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Paraná – Mariana Fontinele Botelho, 41 anos, solteira, estudante de direito e apaixonada por aviação. Estas são apenas algumas características da única mulher pilota de helicóptero do SAMU no Paraná, que há 19 anos trabalha pilotando helicópteros pelo Brasil.

Com passagem recente por Maringá, Mariana já trabalhou em inúmeros resgates aéreos na região noroeste do Estado e atualmente está trabalhando na base do SAMU de Cascavel, na região Oeste. A pilota trabalhou em Maringá por quase um ano e se mudou para a base de Cascavel há dois meses.

Comandante Mariana durante voo sobre as Cataratas, em Foz do Iguaçu. Foto: arquivo pessoal.

Mariana já trabalhou como pilota em todos os estados do Brasil. “Eu fiquei oito anos trabalhando em fiscalização ambiental e por isso viajava para todos os estados. Era bem legal também”, acrescentou.

A aviação vem de berço. O pai de Mariana, José Américo Botelho Júnior, já falecido, era piloto de avião e helicóptero e dedicou sua vida ao resgate de vítimas nos Bombeiros de Brasília, na capital federal. O irmão gêmeo de Mariana, Marco Aurélio Fontinele Botelho, também era piloto, mas infelizmente morreu.

A comandante Mariana, como é chamada no SAMU, disse que gosta muito da profissão, principalmente por conta dos desafios que é pilotar um helicóptero em momentos de resgate.

“O serviço de resgate é muito desafiador. Os outros serviços dentro da aviação você consegue fazer com muita calma, mas o resgate tem que ser tudo bem rápido e os voos surgem repentinamente e a gente vai se guiando pelas informações da central com coordenadas. A gente não sabe como vai ser o pouso, se tem área para pousar. Mas com muita técnica vamos observando os pontos e os pousos e decolagens são sempre sucesso”, disse a comandante.

Resgate difícil 

Em seus 19 anos trabalhando como pilota enfrentou seu maior desafio profissional na região de Maringá, durante um pouso bastante delicado. O resgate era em uma rodovia de Nova Esperança.

Mariana precisava pousar para resgatar um motorista que estava gravemente ferido após se envolver em um acidente com um caminhão. Chovia no dia e o helicóptero foi desviando das nuvens, mas ao chegar no local outro desafio. Perto da rodovia existiam duas redes de energia elétrica e Mariana precisou pousar no meio delas.

“O tempo estava muito fechado e avisamos que qualquer coisa voltaríamos para o aeroporto. No primeiro momento tentei pousar e não consegui porque o vento não deixava e fui para uma outra área. A gente tinha fios de alta tensão dos dois lados, na frente a equipe de socorro, barranco e não tinha muita possibilidade de deslocamento naquela área. Eu precisava pousar e evitar que o helicóptero batesse nos fios e na cerca que tinha em cima do barranco”, contou a comandante Mariana.

Mulheres poderosas formam a equipe aeromédica do SAMU Regional Norte Novo, PR.

Já tive medo de morrer em um voo

A comandante Mariana conta que já passou muito medo em um voo, mas não era ela quem estava na condução da aeronave. Tudo aconteceu em um treinamento de emergência para se sair em uma situação de pane de rotor de cauda no pairado fora do efeito solo, que é aquele momento que a cabine do helicóptero começa a girar.

Segundo a comandante, ela estava como passageira aprendendo as técnicas com o professor quando viu o helicóptero girar muito rápido. Naquele momento ela pensou que a aeronave iria se chocar com o solo em alta velocidade.

“Eu estava no banco de trás. Aquele dia eu achei que iria morrer porque a aeronave começou a girar muito rápido e achei que ia cair. Mas o treinamento era justamente para mostrar isso. Foi a única vez que realmente fiquei com medo de morrer. Nunca mais aconteceu nada”, disse.

Paixão por resgates aéreos

Mariana Fontinele Botelho ama fazer resgates aéreos. A pilota estuda muito, se dedica e investe tempo e dinheiro em treinamentos na área que mais ama dentro da pilotagem de helicópteros. Segundo a comandante, a dedicação é tão grande que ao longo da vida perdeu até alguns namorados que não entenderam tamanho amor pela profissão.

“Aviação é minha vida. Ela me deu tudo o que tenho. Eu já perdi alguns namorados que diziam que eu só queria saber de trabalho. Não posso fazer nada. Eu viajava muito antes e aí tinha esses problemas para relacionamento, mas eu amo demais o que faço e não me importo. [risos]”, comentou a comandante.

Ainda segundo Mariana, o mais gratificante é saber que as técnicas que ela aprende para fazer pousos cada vez mais seguros salvam vidas no dia a dia dos resgates aéreos. “É gratificante demais. É horrível quando a gente pega a pessoa, faz o resgate e depois ela morre. A gente pensa meu Deus que triste, mas geralmente dá certo e a vida é salva”, explicou.

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