O Ministério da Justiça terá R$ 150 milhões no orçamento de 2010 para aquisição de equipamentos para o programa de segurança aeropolicial. A destinação dos recursos será comandada por demandas dos estados, além de órgãos policiais federais.
Convênio PRF e SAMU/PR prorrogado até 2014
O prefeito Beto Richa renovou nesta terça-feira (22) o convênio com Polícia Rodoviária Federal do Paraná e Ministério da Saúde que permite o uso de helicóptero para atender vítimas de acidentes de trânsito em Curitiba e municípios da região. O convênio foi prorrogado até 2014.
Bebê nasce a bordo da aeronave de resgate aeromédico da DPS Air Rescue
White Mountain Journal
Apesar de não ser tão incomum nas atividades de policiamento e bombeiros pelo Brasil, o nascimento de um bebê em uma aeronave de resgate é sim uma notícia incomum.
Pois bem, aconteceu no dia 15 de dezembro de 2009, no estado do Arizona, nos Estados Unidos da América. Uma aeronave de resgate aeromédico da DPS Air Rescue, baseado em Kingman, recebeu o chamado às 06:18 da manhã para atender uma ocorrência de mulher em trabalho de parto.
Com a vítima embarcada e preparada, a missão era deslocá-la para Kingman Regional Medical Center (KRMC), cerca de 130 milhas de distância. Contudo, o bebê resolveu não esperar todo esse tempo e nasceu a bordo do helicóptero. Minutos depois a aeronave pousou no hospital. A mãe e o recém nascido passam bem e permaneceram em segurança no hospital.
Se fosse no Brasil, não duvidaria se a criança fosse batizada de Arcanjo, Águia, Pégasus, Guardião, Patrulha, Guapo, etc.

Operações de Salvamento – O que devemos saber sobre as cordas (Parte 2)
Conforme informado na primeira parte deste artigo, trataremos agora sobre outros conceitos fundamentais para a correta e mais adequada forma de utilização das CORDAS DE SALVAMENTO.
Como sabemos, nas Corporações de Bombeiros Militares, Forças Policiais, Aviação de Segurança Pública e Forças Armadas, quando se trata de salvamento, são adquiridas as cordas semi-estáticas, com tecnologia Kernmantle, diâmetro de 12 ou 12.5 milímetros e carga de ruptura mínima de 4.000 kg.
A VIDA ÚTIL DAS CORDAS
A vida útil de uma corda não pode ser definida ou preestabelecida pelo tempo de uso. A sua duração depende de uma grande quantidade de variáveis, incluindo o cuidado individual, a freqüência de uso, os tipos de equipamentos utilizados, a velocidade de descida em rapel, a abrasão física, o clima, o tipo e intensidade de carga que é submetida, a degradação química, a exposição aos raios ultravioletas, entre outros.
Qualquer corda é vulnerável às forças destrutivas e pode apresentar falhas após ter sido descuidada ou submetida a condições extremas como cargas de impacto ou bordas afiadas (cantos vivos). A corda deve ser aposentada quando apresentar cortes, quando a abrasão tenha causado um desgaste significativo na capa, após uma queda forte (fator de queda maior que 0.25 em corda estática), quando existir suspeita de contaminação por agentes químicos ou em qualquer outra situação em que existam dúvidas a respeito.
Se todos os cuidados forem adotados, os usuários das cordas devem utilizar, como parâmetro, uma vida útil de 5 (cinco anos) para “aposentar” (descartar) uma corda de salvamento. Existem corporações que adotam tempo inferior a quatro anos. O mais importante é estar consciente que essa vida útil sempre dependerá das variáveis acima apresentadas.
CUIDADOS COM AS CORDAS
As cordas são construídas para suportarem grandes cargas de tração, entretanto, são sensíveis a corpos e superfícies abrasivas ou cortantes, a produtos químicos e aos raios solares.

É muito importante que se mantenha um registro da corda, pois não existe maneira não destrutiva de saber se a corda está boa ou não. Depende somente do responsável pelo uso conhecer sua corda e saber a quais esforços a mesma foi submetida. Nunca empreste sua corda; é aconselhável manter um registro com sua história.
Dessa forma os profissionais de salvamento em altura devem adotar os seguintes cuidados:
- Evite superfícies abrasivas, não pise, não arraste e nem permita que a corda fique em contato com cantos vivos desprotegidos. Para tanto é essencial que sejam utilizados protetores de cordas específicos, vendidos no mercado, fabricados em borracha, couro ou pvc ;
- Evite contato com graxa, solventes, combustíveis, produtos químicos de uma forma geral, pois os agentes químicos são os piores inimigos da corda. Gasolina, óleo, ácido de bateria, benzendo, tetracloreto de carbono e fenol (aquele dos limpadores com cheiro de pinho) podem debilitar e destruir a poliamida. Além disso, o concreto também possui alguns elementos destrutivos, por isso a corda não deve ser armazenada em piso de cimento;
- Evite que a corda fique pressionada (“mordida”);
- Não deixe a corda sob tensão por um período prolongado, nem tampouco a utilize para rebocar um carro ou para qualquer outro uso, senão aquele para o qual foi destinada;
- Se houver necessidade de lavar a corda, utilize sabão neutro sem agentes químicos, nunca detergentes. Deixe-a secar ao ar livre, à sombra, em voltas frouxas, jamais ao sol, pois os raios ultravioletas danificam suas fibras.
- Mantenha a corda limpa: as cordas também não devem ser armazenadas no chão, já que a sujeira pode danificá-las. Pequenas partículas de terra podem introduzir-se entre as fibras e na seqüência, quando for requerida a tensão à corda, podem cortar as fibras causando desgaste na capa e na alma. Pisar na corda com botas ou calçados sujos acelera e muito este processo.
- Ao acondicionar a corda, dê preferência pelo acondicionamento em sacolas ou bolsas específicas, as quais têm diversas vantagens como proporcionar proteção à corda, facilidade de acondicionamento (bastando acomodar a corda no interior da sacola ou bolsa, sem qualquer cuidado especial), comodidade de transporte, além da garantia de que, uma vez lançada a sacola, não haverá risco de formação de cocas ou nós acidentais.
COMO INSPECIONAR UMA CORDA
As cordas de salvamento devem ser inspecionadas previamente em todas as situações em que houver necessidade de seu emprego.
A inspeção deve ser visual em toda a sua extensão, observando os seguintes aspectos:
- Qualquer irregularidade, caroço, emagrecimento da alma, encurtamento ou inconsistência;
- Sinais de corte e abrasão, queimadura, traços de produtos químicos ou em que os fios da capa estejam desfiados (felpudos);
- O ângulo formado pela corda realizando um semi-círculo com as mãos, devendo haver uma certa resistência e um raio constante em toda sua extensão;
- Se há falcaça (acabamento das extremidades), se a capa encontra-se acumulada em algum dos chicotes ou se a alma saiu da capa.
Nos próximos artigos trataremos sobre outros equipamentos de salvamento em altura. Aguardem…
Referências
MAS (Manual de Salvamento em Altura)
Coletânea de Manuais Técnicos – MTB26-Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo;
Catálogos New England
Catálogos PMI
Catálogo Roca
Catálogo Sterling
Revista NUS, Barcelona, Espanha, 1993
Vertical Caving, Meredith e Martinez, Lyon Equipment, UK
Catálogo Black Diamond
Catálogo Edelweiss
Catálogo Beal
Catálogo Climb High
Catálogo REI.
O autor é Major da Polícia Militar do Estado de São Paulo, comandante de aeronave do GRPAe/SP e especialista em salvamento em altura.
Veículos Aéreos Não Tripulados podem ajudar na segurança pública.
Os VANTs – veículos aéreos não tripulados – são alternativas para preservar a vida dos policiais na guerra contra o tráfico. Desde a sua invenção, o helicóptero foi o meio utilizado para defesa e fiscalização em conflitos de áreas menos populosas.
Pelas suas características, como voar em altitudes mais baixas, ele é operado pelas forças policiais preferencialmente quando não há perigo aparente para a aeronave e seus ocupantes.
Com a evolução dos “conflitos urbanos” e o aumento da necessidade de buscas e rastreamento aéreo, o uso do helicóptero se disseminou e entrou também no combate às brigas de gangues, à guerrilha urbana e ao tráfico, entre outros. A expansão da violência urbana fez com que os helicópteros passassem a atuar também nas regiões populosas, mas sempre respeitando os limites de distância que seguros e usados precisam para monitorar as operações.
Os helicópteros que são operados pelas forças policiais em outros países só são utilizados em operações urbanas quando não há perigo aparente para a aeronave e seus ocupantes.
A situação existente no Rio de Janeiro, que resultou na derrubada de um helicóptero da polícia, é praticamente inédita e tem aspectos bem particulares. As características geográficas desfavoráveis (morros altos e totalmente cobertos por favelas ou vegetação densa) permitem infinitas alternativas para os criminosos se posicionarem e causarem surpresa.
Nesse caso, a área urbana sobrevoada não é controlada pelo poder público (ao contrário da maioria das outras situações de emprego de helicóptero sobre áreas povoadas). A rigor, sob o ponto de vista técnico-operacional, quando um helicóptero da polícia do RJ voa sobre favelas está voando sobre território ocupado pelo inimigo.
Olhando para trás, alguém poderia afirmar que era só uma questão de tempo para um helicóptero (com ou sem blindagem) ter sido derrubado. Os helicópteros são grandes, visíveis e fazem um ruído característico que pode ser ouvido a grandes distâncias.
Em um passado mais recente, helicópteros da polícia foram alvejados e um tripulante foi ferido por um tiro disparado do solo. Outro ataque foi feito a um dirigível que transmitia imagens de vídeo em tempo real sobre conflitos em áreas urbanas conflagradas. A sucessão desses episódios já está provocando reações das mais diversas.
Especialistas em segurança, por exemplo, alertam para a necessidade de adoção de regras operacionais mais restritivas a esse tipo de aeronave que possam garantir a preservação da vida dos tripulantes.
Outra opinião recorrente é que a polícia deveria adotar rapidamente aeronaves não tripuladas para a vigilância das áreas críticas. Conhecidos como VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), esses modelos já estão disponíveis em vários tamanhos e capacidades e podem voar por longos períodos tanto durante o dia como à noite. Outra opção são os miniVANTs que podem ser lançados a mão, a partir de ruas, estacionamentos, lajes ou pequenas áreas e voam por diversas horas. Um deles pesa cinco quilos e é equipado com câmeras ligadas por satélite a uma central de controle. Durante uma operação, um suspeito pode ser identificado e acompanhado pela tela do computador, ainda que ele esteja a quilômetros do local da ocorrência. A partir daí, as câmeras do miniVANT acompanham automaticamente o “fugitivo” e a perseguição só acaba quando ele for preso. E a aplicação dos miniVANTs não se restringe ao crime.
O policiamento dos jogos de futebol assim como as manifestações populares podem ser monitoradas por essa tecnologia.
Os miniVANTs são mais silenciosos e permitem uma operação discreta sem despertar a atenção. Eles são praticamente inaudíveis devido a seu motor elétrico e transmitem imagens e vídeos de excelente qualidade para as bases terrestres às quais estão conectados. E, ainda que sejam alvejados, dificilmente eles serão atingidos porque são aeronaves de pequeno tamanho.
Se forem abatidos, não são uma ameaça significativa porque pesam pouco mais de cinco quilos.
Todas essas novas tecnologias que estão surgindo começam a quebrar alguns paradigmas sobre segurança. E o número de policiais nas ruas é um deles, pois já sabemos que a quantidade de agentes não é um indicativo suficiente para medir a segurança de uma área.
O helicóptero, apesar de útil em alguns tipos de operação, não consegue ter uma performance segura e discreta. Desde a derrubada do helicóptero da polícia do Rio de Janeiro, ele passou a ser também um alvo possível e passará a ser buscado por grupos rivais (nem que seja para mostrar que são tão bons quanto os que abateram o helicóptero).
Qual o custo de um helicóptero derrubado e de três policiais mortos? Com a tecnologia de voo não tripulado, poderemos, num futuro próximo, evitar tragédias como essas.
Fonte: Artigo de autoria de Anastácio Katsanos, Engenheiro e Consultor aeroespacial, publicado em 20DEZ09 no Jornal do Brasil
Nota do site: Esse artigo reflete a opinião do autor, contudo os VANTs são o exemplo da tecnologia andando à frente das leis e regulamentos.
Será que na criação das primeiras unidades de aviação policial, quanto falaram em utilizar helicópteros na segurança pública, a reação não tenha sido exatamente a mesma ao ler esse artigo?
Um bom tema para o futuro resolver…
Gefron/MT terá helicóptero para patrulhamento na região de fronteira
O Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), não tem medido esforços para coibir o tráfico de drogas, armas e contrabando nos 28 municípios que compõem a zona de fronteira entre Mato Grosso e Bolívia.
Águia 01 da 2ª CIA BAPM/SC resgata pessoas de prédio em chamas.
Santa Catarina – Um incêndio no 10º andar de um edifício no Centro de Jaraguá do Sul, no Norte do Estado, destruiu dois apartamentos por volta das 15h30min deste sábado. O jogador de futsal Falcão, da Malwee/Cimed, é um dos moradores do prédio. A residência do atleta não foi atingida pelas chamas.
SENASP – Balanço 2009 da Aviação de Segurança Pública
Visando atender a crescente demanda dos estados em alcançar o chamado “Brasil Profundo”: regiões interioranas que vivem a margem dos recursos dispensados aos estados, que pela deficiência no transporte de meios, aplica todo o recurso de segurança pública e de serviços essenciais à sobrevivência da população, somente na capital, deixando o interior desprovido de atendimento, a SENASP, em meados de 2008, criou a Política de Aviação de Segurança Pública, baseada em três pilares básicos: Operações Aéreas e Capacitação, Aparelhamento e Estruturação das Unidades Aéreas Policiais e de Bombeiros e Indução de Doutrina e Legislação própria.
Cansado de voar no Brasil ?
O governo das Ilhas Cayman está procurando pilotos de helicópteros para contratar antes da chegada do tão esperado helicóptero policial, prevista para o próximo mês.
Valores do Passado
Cel Ref PMESP WALDIR DOS SANTOS
Como, a partir do zero, iniciou-se um policiamento inédito no Brasil. Conheça o valor histórico de formação do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar do Estado de São Paulo.No ano em que comemoramos o Jubileu de Prata do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar é importante fazer um passeio ao passado, não muito distante, para conhecermos as condições que propiciaram a implementação daquele então novo meio de policiamento, as adversidades encontradas, e outras nuances que não podem e não devem ser nunca esquecidas.
Em 1983, depois de um longo período em que os governadores dos Estados eram indicados e nomeados pelo Governo Federal, tivemos a primeira eleição para este cargo, tendo vencido e assumido o cargo o Governador André Franco Montoro.
Junto com a eleição seguiram-se uma série de manifestações que, sob a bandeira da então “conquistada liberdade”, promoviam uma baderna generalizada, com ênfase às depredações e saques, principalmente de supermercados e outros tipos de comércio.
O pânico tomava conta da população e a polícia, apesar de todo o seu empenho, não conseguia acompanhar o ritmo das manifestações que “pipocavam” em todos os pontos da nossa maior metrópole.
As autoridades decidiram por bem alocar helicópteros utilizados pela CESP – Centrais Elétricas de São Paulo – no trabalho de inspeção de linhas, à Polícia Militar, a fim de serem utilizados como plataformas privilegiadas de observação e acompanhamento de movimentação anormal e suspeita da população, para otimizar o emprego das tropas em terra e, assim, conseguir restabelecer a ordem pública.
A iniciativa foi tão bem sucedida que a ela se seguiu a locação de helicóptero para continuar aquela atividade e ajudar no policiamento. Até então, tais helicópteros eram pilotados por civis e tinham em sua tripulação, como observadores, policiais militares do Comando de Policiamento de choque. Missões bem sucedidas ensejaram que o Governo do Estado adquirisse dois helicópteros, sendo um para a Polícia Militar, que ganhou o designativo operacional de “Águia Uno” (designativo que se mantém até hoje) e outro para a Polícia Civil, com designativo operacional de “Pelicano”.
A data de entrega de tais aeronaves, já caracterizadas com as cores e logomarcas de suas instituições, foi em 15 de agosto de 1984, no heliponto do Palácio dos Bandeirantes.
Antes mesmo da entrega, a Polícia Militar já se antecipara na preparação de pessoal e na estruturação, ainda experimental, da nova Unidade que, por ter abrangência estadual, subordinava-se diretamente ao Subcomandante da Polícia Militar.
Pessoal e formação
Para a função de pilotos, inscreveram-se mais de 600 Oficiais. Como não haveria tempo hábil para submeter todos aos longos e exaustivos exames, optou-se por uma pré-seleção, em que cerca de 40 Oficiais foram submetidos a exames tanto no âmbito da Polícia Militar como pelo pessoal do Centro de Seleção da Força Aérea.
Os Oficiais selecionados iniciaram o Curso Teórico de Piloto de Helicópteros na Escola Superior de Aviação, no Campo de Marte, com cerca de 45 dias de atraso em relação aos demais alunos. No decorrer desse curso, surgiu a oportunidade de três Oficiais fazerem o Curso de Piloto de Helicópteros na Marinha do Brasil, na Base Aeronaval de São Pedro D’Aldeia. Alguns Oficiais, já concursados anteriormente, e mais outros participantes deste novo concurso, sendo que três deles acabaram fazendo o curso na Marinha.
Desta forma, o grupo inicial de pilotos, ficou constituído de sete Oficiais, sendo três formados na Marinha e quatro formados em escola particular, passando posteriormente por um curso de padronização na Força Aérea Brasileira, na Base Aérea de Santos.

Assim sendo, o primeiro grupo de pilotos de helicópteros da Polícia Militar ficou composto pelos seguintes Oficiais, com suas respectivas patentes à época : Ten Cel PM Ubirajara Guimarães (primeiro Comandante da Unidade); Capitães PM Gérson Vitória, Sérgio Luchesi, Marco Antônio Visconti e Waldir dos Santos; 1º Ten PM Irineu Mota Filho e Otacílio Soares de Lima.
Para as demais funções, aos poucos foram sendo selecionados Praças que apresentavam perfil aparentemente adequado para ser Tripulante Operacional. E por que aparentemente ? Simplesmente porque não se sabia até então qual era esse perfil, daí o bom número de Tripulantes Operacionais serem oriundos do COE (Comando de Operações Especiais), que era a tropa da Polícia Militar com mais familiarização com voos em aeronaves de asas rotativas.
Até que os Oficiais estivessem prontos para o desempenho pleno de suas funções, os helicópteros eram pilotados por civis, tendo como segundos pilotos os Oficiais já selecionados e em curso prático de pilotagem.

Diversidades iniciais
Inúmeras foram as adversidades encontradas no início deste desafio de se implantar e mostrar, em pouco tempo, eficiência numa nova modalidade de policiamento. Destacaremos algumas delas :
→ Afora algum resquício existente, não havia no Brasil, em qualquer Estado, uma unidade independente sequer de policiamento com emprego de helicópteros que pudesse nos fornecer algum parâmetro para implantação, carecendo a autorização de todas as decolagens de governadores de Estado, o que inviabilizava o emprego do helicóptero, com uma de suas maiores vantagens, qual seja, a rapidez;
→ Incompreensão inicial de diversos setores da sociedade, como a imprensa e as associações representativas dos pilotos de helicópteros, a tal ponto de um jornal de grande respeitabilidade e circulação em São Paulo, e no Brasil, estampar em manchete : “Helicóptero, o novo brinquedinho de luxo do governo paulista”; as associações representativas dos pilotos civis mobilizavam-se tentando evitar que os integrantes da Corporação pudessem pilotar e cuidar de suas aeronaves, para não perder postos de trabalho para a categoria;
→ Posicionamento pessoal de integrantes da Força Aérea Brasileira, o que não representava o pensamento daquela instituição, que se colocavam contra a possibilidade dos helicópteros da Polícia Militar serem pilotados por seus próprios Oficiais;
→ O espaço reservado à nova Unidade : duas salas sob o alojamento de Praças do 2º BPChq (em que o teto das salas e o piso de assoalho do alojamento eram a mesma coisa) e mais um “porão” com cerca de dois metros de altura, com porta para o pátio da mesma Unidade, que servia como Sala de Operações e permanência dos Tripulantes;
→ Alguns posicionamentos internos na Corporação que não vislumbravam, na nova modalidade de policiamento, mais um eficiente meio de combate as crime, além de outros tipos de missão, o que representava um avanço tecnológico, até com certo atraso. E tanto isso é verdade que, ao verificarmos o crescimento da nova Unidade, constatamos que se transformou no que hoje é de sobejo reconhecido por todos aqueles que, no momento inicial, mostraram-se contrários.

Considerações finais
Apesar das adversidades apontadas, é justo que também se faça referência a pessoas que, nada tendo a ver diretamente com a criação da nova Unidade, empenharam-se sobremaneira para que os objetivos pudessem ser alcançados e, até correndo riscos pessoais inerentes às suas funções à época, deram sua desinteressada contribuição.
Outros houveram, mas os mais significativos foram o então Ajudante Geral da Polícia Militar, o saudoso Cel PM Francisco Antônio Coutinho e Silva, que garantiu a possibilidade de quatro Oficiais fazerem o Curso de Piloto de Helicóptero em escola civil e o Chefe do então Centro de Suprimento e Manutenção de Material Bélico da Polícia Militar, Ten Cel PM Dalmiro Gomes, que forneceu todo o suporte logístico que envolvia desde a aquisição de combustível de aviação até o fardamento especial utilizado pelo pessoal.
Estas duas pessoas mencionadas, juntamente com outras que por questão de tempo não estão sendo citadas, fizeram com que houvesse certo equilíbrio na balança dos “a favor” e “contra” a criação da inédita Unidade da Polícia Militar.
Apesar da data de criação oficial por Decreto do Grupamento de Radiopatrulha Aérea não ser 15 de Agosto, a Corporação, após estudo e levando em consideração que esta data coincidia com o recebimento oficial e permanente de um helicóptero para todas as atividades possíveis de serem desempenhadas por este eficiente meio de policiamento, na história da Polícia Militar esta é a data escolhida como o ponto de partida deste bem sucedido empreendimento.
Este artigo é uma homenagem aos que plantaram em terreno tão árido um novo tipo de vegetal e que dele cuidaram com tanto amor, que as gerações que os sucederam entenderam tão bem seu espírito empreendedor e de servir toda a comunidade: ele cresceu, reproduziu-se e hoje se espalha por boa parte da terra paulista.
Quinta-feira agitada no BAPM/SC
Pela manhã :
Jovens são resgatados do Monte Crista, em Garuva
Três jovens foram resgatados pelos tripulantes do helicóptero Águia da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira, no Monte Crista, em Garuva.
Henrique Araújo Souza, 18 anos, Bruno Passos Mira, 18 anos e Vinícius Diegues F. Colares, 17 anos, haviam subido o morro três dias antes para acampar. Mas com a chuva e o vento forte da noite de quarta-feira, eles não conseguiram descer.
Operação de salvamento com cesto em SP – atualizado
Duas crianças foram retiradas de dentro de uma casa no início da noite desta quarta-feira (16/12/09) na região do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo. Elas foram colocadas dentro de uma cesta e içadas pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar.
Survivability de helicópteros como um dos fatores preponderantes na Aviação de Segurança Pública do Brasil
MILTON KERN PINTO
RESUMO
O presente artigo elenca a importância da aplicação de survivability de helicópteros no projeto de aeronaves para a aviação de segurança pública do Brasil, requerendo uma postura dos órgãos públicos aos fabricantes, com a proposta para a construção de um projeto ideal e a eleição de um helicóptero que realmente atenda os requisitos da segurança pública.
Foram contextualizados três universos de carência que gravitam em torno da aviação de segurança pública do Brasil, e são os seguintes:
1º) Carência de survivability de helicópteros com um projeto específico para a aviação de segurança pública;
2º) Carência de filosofia de emprego operacional e suas conseqüências;
3º) Carência da segurança operacional de voo.
São apresentadas sugestões para diminuir a exposição aos riscos e ameaças das tripulações em ambientes hostis. Foram revistos os conceitos emprego operacional em áreas condensadas com civis residentes misturados com criminosos e a aplicação da doutrina de segurança de voo com a inserção de ferramentas que contribuirão para quantificar e qualificar as causas e conseqüências do emprego operacional de helicópteros.
Por fim, evidenciamos os processos e etapas de gerenciamento do risco como uma relevante ferramenta para dirimir os riscos em ambientes hostis a que essas tripulações estão expostas, reduzindo a possibilidade de incorreções dos tripulantes, contribuindo para a elevação de uma ampla consciência situacional, afastando da ocorrência de incidentes ou acidentes aeronáuticos.
ABSTRACT
This article lists the importance of implementing the survivability of helicopters in the design of aircraft for aviation public security in Brazil, a position requiring public bodies to manufacturers, with the proposal to build a dream project and the election of a helicopter really meets there requirements of public safety.
Were contextualized three universes grace revolving around aviation public security in Brazil, and are as follows:
1)Lack of survivability of helicopters with a specific project for aviation security;
2)Lack of employment operating philosophy and its consequences;
3)Lack of operational safety of flight.
Suggestions for reducing exposure to risks and threats of crews in hostile environments. We reviewed the operational employment concepts in condensed areas with civilians living mixed with criminals and application of the doctrine of flight safety with the inclusion of tools that help to quantify and describe the causes and consequences of the operational use of helicopters.
Finally, we observed the processes and steps of risk management as an important tool to resolve risks in hostile environments to which these crews are exposed, reducing the possibility of inaccuracies of the crew, contributing to the rise of a broad situational awareness, away from incidents or aircraft accidents.
INTRODUÇÃO
A survivability (sobrevivência do equipamento) em combate é a capacidade de um helicóptero ou aeronave de asas rotativas evitar ou suportar um ambiente hostil, produzido por fenômenos naturais ou ação do homem. É a probabilidade da ameaça ou mecanismo de dano “matar” o helicóptero, uma vez que este tenha sido atingido. São usadas ferramentas quantificadoras de análise e projeto de sobrevivência e vulnerabilidade do helicóptero. Deverá haver um quantificação da suscetibilidade e vulnerabilidade do helicóptero (RAMOS, 2009 e BALL, 2003).
Com um breve histórico de survivability, revemos a II Guerra Mundial com a sobrevivência deficiente dos aviões japoneses (Zero); na Coréia 20% de taxa de perda de B-29s em missões diurnas; no Vietnã houve a sobrevivência deficiente dos helicópteros; na Somália os Black Hawk down or grounded; no estudo descrito no livro Combat Survivability do Prof. Robert Ball (RAMOS, 2009).
O objetivo de survivability é identificar e incorporar características de melhoria de sobrevivência no projeto de helicópteros, visando aumentar a efetividade dessas aeronaves nas missões em ambiente hostil (RAMOS, 2009).
A survivability (sobrevivência) de helicópteros na aviação de segurança pública tornou-se uma evidente quebra de paradigma após o pouso sem potência do helicóptero do GAM – PMERJ, que foi alvejado possivelmente por projéteis disparados por meliantes posicionados no solo, postados num ambiente hostil e área condensada. Após este triste e marcante fato, a aviação de segurança pública no Brasil sofrerá uma mudança significativa, pois estará tomando, daqui para a frente, um rumo de modificação na inserção doutrinária operacional e na seleção e eleição de um novo modelo/projeto de aeronave que verdadeiramente atenda ao requerimento operacional de sobrevivência do equipamento e consequentemente das tripulações.
Foram contatados inúmeros profissionais da área, especialistas de aviação, tais como: engenheiros brasileiros e estrangeiros de aeronáutica, acadêmicos da aviação, operadores civis e militares do Brasil, políticos e leigos. Houve um despertar de suas atenções e opiniões técnicas com a construção de um vasto elenco de questionamentos jurídicos e científicos da aviação, muitos destes, sem respostas.
Mas, antes das conclusões específicas de survivability de helicópteros, deixados no presente artigo, serão externadas contribuições com o objetivo de elevar os níveis de segurança de vôo e aumentar a solidificação profissional da aviação de segurança pública do Brasil.
Para que haja a contextualização da relação conceitual de survivability, entende-se que são três os “universos” que gravitam em torno da aviação de segurança pública do Brasil com elos inseparáveis. São os seguintes:
1º) CARÊNCIA DE PROJETO ESPECÍFICO PARA UM HELICÓPTERO DA AVIAÇÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA:
Não existe no Brasil a concepção de um projeto aeronáutico específico para um helicóptero que verdadeiramente atenda o requerimento operacional de survivability para a aviação de segurança pública do Brasil. Esse helicóptero deveria conter características específicas no seu projeto, sem os meios paliativos e não profissionais que acontecem no Brasil. São adicionados “bacalhaus” (peso de componentes aeronáuticos inclusos pós-projetos) nos helicópteros comprados para a aviação de segurança pública.
Ocorre que atualmente, alguns fabricantes aplicando a retórica e a persuasão de marketing para a venda de seus helicópteros, buscam uma solução imediatista de compromisso, “atendendo” a demanda operacional da aviação de segurança pública, criando e adicionando nos helicópteros, um conjunto de componentes aeronáuticos sem alterarem, na sua base, a concepção dos projetos dessas aeronaves.
Esses componentes modificam, em muitos casos, o CG-Centro de Gravidade da aeronave proporcionando um longo passeio de CG, adicionados à modificação no peso de decolagem com alteração do modo: potência requerida versus potência disponível, aumentando o fator de carga sobre a estrutura da fuselagem, na raiz do cone de cauda, no conjunto de componentes da cabeça do rotor principal, e flector das pás do rotor principal, de modo que os limites de autoridade de comando podem ser alcançados mais prematuramente, tornando o helicóptero inviável para a operação requerida (CRUZ, 2009).
A presença de passeio do C.G. introduz seis novos graus de liberdade. O helicóptero tem três graus de liberdade de rotação (pode arfar, rolar e guinar em torno de seu próprio sistema de eixos, independentemente das variáveis correspondentes do helicóptero) e outros três de translação (relativos a cada um de seus eixos). Assim, são muitas as possibilidades de oscilações indesejáveis de passeio do CG, exigindo uma considerável atenção por parte dos projetistas (CRUZ, 2009).
Essas adições de componentes aeronáuticos estão ocorrendo sem o operador da aviação de segurança pública saber realmente, através de um estudo técnico quantificado, o resultado operacional e as conseqüências aerodinâmicas e estruturais que poderão causar no helicóptero. Essas adições intempestivas de componentes estão ocorrendo frequentemente pós-projeto nos helicópteros, os quais não foram concebidos na gênese desses projetos.
Para se fazer uma relação, evidencia-se um exemplo positivo que, com certeza, contribuirá num futuro próximo para a consolidação profissional da aviação de segurança pública do Brasil.
O exemplo que deve ser seguido pela aviação de segurança pública, refere-se à postura do governo brasileiro e da Força Aérea, em colocar inúmeros requisitos para a compra de aeronaves tipo caças, exigindo dos fabricantes estrangeiros um elenco de características com a adição do fator “transmissão de tecnologia”. Este fato revigora uma velha norma de regência do mercado comercial e dita o seguinte para o caso: o órgão que detém condições financeiras para comprar um lote elevado de aeronaves, obterá sobreposição de barganha para exigir dos fabricantes um perfil de aeronave que a sua demanda requer. E é este o foco que se está propondo no presente artigo.
O que está ocorrendo no mercado brasileiro na venda de helicópteros para a aviação de segurança pública, ainda, é o inverso, ou seja, os fabricantes de helicópteros estão vendendo seus equipamentos aleatoriamente. Não existe uma exigência científica quantificada por parte dos órgãos públicos compradores em cima dos fabricantes referente a um equipamento que apresente os melhores requisitos. A política de venda dos fabricantes de helicópteros no Brasil para a aviação de segurança pública em relação ao um projeto específico e eleito, ainda, é amadora.
Os fabricantes apresentam seus helicópteros para a venda, independentemente se foram ou não projetados para atuarem em missões envolvendo ambientes hostis. A política de venda é a seguinte: se um órgão público da aviação de segurança pública “A” ou “B” não desejar comprar ou se abster da compra dos helicópteros oferecidos para a venda, a certeza do fabricante é que outros órgãos de aviação de segurança pública, normalmente embrionários, irão adquirir o equipamento demonstrado. Sem alternativa, os órgãos da aviação de segurança pública se obrigam a adquirir o que os fabricantes oferecem no mercado, não se exigindo do fabricante, o compromisso para a concepção de um projeto de um equipamento específico ou que se adéque verdadeiramente às missões requeridas.
Como a aviação de segurança pública do Brasil ainda está em fase de desenvolvimento e solidificação, buscando uma linha mestra de doutrina operacional, da eleição do projeto ideal do helicóptero, da elevação dos níveis de segurança de voo e da consolidação para a formação e treinamento das tripulações, ocorrerá durante um certo tempo, a aquisição fisiológica e pessoal de helicópteros não requeridos ou disformes para a aviação nas operações de segurança pública.
Em razão do pouco tempo de sua existência, a aviação de segurança pública do Brasil não tem uma frota expressiva de helicópteros (média de 100 helicópteros e 80 aviões),que abrange diversos tipos e modelos. Todavia, a concepção inicial dos projetos desses helicópteros visava tão somente o transporte de passageiros, não contendo características de survivability, para resistirem aos ambientes hostis com a presença de graves ameaças e riscos iminentes, hoje presentes nos vôos da segurança pública.
Para referência, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, através do Bureau of Justice Statistics, publicou em julho de 2009, um relatório especial do ano de 2007, informando o número de aviões e helicópteros que operam naquele país na aviação policial (segurança pública), por estado, município, condado e sheriff’s. O total de unidades aéreas (órgãos) de polícia existentes é de 201. O total de helicópteros em operação policial é de em 604 e de aviões 295. O total geral de aeronaves nos EUA que executam operações policiais e de bombeiros é de 899 aeronaves.
Não esqueçamos que um helicóptero para operar na aviação de segurança pública, necessita de três requisitos fundamentais. Essa previsão começa no projeto conceitual e deverá conter:
1º) Velocidade combinada com motor confiável (aumentar o tempo de resposta) “speed element”;
2º) Disponibilidade de potência ou reserva de potência associada a uma excelente manobrabilidade;
3º) Componentes aeronáuticos (acessórios) aptos a se agregarem às necessidades de emprego operacional do equipamento e que realmente detenham a certificação aeronáutica por autoridades certificadoras, legalmente reconhecidas.
Quanto aos estágios básicos de um projeto, podem ser expressas as seguintes fases:
– Projeto conceitual (“conceptual design”);
– Anteprojeto (“initial baseline design”);
– Desenvolvimento da configuração inicial (“baseline configuration development”);
– Projeto detalhado (“detailed design”).
Existe uma interação entre o trabalho de desenvolvimento para um novo projeto e os diversos fatores que determinam a necessidade para um novo tipo de aeronave. O projeto preliminar de uma aeronave é parte essencial desta fase de desenvolvimento. Sua meta é obter a interação necessária para que se decida se o conceito é tecnicamente factível e se possui possibilidades econômicas que satisfaçam o sucesso do empreendimento. Deve-se voltar a atenção para o impacto que os requisitos de projeto impõem na especificação inicial e nas condições que garantam a aeronavegabilidade continuada da nova aeronave (DE ANDRADE, 2009).
Uma característica da fase de desenvolvimento da configuração é que modificações são feitas continuamente até que uma decisão possa ser tomada para “congelar” (“freeze”) a configuração (ou seja, o “layout” geral, a forma externa, dimensões e características mais importantes), o que finaliza a fase de projeto preliminar. Se a perspectiva de mercado é boa e existem condições financeiras para desenvolver o projeto, os tomadores-de-decisão na empresa podem dar autorização para a continuidade do desenvolvimento (“go ahead approval”). As fases subsequentes do projeto detalhado, fabricação e testes, servem para garantir que o Certificado de Tipo seja emitido para a aeronave e que, algum tempo depois, as primeiras entregas sejam feitas (DE ANDRADE, 2009).
As informações e dados obtidos durante a fase de projeto detalhado leva às modificações de engenharia que acabam ocupando o escritório de projeto por um longo período de tempo. Depois que a primeira série de aeronaves é entregue, a empresa continua a desenvolver o produto. Estes desenvolvimentos podem assumir a forma de um aumento ou redução na capacidade da aeronave (“shrinking or stretching”), a instalação de um novo tipo de motor, melhoria de desempenho com a introdução de refinamentos aerodinâmicos para “limpar” a aeronave e assim por diante (DE ANDRADE, 2009).
A ideia é elaborada por um departamento de projeto preliminar durante uma fase de especulação de projeto, dentro dos estudos sobre a factibilidade do mesmo. O objeto desta fase de projeto conceitual é investigar a viabilidade do projeto e obter uma primeira impressão de suas características mais importantes (DE ANDRADE, 2009).
Se os resultados parecerem encorajadores, tanto do ponto-de-vista técnico quanto do econômico e de mercado, a decisão para se levar à frente o empreendimento e iniciar-se o desenvolvimento do projeto para a nova aeronave pode ser tomada. Devem ser feitas comparações sistemáticas com algumas alternativas de projeto (análises com “QualityFunction Deployment, QFD”, por exemplo). O projeto que recebe os maiores escores é escolhido para ser elaborado em maior detalhe na fase de projeto (DE ANDRADE,2009).
As autoridades certificadoras do mundo ocidental são as seguintes:
– FAA – Federal Aviation Authority – 1958
– FAA – Federal Aviation Administration – 1966
– JAA – Joint Airworthiness Authority -1970
– JAA – European Joint Airworthiness Authority – 1992
– EASA – European Aviation Safety Agency – set/2002
– CAA – Civil Aviation Authority
– ANAC – Agência Nacional da Aviação Civil (Brasil)
A aplicação de survivability de helicópteros realmente começa no projeto conceitual.
A eleição de um projeto de helicóptero ideal para a segurança pública do Brasil, possibilitará o processo licitatório legal de inexigibilidade para a aquisição de uma aeronave que verdadeiramente atenda os pré-requisitos. A inexigibilidade esta prevista no artigo 25 da Lei Federal nº 8.666 de 21 de junho de 1993, mais conhecida como lei de licitações e contratos administrativos.
Quando a administração pública necessita adquirir um bem ou contratar um determinado serviço, que possui características especiais e especificações ímpares, que apenas um fabricante ou fornecedor possua, torna-se impossível a realização de licitação, pois o universo de competidores se restringe apenas a um único participante.
A regra de licitar para se obter a proposta mais vantajosa dentro de um universo de fornecedores, concede o lugar à sua exceção de não licitar, pois o objeto assume uma característica de tamanha singularidade que se torna impossível realizar uma competição, em razão de que apenas um fornecedor possui o objeto almejado pela administração pública.
Portanto, a compra de uma aeronave com características que só poderão ser atendidas por um determinado fabricante, define que somente ele detém a tecnologia para a sua fabricação, justificando a contratação direta por inexigibilidade de licitação. Há,contudo, que se comprovar a necessidade da utilização daquele bem, sob pena de estar a administração pública direcionando a contratação e favorecendo um determinado fabricante.
2º) CARÊNCIA DE FILOSOFIA DE EMPREGO OPERACIONAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS:
Já sabemos que os helicópteros operados pela aviação de segurança pública do Brasil foram projetados e constituídos somente para o transporte de passageiros, pré-hospitalar, resgates aquáticos e terrestres. Não foram projetados para operações de polícia para “combate urbano”. Neste caso, o conceito de “combate urbano” se escuda na legalidade, e no manto da segurança pública, ou seja, existe uma justificativa de vários profissionais da área, que este conceito é um “problema” estrito de segurança pública.
Realmente, é missão do poder público responsável pela segurança pública conter o avanço da criminalidade. Mas com qual nível de exposição fatal aos operadores e ônus institucional aos órgãos de segurança pública, caso ocorra à queda de uma aeronave com ou sem mortes da tripulação, de pessoas em terra ou inocentes atingidos por projéteis?
As ações de combate das tripulações em operações com estado de guerra, guerra civil ou guerrilha são mais permissivas, através de um amplo respaldo na legislação para o combate pontual em áreas condensadas mesmo com a presença de civis. Mas como o Brasil não está em estado de guerra oficialmente declarada, a Constituição Federal, a legislação penal e processual penal, não respaldam ações policiais de “combate urbano”, especificamente no que diz respeito ao risco em potencial de alvejarmos do helicóptero, pessoas inocentes, residentes ou transeuntes, localizados próximos à posição dos criminosos / atiradores.
Sabe-se que existe uma “guerra” dos criminosos contra os órgãos de segurança pública no Brasil. Essas operações aéreas são uma “caixa de pandora”. Caso, uma ou mais pessoas inocentes sejam inadvertidamente alvejadas (com ou sem mortes) em áreas condensadas por projéteis disparados pela tripulação da aeronave, ocorrerá naturalmente a responsabilização penal, civil, administrativa com conseqüências sociais “cobrando”das tripulações e das instituições, as quais essas tripulações pertencem. É um efeito litisconsorciado que atinge simultaneamente vários seguimentos do poder público e da sociedade civil. Lembro que a concepção de emprego helicóptero em operações policiais e não de guerra, em áreas condensadas por civis, deve ser por usado estritamente como plataforma de observação aérea, com a missão específica de informar os policiais em terra, sobre a localização dos meliantes e de possíveis fugas, além de externar a ostensividade como produção da prevenção.
Caso ocorra o emprego do helicóptero nestes ambientes hostis com vôos pairados, em baixa velocidade, próximos ao solo e com tripulação exposta externamente junto às portas e esquis da aeronave, o helicóptero e sua tripulação será identificado como um alvo bem “silhuetado”, ou seja, fácil de ser alvejado.
Para efetivamente ingressarmos numa condição técnica e profissional, deve-se quantificar esta exposição aos riscos e ameaças demasiadas do helicóptero e tripulações nestes tipos de operações, avaliando à nível de gerência, qual o custo benefício de se tomar a decisão para operar ou não nessas ambientes.
Terá que haver um “batente” definindo o limite de emprego do helicóptero pelo gerenciador da segurança de vôo, que é o diretor da unidade e por conseqüência liticonsorciada, acima dele, direcionada a responsabilidade ao diretor da instituição, a qual pertence aquelas tripulações. As responsabilidades penais, civis, administrativas e sociais, mencionadas anteriormente, alcançam juridicamente a todos, sem exceção.
Não se pode sobrecarregar o piloto em comando da aviação de segurança pública,deixando para ele, e somente ele, tomar decisões de emprego que poderão resultar num mal maior. A decisão de emprego do helicóptero nestes tipos de operações não deve se sobrepor à segurança operacional de voo. Essa decisão deve realmente estar escudada em estudo técnico quantificado e qualificado dos riscos e ameaças proposto pela gerência ou direção da respectiva unidade aérea e instituição.
Por princípio doutrinário, a prevenção e a aplicação da segurança operacional de voo estão em primeiro lugar. Após essa análise, decide-se pelo cumprimento ou não da missão. Isto chama-se concepção, doutrina ou filosofia de emprego operacional com profissionalismo. Todos os procedimentos operacionais conotados como constantes na aviação, devem ser quantificados e qualificados em razão da segurança de voo com o ônus de algumas unidades aéreas ficarem a mercê de alguns pilotos com iniciativas individuais ou fisiológicas para as decisões de emprego não doutrinário e fora dos padrões coerentes de prevenção e emprego. A conseqüência disso é que as tripulações e equipamentos ficarão mais próximos aos incidentes, acidentes aeronáuticos ou pousos forçados.
A prática do fisiologismo ou a tomada de decisões personalísticas na aviação, normalmente não tem suporte técnico, e em muitos casos terminam com a ocorrência de acidentes aeronáuticos. A segurança de voo não absorve individualizações. Absorve sim, um comportamento doutrinário quantificado e qualificado com base nas experiências, combinadas com o suporte nas referências científicas.
Um piloto em comando de helicóptero da aviação de segurança pública, quando está conduzindo uma aeronave de sua corporação, na realidade ele está com uma enorme representatividade institucional, pois qualquer atitude ou decisão incorreta que ele tome, agindo fora dos padrões de emprego ou da segurança de voo, estará expondo não só a tripulação e o equipamento, mas também o nome da corporação que aquele comandante de aeronave pertence. A responsabilidade é triplicada sobre os ombros do piloto.
O piloto em comando deve ter a plena consciência que a condução das manobras de voo não são do próprio piloto, isto quando se trata de uma aeronave pertencente aos órgãos de segurança pública. O voo é institucional, ou seja, do manual de voo, das regras de tráfego aéreo e abrangidos pelo sistema de gerenciamento da segurança de vôo (SMS Safety Management Systems) da ANAC.
As gerências de segurança de voo das unidades aéreas de segurança pública devem voltar sua atenção para a correção da possível ocorrência de comportamentos atípicos de alguns tripulantes, que muitas vezes sem a devida experiência, ou pela falta de conhecimento da doutrina de segurança de voo ou convivendo sem uma doutrina de emprego aplicada pela unidade, quer por imitação (“contaminação”) ou indisciplina, aquele piloto assume um comportamento da “política de espetáculo”, transmitindo essa atitude para os comandos da aeronave, praticando manobras de voo atípicas em operações reais, colocando o equipamento e o restante da tripulação em risco potencial, além de já estar num ambiente hostil cheio de ameaças e riscos, aplicando manobras em muitos casos com fatores de carga excessivos, fadigando os componentes aeronáuticos da aeronave, efetuando manobras em muitos casos, fora do envelope da aeronave, a qual não foi projetada para estes tipos de manobras. Logo, conclui-se que, se isso acontece a operação deixa de ter conotação profissional e passa a ter conotação amadora.
A partir do momento em que o piloto em comando de uma aeronave, modifica seus procedimentos de voo; foge do seu envelope, não segue o manual de voo ou lesa os princípios da segurança de voo, sua conotação de voo, deixa de ser profissional e passa a ser puramente amadora, expondo a tripulação, o equipamento, a instituição a que pertence e as pessoas em terra a inúmeras conseqüências desnecessárias.
Atenção redobrada deve-se ter é com a “política de heroísmo”. Muitas vezes o piloto por iniciativa própria com elevada vaidade ou incentivado pela tripulação para se mostrar destemido ou herói perante os companheiros em voo e da unidade aérea, coloca excessivamente e sem necessidade, a aeronave numa condição de voo em ambientes extremamente hostis, recheados de ameaças e riscos em potencial. Riscos esses produzidos pelo homem, pela natureza ou muito próximos a obstáculos físicos, tudo com o objetivo de obter um rótulo de destemor, em muitos casos sem um resultado de êxito operacional naquela missão. A conseqüência desse comportamento fisiológico incide em lesões à doutrina de emprego e à segurança de voo.
Também deve ser quantificado tecnicamente, se verdadeiramente está havendo uma sensível baixa no índice de criminalidade destes ambientes hostis, em razão do emprego de helicópteros da aviação de segurança pública. Pelo elevado ônus e investimento da aviação, esses índices deveriam estar baixando incisivamente? Se não estão baixando ,então não justifica para o Estado e para a sociedade, o emprego de helicópteros nessas operações críticas. Isso por causa da elevada exposição das tripulações aos riscos de morte e ameaças; pelo alto custo de investimento na aviação e pelas conseqüências sociais com as responsabilidades penais, civis e administrativas sobre as tripulações; sobre os gerentes e sobre as instituições, caso ocorra a queda de uma aeronave. Justifica toda esta exposição?
Por fim, outro fato para as unidades aéreas analisarem, é se os helicópteros e suas tripulações não estão sendo empregados incorretamente para resolver “todos os problemas” de segurança pública nestes locais condensados de criminalidade. Se estão sendo empregados operacionalmente como a “última fronteira” da presença do Estado para diminuir os índices de crimes.
As tripulações e o equipamento não devem ser empregados como vitrine e batente, conotado como “salvador da pátria” em ambientes hostis sem os requisitos de survivability combinados com um disciplinado gerenciamento de risco. Se não há investimento efetivo do poder público para contribuir na diminuição da criminalidade nessas comunidades, não será o emprego e a exposição em “combate urbano” das tripulações dos helicópteros da aviação de segurança pública a solução desses problemas, que são causados dinamicamente por inúmeros fatores sociais e culturais que extrapolam em muito a segurança pública.
É importante que as tripulações estejam contextualizadas com o seu papel, para realmente saberem as causas que tornaram esses ambientes hostis e saberem que sua missão de vôo, nestes locais, está sendo o resultado da falta de investimento do poder público.
3º) CARÊNCIA DA SEGURANÇA OPERACIONAL DE VOO:
As tripulações dos helicópteros da aviação de segurança pública do Brasil cumprem missões emergenciais de alta complexidade. Essas missões requerem inúmeros procedimentos operacionais e quando somados à pilotagem do helicóptero, exigem dessas tripulações um elenco de ações imediatas e antecipadas, dentro da concepção dinâmica do voo do helicóptero para estes tipos de missão. Como terceiro vetor, inclui-se ainda, o gerenciamento da tecnologia de sistemas, instalados nas aeronaves, os quais são administrados pelas tripulações durante os atendimentos emergenciais. À retaguarda desses três fatores preponderantes e complexos, existe um ser humano profissional que é propenso a incidir na incorreção de procedimentos. Além disso, existe uma estrutura organizacional institucional “cobradora” que não lhe dá, em muitos casos, o competente suporte de gestão para operar de forma preventiva.
A carência da cultura de segurança de voo nos órgãos de segurança pública estaduais é evidente. Não me relaciono diretamente às unidades aéreas de segurança pública, mas sim às Instituições, as quais essas unidades aéreas pertencem. É óbvio que nas instituições de segurança pública estaduais não há uma cultura SIPAER, pois o vetor não é a aviação, e sim, a segurança pública. No “universo” da segurança pública do Brasil, somente as unidades aéreas da aviação é que realmente “respiram” a concepção da segurança de vôo. Na esteira deste contexto, vem o não investimento em recursos humanos, gerando, como exemplo, condições de fadiga nas tripulações. O não investimento em treinamento, gera falta de proficiência, entre outras evoluções de condições latentes e propícios à construção de uma cadeia de eventos, além da carência de EPIs.-Equipamentos de Proteção Individual.
Como os sistemas tecnológicos da aviação e componentes aeronáuticos estão cada vez mais confiáveis, a ocorrência de acidentes aeronáuticos com causa no fator material estão se apresentando com menor freqüência. Atualmente, os humam errors são os que mais contribuem para a ocorrência de incidentes ou acidentes aeronáuticos. O CENIPA divulgou no ano de 2009 os percentuais referentes aos humam factors, contribuintes para a ocorrência de acidentes aeronáuticos com helicópteros entre os anos de 1999 e 2008. São os seguintes: a) 52,9% – Julgamento; b) 47,1% – Supervisão; c) 36,0% -Aspecto psicológico; d) 36,0% – Planejamento.
Um piloto de helicóptero da aviação de segurança pública durante uma operação de missão emergencial, em média a cada quatro minutos de voo, faz de inopino e simultaneamente, no mínimo, quarenta tomadas de decisão com ações de manobras de voo e gerenciamento dos sistemas da aeronave, desde o acionamento até o término da missão (considerando-se curvas, aplicações simultâneas de pedais, aplicação de comandos coletivo e cíclico, subidas e descidas, comunicações rádios, pousos e decolagens restritas, checklist , mudanças constantes de proa e velocidade, scans em instrumentos de painel, entre outros) tendo a tripulação que garantir a segurança operacional de voo combinado com o alcance do êxito na missão. As missões são cercadas por ambientes hostis constituídos por ameaças naturais e humanas.
A sugestão para essa construção suporta-se no conceito de criar ferramentas com a aplicação do gerenciamento de riscos e serão desenvolvidas com base em doze fatores a nível tático (operadores) e seis fatores ao nível estratégico (gestão institucional). Para o nível tático são os seguintes procedimentos de análise e quantificação para a identificação dos erros ativos: 1) Falha de intenções ao erro; 2) Falhas de atenção; 3) Falhas sensoriais; 4) Carência de percepção; 5) Carência de cognição; 6) Falha de comunicações / informações; 7) Falha de gestão com retardo para tomada de decisões corretivas; 8) Falha de conhecimento situacional; 9) Falta de capacidade para reparar o erro; 10) Falha na seleção de ações corretivas; 11) Falha de habilidade comportamental– deslizamentos, modos e erros; 12) Falha no feedback não alcançando o resultado corretivo e contextualizado. A nível estratégico são os seguintes objetivos para se alcançar: 1) Saber a missão na concepção de aviação, ou seja o que se pretende atingir com a aviação; 2) Disponibilizar recursos para investimento na aviação respectiva; 3) Implementar normas operacionais e regras de operações aéreas; 4) Desenvolver processos organizacionais estruturando a aviação; 5) Produzir como meta um excelente clima organizacional, e 6) Produzir feedback com co-responsabilização de todos envolvidos na cadeia de direção (HENDY, 2002).
A produção de estratégias para a alocação de atenção e percepção das tripulações (NASCIMENTO, 2009) deve ser constante. Devem-se criar ferramentas para orientar os tripulantes das unidades aéreas da aviação de segurança pública dos estados, para aplicação de um sistema completo de classificação das possibilidades de ocorrências falíveis com as hipóteses de incorreções, identificando as condições latentes e falhas ativas existentes. Dentro das ferramentas deverão existir condições providenciais para a sua implementação, através da direção com controle e processos de supervisão (SHAPPELL e WIEGMANN, 2000).
Outra relevante ferramenta é o gerenciamento do risco, pois é uma metodologia que ajuda os gerentes a fazerem melhor uso dos recursos disponíveis. Os passos de um processo de Gerenciamento de Risco são um guia genérico para qualquer organização, qualquer que seja o tipo de negócio, atividade ou função. São sete os passos que o gerente deverá cumprir metodologicamente dentro do processo de gerenciamento do risco para obter um excelente êxito e excelência de gestão. São os seguintes: 1) identificar o problema; 2) identificar os riscos; 3) analisar os riscos; 4) avaliar os riscos; 5) tratar os riscos; o risco é dinâmico e sujeito a mudanças constantes. Assim, o processo inclui na seqüência: 6) Monitorar e revisar os riscos e 7) Comunicar e consultar os riscos (CYRILLO, 2009).
O gerente poderá usar três métodos para a avaliação do risco: 1°) Avaliação subjetiva envolvendo o tipo de missão e riscos, probabilidade, gravidade, exposição conjugados com o risco aceitável; 2º) Uma matriz de gerenciamento do risco obtendo a quantificação da insegurança ou o “método tricolor” (verde, amarelo e vermelho), e; 3º) Método MSGR avaliando a probabilidade de níveis de risco e as categorias de severidade do risco (CYRILLO, 2009).
Outra ferramenta relevante seria a inclusão ao conhecimento da teoria do risco aceitável, inserido no ciclo de prevenção de acidentes. Devemos considerar o emprego operacional desnecessário de aeronaves em missões que envolvem exposição desnecessária ao risco na aviação de segurança pública do Brasil. Considera-se também,o emprego operacional necessário conjugado com o risco aceitável (PINTO, 2000). Como conseqüência desta carência, à exposição demasiada ou desnecessária ao risco dessas tripulações fica mais próxima aos incidentes e acidentes aeronáuticos, com uma análise criteriosa dos tripulantes da unidade aérea diante das relações entre os conceitos de complexidade, interligação, cognição e catástrofe (PERROW, 1983)
CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA:
Os órgãos públicos (operadores) de segurança pública, que pretendem adquirir um lote de helicópteros do mesmo tipo e modelo, deverão tomar uma postura, exigindo dos fabricantes de helicópteros, a adequação e o investimento num projeto aeronáutico específico, não aceitando que o fabricante ofereça aleatoriamente, retóricas persuasivas de marketing para a venda de helicópteros que não atendam verdadeiramente às necessidades operacionais de survivability dos helicópteros da aviação de segurança pública. A aviação de segurança pública do Brasil tem, por obrigação, mostrar com brevidade postura de construção dessa exigência, com o ônus de se expor às ameaças e riscos.
Partindo de uma visão conceitual para a aplicação do profissionalismo na aviação, o emprego de aeronaves não projetadas para o “combate aéreo” urbano, é uma incoerência técnico-profissional, quanto emprego operacional de uma aeronave projetada para outro fim. Aquela aeronave projetada e eleita com todas as condições técnicas de survivability, como sugestão não será inserida como para o combate urbano, mas como plataforma de observação aérea, mantendo a altitude de segurança para as operações, usando os recursos tecnológicos que será descrita abaixo.
Com certeza os fabricantes de helicópteros num futuro próximo, através da concorrência, deverão por força da exigência de um mercado dinâmico e mais seletivo, contribuir com uma parcela no investimento de seus projetos. Que esses novos projetos, realmente atendam as necessidades da aviação de segurança pública do Brasil, com o ônus, caso não invistam, de seus equipamentos se tornarem obsoletos e inoperantes para as missões requeridas.
Como gestores, deveremos dirimir a exposição ao risco nas operações aéreas, inserindo para as tripulações um comportamento operacional de risco aceitável e apresentando como proposta, um “envelope” criterioso que defina os limites dessas operações,contribuindo para padronizar e disciplinar a aplicação de etapas e métodos de gerenciamento do risco na segurança operacional de voo (PINTO, 2000).
Como meta a ser alcançada pela administração da unidade aérea ou da direção do órgão público, a decisão de cancelar ou empregar helicópteros em ambientes hostis com ameaças e riscos, deve-se priorizar a aplicação da segurança operacional de voo em detrimento do cumprimento da missão. Essa é a grande responsabilidade do gestor proceder com prevenção.
Reunindo todos os aspectos e dados elencados no presente artigo, somados à complexidade operacional que envolve a aviação de segurança pública, entendo que as seguintes medidas estratégicas deverão ser providenciadas com a maior brevidade possível, sendo administradas com as corretas recomendações para afastar e prevenir a aviação de segurança pública do Brasil da proximidade de incidentes ou acidentes aeronáuticos.
Como sugestão, o Ministério da Justiça, por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), através do seu Conselho Nacional da Aviação de Segurança Pública, instituído por Portaria do Ministério da Justiça e representados por titulares da Aviação de Segurança Pública dos 27 Estados da Federação, e pela sua Comissão Interna de Segurança de Voo, deverão conveniarem com o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos-CENIPA, construindo ferramentas de gerenciamento do risco, tanto a nível tático para operadores, como estratégico para gestores.
A aplicação dessas ferramentas em cada Estado da Federação e órgãos da União, alcançará especificamente cada unidade aérea (Polícia Federal, Polícias Militares, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Civis e Corpo de Bombeiros Militares), ferramentas essas, que serão determinadas e encaminhadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública às Secretarias de Segurança Pública Estaduais. Diante dessa exposição, entendo que a aplicação dos processos de gerenciamento do risco serão eficazes, como ferramentas mantenedoras da segurança operacional de voo, nas inúmeras missões emergenciais e inopinadas em que as tripulações da aviação de segurança pública do Brasil estão inseridas. Elevando, assim, o nível de alerta e ampliando a consciência situacional dessas tripulações, bem como inibindo o início de uma cadeia de eventos que poderá incidir na ocorrência de incidentes ou acidentes aeronáuticos.
Uma estratégia operacional que deve ser avaliada para diminuir a exposição das tripulações ao risco em ambientes hostis, é operar com a aeronave na condição doutrinária como plataforma de observação aérea usando componentes tecnológicos de localização e monitoramento de pessoas à distância ou altitude levando potentes câmeras que permitem visualizar de grande altitude o movimento de veículos e pedestres, usados nos UAVs (Unmanned Aerial Vehicle), também chamados de Vants operados pela Polícia Federal e fabricados em Israel. “Poderemos chegar a lugares que hoje não chegamos e ver os alvos de cima sem risco de sermos atingidos”, explicou o delegado Alessandro Moretti, coordenador do Cintepol da Polícia Federal.
Por fim, de nada adianta a aviação de segurança pública do Brasil eleger, através dos fabricantes, um projeto de helicóptero ideal, aplicando e prevenindo nesse projeto, todos os aspectos de suscetibilidade e vulnerabilidade de survivability de helicópteros; também não adianta empregar a aeronave em ambientes hostis com blindagem para projéteis ponto 50 ou ponto 30, tanque de combustível auto-selante entre outros, se não existir a aplicação de doutrina de segurança de voo para o emprego operacional, bem como a contextualização dos três universos que gravitam em torno da aviação de segurança pública do Brasil, elencados no presente artigo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AUTOR: Tenente Coronel MILTON KERN PINTO é o atual Comandante do Batalhão de Aviação da Polícia Militar de Santa Catarina; foi o Coordenador Geral das Operações Aéreas de Defesa Civil nas calamidades do Estado de Santa Catarina em novembro/dezembro de 2008, envolvendo diretamente 26 helicóteros; é Membro Titular do Conselho Nacional da Aviação de Segurança Pública da SENASP-Ministério da Justiça; é piloto de avião e instrutor de vôo de helicóptero; é examinador / checador de helicóptero, credenciado pela ANAC; fez o curso de operações especiais no BOPE-Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro; é Bacharel em Direito; é Pós Graduado em Segurança Pública; e atualmente é mestrando no curso de mestrado no ITA-Instituto Tecnológico de Aeronáutica na área de pesquisa em Engenharia Aeronáutica / Segurança de vôo e Aeronavegabilidade Continuada em São José dos Campos-SP.
Helicóptero da PNP faz pouso de emergência perto de Tingo Maria
Tingo María – Huánuco – Um helicóptero da Aviação Policial do Peru em 13/12/09 sofreu um acidente a sete quilômetros de Tingo Maria, no momento em que efetuava pouso para o embarque do pessoal do Projeto Corah, equipe que realizava trabalho de erradicação da cocaína ilegal na região.
Aviônicos e sistemas em “Estado de Arte”
ALEX MENA BARRETO
No artigo publicado no site: Tempo de Padronizar os Helicópteros Policiais foram elencados diversos aviônicos e equipamentos que trariam vantagens e segurança para a atividade de aviação policial.
O que o helicóptero da polícia está fazendo aqui ?
O que a Polícia está fazendo?
Sacramento (EUA) – Você já viu o helicóptero da polícia voando ou carros de polícia na rua – pergunto: o que eles estão fazendo?
Rondônia recebe helicóptero para a Segurança Pública
Em seu primeiro ato como governador em exercício, Cahulla recebeu da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça, um helicóptero Schweizer modelo 269-C1, com dois lugares, que será encaminhado para a Secretaria de Estado de Segurança, Defesa e Cidadania (SESDEC).
FLIR Vision Award Winners 2009
Como foi dito em artigo passado, a FLIR ® estimula a gravação de ocorrências policiais, resgates, salvamentos, etc, com a utilização do equipamento infravermelho, selecionando as melhores filmagens em uma espécie de “Oscar”.
PM/SC corre contra o tempo para não deixar Joinville sem helicóptero
A licitação para o aluguel de dois helicópteros para a Polícia Militar de Santa Catarina está sendo reiniciada faltando três semanas para o término do atual contrato, que encerra no fim do ano.
MPF abre inquérito para investigar compra de helicóptero no Acre
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para investigar a possível prática de ilícitos pela empresa Helicópteros do Brasil S.A. (Helibras) no âmbito do processo licitatório (pregão) de compra de um helicóptero pelo governo do Acre.
Helicóptero da PRF foi fundamental no socorro às vitimas no Paraná
O helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi fundamental para o resgate de duas pessoas vítimas da violência que tomou conta do estádio Couto Pereira, depois do jogo entre Coritiba e Fluminense, neste domingo (6). Em meio à confusão, a aeronave pousou no gramado para atender os feridos, já que a grande concentração de torcedores dificultaria a saída de uma ambulância.
Simulado de acidente náutico em Joinville/SC
Santa Catarina – Quinze homens ao mar e uma equipe de 50 pessoas, entre bombeiros, socorristas e policiais, envolvidos em uma grande operação de salvamento. Assim foi o simulado de um acidente náutico, realizado neste sábado (05Dez09), na Vigorelli, em Joinville.









































