Acima do chão: briefings sobre o patrulhamento proporcionam uma boa oportunidade para ajudar os policiais em terra

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Mike Calhoun

“Comunicar-se com o policiais das patrulhas é uma forma eficaz de melhorar o serviço para eles e manter todos na atividade policial seguros.”

Tive o privilégio de ouvir, no ano passado, um grande orador no Seminário de Segurança da Região Oeste da ALEA. Larry Blum é um psicólogo da polícia com mais de 30 anos de experiência nas forças policiais, com tratamento dos efeitos colaterais de situações envolvendo policiais feridos em confronto armado ou que dispararam sua arma no cumprimento do dever.

O que eu tirei do seminário foi uma renovação do sentimento de necessidade de garantir que nós, da comunidade de operadores aéreos policiais como um todo, permaneçamos seguros e focados em nossa missão.

Então, qual é a nossa missão? Primeiramente, nossa missão é dar aos nossos irmãos e irmãs nas viaturas todas as chances de um resultado seguro, enquanto servem ao público. Para fazer isso, somos capazes de enviar uma equipe munida de equipamentos eletrônicos de investigação para sobrevoá-los e coletar informações que possam prevenir ou mitigar a possibilidade de se ferirem e aumentar a possibilidade de capturarem os suspeitos.

Como uma tripulação aérea policial, temos uma perspectiva única. Vemos muitas chamadas diferentes em um turno e somos expostos a uma grande variedade de táticas de patrulhamento terrestres. Vemos o “jogo inteiro” se desdobrar abaixo de nós de uma maneira que as patrulhas não podem. É por isso que os coordenadores de futebol ofensivo e defensivo geralmente se sentam no camarote elevado, olhando para baixo para ver tudo de uma vez.

Quando vemos táticas inseguras, nós devemos passar a informação adiante em reuniões mensais com os policiais da Unidade apoiada.

As linhas de comunicação

Durante os briefings de patrulhamento, apresente-se e abra a discussão com as capacidades e limitações de suas aeronaves. Saber quantos pilotos e tripulantes operacionais a unidade tem e seus horários e dias de cobertura, pode ser útil para auxiliar os comandantes e policiais.

Mostre aos policiais de terra que deixamos de ser apenas observadores do que está acontecendo lá embaixo. Nós participamos ativamente da chamada, moldando o cenário e dando direção e orientação por causa da nossa perspectiva única. Deixe-os ver a câmera de infravermelho, o sistema de mapa móvel e os óculos de visão noturna, explicando suas funcionalidades e limitações. Na minha experiência, muitos policiais ganharam uma maior compreensão e apreciação do que podemos fazer por eles, sentando nos assentos da aeronave ou até mesmo voando conosco.

Por exemplo, operar o infravermelho com um policial assistindo vai permitir que ele ou ela veja o que vemos e como uma busca com o equipamento pode ser complexa e metódica. Da mesma forma, assistir o vídeo de uma busca também pode afastar a falsa hipótese de que se essa busca for feita e o suspeito não foi encontrado, o suspeito não deve estar lá. É um equívoco muito comum, compartilhado pelos operadores de segurança pública, que o infravermelho funciona como uma visão de raio-x.

Abra a discussão com uma introdução, ressaltando como a reunião pode ser útil na construção e modernização da interação das equipes terra-ar. Isso ajuda a construir bons resultados, para assegurar o aumento do número de: suspeitos presos, resgates de pessoas desaparecidas e material roubado apreendido. Depois, você pode tratar do coração da visita: a segurança do policial. Claro, nossa missão não é voar para apontar erros na atuação dos policiais no solo.

Então, como vamos abordar esse tema sem alienar e irritar os policiais?

Uma maneira eficaz que encontrei, foi iniciar o diálogo falando sobre quanto é perigosa a função da radiopatrulha. A maioria das pessoas quando vai trabalhar está relativamente segura todos os dias. Quantas outras profissões exigem que os empregados usem colete balístico, um uniforme que os diferencia do resto do público (em muitos aspectos, tornando-os um alvo) e portar uma variedade de armas para defender sua vida e o público?

Uma vez que os policiais fecham seus armários e entram em seus “escritórios”, eles se encontram em um lugar diferente de qualquer outro. Ele não fica parado no mesmo lugar o dia todo, todos os dias. Ele pesa cerca de 2.000 kg e tem quatro rodas. Policiais são muitas vezes obrigados, pelas ações e decisões de outros, a conduzir o seu escritório em altas velocidades, colocando suas vidas e a de membros do público em perigo.

Pode parecer simplista, mas esse é o ponto. Quando você simplifica a função de patrulha desta maneira, espere por sobrancelhas levantadas e acenos. Após essa discussão, tenho visto muitos policiais voluntariamente falarem abertamente sobre táticas ruins que eles usaram no passado, tudo com o espírito de treinamento e educação para os outros. A idéia é manter os policiais afastados do efeito mecânico de vestir todo esse equipamento e esquecer o quanto é perigoso de verdade seu trabalho.

Você ficará surpreso com o fato de que se fizer da realização de briefings um hábito, melhor será sua interação com as patrulhas. Se sua aeronave tem a capacidade, deixe os comandantes cientes de que você tem a capacidade de gravar vídeos das chamadas para uso em treinamento mais tarde. Torne-o seu, adapte-o às necessidades daquela Unidade e inclua suas próprias histórias e até mesmo erros do passado.

Lembre-se, o policial em terra é a nossa base de clientes. É para eles que existimos.


Por Mike Calhoun, Piloto do Condado de Riverside (CA), Sheriff’s Department, publicada na Revista Air Beat, edição de Julho/Agosto de 2012.

Tradução e adaptação do texto: Cap PM Cláudio dos Santos Leitão, comandante de aeronave do GAM da Polícia Militar do Rio de Janeiro.


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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns ao nobre comandante por enxergar que, em se tratando de aviação de segurança pública, há sim um paralelo entre unidades de polícia, mesmo que exercendo seu papel sob os mais diferentes recursos! Explicitar esta realidade como foi abordada no texto acima, é, sem dúvida, uma forma de aprimorar nossa segurança e estreitarmos o conceito do Voar Para Servir!
    Bons voos à todos!

    Álvaro Trip.Operacional
    BRPAe-ARA

  2. Excelente artigo! Vindo das mãos do CAP PMERJ Leitao e do MAJ PMESP Beni não poderia ser diferente!!

    Abraco aos amigos que, além de aviadores, FAZEM A DIFERENÇA em nossa atividade!

    Cmte Rodrigo Duton – MAJ PMERJ

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