Para o CENIPA jornada excessiva provocou acidente

CENIPA descarta falha mecânica e conclui que grupo de militares de MT já havia estourado carga diária e que mau tempo também prejudicou.

O relatório final sobre a investigação da queda de um helicóptero da PM, em 2005, aponta carga excessiva de trabalho e falta de informações atualizadas sobre as condições do tempo como as possíveis causas da tragédia, que matou três policiais militares. O estudo é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Aeronáutica, e foi divulgado ontem.

O Águia Uno caiu no início da noite do dia 4 de abril de 2005, próximo da Serra de São Vicente, a cerca de 80 quilômetros de Cuiabá, quando seguia numa missão de resgate a vítimas de acidentes de trânsito na BR-364.

A queda da aeronave matou o co-piloto tenente Rodrigo Ribeiro, 25 anos, o cabo Joel Pereira Machado, 29 anos, e o soldado Júlio Márcio de Jesus, 31 anos. O piloto, capitão Henrique Corrêa da Silva Santos, 27 anos, ficou gravemente ferido. De acordo com o documento divulgado pelo Cenipa, no momento em que o helicóptero decolou para a missão, a tripulação já havia cumprido uma jornada de 11h10 minutos de trabalho.

Pela lei 7.183, artigos 20 e 21, a duração máxima deveria ser de 11 horas para tripulações simples, conforme destaca trecho do relatório assinado pelo brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa, certificado pelo tenente brigadeiro Paulo Roberto Rohrig Britto, chefe do Estado Maior da divisão da Aeronáutica.

O laudo traz análises de vários aspectos operacionais do acidente. Um item aponta claramente a informação de que “a jornada de trabalho adotada pelo GRAER (Grupamento de Resgate Aéreo – nome da divisão de resgate da PM-MT na época do acidente), além do previsto pela lei, pode ter proporcionado fadiga no piloto, afetando a sua capacidade de julgamento”.

Também conclui que as condições meteorológicas adversas contribuíram para a queda. “As condições meteorológicas no local do acidente eram de visibilidade restrita e teto baixo (cerca de 100ft – pés) e ao prosseguir o vôo em tais condições os pilotos encontraram séria encontram sérias dificuldades e acabaram descendo abaixo da altitude mínima de segurança de 200 pés, expondo-se ao risco”.

Apesar do tempo ruim na região no horário do acidente, a equipe do Águia Uno da PM-MT não observou as condições climáticas no momento de sair em missão. Deixou o aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, onde fica o hangar do grupamento aéreo, levando dados obtidos nas primeiras horas da manhã, às 8h.

As investigações da Aeronáutica concluíram que houve indisciplina de vôo, ou seja, comportamento contrário às recomendações. “O piloto contrariou a IMA 100-4 (instrução da Aeronáutica) ocasionando elevada condição de risco à tripulação e ao equipamento de forma desproporcional aos benefícios que poderiam advir do cumprimento da missão, não se verificando, portanto, a incidência de motivo que justificasse o descumprimento da referida norma”. O fato material, conforme o relatório, não contribuiu para a ocorrência. Isso significa dizer que o helicóptero não apresentava nenhum problema.

O Cenipa recomendou medidas de segurança operacional e corretiva ao comando do Grupamento Aéreo da PM-MT. Fazem parte da lista a realização de curso de reciclagem anual, planejamento adequado das missões, além de cursos e estágios na Aeronáutica.

Os três policiais, como é de praxe na organização militar, foram promovidos pós-morte. Rodrigo foi levado ao posto de capitão, Joel Machado passou a ser denominado sargento e Jesus passou à condição de cabo.


Fonte : Alecy Alves, Diario de Cuiabá


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