Salvando vidas no céu de Curitiba/PR

Aproveite o momento e aprecie a excelente reportagem publicada no site Jornale Curitiba. A Polícia Rodoviária Federal avança em suas atividades institucionais e representa hoje uma das mais destacadas Unidades de Aviação Policial no Brasil.

Um dia de trabalho da equipe de resgate aéreo da PRF-Curitiba, uma das maiores do país em volume de salvamentos.

Aeronave Bell 407 da PRF sendo retirada do hangar em Curitiba
Foto: Lineu Filho

Anoitecia quando os quatro tripulantes do Patrulheiro-3 foram acionados para a última ocorrência do dia. Sob os primeiros pingos da chuva iminente, o comandante avisa que restam poucos minutos de voo em condições seguras. Para voar com segurança o H03 deve operar durante o dia. “Está chovendo e ficando escuro, o local de pouso não é adequado, estamos em condições ruins para o vôo”, avisa o piloto. A aeronave decola do hangar 25 do aeroporto do Bacacheri rumo a São José dos Pinhais, a vítima em estado grave aguarda na porta do hospital.

Bell 407 / PRF
Foto: Lineu Filho

A equipe de resgate devia transportar o paciente até o heliporto do Barigui e de lá ela seria levada para uma UTI, em Curitiba. Pouco antes de embarcar a vítima sofre uma parada cardíaca. No heliponto do hospital , o piloto aguarda a reanimação. Já não é mais possível esperar. O médico não pode embarcar na aeronave uma vítima com o coração parado. O piloto decola e a tripulação retorna para a base com a segurança de quem fez tudo que pode e estava ao seu alcance para salvar uma vida. Chegando à base o medico avisa que o pessoal do hospital conseguiu reanimar o homem.

Tripulante realizando a segurança do rotor de cauda
Foto: Lineu Filho

A Divisão de Operações Aéreas (DOA) da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Curitiba, conta com um helicóptero Bell 407 equipado com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A tripulação é composta pelo piloto, um operador, um socorrista da PRF e um médico do Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma (SIATE). O trabalho da equipe começa todos os dias às 8h da manhã e segue até os últimos raios de sol. Desde janeiro de 2007, quando a divisão fez seus primeiros voos no Paraná, até esta terça-feira (10), foram atendidas 808 vítimas, em diversas situações e locais, muitos de difícil acesso.

Pouso no Hospital Angelina Caron em Campina Grande do Sul
Foto: Lineu Filho

Com uma média de quase dois atendimentos por dia de trabalho, a DOA de Curitiba é o grupo de resgate aéreo que mais atende vítimas no país. A decisão de acionar a aeronave parte dos médicos que fazem a triagem das ocorrências em terra. O atendimento vai além das rodovias federais, e no caso de Curitiba , supre também a demanda por resgate aéreo nos atendimentos do Corpo de Bombeiros. Acidentes de trânsito, feridos por arma de fogo e afogamentos, num raio médio de 100 km da base de operações, geram a maioria dos acionamentos.

Fim de serviço para o Patrulheiro 3 em Curitiba
Foto: Lineu Filho

O londrinense Gleicon da Rosa, que mora há seis anos em Curitiba, corre pelo hangar em direção à aeronave. Já dentro do macacão de voo, o médico recebe a informação pelo rádio. A vítima foi atropelada no bairro Tatuquara e é uma moça de 17 anos. Antes de sair do local ela precisa ser atendida por um médico e depois deve ser transportada até o hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. “A grande maioria das vítimas são levadas para lá ou para o Hospital São José, em São Jose dos Pinhias, são os únicos com heliporto na região metropolitana da capital. Os maiores hospitais da cidade ainda estão planejando a construção de helipontos, e enquanto isso ou levamos para os dois com heliporto ou optamos por pousar em áreas improvisadas próximo aos hospitais, tudo de acordo com a situação”, conta o dr. Gleicon.

A decolagem aconteceu as 17h00. O piloto Zafenate Paneia de Lima, 35 anos e 16 de PRF, conta com seus olhos e os do seu operador para manobrar a aeronave. Segundo o comandante o mais fácil é voar. “As comunicações, a segurança da equipe e a localização do melhor ponto de pouso, em meio à pressão da emergência, criam dificuldades, mas ao mesmo tempo motivam todos”, afirma o comandante que veio da Bahia e fez parte da primeira turma de pilotos de helicóptero da PRF criada em 1998, em Brasília.

Às 17h06 o gaúcho de Santa Maria, Tiago Marchesan, operador da equipe, avista a ambulância do SIATE próxima a um campo. Dois minutos depois, já no solo, ele tenta controlar uma multidão de crianças curiosas que se aproximam do perigoso rotor de cauda do helicóptero. “O trabalho do piloto é conduzir a aeronave, o operador é seu braço direito, responsável por toda a segurança nos pousos e decolagens. Levantar as coordenadas do local da ocorrência, até a desobstrução da área de pouso fazem parte do meu trabalho”, revela Marchesan.

A vítima fica pronta para o transporte às 17h16. A maca corta a multidão com dificuldade e chega até o helicóptero. “A população as vezes atrapalha. Não deixam a equipe trabalhar no local e passam informações distorcidas sobre a vítima para a central reguladora. Relatar a informação correta e manter-los afastados são atitudes que facilitariam nosso atendimento e ajudariam a quem precisa realmente”, disse o dr. Gleicon. As 17h23, a aeronave decola.

A socorrista da PRF Denise Ayako Tsunemi segura o respirador para a vítima imobilizada. Durante o translado ela monitora os sinais vitais da moça. Calma, Denise escutava Elton John sorridente antes da ocorrência, mas dentro da aeronave ela luta pela vida em suas mãos. “O tempo faz a gente se acostumar com a crueldade das situações. A vítima já está em choque, nós temos que ficar tranquilos para tomar os cuidados certos”.

Poucas horas antes, Denise havia higienizado o helicóptero com álcool 70, depois do transporte de um menino de três anos de Paranaguá para o Hospital das Clínicas em Curitiba. A criança estava infectada com meningite num grau bem avançado. Preocupada com a saúde da equipe, Denise deixou a aeronave pronta para um novo voo rapidamente.

Tripulação em configuração de resgate aeromédico : médico, enfermeira e tripulante
Foto: Lineu Filho

O entrosamento entre a equipe tem que ser constante. Os PRFs não tem um sistema hierárquico como a PM e a Policia Civil. Todos são policiais de igual graduação, mas com responsabilidades diferentes. “Poucas ocorrências não são atendidas por causa do mau tempo. A equipe opera sob tempo ruim com sucesso, isso porque se preocupam uns com os outros. Das seis aeronaves que fazem resgate aéreo no Brasil pela PRF, temos aqui uma das equipes que mais faz resgates e isso também se deve a boa relação entre os tripulantes”, disse o Comandante Jairo Schmidtt, que coordena a DOA Curitiba. Ele tem horas de vôo por várias localidades do país nos 10 anos de piloto, inclusive na enchente de dezembro de 2008 em Santa Catarina, seu estado natal.

O pouso no hospital Angelina Caron é feito às 17h36. Marchesan ajuda Denise e o dr. Gleicon a retirar a maca da aeronave. Eles têm pressa. Uma ambulância vai até o helicóptero e seis minutos depois a vítima esta dentro da UTI. O médico da aeronave repassa informações para a equipe médica que assume a vítima. A moça sofreu uma forte pancada na cabeça que formou um coagulo no cérebro.

As 12h desta quarta-feira (11) ela estava sendo submetida a uma cirurgia. Segundo informações do hospital, sem o resgate imediato, ela não teria sobrevivido aos ferimentos. Do momento da decolagem da base até a entrada da garota na UTI do hospital a equipe de resgate aéreo levou 42 minutos e meio.

Configuração característica do Bell 407 : maca na longitudinal
Foto: Lineu Filho

Com um padrão de atendimento de primeiro mundo, o serviço que o DOA presta à população é um bom exemplo de como os impostos podem ser empregados em benefício direto do povo. Por um custo de menos de R$ 10 mil reais por hora de vôo, ao governo federal, centenas de pessoas foram salvas.  Com esse recurso são pagos o combustível, manutenção, e o preparo da equipe de prontidão.

Os resultados são visíveis e falantes. Vidas que não seriam salvas caso o socorro demorasse, podem ter uma chance que embarca na pressa e na dedicação destes profissionais.


Reportagem: Jadson André

Fotos: Lineu Filho. Visite a galeria de fotos do fotógrafo

Fonte : Jornale Curitiba


3 COMENTÁRIOS

  1. Já tinha conhecimento do serviço prestado pela PRF no setor de Operações Aéreas. Aliás muito bem feito, principalmente na Região Sul do Brasil, região essa, com alto número de acidentes e onde uma vez, eu pude ver o trabalho deles bem de perto, em uma Rodovia Federal que cruzava o Estado do Paraná.
    A única coisa que acho desta unidade é o tamanho de sua frota com poucos helicopteros. Se olharmos para o tamanho de nosso pais, a nossa malha Rodoviária Federal, muito grande e extensa, o número de helicopteros deveria ser proporcional ao tamanho desta malha. Mas já que o assunto é a Divisão de Operações Aéreas da PRF, Gostaria de saber de algum membro ou policial da PRF, lotado aqui no Estado de SP e que navega por este site, Piloto Policial, se existe ou tem alguma base da PRF aqui em São Paulo? Eu sou Servidor Público, porém não pertenço a Aviação Policial, mas tenho muito interesse nesta área. Voltando a questão, eu observo que muitas vezes em acidentes ou ocorrêncais policiais, nas Rodovias Federais que passam aqui no Estado de SP, poucas vezes eu vi os helicopteros da PRF executarem missões de Salvamento e também de Policiamento. Vejo que na maioria das vezes as operações são feitas pela Polícia Militar (Águia) e as vezes pelo S.A.T da Polícia Civil.
    Porque isto ocorre? Já que se são Rodovias Federais, estas operações deveriam ser feitas por aeronaves da PRF? O motivo sria a falta de Helicoptros? Das 10 aeronaves pertencentes a PRF, de sua Divisão, D.O.A, quantas operam no Estado de São Paulo? Se operam, existe algum intercâmbio operacional com a Policía Militar e com a Polícia Civil?
    Outra pergunta que faço se a PRF, pode fazer resgates na Capital e na Grande SP? Pois se ela tem equipe aeromédica treinada e tem convênio com o SAMU, e o Samu opera em boa parte de nosso estado (SP), a unidade pode fazer operações de remoção sendo solicitado pelo SAMU ou este tipo de operação é direcionado somente a Polícia Militar, através do GRPAPM-SP.
    Existem planos de expansão da frota para o Estado de São Paulo e demais estados Brasileiros?
    Fico muito grato pela atenção, dentro do possível, de responder as dúvidas que tenho. Aos criadores deste site, parabéns por esta iniciativa, tendo em vista que este é um setor muito importante dentro das Corporações Policiais, de Bombeiros e Defesa Civil de nosso pais.

    Grato, Ivan.

  2. ola companheiros tenho um amigo que ministrou o curso de socorrista em ctba eu fiz este curso com ele.seu nome e jackson na epoca em que fiz o curso ,o jackson trabalhava no resgate de rodovia do angelina karon.perdi o contato com o mesmo c alguem puder passar algum contato agradeço abraço.fernando jose .campo mourao.pr.

  3. Fico muito feliz , por ter pessoas preparadas para salvar vidas que muitas vezes se perdem por falta de um atendimento mais imediato e eficiente , tambem por fazer parte dessa brilhante equipe uma pessoa com a qual tive o privilégio de trabalhar , por muitos anos no Posto de Pesagem de Veiculos , na Cidade de Campo do Tenente Pr , a querida PRF Denise Ayako Tsunemi , que voce possa estar sempre prestando juntamente com sua equipe este relevante serviço em prol da vida de nosso povo . Tenho muito orgulho em poder ter convivido com voce Denise , Deus abençoe voces anjos da Estrada. Ronaldo Nassif Ribas.

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