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Itália – O impedimento de voar dos aviões de reconhecimento civil, Cirrus SR22 (Moonbird) e Dyn’Aéro MCR4S (Colibri), aconteceu num momento em que o Governo da Itália intensificou as políticas anti-imigração. E durante esta crise política que o país atravessa, as incógnitas aumentaram depois do afastamento de Matteo Salvini e a coalizão do Movimento 5 Estrelas com o Partido Democrático.

As duas aeronaves estão paradas há um mês, depois que a ENAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil Italiana) alegou que elas não tem licença de voo especial para operações em alto mar e só podem ser utilizadas para fins recreativos. As autoridades não permitem nenhum tipo de operação de busca e salvamento com esses aviões.

As aeronaves pertencem a organizações não-governamentais (ONGs): “Sea-Watch” (Alemanha) e à “Pilotes Volontaires” (França). Segundo elas, os aviões ajudam na localização de embarcações em risco e possibilitam maior precisão no socorro.

As proibições de desembarque de navios operados por ONGs são bem mais frequentes. Recentemente o “Open Arms”, com mais de cem pessoas a bordo, ficaram vinte dias aguardando as negociações, assim como o “Ocean Viking” aguardou quatorze dias. Esta espera se tornou comum no último ano com a decisão da Itália e de Malta se negarem a receber os navios.

Não é primeira vez que ambas aeronaves tem problemas, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”, eles tem licença de voo para missões na zona sul da Europa, reconhecida há mais de dois anos, porém o “Moonbird” já foi proibido de sobrevoar o espaço aéreo maltês e desde 2017 as dificuldades de decolar está ficando cada vez maior. Itália e Malta desencadearam uma série de investigações às várias organizações não governamentais que levam a cabo as missões de salvamento e resgate.

A espera tornou-se comum no último ano com Itália e Malta a negarem receber os navios. As soluções encontradas têm passado pelo desembarque nos portos malteses, mas com um acordo previamente estipulado de que as pessoas resgatadas sejam distribuídas e acolhidas por vários Estados-membros que se voluntariam em recebê-las.

Denúncias de naufrágio tem sido feitas pelas Nações Unidas, principalmente na costa da Líbia. Milhares de pessoas embarcam com o objetivo de chegar à Europa e o Mar Mediterrâneo é uma das rotas migratórias mais perigosas e mortais que existe. De acordo com a Organização Internacional de Migração, todos os anos cerca de 5 mil pessoas se afogam, em 2019 morreram 594 pessoas.

“Estamos pensando que por trás dessas complicações burocráticas, existe a vontade política de interromper as atividades de reconhecimento. Evidentemente, irrita que os olhos da sociedade civil estejam tanto no mar quanto em ar”. Diz Giorgia Linardi, responsável pela Sea-Watch Itália.

Segundo a REMHU – Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, perspectivas históricas demonstram que a imigração constitui um aspecto normal da vida social ao longo dos tempos. O ritmo acelerado das mudanças junto com o desenvolvimento do mercado capitalista mundial impulsionam da expansão das imigrações, tanto na forma de mobilidade profissional quanto na desigualdade e coerção.

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