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ADRIANI JOSÉ DE SOUZA

Um recente trabalho de uma revista especializada em escalada esportiva na Espanha vem alertando os escaladores sobre o risco de se adquirir no mercado equipamentos metálicos não certificados.

Desta vez que roubou a cena foram os mosquetões importados da China, os quais, sem pedir licença, estão invadindo o mercado europeu com preços atraentes, colocando a vida dos esportistas em risco e confundindo os mais leigos no assunto.

Esse é um alerta que cabe não só aos escaladores esportistas, mas no caso da Aviação de Segurança Pública e Defesa Civil, as tripulações de modo geral, que devem atentar aos requisitos mínimos de especificações técnicas, antes de efetuar uma compra de materiais de uso coletivo ou individual para salvamento em altura.

O detalhe a ser observado por todos são as marcações obrigatórias que são gravadas nos mosquetões, atestando que ele foi submetido a uma avaliação de conformidade, que inclui teste de ruptura realizado por órgãos certificadores oficiais e legalmente reconhecidos.

Devemos partir do princípio que as tripulações que executam operações de salvamento com aeronaves possuem os melhores equipamentos do mercado. São certificações internacionais com base em padrões estabelecidos pela NFPA (National Fire Protection Association) no caso da linha americana ou pelos padrões das normas da Comunidade Européia no caso dos equipamentos comercializados na União Européia.

Sabe-se que a linha americana confere uma das mais famosas certificações para equipamentos de salvamento em altura, é a UL que atesta os padrões da NFPA 1983.

UL – Underwriters Laboratories é uma organização fundada em 1894 nos Estados Unidos da América que faz a certificação de produtos e sua segurança. O símbolo UL encontra-se em muitos produtos, inclusive nos equipamentos metálicos de salvamento em altura.

É importante saber que na Europa existe uma legislação muito rigorosa sobre o assunto. Ela exige que qualquer material ou equipamento que tenha como intenção proteger pessoas em relação à uma queda, seja certificado tanto pelo projeto quanto pela continuidade da produção daquele material. Para materiais de escalada os fabricantes devem ser certificados pelo padrão europeu conhecido como padrão EN. Este padrão delineia os requerimentos de segurança e metodologia de testes para a maioria dos equipamentos de proteção pessoal para escalada.

O primeiro padrão reconhecido para equipamentos de escalada e montanhismo foi desenvolvido pela UIAA. Esse velho padrão foi a base para o mais recente padrão EN, que agora é um requerimento legal da União Europeia. O padrão moderno UIAA baseia-se no padrão EN atual, mas não é um requerimento legal. Em alguns campos o padrão UIAA atual possui requerimento adicional sobre o padrão EN.

Ser certificado por esses padrões significa que o material está de acordo com o requerimento básico de projeto e estrutura, mas não significa que seja inquebrável sob circunstâncias de uso em ambiente real de escalada e montanhismo. Um produto que carrega a estampa CE teve que passar pelos testes requeridos pelo padrão e que o fabricante possui um sistema adequado para monitorar a qualidade do produto final. O processo de monitoramento é tipicamente efetuado por procedimentos com certificação ISO 9001.

O problema em pauta surgiu depois que fabricantes chineses gravaram nos seus mosquetões uma marcação CE (China Export) muito similar ao da comunidade europeia, praticamente idêntica, de forma que um leigo não conseguiria identificar a diferença.

O problema em pauta surgiu depois que fabricantes chineses gravaram nos seus mosquetões uma marcação CE (“China Export”) muito similar ao da comunidade européia, praticamente idêntica, de forma que um leigo não conseguiria identificar a diferença.Perceba que as duas letras que formam a marcação tem a mesma fonte e tamanho. O detalhe que diferencia é apenas a distância, ou o espaço entre as duas letras. As letras que compões a marcação falsificada da China estão ligeiramente mais próximas uma da outra.

Alguns profissionais de um importante site especializado em escalada na Europa resolveram reunir todos os modelos de mosquetões chineses, que já haviam sido instalados em vias de escalada, e submetê-los aos mesmos testes de ruptura das certificadoras oficiais, e o resultado foi alarmante:

Nenhum equipamento resistiu aos padrões mínimos de carga de ruptura estipulados pelo órgão oficial europeu.

Portanto é fundamental que as tripulações estejam alerta para esse detalhe. Se esses equipamentos forem vistos pelo mercado latino americano, não devem e nem podem ser adquiridos. Antes da aquisição de novos equipamentos para as suas operações de salvamento não se engane! Equipamentos com certificação reconhecida!

No próximo artigo abordaremos os equipamentos vendidos no mercado brasileiro, com certificação nacional,  suas características e peculiaridades.

Alguns profissionais de um importante site especializado em escalada na Europa resolveram reunir todos os modelos de mosquetões chineses, que já haviam sido instalados em vias de escalada, e submetê-los aos mesmos testes de ruptura das certificadoras oficiais, e o resultado foi alarmanteReferências:

O autor é comandante de aeronave do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo e especialista em salvamento em altura.

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1 COMENTÁRIO

  1. Importante alerta sobre os riscos que envolvem equipamentos “não devidamente certificados”, colocando em risco os seus operadores.
    O sítio Piloto Policial mais uma vez cumpre um importante papel para a segurança de voo, face a similitude entre os equipamentos usados por alpinistas e Operadores de Equipamentos Especiais (ou Tripulantes Operacionais) em nossas aeronaves de segurança pública.

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