Base para o sucesso

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Eduardo Marson Ferreira
Presidente da Helibras

O Brasil tem uma longa e bem-sucedida tradição aeronáutica, e o setor vem oferecendo grandes oportunidades para o país graças ao seu elevado potencial de exportação e de substituição de importações onerosas.

O exemplo mais recente, e do qual a Helibras tem muito orgulho, é o programa que resultou no EC725 brasileiro, o novo modelo de helicóptero produzido no Brasil para as Forças Armadas, e que está permitindo ao país se posicionar definitivamente como um fabricante de helicópteros de classe mundial, depois de um processo de transferência de tecnologia que é o maior já implantado no país.

Como todo segmento industrial de ponta, a indústria de helicópteros é caracterizada pela alta tecnologia dos seus produtos e por vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Um helicóptero é um produto de alto valor agregado, o que envolve desde a pesquisa básica aplicada até a fase experimental.

Além disso, é um grande integrador de conhecimentos multidisciplinares, e suas atividades estão relacionadas ao uso intensivo de uma força de trabalho de altíssima qualificação.

As condições peculiares do setor requerem grande volume de capital e longo tempo de maturação para os projetos, já que o retorno dos investimentos é de longo prazo e sua implantação é fruto de espaços de cooperação de natureza ainda mais ampla que a de outros setores industriais de ponta. Além da imprescindível colaboração com o mundo acadêmico que caracteriza as atividades de alta tecnologia, a viabilidade e a relevância econômica e social de qualquer empreendimento no segmento de helicópteros exigem, obrigatoriamente, também uma ampla cooperação internacional, envolvendo aspectos não apenas tecnológicos, mas também de mercado em termos globais.

Nesse sentido, o projeto do EC725 atendeu a todas essas exigências. Seu processo industrial beneficia toda a cadeia produtiva do setor, já que mais de dez empresas estão recebendo novas tecnologias para produzir partes, peças e serviços destinados aos novos helicópteros.

Além de ter sido inovador, ao racionalizar o fornecimento de equipamentos simplificando a logística e implementando políticas de benefício da indústria brasileira, o projeto estimulou um processo de integração e de confiança recíproca entre todos os agentes, que trouxe importantes participações de diversas áreas do governo que precisam estar diretamente ligadas ao negócio de defesa, como o Ministério da Indústria e Comércio e o BNDES, sem contar a cooperação entre o Ministério da Defesa e os comandos das três Forças Armadas.

Com tudo isso, a aspiração de um dia promover o desenvolvimento do projeto de um helicóptero brasileiro passa a ser realidade. Produzir juntos, vender juntos e ganhar juntos através de projetos cooperativos é um modelo que não apenas determina o sucesso de um produto, mas, no caso de países como o Brasil, pode representar um importante apoio para o desenvolvimento tecnológico, econômico e social

O presente artigo é de autoria de Eduardo Marson Ferreira, atual presidente da Helibras e foi publicado pelo jornal O Globo na edição de 22/04/13.

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