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MARCUS V. BARACHO DE SOUSA

Falamos sobre o ciclo PDCA e sua importância na manutenção dos procedimentos da sua Organização, a aplicação desse instrumento vai manter seus procedimentos atualizados e adequados, atendendo às expectativas do usuário, no caso da Aviação de Segurança Pública, a própria sociedade.

Entendo que em qualquer Instituição, o maior patrimônio, ainda são as pessoas, num primeiro momento isso pode parecer uma afirmação mais política do que prática, porém, a grande verdade é que nenhuma organização sobrevive sem as pessoas.

Tudo isso para falar com vocês sobre a supervisão. Esse termo é conhecido no nosso dia a dia e às vezes confundido com a fiscalização, que de certa forma têm seus conceitos semelhantes, mas observando melhor, percebi que são bem diferentes, quando aplicados na Aviação de Segurança Pública.

Dentro de uma Organização Aérea de Segurança Pública, observei que o ato de fiscalizar é bem diferente de supervisionar, principalmente quando tratamos da questão de padronização. Destacando também que supervisão ou fiscalização, serão exercidas pelas pessoas.

A fiscalização implica na simples verificação do que é feito certo ou errado pelo agente público, apontando violações e erros na aplicação do POP, mas não passa disso e muitas vezes não é suficiente para garantir uma prestação de serviço com qualidade. O fiscal não precisa compreender o padrão e sua finalidade, basta ler o POP e observar a aplicação prática, registrando a não conformidade e, algumas vezes, levando-a para o campo disciplinar, resultando na punição do policial, bombeiro, etc…

No ambiente padronizado a simples punição do agente público não é garantia de melhora nos processos produtivos, portanto, apontar o erro ou violação é apenas a ponta do problema que é muito mais amplo e complexo,ficando para trás fatos como aplicabilidade do POP em questão, treinamento adequado, equipamento compatível com as exigências, etc.

A supervisão se mostrou mais eficiente para uma organização padronizada e qual seria diferença? Começamos destacando que supervisionar é mais amplo e exige um envolvimento maior com o sistema padronizado, trata-se de uma preocupação com o método e acompanhar todas as fases do processo produtivo, indo além da percepção de um resultado positivo ou negativo.

A supervisão na Aviação de Segurança Pública terá um papel de acompanhamento e aconselhamento, acompanhando o ciclo PDCA constantemente, identificando as não conformidades na aplicação de um POP e procurando entender suas ocorrências para neutralizar seus efeitos.

A supervisão deverá ser exercida por pessoas da organização que conhecem bem os processos e entendam a relação que é formada pela organização, seus integrantes e os usuários de seus serviços. Os supervisores deverão ter formação contínua e deverão ocupar uma posição de observação, permitindo uma percepção limpa de todos os processos aplicados e se são eficientes para o objetivo a que se prestam.

O supervisor orienta a equipe de trabalho, os colegas e subordinados, também, tem entendimento do quanto o serviço prestado foi adequado e atingiu a expectativa do usuário (cliente). Normalmente tem uma atitude imparcial, prestigiando o padrão ao invés da atitude individual. Estão comprometidos em conscientizar as pessoas e buscam transparência nas relações profissionais internas e externamente com os usuários do serviço aéreo de segurança pública.

O supervisor preserva uma relação saudável e de confiança com os que são supervisionados, buscando o entendimento da não conformidade na aplicação do POP, verificando se o procedimento está de acordo com a realidade apresentada ou precisa de atualização, exclusão, substituição. Opiniões diferentes são consideradas e alternativas que surgirem serão colocadas em experimentação, sendo assim, poderá oferecer diagnósticos, do trabalho realizado que serão decisivos para o desenvolvimento de novos procedimentos.

O sucesso do sistema padronizado depende muito de relações de coordenação e cooperação bem sucedidas entre chefes e subordinados, e entre representantes da organização aérea e os seus usuários (clientes). A supervisão sabe fazer isso, a fiscalização, nem sempre. Na organização padronizada o erro é tratado de forma diferente da violação, a supervisão entende isso, a fiscalização nem sempre.

Sua organização está começando a se padronizar! Prepare os seus supervisores! Eles vão propiciar mais sucesso na sua empreitada. Boa sorte!

Na próxima vamos dar dicas de como preparar um supervisor.


O Autor: MARCUS V. BARACHO DE SOUSA é oficial da PMESP. Formado pela APMBB em 1996 e bacharel em Direito, participou entre 1999 e 2000 da comissão de criação dos procedimentos operacionais padrão da PMESP. O autor possui Curso de Comandante de Operações e Piloto Policial, 2001; Curso de Gestão pela Qualidade, 2002; Curso Modelo de Gestão da Fundação Nacional da Qualidade, 2010; trabalhou na Seção de Doutrina do GRPAe desde 2002, coordenando treinamento, criação, atualização de POP e PAP; Foi relator dos Relatórios de Gestão do GRPAe para os prêmios Polícia Militar da Qualidade, ciclos 2003, 2005 a 2009, onde o GRPAe conquistou os certificados bronze e prata


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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Baracho!!

    Acho que esse deve ser o objetivo dos Grupamentos de Aviação de Segurança Pública no Brasil, buscar o profissionalismo com um respaldo técnico administrativo para que as operações aéreas possam fluir com maior segurança e eficácia.
    Que todos nós possamos atuar como supervisores; do Apoio Solo ao Cmte Anv mais antigo.
    O GRAER/PR procura seguir esse caminho. Não é fácil!!!

    Um grande abraço!!

    Maj QOPM RAMOS
    Chefe Divisão de Operações GRAER/PR

  2. Bem oportuno seu artigo, Baracho.
    “Antigamente” a preocupação, quando se pagava uma missão, era a de saber se havia ou não sido cumprida; caso negativo, a intenção maior era a da punição e não a do resultado esperado que não aconteceu.
    A gestão moderna do “mundo corporativo”, da qual nem a Segurança Pública, tão menos a Aviação de Segurança Pública podem se furtar, exige práticas que conduzam à excelência no serviço prestado.
    Em nossa atividade, a Supervisão, em todos os níveis, é uma das práticas que devem ser levadas a efeito por quem realmente está interessado no resultado esperado pela Comunidade.
    Aquela “mensagem à Garcia”, esperando punir responsáveis ou irresponsáveis, vai contra os anseios da população em relação ao serviço público, aos gastos públicos etc.
    Aquela “mensagem à Garcia”, esperando a punição de alguém, vai contra a política de valorização profissional.
    Em meio a Unidades Aéreas de Segurança Pública se formando, outras em expansão e outras em modernização, em meio à grande gama de novos equipamentos sendo incorporados às atividades, em meio a tantos profissionais tendo que se aperfeiçoar e, muitas vezes, aprender e reaprender, a Supervisão participativa é a prática ideal na condução e consecução de resultados, delineando as necessidades do trabalho em equipe em nossa Aviação de Segurança Pública.

    Parabéns e forte abraço,

    Maj Samuel
    Ch Div Op – GRPAe/SP

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