviar mensagem no e-mail: contato@evoluigi.com.br.
Comandante Olendino Francisco de Souza. Foto: Agência Estado.
EDUARDO ALEXANDRE BENI Coronel da Polícia Militar de São Paulo – Águia 31 Editor do Resgate Aeromédico
O dia 24 de fevereiro foi escolhido como o “Dia do Piloto de Helicóptero“. A razão dessa escolha foi para reverenciar o heroísmo dos pilotos de helicóptero no fatídico incêndio do edifício Andraus ocorrido no dia 24 de fevereiro de 1972, na cidade de São Paulo.
Nesse artigo vou contar um pouco da história do Comandante Olendino Francisco de Souza (in memoriam), que pousou o helicóptero Bell 204B, 32 vezes no Edifício Andraus, resgatando 307 pessoas. O comandante concedeu muitas entrevistas ao longo de sua vida relembrando os fatos que vivenciou.
Comandante Olendino Francisco de Souza ao lado do Hiller FH-1100. Foto: Acervo pessoal.
Não tive o privilégio de conversar com o Comandante Souza. Ele nos deixou em janeiro de 2008, na cidade de Bauru aos 79 anos, decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Conheci o Comandante Souza através das histórias do Comandante Claudio Finatti, que também tinha vasto material guardado e que me permitiu escrever o artigo “Os heróis existem – O incêndio do Edifício Andraus“.
Segundo o próprio Comandante Souza em entrevistas, ele não gostava de ficar lembrando das cenas que presenciou. Da mesma forma aconteceu com o Comandante Finatti, que em todas as nossas conversas sobre o assunto falava com muita tristeza, respeito e gentileza nas palavras.
Antes de começar a história, sabemos que muitas pessoas participaram do salvamento, mas falaremos com mais atenção dos aviadores. Faço uma ressalva quanto aos números e sequências dos fatos, pois, apesar de ler muito sobre o assunto, muitos anos se passaram e existem muitas versões.
Tentei reproduzir as longas conversas que tive com muitos protagonistas e seguir aquilo que foi publicado na mídia à época dos fatos. Faço aqui um breve relato.
Mas afinal, quem era o Comandante Souza?
Através de matérias publicadas em A Gazeta, Jornal da Cidade, O Estado de São Paulo, Diário de Bauru, Diário Popular, Diário de São Paulo, Diário Oficial de São Paulo, e por outras diversas publicações e fotos do acervo pessoal de Souza, guardado carinhosamente pelo Comandante e por sua família, foi possível resgatar essa história.
O Comandante Souza nasceu em Patrocínio (MG) e aos 15 anos saiu de casa. Passou por dificuldades em sua infância mas o trabalho em uma oficina mecânica em Ribeirão Preto mudaria sua trajetória. A habilidade manual era tanta que logo começou a consertar carros. Por isso, foi convidado para trabalhar com aviões, pois eram poucos os profissionais especializados na área.
Licença de piloto do Comandante Olendino Francisco de Souza. Foto: Acervo pessoal.
No começo de sua carreira trabalhou em Bauru (SP), onde começou a aprender o ofício de mecânico de aviões. Não demorou muito e já estava voando planadores. Trabalhou como mecânico em Jacarezinho (PR). Em 1958 iniciou seu curso de piloto de helicóptero, mas sua licença de piloto de Nº 9 viria somente em 1960, autorizando para voar o Bell 47-D e o Hiller.
Em 1963 mudou-se para o Rio de Janeiro onde voou em um Táxi Aéreo. Em 1964 foi para São Paulo, a convite do Governador Adhemar de Barros, voar para o Governo do Estado, onde trabalhou por décadas.
Nesse período transportou alguns governadores de São Paulo, entre eles Adhemar de Barros, Laudo Natel, Abreu Sodré, Paulo Egídio, Paulo Maluf e Franco Montoro. Ele voava o helicóptero Bell 204B, apelidado de “Gafanhoto“. Além dele, havia o Comandante Geraldo Magela Wermelinger e o mecânico Antônio Simão Elias.
Souza aposentou-se em meados da década de 90 e passou todo esse tempo com sua família em Bauru, interior de São Paulo.
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Comandante Olendino Francisco de Souza com o Bell 204B no Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza pilotando o Bell 204B. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza pilotando o Bell 204B. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza realizando carga externa. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza depois que parou de pilotar dedicava parte de seu tempo ao aeromodelismo. Foto: Acervo Pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza depois que parou de pilotar dedicava parte de seu tempo ao aeromodelismo. Foto: Acervo Pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza. Foto: Agência Estado.
O dia do resgate
No dia do incêndio, Souza estava no hangar da VASP, em Congonhas. O fogo começou por volta das 16h15 e o helicóptero Bell 204B, matrícula PP-ENC, foi o primeiro a chegar no local. Como a aeronave possuía espaço interno raro para a época ela foi capaz de resgatar um número maior de vítimas no dia 24 de fevereiro de 1972. Pousou 32 vezes no Edifício Andraus, resgatando 307 pessoas.
Segundo relatos do próprio Comandante Souza, nas seis primeiras viagens transportou as vítimas para o Aeroporto Campo de Marte, mas para ganhar tempo decidiu pousar na praça Princesa Isabel, no que também foi acompanhado por outros pilotos. O mecânico de helicóptero Domingos Alzino, que era funcionário da VASP, foi seu copiloto durante os resgates.
Depois que os helicópteros deixavam as vítimas no Aeroporto Campo de Marte e na Praça Princesa Isabel, policiais militares organizavam o desembarque e ambulâncias levavam os feridos para diversos hospitais, entre eles o Pronto Socorro da Barra Funda, Hospital Geral do Exército no Cambuci, Santa Casa de Misericórdia, Hospital das Clínicas, Hospital Emilio Ribas e Hospital da Aeronáutica no Campo de Marte.
A Santa Casa estava preparada para receber até 350 feridos, atendeu cerca de 200 pessoas, a maioria com ferimentos leves e principio de intoxicação. Apenas em seis casos houve a internação. No Hospital das Clínicas, 95 pessoas foram atendidas, a maioria com queimaduras leves e principio de intoxicação, permanecendo em tratamento 12 pacientes. No Hospital da Aeronáutica no Campo de Marte, aproximadamente 200 pessoas foram atendidas.
Olendino Francisco de Souza, piloto do Governo do Estado de São Paulo no helicóptero PP-ENC, um Bel 204B. Foto: Agência Estado.
Durante quase seis horas os helicópteros permaneceram no local resgatando vítimas. A Praça Princesa Isabel foi convertida pela Polícia Militar em uma área de pouso e posto de atendimento. Por volta das 22h30 quando não havia mais pessoas no heliponto do Andraus, o Comandante Souza retornou para o Aeroporto de Congonhas.
Depois de um curto período de descanso, no dia seguinte ao incêndio (25/02), o Comandante Souza, acompanhado de Alzino e do mecânico Antônio Simão Elias, também funcionário da VASP e que voou em um dos helicópteros no dia do incêndio, foram chamados pelo então Governador de São Paulo, Laudo Natel, para receber os cumprimentos pelo serviço realizado.
No Palácio dos Bandeirantes também estavam presentes o Chefe da Casa Militar, Coronel Raul Humaitá e o piloto Alberto Fernandes Delfim, Chefe da Seção de Aeronaves Executivas do Estado. Durante a conversa, o comandante relatou ao governador como as coisas aconteceram. “Alguém teria de pousar em primeiro lugar, e achei que isso competia a mim, que estava com o maior aparelho. Se eu conseguisse, estaria aberto o sinal para os outros”, relatou Souza.
Para ele havia três riscos: a falta de visibilidade, a possibilidade da laje ceder, e uma eventual invasão do helicóptero pelas vítimas em pânico. “A certa altura achei que não deveria esperar mais e decidi pousar, mas antes de tocar o piso tive que arremeter, porque todos queriam entrar no helicóptero ao mesmo tempo. Mesmo assim trouxemos 5 pessoas que o coronel Gilson conseguiu puxar para dentro do aparelho”, complementou.
O Coronel Av Gilson Macedo Rosenburg, coordenador SAR (Serviço de Busca e Salvamento) designado pela então 4ª Zona Aérea da FAB, acompanhou o piloto durante a operação, ajudou-o a coordenar a ação dos demais helicópteros.
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Olendino Francisco de Souza, piloto do Governo do Estado de São Paulo no helicóptero PP-ENC, um Bel 204B. Foto: Agência Estado.
Helicóptero trazendo vitimas do incêndio no Edifício Andraus, na praça Princesa Isabel, em São Paulo (SP). A praça tornou-se um heliporto e o palco de cenas dramaticas. Os helicópteros chegavam do terraço do edifício da Loja Pirani e pousavam na praça onde aguardavam as ambulâncias. (Foto: Folhapress)
Comandante Finatti durante o salvamento no Edifício Andraus
Comandante Finatti durante o salvamento no Edifício Andraus
Edifício Andraus em Chamas.
Edifício Andraus em Chamas.
Depois do primeiro salvamento, o helicóptero Hiller FH-1100 (PT-EES), pilotado pelo Comandante Sayão (Leia o artigo) desembarcou no heliponto do edifício o então Ten PM Duxferri Gomes de Oliveira do Corpo de Bombeiros, o 3º Sgt PM Milton Serafim da Silva e o 2º Sgt PM Augusto Cazzaniga, ambos do Comando de Operações Especiais (COE) da PM.
Em seguida, outra aeronave comandada por Zanini e auxiliado pelo Eng. de Bellegard, desembarca sobre o heliponto, o Cap PM Helio Barbosa Caldas e o 3º Sgt PM Wisnton Oscar Boldi da Silva, ambos do Corpo de Bombeiros e o 3º Sgt PM Djalma Evangelista, do COE.
Assim, eles conseguiram coordenar o salvamento e permitir o embarque seguro das vítimas nos helicópteros. Segundo levantamento da época, no edifício havia 1.300 pessoas, 700 foram resgatadas e 16 pessoas morreram (12 homens e 4 mulheres).
Não houve relato de nenhum incidente ou acidente envolvendo as aeronaves.
Exaustão
Depois que tudo acabou, o Comandante Souza pousou o helicóptero no Aeroporto de Congonhas, cortou o motor, deitou no chão e entregou-se à exaustão. “Estava uma noite gostosa e eu estava cansado daquela confusão, de ver aquela barbaridade. Eu deitei no chão, na pista mesmo, e acordei horais depois com médico e enfermeiras ao meu lado no ambulatório do Aeroporto.
Segundo relatos da época, Souza estava “desidratado e com acúmulo nervoso”. A vida de depois desse dia não seria a mesma.
Como todos que participaram do salvamento, Souza sempre foi reconhecido como um herói e recebeu prêmios e condecorações ao longo de sua vida. Segundo ele, nunca foi procurado pelas pessoas que salvou, mas sabemos que todas elas, como nós, reconhecem o trabalho heroico dele e de todos aqueles que trabalharam naquele dia de fogo, fumaça e pânico.
Daí para frente é a história que conhecemos desses heróis.
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Homenagem recebida na Prefeitura de São Paulo. Foto Agência Estado.
Comandante Olendino Francisco de Souza recebendo homenagem na Prefeitura de São Paulo. Foto: Acervo pessoal.
Homenagem recebida na Prefeitura de São Paulo. Foto Agência Estado.
Comandante Olendino Francisco de Souza com o Governador Adhemar de Barros. Foto: Acervo pessoal.
Comandante Olendino Francisco de Souza com o Governador Laudo Natel. Foto: Acervo pessoal.
Homenagem recebida
Para ajudá-los nas pesquisas, indico a leitura de alguns artigos que contaram um pouco da história desses heróis e que certamente foram os responsáveis por tudo isso.
EDUARDO ALEXANDRE BENI
Coronel da Reserva da Polícia Militar de São Paulo
Resgatar a história de pessoas ilustres e que contribuíram para a nossa aviação não é tarefa fácil. Todos os voos que realizamos, nossas missões, nossas vitórias e derrotas, contribuem para a edificação da aviação no Brasil, mas na correria do dia-a-dia não nos apercebemos que nossas ações, mesmo que singelas, podem trazer resultados decisivos e significativos no futuro.
Hoje, as informações são instantâneas, elas nos encontram onde estivermos, mas e aquelas que, de forma mágica, deram um significado para o que somos e fazemos hoje? Perdemos, por vezes, nossas memórias, mas, pouco a pouco, vamos reencontrando nossas raízes, nossas origens.
Não fosse o zelo de alguns, como o do Comandante Cláudio Finatti, guardando recortes de jornais, fotos, cartas, etc, essa história seria perdida, mas vamos eternizá-la. A Gazeta Mercantil, em 1999, na edição de 22 de outubro, publicou a matéria “Lembranças do primeiro piloto de helicóptero” escrita pelo jornalista Álvaro de Oliveira e no mesmo ano a APHESP, hoje ABRAPHE, publicou um folder em sua homenagem. Mas então, quem foi afinal essa ilustre pessoa? Foi o Comandante Carlos Alberto Alves, o primeiro dos primeiros.
Essa história começou há muito tempo, quando com apenas 15 anos, meados de 1939, arriscava algumas manobras no avião do seu pai, um Taylor (aparelho inglês semelhante ao paulistinha), sempre que os dois deixavam o aeroclube de Garça, no interior de São Paulo.
Aos 17 anos, Carlos Alberto deixou São Paulo e foi para Porto Alegre, onde ingressou no Exército. Quando completou 18 anos, idade mínima obrigatória para tirar o brevê, não resistiu à tentação de pilotar e abandonou a carreira militar. O próximo destino seria a Escola de Aviação do Campo de Marte, zona norte de São Paulo, até então uma referência da aviação nacional.
Na Escola, o futuro piloto preencheu as 25 horas necessárias para obter sua licença. Poucos anos separaram o dia em que o comandante colocou as mãos na carteira do seu primeiro emprego como piloto. Por intermédio de um dos grandes entusiastas da aviação, o comandante Renato Arens, fundador da UBAC, União Brasileira de Aviadores Civis em 1947, foi contratado por fazendeiros para cuidar da pulverização de plantações de café no interior de São Paulo.
Sem titubear, Carlos Alberto topou a empreitada. “Quando cheguei na fazenda, Arens contou que eu teria que trocar o avião pelo helicóptero”, disse Carlos Alberto. “Eu mal sabia que minha paixão pelos helicópteros estava apenas começando”.
O Comandante trocou, então, a segurança e o conforto dos aviões pela liberdade e o risco maior de voar num helicóptero. “Não era tão seguro como hoje, mas voávamos baixo e não faltava espaço na cidade para aterrissar no caso de uma pane.”
O preço de um helicóptero, segundo o comandante, era dez vezes maior que um avião de pequeno porte. O motivo pelo qual os fazendeiros resolveram comprar o Bell 47-D era a eficiência no processo de pulverização. O aparelho chegou ao Brasil completamente desmontado e passou pela alfândega no porto de Santos. Os técnicos montaram no “campinho”(como fora carinhosamente batizado o Campo de Marte) e, em seguida, o helicóptero foi conduzido para o interior. “Fiz apenas quatro horas de treinamento” afirmou.
O comandante trabalhou na fazenda entre 1948 e 1951, quando o governador Adhemar de Barros fez uma oferta irrecusável aos proprietários. “Adhemar resolveu comprar o helicóptero e acabou me levando de brinde”, comentou Carlos Alberto. Contratado pela VASP, Carlos Alberto se consagraria como o primeiro piloto de helicóptero de uma empresa aérea brasileira e de um governador.
Para contextualizar a importância desse momento histórico, Adhemar de Barros foi duas vezes governador de São Paulo (1947–1951 e 1963–1966) e além de médico, empresário e influente político brasileiro era também aviador. Tirou seu brevê na Europa no período em que fez cursos de especialização em medicina. Conta a história que Adhemar foi o precursor do uso intensivo de aeronaves na Administração Pública e nas campanhas políticas e, certamente, foi o primeiro político a utilizar o helicóptero para o seu transporte. Carlos Alberto foi esse piloto.
O detalhe é que não havia nessa época licença para esse tipo de aeronave, assim, o comandante, após seu treinamento e acúmulo de horas de voo, deu instrução ao “checador” da Força Aérea, que o examinou logo após e recebeu a licença de piloto comercial de helicóptero N° 001, instituída em 1952, pela então Diretoria de Aeronáutica Civil.
No início dos anos 50, o vertiginoso crescimento da aviação comercial e a inevitável modernização do Aeroporto de Congonhas, que já despontava como um dos mais movimentados do mundo em transporte de cargas e passageiros, com seus barulhentos quadrimotores transoceânicos Douglas DC-4, Constellations e os Boing 377 Stratocruiser, tiveram que dividir o espaço aéreo da capital com um Bell 47-D, matrícula PP-H1, que mais tarde passou para PP-HAA, pilotado por Carlos Alberto.
O Comandante também transportou mercadorias leves para a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo e colaborou no replorestamento da Serra da Cantareira. “Arremessamos milhares de sementes de árvores na Cantareira.”
A convivência com Adhemar de Barros, revelou, Carlos Alberto, sempre foi pacífica e amistosa. “Ele adorava voar em São Paulo para Campos do Jordão, seu refúgio preferido.” O fato mais inusitado aconteceu quando o governador pediu para o comandante pousar na região do Ibirapuera só para comprar um pastel na barraca da feira. “Naquela época era perfeitamente possível”, afirmou.
Carlos Alberto passou por momentos marcantes, como o primeiro voo de helicóptero da vida do caudilho Getúlio Vargas. “Tentei demovê-lo da ideia, explicando que o presidente estava arriscando a vida ao usar um meio de transporte não tão seguro; foi como se eu tivesse falado para um surdo”, brincava o comandante.
A carreira do aviador passou por momentos emocionantes, como o sobrevoo do edifício Joelma, consumido pelo fogo em fevereiro de 1974. Carlos Alberto presenciou o suicídio de dezenas de pessoas que não tinham como escapar das chamas. “Meu helicóptero foi o primeiro a chegar, não tinha onde pousar e assistia ao desespero das vítimas sem nada poder fazer”, mas a história conta de forma diferente sobre sua participação nesse incêndio. O Comandante sempre foi uma pessoa modesta.
Para relembrar, o incêndio do edifício Joelma ocorreu dois anos depois do incêndio do edifício Andraus. Diferente deste, o helicóptero UH-1H da FAB, foi a única aeronave a ser utilizada, efetivamente, na retirada das vítimas do telhado do edifício Joelma. (Em breve será contada essa história)
Outras aeronaves estiveram no local, mas por conta do forte calor e do Joelma não possuir heliponto, somente o helicóptero da FAB conseguia aproximar-se do telhado. Mas, mesmo assim, num momento insólito e de extrema audácia, o Comandante Carlos Alberto, com a ajuda do Eng. Carlo de Bellegarde de Saint Lary, pousou um Bell Jet Ranger 206A, PT-HBN (SN 229 – 1967/68), da empresa Pirelli, sobre uma pequena laje de um prédio vizinho ao Joelma. Ali, os bombeiros passaram cordas, ligando os dois prédios e tentavam retirar as pessoas que agonizavam no edifício em chamas. A imagem abaixo fala por si só.
Esse foi só o início de sua história. Ele foi o primeiro dos primeiros! Comandante Carlos Alberto Alves.
Autor
Texto adaptado por Eduardo Alexandre Beni, Coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Grupamento de Radiopatrulha Aérea. É piloto comercial de helicóptero, instrutor de voo e editor do site Resgate Aeromédico.
Referências
Gazeta Mercantil, edição de 22 de outubro de 1999, “Lembranças do primeiro piloto de helicóptero”, por Álvaro de Oliveira;
Folder da APHESP, hoje ABRAPHE, de outubro de 1999, e
O site Resgate Aeromédico publicou artigo denominado Os Heróis existem – O Incêndio do Edifício Andraus e tivemos a grata satisfação de receber uma contribuição inestimável e que a “santa internet” propiciou: um relato do Comandante Sayão sobre sua participação nesse incêndio.
Sayão, PCH 29, hoje com 74 anos e morando no Rio de Janeiro, relembra alguns acontecimentos e reconduz a história, apresentando fatos nunca escritos.
A história viva
Estava tranquilamente assistindo televisão, quando ouvi meu neto gritar:
– Vovô, vovô o Senhor está na internet.
Corri para ver do que se tratava, e constatei que várias pessoas que participaram do salvamento às vítimas do incêndio do Edifício Andraus na Cidade de São Paulo, manifestavam a respeito de seus feitos e de outrem.
Evidentemente que no primeiro momento fiquei contente com o desfilar de opiniões, congratulações, dentre outras que eram feitas aos heróis, inclusive com opiniões e louvores aos feitos dos vários participantes do salvamento. Feitas por pessoas do povo. Assim, eu conto como eu vivi e vi o incêndio do Andraus.
A decisão de ir
No dia do incêndio estava voando com um capitão da Aeronáutica, o qual checava as condições do helicóptero para liberá-lo para os voos cotidianos, após manutenção que havia sido feita. Durante o voo percebemos que o Edifício Andraus estava em chamas. Comentei com o capitão e externei a minha vontade de ir para lá, ele ponderou que não poderia ir, pois tinha vários problemas para resolver, mas que o helicóptero havia passado na vistoria e eu estava liberado para ir para lá.
Ao pousar para deixar o Capitão veio conversar comigo o mecânico Brizzi e um engenheiro da COMASP, a quem pertencia o helicóptero. Brizzi ao ficar sabendo que eu pretendia ir ao Andraus, pois ele estava pegando fogo, prontificou-se em me acompanhar. Decolei e participei à Torre do Campo de Marte o que estava acontecendo.
O que viu no local – terror
Partimos em direção ao Andraus por volta das 16H00, lá chegando percebemos que não poderíamos pousar, pois havia muitas antenas de rádios e torres de ferro e fios, impossibilitando o pouso, assim, Brizzi abriu a porta do helicóptero e começou a gritar para que as cinquenta pessoas que se encontravam ali no heliporto, derrubassem tudo que pudesse interferir no pouso do helicóptero.
Na terceira passagem, como num passe de mágica, o heliporto estava livre para o pouso. Ao me aproximar já percebia o empurra-empurra das vítimas que se aproximavam da aeronave logo que pousei. Assim que o Brizzi abriu a porta e pisou na laje, retornou para o helicóptero gritando – decola, decola! Imediatamente, tirei o helicóptero do chão e perguntei ao Brizzi o que tinha acontecido, ele disse: – eles estavam se aproximando perigosamente do rotor de calda onde poderiam se acidentar, morrendo ou ficando gravemente feridos ao se chocar com o mesmo que é pouco visível, quando em funcionamento.
Ao fazer esta decolagem, um pouco brusca, notei que a temperatura da turbina tinha se elevado e que a rotação havia caído, com perda de potência, assim joguei o helicóptero de nariz para baixo na direção da Praça da República, onde se encontrava uma multidão considerada e consegui recuperar as condições de voo, talvez porque estava livre do ar contaminado com fuligem, fato que deve ter interferido com a temperatura e rotação do helicóptero.
O voo dos bombeiros
Notei que devido aos voos de experiência e o de vistoria estávamos com pouco combustível e o que tínhamos só daria para chegar ao Aeroporto de Congonhas e para lá nos dirigimos para reabastecer e reiniciar o salvamento. Ao fazer a curva notei uma grande clareira no meio da multidão e nesta clareira um grande “T” colocado pelos bombeiros pedindo a presença de um helicóptero para que eles pudessem ir para cima do edifício, ou seja, para o heliporto, pousei e o mecânico Brizzi saltou e se prontificou a dar o seu lugar aos bombeiros.
O Brizzi ficou na Rua São João em frente ao cinema Metro, e eu transportei para cima três policiais militares, um inclusive se encontrava à paisana, sem farda, pois segundo ele estava de folga, assim, subiram para o alto do edifício um tenente e dois sargentos, posteriormente, fiquei sabendo se tratar do Tenente Duxferri do bombeiro, e os outros dois de nomes Augusto Cazzaniga e Milton Serafim da Silva, ambos do COE, que levaram 100 metros de corda, cuja missão principal seria a de organizar a saída dos sobreviventes, pois se algum se chocasse com o rotor de calda, além de sofrerem lesões graves, o helicóptero não teria mais condições de voar com o danos que ocorressem, tornando o resgate das vítimas impossível de ser feito. Os três saltaram no topo do Edifício, no heliporto.
Enfim, o reabastecimento
Dirigi-me, então, ao Aeroporto de Congonhas para reabastecer. A entrada para o Aeroporto foi facilitada com a suspensão da operação, nenhum avião pousava ou decolava no Aeroporto durante o tempo que durou o salvamento. Assim, ao pousar para reabastecer o Administrador do Aeroporto veio me parabenizar, pois estavam ouvindo a Rádio Jovem Pan, e esta tecia muitos elogios à minha atuação, inclusive dizendo o meu nome, acredito que eles tiveram acesso ao nome pelo Brizzi, pois quando saltou do helicóptero na Av São João foi logo assediado pela imprensa.
O helicóptero Bell 204 do Estado de São Paulo, se encontrava abastecendo, foi quando o Comandante Souza me perguntou como estava a situação no heliporto, eu disse que estava sobre controle e que só havia umas cinquenta pessoas lá em cima, e ponderei que ele tivesse cuidado com as pessoas no rotor de calda, ele disse: – Não tem problema, pois o meu helicóptero tem o rotor de cauda alto.
Terminado o abastecimento do Helicóptero Bell, o Comandante Souza dirigiu-se para ele, porém, pude notar que na cadeira de comando estava sentado o Coronel Gilson, da Aeronáutica (DAC – Departamento de Aviação Civil), justamente o oficial do DAC que fazia o check de pilotos, mais o mecânico do helicóptero.
O retorno ao local – o salvamento estava começando
Após a decolagem do helicóptero do Estado, decolei logo em seguida. Ao chegar no Edifício Andraus pude observar que o Bell acabava de pegar várias vítimas e preparava-se para decolar, tomei posição para pouso, guardando certa distância para não interferir com a sustentação do helicóptero do Estado, pois além da temperatura do local estar alta, tínhamos que ter cuidado com a turbulência que poderíamos provocar uns para os outros.
Ao pousar perguntei ao bombeiro Cassaniga o porquê de tantas pessoas no heliporto, já que quando do primeiro voo só havia mais ou menos cinquenta pessoas? Ele disse: – Comandante, quando o senhor nos deixou aqui pudemos ver um portão, grade de ferro no chão, trancado com um cadeado, impedindo que as pessoas que estavam no último andar conseguissem chegar ao heliporto, quando abrimos o portão mais de trezentas pessoas vieram para cá, providência divina, estamos com muitas dessas pessoas aqui passando mal, pois estão intoxicadas pela fumaça que tem ali embaixo. Assim, ponderei que ele orientasse aos outros pilotos que já começavam a chegar que levassem os doentes para o Campo de Marte, pois lá tinha hospital e seriam imediatamente atendidos, mesmo assim alguns helicópteros no afã de socorrerem, retirarem lá de cima as vítimas, deixando-as em vários lugares como: Pacaembu, Praças, no topo de outros edifícios, dentre outros.
Os participantes
Participaram, efetivamente, do resgate dos sobreviventes do Andraus vários helicópteros, a saber:
PP-EES – Hiller FH-1100 da COMASP – Piloto Walmyr Sayão
PP-ENC – Bell 204 – do Governo do Estado de São Paulo-pilotos Coronel Gilson e Comandante Souza
PT-HCP – da Anhembi – piloto Judimar Picolli
PT-HDH – Bell 206 – da AUDI – piloto Cap. Portugal Motta
PP-HBN – Bell 206 da PIRELLI – piloto Carlos Zanini
PP-HBM – Hughes 300 da VOTEC – piloto Leo Waddington Rosa
PT-HCQ- F-28A – Gabriel Gonçalves – piloto Sergio Bering
PP-MAB – Prefeitura Municipal – piloto Cel. Fonseca – PT-HDC
Bell 206 – Papel Simão – piloto Cel. Telmo Torres Aires.
Uma decisão – era a segurança de voo atuando
No decorrer dos voos de salvamento os coronéis que coordenavam a operação acharam por bem convidar os pilotos das aeronaves Hughes 300 e Enstrom F 28A, que parassem as suas operações, pois os seus helicópteros eram movidos a gasolina de aviação, altamente inflamável, e que usavam motores a pistão, ou seja, motores Lycoming de 180 HP – HIO – equipados com tubulações e mangueiras inadequadas para o tipo de voos que estavam sendo feitos, devido às altas temperaturas do Edifício.
Com essa determinação, somente continuaram na tarefa dos resgates os helicópteros movidos a querosene e equipados com turbinas e que tinham tubulações e mangueiras de combustível preparadas para resistirem a altas temperaturas, bem como vibrações produzidas por estes helicópteros, além de serem de maior porte e retirarem mais pessoas, haja vista que o mínimo de passageiros que eram retirados por viagem era em número de quatro. Por outro lado, os helicópteros movidos a gasolina, sensíveis às altas temperaturas, tiravam dois ou um passageiro por viagem, retardando o socorro dos helicópteros maiores, pois estes eram obrigados a ficarem esperando estes pequenos helicópteros a fazerem aproximações e decolagens difíceis por falta de potência.
Dos helicópteros pequenos o que mais passageiros tirou foi o PT-HBM com cinco passageiros. Pilotado pelo Comte. Leo Waddington Rosa. Após a retirada dos helicópteros Hughes 300 e dos F 28A, ficaram até o final do incêndio os helicópteros: PP-EES – PP-ENC –PP-HDH – PP-HBN – PT-HDC.
Uma breve reflexão
O aqui exposto não tem a finalidade de tirar os méritos ou discutir atos heroicos, mas sim o de se esclarecer o que eu realmente vi e vivi com referência ao incêndio do Andraus, a primazia de ter feito o primeiro ou segundo pouso, acredito que não tenha importância nenhuma, nem fará deste piloto importante do que os outros, da mesma forma quanto ao número de pessoas retiradas, salvas por estes pilotos, o que importa nesse caso é que todos que participaram sejam lembrados por aqueles que têm acesso à mídia, que todos arriscaram suas vidas, uns mais que os outros, porém trabalhando em equipe, pois só assim foi possível transformar o resgate das vítimas do Andraus com sucesso.
Recordações
Durante a leitura do artigo recordei-me do velho helicóptero PT-HBM que voei muitas horas sobre a Selva Amazônica em 1968, e meu colega Comandante José Monteiro de Aguiar, que também voou muitas horas neste helicóptero sobre a Selva Amazônica, tendo sido o primeiro homem a pousar na Serra dos Carajás, quando do seu descobrimento.
Quis o destino que o Comandante Aguiar viesse a morrer no PT-HBM, em São Paulo, ou seja, quando fazia o trabalho de patrulhamento sobre a Rodovia Raposo Tavares em companhia de um Major da Polícia Militar de São Paulo, aonde os dois faleceram quando o PT-HBM chocou-se com a rede elétrica que atravessava a rodovia.
O verdadeiro herói
Ao ver a reportagem no site me deparei com a foto que vi em 1972, onde um bombeiro carrega nos braços uma menina, salvando-a do incêndio, ou seja, afastando-a da área de perigo. Para mim, em que pese fotos de paisagens, flores, campinas, mares, lagoas e montanhas, esta fotografia é a mais bela, principalmente, porque após quinze dias deste feito o soldado bombeiro, que nela aparece, morreu, quando o caminhão dos bombeiros em que viajava capotou quando ia para os lados de Osasco socorrer vítimas de incêndio.
Nota: O Comandante Sayão está escrevendo um livro que conta, dentre outras coisas, a sua participação no incêndio do Andraus, bem como a descoberta pioneira da Serra do Carajás – Serra Norte, onde estão localizadas as maiores jazidas de ferro do mundo, além de ouro, manganês, cobre, níquel, cassiterita, dentre outros minerais importantes e valiosos, da sua atuação em Serra Pelada, e, também nas atuações na Guerrilha do Araguaia, e contando também seu trabalho na Cidade de São Paulo, como piloto de avião e de helicóptero, dentre outros temas interessantes.
EDUARDO ALEXANDRE BENI Coronel da Polícia Militar de São Paulo
INTRODUÇÃO
Antes de iniciar esse breve relato agradeço a oportunidade de ter conhecido a pessoa que possibilitou escrever mais essa história – Comandante Cláudio Finatti. Leia também: Os heróis existem – O incêndio do Edifício Andraus.
Passados 39 anos dessa tragédia, depois das atuações heroicas no incêndio do Edifício Andraus, 2 anos antes, vimos que esses pioneiros reescreveram a história do salvamento aéreo no Brasil e no mundo e esses pilotos foram os desbravadores e os grande motivadores do uso de helicópteros nas operações de segurança pública e de defesa civil, que nesta época era apenas um sonho.
O INCÊNDIO DO EDIFÍCIO JOELMA – Relatos de Aviadores e Policiais Militares
O incêndio aconteceu no dia 01 de fevereiro de 1974. Um dos grandes prédios de São Paulo, o Edifício Joelma havia sido inaugurado em 1971, com 25 andares e 4 elevadores. Foram 188 mortos e cerca de 300 feridos. Após o incêndio o Joelma passou por reformas e reaberto 4 anos depois, em 1978, com o nome de Edifício Praça da Bandeira.
O Joelma, situado na Av 9 de Julho, 255, não possuía heliponto e isso causou um final trágico, pois muitas pessoas, com a lembrança do incêndio do edifício Andraus, subiram em busca de salvamento e se depararam com uma laje e um telhado (feito com telhas de amianto) e não com um heliponto.
O único helicóptero que teve atuação efetiva na retirada de pessoas do teto do Joelma foi o helicóptero militar UH-1H da FAB. Também participaram várias aeronaves civis no transportes de queimados e suprimentos, dentre elas aeronaves civis da Pirelli, Papel Simão, DERSA, etc. O helicóptero UH-1H fazia pairado sobre o edifício e conseguia retirar as pessoas. Os feridos eram levados por ele ao heliponto do prédio da Câmara Municipal, onde ficaram pousados os demais helicópteros e seus pilotos civis, auxiliando as operações de salvamento, transportando-as aos hospitais.
O helicóptero UH-1H da FAB era tripulado pelo, então, Maj Av Pradatzki, Ten Av Taketani e pelo Sgt Silva, mecânico da aeronave. O helicóptero decolou da Base Aérea de Santos, depois de prevoado e liberado pelo mecânico responsável, o então Sgt Maurici da Força Aérea.
Essa aeronave ainda levou ao topo do prédio o então Ten PM Nakaharada do COE, Sd PM Juvenal (COE), Sd PM Cid Monteiro (COE) e o médico civil Dr. Wanderley. Segundo relatos essa foi a segunda equipe a desembarcar no topo do prédio. A primeira aconteceu de um helicóptero civil.
O Sgt PM Augusto Cassaniga do Batalhão “Tobias de Aguiar” da Polícia Militar de São Paulo, foi o primeiro a saltar no teto do edifício Joelma de um helicóptero civil (segundo relatos foi do helicóptero do DERSA, pilotado por Monteiro), coincidentemente, Cassaniga havia participado também no salvamento das pessoas no incêndio do edifício Andraus. Após várias tentativas, saltou da aeronave a uma altura de cerca de 4 metros e quando tocou o chão fraturou seu tornozelo, mesmo assim, esqueceu a dor e organizou o salvamento.
Como o helicóptero militar não conseguia pousar no teto do edifício, as pessoas se agarravam nos esquis do UH-1H da FAB e, com ajuda da tripulação, eram colocadas para dentro do helicóptero. Foi uma operação arriscada de embarque a baixa altura, mas que funcionou. Isso se deve certamente ao treinamento da tripulação em condições semelhantes.
Sobre o prédio da Câmara Municipal havia o heliponto e, ao lado, uma área de mesma dimensão, onde os pilotos civis (muitos deles haviam trabalhado no incêndio do Andraus) pousavam suas aeronaves e conduziam as vítimas aos hospitais, principalmente ao Hospital das Clínicas, pousando em um campo de futebol próximo. Nessa época o Hospital das Clínicas não possuía heliponto. Hoje ele possui dois helipontos e são diariamente utilizados pelos Águias da PM de São Paulo no resgate de pessoas.
O Comandante Cláudio Finatti, um dos heróis do incêndio do Andraus, descreve uma passagem surreal, quando tripulando o helicóptero SH1100 Hiller, Comandado por Silvio Monteiro tiveram, dentre outras, a missão de jogar 28 metros de corda de sisal no teto do edifício Joelma, pois era impossível aproximar com essa aeronave ou pousar no teto do Joelma, além da corda ser muito pesada e de difícil manuseio.
Finatti tentou o lançamento duas vezes, uma delas bateu no parapeito do prédio e caiu, na segunda as cordas se enroscaram no esqui. A terceira tentativa deu certo, mas infelizmente não teve muita utilidade para as pessoas que estavam ali. A ideia era que as pessoas amarassem as cordas no parapeito do prédio e descessem até que chegassem próximas das escadas “magirus”do bombeiro, ou conseguissem acesso a um outro andar.
Outro momento insólito e extremamente audaz foi o pouso do Comandante Carlos Alberto (o primeiro piloto de helicóptero do Brasil, confira a história), com a ajuda do Eng. Carlo de Bellegarde de Saint Lary, pousou um Bell Jet Ranger 206A, PT-HBN (SN 229 – 1967/68), da empresa Pirelli, sobre uma pequena laje de um prédio vizinho. Ali, os bombeiros passaram cordas, ligando os dois prédios e tentavam retirar as pessoas.
Segundo a história, atravessaram os prédios, utilizando-se da técnica “comando craw”, os então Cap PM Hélio Caldas do Bombeiro, o Ten PM Lisias do COE, o Sd PM Antônio Benedito Santos (COE) e o Sd PM Osmar Iachelli (COE). Além desses, participaram do salvamento no edifício, o Cap PM Idalécio, Sgt PM Newton, Sd PM Fucile e Sd PM Santos. Certamente existem outros profissionais que atuaram nesse incêndio.
Diante da ousadia de pilotos, tripulantes, bombeiros, policias militares, foram construídas “pontes”, utilizando cordas entre os prédios vizinhos, de onde vinham sacos de leite, água e barras de chocolate. Como aconteceu com o edifício Andraus, praticamente todos os helicópteros disponíveis na capital participaram das operações de salvamento, porém sem o mesmo sucesso, pois o Edifício Joelma não possui heliponto e sua arquitetura dificultava a aproximação de helicópteros no teto, face ao calor intenso e as chamas.
REFLEXÃO
Atualmente, em São Paulo e em outros estados no Brasil existem pouquíssimos hospitais públicos com helipontos registrados pela ANAC e preparados para receber vítimas graves. Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo, somente o Hospital das Clínicas, Hospital Santa Marcelina e o Hospital Municipal de M´Boi Mirim possuem essa estrutura. O Hospital do Mandaqui está em fase final para oferecer heliponto e estrutura para receber vítimas graves.
O Hospital da Santa Casa de São Paulo teve seu heliponto interditado pela ANAC em 2008 e afetou muito o trabalho de resgate dos Águias da PM, pois o Hospital oferecia toda a estrutura e o heliponto era seguro e sinalizado. Na época a ANAC interditou alegando que a área não oferecia condições mínimas de segurança operacional, apesar de ser seguro e atender a população paulista.
Outro exemplo, o Hospital da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina) não oferece essa estrutura. Esse hospital possuía um heliponto adaptado para receber helicópteros até 1 tonelada e o Águia chegou a transportar vitimas para lá. Fazia-se o “pairado”, com toque leve dos esquis e desembarcava as vitimas. Parece absurdo, mas era assim que acontecia. Esse sim não oferecia nenhuma segurança. Isso não acontece mais. A decisão de não usar mais foi do próprio Grupamento Aéreo.
REFERÊNCIAS
– Revista Pirelli, Ano XXIII, N 118, de dezembro de 1978, pg 24, 10 anos no Ar;
– Fotos da Agência Estado, dos Jornais e do acervo pessoal do Comandante Finatti;
– Entrevista com o Cap Ref PM Newton Ferreira da Silva.
– São Paulo Antiga – SPa – www.saopauloiantiga.com.br, por Douglas Nascimento.
Autor: Eduardo Alexandre Beni é Coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e trabalhou no Grupamento de Radiopatrulha Aérea. É piloto comercial de helicóptero e instrutor de voo.
Nota: As pessoas que possuírem mais informações, fotos, ou que sugiram alterações, correções no texto, favor enviar mensagem no e-mail: contato@evoluigi.com.br.
Saúde e Segurança Pública firmam parceria para atendimento aeromédico em Sergipe
Sergipe – A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Segurança Pública de Sergipe (SSP) firmaram parceria no dia 16 de fevereiro, com a assinatura do Termo de Cooperação nº 001/2023, para a realização de atendimentos de pacientes, por meio do transporte aeromédico.
Na ocasião, os secretários Walter Pinheiro (SES) e João Eloy de Menezes (SSP) assinaram o termo que estabelece o uso do helicóptero AS350BA do Grupamento Tático Aéreo (GTA) para o atendimento integrado com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192 Sergipe).
Para o secretário da SES, Walter Pinheiro, a parceria é de fundamental importância para a população. “É um grande dia que marca mais um serviço em prol da sociedade. Agradeço em nome da SSP, do Samu 192 Sergipe e do GTA pela atuação conjunta firmada com o Termo de Cooperação que agora temos em vigor”, destaca Walter.
De acordo com o superintendente do SAMU 192 Sergipe, Denisson Pereira, o serviço é um marco para a saúde dos sergipanos. “Com essa parceria, o voo do GTA fica composto por médico e enfermeiro do SAMU para dar assistência e um atendimento ágil, além, é claro, das equipes de resgate do Grupamento Tático Aéreo”, ressaltou o superintendente.
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Saúde e Segurança Pública firmam parceria para atendimento aeromédico em Sergipe
Saúde e Segurança Pública firmam parceria para atendimento aeromédico em Sergipe
Saúde e Segurança Pública firmam parceria para atendimento aeromédico em Sergipe
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PRF e SAMU resgatam vítima de colisão frontal na PE-60, em Camela, PE
Pernambuco – A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) realizaram, no sábado (18), o resgate aeromédico de uma mulher de 33 anos, que ficou ferida após uma colisão frontal na PE-60, em Camela, distrito do município de Ipojuca, Mata Sul de Pernambuco.
Esse foi o primeiro resgate aeromédico desde que os órgãos voltaram a atuar em conjunto durante o período de Carnaval. As equipes da PRF e do SAMU estavam de prontidão no heliponto localizado na estação Central do Metrô, no bairro de São José, quando foram acionadas para atender a colisão.
O helicóptero decolou da base às 12h40 e em 15 minutos chegou ao local onde havia três pessoas feridas. Uma das vítimas que estava em estado mais grave recebeu os primeiros socorros da equipe médica no local. Em seguida, foi transportada de aeronave para o Hospital Dom Hélder, no Cabo de Santo Agostinho, na Grande Recife.
São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
São Paulo – Equipes da Defesa Civil Paulista, da Secretaria de Saúde, das prefeituras, policiais militares, bombeiros, militares das Forças Armadas, SAMU, policiais rodoviários federais e voluntários estão atuando nas áreas afetadas pelas chuvas em São Sebastião e Ubatuba, litoral norte de São Paulo.
O temporal causou pontos de alagamento e deslizamentos em ambos os municípios. Algumas vias de acesso à região estão interditadas devido à queda de barreiras.
Além de viaturas, ambulâncias, sete helicópteros Águia do Comando de Aviação da PM, helicópteros da PRF, do Exército e aeronaves civis, o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico da Marinha do Brasil está reforçando o atendimento médico, desafogando os hospitais da região que estão priorizando casos mais graves.
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São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
São Paulo mobiliza equipes para atender pessoas desabrigadas nas áreas afetadas pelas chuvas
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Até o momento, 44 óbitos foram confirmados, sendo 43 em São Sebastião e um em Ubatuba. Equipes do município com psicólogas e assistentes sociais fazem um trabalho de acolhimento dos familiares das vítimas. Sete corpos já foram identificados e liberados para o sepultamento. São dois homens adultos, duas mulheres adultas e três crianças.
Os trabalhos de busca, resgate e salvamento seguem ininterruptamente na região. Atualmente, 1.730 desalojados e 766 desabrigados em todo Estado. O Fundo Social de São Paulo encaminhou, na segunda-feira (20), 7,5 toneladas de doações para as cidades atingidas no litoral norte.
Muitos voluntários estão ajudando com doações e no transporte desses materiais, especialmente o aéreo. Segundo dados informados pela ABRAPHE, mais de 60 voos foram realizados por aeronaves civis. Os helicópteros decolam do Aeroporto Campo de Marte, HBR, Helicidade e Helipark, transportando itens doados para as vítimas das chuvas no litoral norte de São Paulo.
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Fila de voluntários desabastecendo helicóptero com doações para área afetada no litoral Norte de SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Transporte feito por aeronaves civis. Foto: Thales Pereira, Presidente da Abraphe.
Atendimento médico
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que 19 adultos e seis crianças vítimas das chuvas foram atendidas, até o momento, no Hospital Regional do Litoral Norte (HRLN). Deste total, sete estão em estado grave e 14 estáveis. Outros dois pacientes já receberam alta hospitalar e outras duas, uma grávida e uma puérpera, foram transferidas para o Hospital Stella Maris.
A SES acrescenta que todos os pacientes atendidos no HRLN tiveram os familiares localizados pela assistência social da unidade. Além de reforçar o atendimento, a SES-SP encaminhou um conjunto de insumos ao atendimento às vítimas desse desastre.
Foram encaminhadas, 7,4 mil insulinas humana e 20 mil agulhas para insulinas, 36 ampolas de soro antiofídico para cobras, 5 mil frascos de hipoclorito de sódio, 940 bolsas de glicose, 900 bolsas de soro, 180 kits intravenosos, 30 kits de sutura, 30 talas para imobilização, além de sedativos e outros medicamentos como antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, entre outros.
São Paulo – Na noite do dia 17 de fevereiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) e o Comando de Aviação da Polícia Militar de São Paulo agiram em conjunto para transportar policial militar de 49 anos atropelado em Rio Branco. Ele estava trabalhando na Força Nacional de Segurança Pública há dois anos.
O acidente aconteceu na noite de domingo (12), próximo ao quartel do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), em Rio Branco, onde o sargento estava hospedado. Populares que testemunharam o acidente acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A vítima sofreu traumatismo crânio encefálico grave e foi encaminhada ao pronto-socorro de Rio Branco.
Uma operação foi iniciada para trazer o PM de volta a São Paulo. Um avião da Força Aérea Brasileira decolou do Acre com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde o Águia 32 (AW109 Grand New) da PM aguardava com a equipe médica para levá-lo ao Hospital das Clínicas.
O helicóptero bimotor da PM recebeu recentemente kit aeromédico para transportar enfermos e foi utilizado pela primeira vez nesse tipo de missão. No dia 19 de fevereiro foi acionando novamente para resgatar uma parturiente e recém nascido que estavam isolados na Praia de Maresias. Foram levados para a Santa Casa de Saúde de Caraguatatuba.
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
Pernambuco – Além de reforçar o trabalho de fiscalização e prevenção a sinistros nas rodovias federais pernambucanas neste carnaval, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também irá atuar pelos ares em conjunto com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Neste carnaval será reativado o serviço de atendimento aeromédico entre os órgãos, uma parceria que há anos vem salvando vidas no estado.
O helicóptero Bell 407 da PRF será empregado no transporte rápido e seguro de pessoas que necessitem de atendimento prioritário pré-hospitalar, enfermos graves que precisam ser transferidos para hospitais e ainda para o transporte de órgãos.
Médicos, enfermeiros e policiais rodoviários federais estarão a bordo da aeronave. Cerca de 40 profissionais estarão a postos para o socorro aéreo. A retomada do atendimento aeromédico traz um ganho para o socorro de vítimas no período do carnaval, momento em que é esperado um aumento no fluxo de veículos nas rodovias pernambucanas e na possibilidade de acidentes de trânsito.
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PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
Embora as equipes já estejam prontas para atuarem no período carnavalesco, os órgãos estudam a possibilidade de assinar um acordo de cooperação técnica para que o serviço aeromédico seja prestado durante todo o ano no estado.
Para o carnaval, a tripulação poderá ser acionada no período diurno. Pilotos, médicos e enfermeiros ficarão de prontidão na estação central do metrô durante o Galo da Madrugada e após o evento, ficarão no hangar do Núcleo de Operações Aéreas (NOA) da PRF, localizado na Zona Sul do Recife.
NIVELAMENTO
Nos dias 8 e 9 de fevereiro, os profissionais de saúde do SAMU e policiais que estarão empenhados na missão durante o carnaval realizaram treinamento de nivelamento. Os encontros foram realizados na sede do Núcleo de Operações Aéreas (NOA) da PRF.
Os profissionais puderam atualizar os conhecimentos quanto às características do helicóptero, segurança de voo, procedimentos de emergência e procedimentos de embarque de vítimas e das equipes. Ao final, a teoria foi colocada em prática com a realização de simulados, nos quais os participantes treinaram embarque, desembarque e resgate de vítima.
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PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
PRF e SAMU retomam atendimento aeromédico em Pernambuco durante o carnaval
Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
Santa Catarina – Na quinta-feira (16), equipe do Batalhão de Operações Aéreas (BOA) e da Secretaria da Saúde (SES) realizaram transporte aeromédico em uma paciente que estava internada no Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, Bahia para Navegantes, Santa Catarina.
O pedido do transporte entrou via Central Estadual de Regulação Inter-Hospitalar, pois uma moradora de Piçarras (SC) estava visitando familiares no estado baiano no final do ano passado, quando precisou procurar o hospital local com quadro neurológico (febre, cefaleia, crise convulsiva, evoluindo com rebaixamento do nível de consciência).
Ela foi internada e com a melhora clínica da paciente, a equipe de regulação entendeu que ela se encontrava estável para a realização do voo para seu estado de origem. Para o transporte foi usado o Arcanjo 06 (King Air C90 Gti, PS-TAH) do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O voo foi bem conduzido graças à boa coordenação da equipe de saúde com os tripulantes do BOA, sem mencionar que a autonomia e segurança da aeronave permitiu o transporte no mesmo dia, já que foram voados cerca de 2.000 mil quilômetros de ida e mais 2.000 quilômetros de volta”, comentou o Comandante de Operações Aéreas do Arcanjo 06, 1º Ten BM Melo.
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Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
Ação integrada entre Bombeiros e Saúde agiliza transporte aeromédico de paciente da Bahia para Santa Catarina
A ação ocorreu na Aldeia Santa Cruz, Terra Indígena Mamoadate, na região de Assis Brasil. Foto: cedida
Acre – O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER), realizaram nesta sexta-feira (10), o resgate aéreo de uma paciente indígena e de seu recém-nascido. A ação aconteceu na Aldeia Santa Cruz, Terra Indígena Mamoadate, na região de Assis Brasil.
De acordo com informações repassadas pela comunidade, a indígena de 35 anos, da etnia Manchineri, entrou em trabalho de parto no último sábado (04), apresentando complicações como hemorragia e fraqueza.
A equipe teve que se deslocar de barco e andar alguns minutos a pé ate a casa da paciente. Foto: cedida
O gestor de Políticas Indígenas da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Vanderson Brito, informou que assim que foi acionado sobre o caso da paciente, iniciou as tratativas com os órgãos competentes para a viabilização do resgate.
“No final da tarde de quinta-feira conseguimos a aeronave para mandar a equipe do SAMU e realizar o resgate. Contudo, na manhã de sexta-feira, recebemos uma ligação da comunidade informando que a criança já havia nascido. Mesmo assim, enviamos os profissionais a fim de verificar o estado de saúde da mãe e do bebê e, se necessário fosse, trazer para Rio Branco”, disse.
Segundo o comandante da aeronave do CIOPAER, Sérgio Albuquerque, a aldeia, de difícil acesso, fica a 1h e 20 min de voo de distância de Rio Branco. “Não havia local aberto para o pouso da aeronave perto da casa dos pacientes. O resgate foi um tanto complicado, tendo em vista que tivemos que nos deslocar de barco e por via terrestre. Mas nada que não pudesse ser feito pela equipe”, relatou.
Ao chegar na capital, já no final da tarde, a paciente foi encaminhada para a Maternidade Barbara Heliodora, em Rio Branco. Conforme a avaliação do médico do SAMU, Jonatha Santiago, os pacientes encontram-se estáveis e sem risco. “A criança nasceu bem, sem nenhum sinal de gravidade. A mãe apresentava dificuldades de locomoção e incômodo abdominal, mas apesar disso estava com os sinais vitais estáveis”, informou.
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A ação ocorreu na Aldeia Santa Cruz, Terra Indígena Mamoadate, na região de Assis Brasil. Foto: cedida
A equipe teve que se deslocar de barco e andar alguns minutos a pé ate a casa da paciente. Foto: cedida
A equipe teve que se deslocar de barco e andar alguns minutos a pé ate a casa da paciente. Foto: cedida
A equipe teve que se deslocar de barco e andar alguns minutos a pé ate a casa da paciente. Foto: cedida
A ação ocorreu na Aldeia Santa Cruz, Terra Indígena Mamoadate, na região de Assis Brasil. Foto: cedida
A equipe teve que se deslocar de barco e andar alguns minutos a pé ate a casa da paciente. Foto: cedida
Capitão Fabiana e Capitão Silvestre, médicos da PMESP.
Brasil – Na noite de quarta-feira (08), bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo embarcaram no Aeroporto de Guarulhos em uma avião KC-90 da FAB, rumo à Turquia para auxiliar no resgate de vítimas do terremoto que também atingiu a Síria. O tremor de magnitude 7,8 na escala Richter já matou mais de 16 mil pessoas, e a ONU estima que esse número chegue a 20 mil.
Na noite quinta-feira (09), pousaram em Ancara e tiveram que alternar o destino em razão da elevada quantidade de aeronaves no aeroporto de Adana. As equipes de resgate seguiram para Adana em um C-130 da Força Aérea Turca.
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Capitão Fabiana e Capitão Silvestre, médicos da PMESP.
Equipe da PMESP.
Equipe da PMESP.
Equipe do CBMMG.
Equipe do CBMES.
Trajeto
A missão é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). A equipe brasileira de 42 pessoas inclui 22 bombeiros, 2 médicos policiais militares e 2 integrantes da Defesa Civil de São Paulo; 6 bombeiros de Minas Gerais; 6 do Espírito Santo; além de 6 toneladas de donativos. Também fazem parte da missão 5 cães farejadores. A comitiva que embarcou no voo também é composta por assessores e jornalistas.
Ainda não se sabe ao certo quanto tempo os profissionais deverão ficar em solo turco. Foram levados equipamentos específicos para a busca e resgate em estruturas que colapsaram, como escoras e ferramentas hidráulicas e pneumáticas. Além disso, o Ministério da Saúde doou três “kits calamidade” que contêm, cada um, 250 kg de medicamentos e itens emergenciais, com capacidade para atender até 1.500 pessoas por um mês.
Com a iniciativa, o Brasil se soma a diversos outros países que já enviaram equipes de apoio e resgate à área atingida pelo terremoto. A União Europeia (UE), através de 19 de seus países membros, já mobilizou equipes. A Alemanha enviou um grupo de 50 profissionais e sete cães farejadores, e está preparando o envio de geradores de emergência, barracas e equipamentos para tratamento de água.
Os Estados Unidos enviaram cerca de 100 bombeiros e engenheiros de estrutura de Los Angeles, além de seis cães farejadores. O governo de Israel anunciou o envio de 150 profissionais, entre engenheiros, médicos e assistentes sociais. Rússia, China, Grécia, Líbia, Paquistão, Índia, Reino Unido e Austrália também anunciaram o envio de equipes ao local do terremoto.
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Equipe da Operadora de Resgate Aéreo da Suíça - REGA - enviada para a Turquia.
Equipe da Operadora de Resgate Aéreo da Suíça - REGA - enviada para a Turquia.
Prédios destruídos pelo terremoto. Foto: Omer Yasin Ergin|Aliança
Prédios destruídos pelo terremoto. Foto: IHA|Reuters.
Prédios destruídos pelo terremoto. Foto: Reuters.
Prédios destruídos pelo terremoto. Foto: Sertac Kayar|Reuters.